4 de junho de 2026

Os desafios da siderurgia brasileira

Coluna Econômica

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Nos últimos meses, a Usiminas colocou o pé no freio do projeto de investimentos em Santana do Paraíso, uma usina de placas para produzir 5 milhões de toneladas ano. No Rio de Janeiro, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) – sociedade dos gigantes Vale e da alemã ThyssenKrupp – patina, sem conseguir fechar as contas.


É um conjunto de fatores que está tirando a competitividade de um dos poucos setores da economia nacional.


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OOpriO primeiro erro ocorreu na privatização.


Na ocasião o país tinha um conjunto de siderúrgicas estatais de bom porte, reunidas debaixo da Siderbras. Assim como na petroquímica, ganhos de escala e sinergia eram elementos centrais de competitividade. O correto teria sido privatizar a própria Siderbras e, depois, proceder à reestruturação competitiva do setor.


Em vez disso decidiu por picar o setor, para atender aos jogos políticos e financeiros da época.


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O segundo problema foram o aumento gradual do custo Brasil ao longo das décadas seguintes, uma política cambial desastrosa, a estagnação do mercado interno e a internacionalização da economia em um momento em que a estabilidade inflacionária (felizmente) tirou o poder de reajustes de preços do setor.


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Hoje em dia, o setor teria condições de voltar a se tornar um dos grandes players mundiais, uma imensa cadeia que sai da mineração, passa pela siderurgia e se desdobra na construção civil, na indústria automobilística, de máquinas e equipamentos.


Em 2010, o consumo aparente de produtos siderúrgicos chegou a 26,8 milhões de toneladas, 44% a mais do que em 2009 e 11% acima do período pré-crise de 2008. Só que desse total, 5,9 milhões de toneladas provieram de importações – 123% a mais do que em 2008. As exportações foram de 8,7 milhões de toneladas, apenas 1% a mais do que o ano da crise de 2009.


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Nos próximos anos, haverá investimentos pesados na Copa de 2014, nas Olimpíadas 2016, em óleo e gás, Minha Casa Minha Vida.


Mas aí entram os fatores conjunturais. No mundo, hoje em dia, há 554 milhões de toneladas de excesso de produção, dos quais 185 milhões da China, 64 do Japão, 126 da Europa, 33 dos Estados Unidos.


Mesmo com o câmbio defasado, a produção brasileira é relativamente competitiva. Considerando apenas custos de produção para bobina a quente e vergalhão, o Brasil tem o terceiro menor custo de produção para bonina a quente, superado apenas pela Rússia (12% a menos) e China (3% a menos), e quarto menor custo para vergalhão (atrás de Rússia, Estados Unidos e China).


Se incluir impostos sobre produção, investimentos e comercialização, o custo final sobe 51contra 22% da Alemanha. Desse total, 39% são produtos sobre valor adicionado. No caso das exportações, restam 12,7% de impostos contra média de 7,2% dos tributos sobre bobina quente.


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De sobra, há uma guerra fiscal que faz com que alguns estados do sul – como Santa Catarina – praticamente isentem as importações, para rentabilizar seus portos.


Nos próximos anos, o setor terá que se esmerar em ganhos de produtividade, de eficiência e de inovação. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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