Crítica sobre o filmaço 127 horas
Não vou esperar 127 horas de chuva pra fugir do Carnaval!” – Pensei antes de terminar minha segunda-feira carnavalesca na fila do cinema.
Cinco filmes em cartaz na sessão das nove: O Turista; Caça as Bruxas; 127 horas; Cisne Negro e o nacional De pernas pro ar.
Usei o longo tempo na fila de compra das entradas pra decidir qual longa assistir. A dúvida pairava entre Cisne Negro – impulsionado pelo Oscar de Natalie Portman – e o clichê Caça às Bruxas com Nicholas Cage.
Contudo, pêgo de surpresa, minha dúvida foi devidamente defenestrada mediante a ausência opções. 127 horas era o único filme com ingressos ainda disponíveis. Efeitos pluviais do carnaval…
Não exitei em comprar as entradas, afinal um filme rápido – 94 minutos – dirigido pelo premiado Danny Boyle (Quem quer ser um Milionário; A Praia) pra sessão das nove da noite é uma excelente opção. Sou adepto do Fast Movie para overnight.
James Franco (Homem Aranha 1,2 e 3; Comer, rezar e Amar) é Aron Ralston, um engenheiro e alpinista que não é muito chegado a dar satisfação sobre seus destinos aventureiros.
É facilmente perceptível a quantidade de desafios impostos ao diretor desse filme. O primeiro deles, comum a grande maioria dos longas de roteiro adaptado. Como tornar interessante um filme cujo quase todos já conhecem o final da trama?
Boyle foi muito feliz na escolha dos recursos pra tornar a trama interessante ao espectador.
- Diversidade de ângulos das câmeras: O diretor esbanjou diferentes ângulos. Destaque pra câmera dentro do tubo de camelbak. Boyle recorreu a essa câmera diversas vezes para passar informações importantes ao espectador, tais como a quantidade de líquido que restava no recipiente ou o tipo de líquido que era sugado por Aron.
- Edição de som fantástica: Impressionante o ruído que a edição de som inseriu na cena da amputação. O espectador associa o ruído à dor de ter um nervo cortado, mesmo sem nunca ter passado pela experiência.
- Raio X – Confesso que senti um pouco de Tarantino em Danny Boyle quando vi a cena do raio x no braço de Aron.
O segundo e maior desafio do diretor foi o de prender a atenção do espectador a uma estória de 127 horas sem novos acontecimentos e principalmente sem diálogos.
Para resolver o problema da ausência de acontecimentos e preencher a trama, Boyle fez o básico:
- Prolongou um pouco o “Antes” do acidente, narrando um encontro casual com duas garotas aventureiras e um banho de piscina natural.
- Também no “Antes”, enfatizou imagens em pontos importantes para o restante do filme, como por exemplo o canivete esquecido, o telefonema da mãe ignorado e a garrafa de Gatorade deixada no interior do carro.
- E principalmente, sempre que necessário recorreu a algum sempre bem escolhido “flash back” de acontecimentos da vida de Aron.
O problema da ausência de diálogos foi facilmente superado pelo diretor com as inserções de depoimentos de Aron a sua filmadora. O equipamento eletrônico funcionou como uma espécie de Bola Wilson ao “escutar” as alucinações do protagonista confinado.
Enfim, uma estória que poderia ser contada em 127 segundos com detalhes, conseguiu prender a atenção do espectador por 94 minutos, mesmo com a ausência de grandes emoções. Este é o grande mérito de 127 horas.
E não se esqueça, antes de sair de casa, poste seu destino no Twitter.
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