
Jornal GGN – A bolsa brasileira encerrou as operações de terça-feira em alta, diante da repercussão do discurso da presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), Janet Yellen, e dos desdobramentos do cenário político brasileiro.
O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou o dia em alta de 0,62%, aos 51.154 pontos e com um volume negociado de R$ 7,126 bilhões.
“A terça-feira teve como principal evento da agenda o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, onde os investidores tentariam buscar pistas sobre os próximos passos do banco central norte-americano”, diz o BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Fabio Cesar Cardoso, ressaltando que esse foi o primeiro discurso de Yellen desde a reunião de meados do mês, quando o Fed avisou que qualquer decisão sobre novos aumentos dependerá de dados econômicos. “No discurso de hoje, Yellen deu um discurso considerado “dovish”, reduzindo chances de alta de juros nos Estado Unidos antes do segundo semestre”, pontua o analista. Na Europa, os principais índices fecharam em leve alta hoje, depois de permanecerem fechados ontem em virtude do feriado de páscoa.
Já os preços do petróleo recuaram hoje, “refletindo preocupações crescentes dos investidores com os níveis de demanda e oferta e também com um relatório de estoques nas refinarias que seria divulgado no final da tarde”, diz o analista do BB Investimentos. Outra fonte de preocupação é com a reunião entre os membros da Organização dos Países Exportadores de
Petróleo (Opep) e outros países exploradores no dia 17 de abril, em Doha, no Qatar, para discutir o congelamento da produção. O barril WTI (Nymex) para maio fechou em queda de 2,82%, a US$ 38,28. O barril negociado em Londres (ICE) para junho recuou 2,49%, a US$ 39,85.
No Brasil, a oficialização da saída do PMDB do governo já era esperada pelo mercado e não chegou a influenciar as operações do dia. O desempenho do índice foi puxado pela recuperação das ações do setor financeiro: as ações do Banco do Brasil (BBAS3) ganharam 2,99%, a R$ 20,70. As ações do Bradesco (BBDC4) subiram 1,74%, a R$ 28,02, enquanto os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) terminaram o dia em alta de 0,60%, a R$ 31,95.
O cenário político também foi favorável para as ações da Petrobras. As ações preferenciais da estatal (PETR4) subiram 0,59%, a R$ 8,49, enquanto as ações ordinárias (PETR3) terminaram o dia estáveis, a R$ 10,63.
Entre as maiores baixas estiveram Vale e siderúrgicas, em meio a um recuo no preço do minério de ferro à vista na China ontem. As ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 0,53%, a R$ 15,09, ao passo que as ações preferenciais (VALE5) perderam 0,70%, a R$ 11,31.
No câmbio, a cotação do dólar comercial fechou em alta de 0,34%, valendo R$ 3,638 na venda. Apesar do ganho, o dólar acumula queda de 9,13% no mês e de 7,85% no ano.
Assim como ocorreu com a bolsa de valores, as operações com o câmbio foram igualmente afetadas pela movimentação do cenário político brasileiro e o discurso de Janet Yellen. Ao mesmo tempo, o Banco Central voltou a atuar no mercado de câmbio: a autoridade monetária vendeu 19.520 dos 20 mil contratos de swap reverso, que equivale à compra futura de dólares, naquela que foi a quinta operação desse tipo neste mês. Além disso, o BC não fez leilão de rolagem de swaps tradicionais, que equivalem à venda futura de dólares.
Para quarta-feira, os agentes aguardam a publicação do índice de preços ao consumidor na Alemanha; solicitação de empréstimos e a variação de empregos no setor privado nos Estados Unidos; resultado primário do setor público, IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e os dados de confiança do consumidor a serem publicados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
(Com Reuters)
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