4 de junho de 2026

Oposição quer incluir delação de Delcídio sem adiar rito

 
Jornal GGN – A inclusão da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff é o foco dos debates entre deputados da oposição e governistas na comissão especial. 
 
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, decidiu incluir na denúncia o conteúdo do depoimento. Entretanto o atual processo investiga as chamadas pedaladas fiscais, que configurariam infração à lei orçamentária, e temas relativos à corrupção na Petrobras já foram rejeitados em dezembro do última ano, quando acolhida a denúncia de impeachment.
 
Na noite desta segunda (21), deputados aliados do governo, como Paulo Teixeira (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) criticaram a decisão de Cunha. “Nova denúncia significa nova comissão para novo processo”, disse Jandira. Já Paulo Teixeira defende que a Comissão não poderá envolver as discussões a respeito da Petrobras, uma vez que não está incluída na denúncia original. “Apenas sobre isso [as pedaladas] a comissão deve se manifestar”, disse.
 
Segundo a deputada do PCdoB, enquanto não for definido o foco da denúncia, “não se pode contar o prazo de defesa”. Mas o presidente da Câmara, entretanto, já está considerando o desconto de duas sessões do Plenário, de um total de dez, para os advogados da presidente Dilma Rousseff apresentarem a defesa – a da última sexta-feira (18) e desta segunda. 
 
Em entrevista coletiva, Cunha negou as afirmações dos aliados e disse que não houve nenhum aditamento à denúncia, mas “uma juntada de documentos” feita por solicitação dos próprios autores do pedido de impeachment, que são os advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal. O peemedebista definiu que caberá à comissão especial decidir o que fazer com os novos documentos.
 
Por outro lado, o deputado afirmou que a presidente Dilma já foi avisada sobre a inclusão da delação do Delcídio no processo, quando foi notificada da instalação da Comissão Especial, na última semana. De acordo com ele, não há necessidade de reabertura do prazo de defesa. 
 
Na coletiva, atacou os aliados e afirmou que a tentativa de manobra é dos deputados governistas. “Eles estão fazendo manobras para tentar protelar, para tentar criar um clima de que precisa de mais tempo. Estão com medo, porque a situação a cada dia está ficando mais complicada. Vamos responder às manobras aplicando o Regimento”, disse.
 
A expectativa é que em reunião nesta terça (22) seja decidida a questão de manter ou não a delação de Delcídio. “Precisamos resolver o mais rapidamente possível, exatamente para dar o direito de defesa a quem quer que seja”, afirmou o relator da comissão, deputado Jovair Arantes (PTB-GO).
 
Nesta segunda, Jovais apresentou o plano de trabalho da Comissão. Para ele, não haverá diligências ou oitivas para a comprovação dos fatos, porque “o procedimento nesta fase é pré-processual” e a autorização da Câmara é apenas autorizar ou não a análise da denúncia para o Senado.
 
A semana será dedicada pelos deputados da Comissão para reuniões com consultores da Casa para esclarecer aspectos técnicos. A intenção é que na próxima semana sejam ouvidos os autores da denúncia e o procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Júlio Marcelo de Oliveira.
 
O presidente do colegiado, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), pretende conversar com técnicos da Câmara nesta terça-feira, para dar uma resposta sobre a decisão de manter ou não a delação de Delcídio nos autos, e os impactos no processo.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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10 Comentários
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  1. emerson57

    22 de março de 2016 3:56 pm

    K.

    Estes senhores de cartazes na mão e fitinhas pela roupa, eu conheço.

    São todos KUNHA !

  2. CB

    22 de março de 2016 4:14 pm

    Em república de bananas é

    Em república de bananas é assim.

  3. JB Costa

    22 de março de 2016 4:37 pm

    São uns irresponsáveis mesmo!

    São uns irresponsáveis mesmo! E também desesperados! 

    Como justificar um pedido de impeachment com base num simples depoimento, de uma reles acusação sem nenhuma prova à subsidiá-la feita por um delator ressentido e sem caráter? 

    Se num extremo de irresponsabilidade e safadeza o Congresso aprovar esse pedido fajutíssimo de impeachment, abrirá um precedente que simplesmente demolirá a segurança institucional. A partir daí a instabilidade grassará e dificilmente um eleito conseguirá ir até o meio do mandato.

    É isso que esses moleques querem? 

  4. emerson57

    22 de março de 2016 4:57 pm

    juntando

    somando essa cambada de kunha ai da câmara num dá meio deste:

    [video:https://youtu.be/s6_TWsSlck4%5D

  5. Jorge L. Pinto

    22 de março de 2016 5:52 pm

    Já foi retirado.

    Já foi retirado.

  6. claudia sp

    22 de março de 2016 6:11 pm

    se eles podem usar o

    se eles podem usar o delcpidio sem provar contra dilma, não podemos usar a mesma delação para cassar o mandato dos demais citados, incluindo o vicepresidente tems, o presidente do senado renan, o presidente da câmara cunha, o senador aécio, o deputado carlos sampaio e todos os demais!! se serve para dilma serve para eles tb oras… cada coisa inacreditável!!!!

  7. mcn

    22 de março de 2016 6:17 pm

    Guerrilha semiótica de 5ª categoria

    Deputados golpistas usando verde e amarelo na testa (ou desonrando as cores da bandeira nacional, conforme a leitura) e usando cartõezinhos vermelhos (cor do PT) com palavra “impeachment”, quase em desuso entre os que de verdade amam e honram este país.

    O nome do que esses deputados estão fazendo é Golpe de Estado.
     

  8. Carlos P.

    22 de março de 2016 7:05 pm

    Delação = sofisma

    Delcídio saíra bem dessa afinal. Não se percebeu até aqui. e isso é grave, o mais evidente sofisma* do recém criado instituto da delação premiada, além dos já reiterados impedientes da sua lisura e constitucionalidade, de que tal instituto jurídico, sob o pretexto de punir criminosos, não representa ao final, nada mais do que efetivação da própria impunidade em cascata. Também quero ser delator!!!!!   * tenha-se sofisma como o que é deliberadamente enganoso.

  9. OBS

    22 de março de 2016 7:46 pm

    Abaixo, na direita,

    Abaixo, na direita, Olimpio.

    PM de SP que ganhou votos com seu dircurso de aumento de salários e “atacando” o governo do PSDB.

    Inclusive saiu em caravana juntamente com outros oficias do estado durante campanha em almoços promovidos por associações militares, até em dia dos pais.

     

  10. OBS

    22 de março de 2016 7:49 pm

    Estava na av paulista em um

    Estava na av paulista em um dos carros de som no dia 13. Falou e tb estava protegido pela mesma camarilha.

     

    OBS. A maioria dos PMs não concordam com nada do que está acontecendo.

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