Oi Nassif, desculpa colocar aqui, mas é que tem a ver também com arte e vida.
A coletiva pegou o pessoal na hora do almoço pela miríade de bares, botecos, lanchonetes e restaurantes deste Brasil.
Vi muita gente engasgando e tentando esconder lágrimas e emoção aqui em São Paulo.
Os Corinthianos, não, pois entendemos o que o Ronaldo e o Timão passarão a significar ainda mais.
Ronaldo, você foi um craque, e escreveu um bonito capítulo no livro do futebol e da vida no nosso Corinthians.
Obrigado.
Abraço geral, Gustavo Cherubine.
“Só o jogador de futebol morre duas vezes, a 1ª quando encerra a carreira.”
Falcão
14/02/2011 – 15h53
Corinthians, agradecimento e carreira marcam discurso de adeus de Ronaldo
Do UOL Esporte
Em São PauloO atacante Ronaldo deu nesta segunda-feira a sua última entrevista como jogador profissional de futebol. E no discurso as palavras mais usadas pelo craque foram “Corinthians”, “agradecer” e “carreira”.
Veja, na íntegra, como foi o anúncio da aposentadoria do jogador:
“Bom, boa tarde novamente. Como vocês devem imaginar e como vocês ouviram falar aí neste fim de semana, eu estou aqui hoje para… para, pô, fiz uma cola tremenda e não vou conseguir falar nada. Eu vim aqui para falar hoje que estou encerrando a minha carreira como jogador profissional e dizer que esta carreira foi linda, foi maravilhosa, foi emocionante, tive muitas derrotas, enfim, muitas vitórias, fiz muitos amigos, não lembro de ter feito nenhum inimigo, e, enfim, estou antecipando o fim da minha carreira por alguns motivos importantes.
Ronaldo chora ao falar da aposentadoria: “Quero agradecer em especial a torcida do Corinthians porque nunca vi uma torcida tão empolgante, tão apaixonada, tão entregue a um time de futebol” Mais Fernando Pilatos/UOL EsporteÉ… todos sabem aqui do meu histórico de lesões, tenho tido nos últimos dois anos uma sequência muito grande de lesões que vão de um lado para o outro, de uma perna para outra, de um músculo para outro e essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira.
Há 4 anos atrás, no Milan, eu descobri que sofria de um distúrbio que se chama hipotireoidismo, e é um distúrbio que desacelera o seu metabolismo e que para controlar este distúrbio teria que tomar uns hormônios no qual no futebol não é permitido, porque seria um doping, então muitos aqui agora devem estar arrependidos de terem feito tanta chacota com o meu peso, muitos comentários com o meu peso, e eu não guardo absolutamente nenhuma mágoa de ninguém, só queria explicar isto n
o último dia da minha carreira. [suspira]
Tenho muitos agradecimentos a fazer aqui. A todos os clubes que eu passei, São Cristóvão, Cruzeiro, PSV da Holanda, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid, Milan… ao Corinthians eu agradecerei daqui a pouquinho. Quero agradecer a todos os jogadores que estiveram comigo, que jogaram comigo, que jogaram contra, todos que foram leais, aqueles que foram também desleais, treinadores, com os quais tive grande relação, ou com outros também que tivemos alguma divergência de opinião profissional, agradecer aos meus patrocinadores.
Em primeiro lugar, agradecer, né, a Ambev e a Nike, que estão comigo desde que eu tenho 17 anos de idade, que acreditaram em mim e que me suportaram durante toda a minha carreira e que, com certeza, continuaremos ainda juntos em outros projetos. Quero agradecer à Claro, que é o meu patrocinador atual, por ter acreditado em mim também, mas, principalmente, agradecer a Hypermarcas que bancou realmente este projeto Corinthians, projeto que idealizamos, eu e o presidente (Andres Sanchez) nem um café da manhã, não é, presidente? Em um café da manhã no Rio de Janeiro, onde o Fabiano Farah, que durante nove anos foi meu agente, discutia detalhes com o Luís Paulo Rosenberg, que é o diretor de marketing do Corinthians e daí entramos, eu e o presidente, para tomar um café e apertamos as mãos e falamos que naquele momento seria, eu seria do Corinthians, independente do acordo que fosse, e que ele poderia trazer o contrato e que se fosse em branco eu assinaria. E é o que aconteceu. Porque os primeiros cinco meses nós não tivemos um patrocinador forte, até que depois de um tempo chegou a Hypermarcas e acreditou no nosso projeto e está conosco até hoje. Tenho muito que agradecer a eles.
Quero agradecer a minha família, quero agradecer a todos os críticos no geral, todos vocês que, enfim, me criticaram e que me ajudaram a ser mais forte em cada momento da minha vida, quero agradecer a toda a torcida brasileira que vibrou comigo, que torceu por mim, que chorou comigo quando eu chorei, que caiu junto comigo quando eu caí, mas desta torcida brasileira, em especial, eu quero agradecer a torcida do Corinthians [suspira] porque eu nunca vi uma torcida tão empolgante, [começa a se emocionar] tão apaixonada, tão entregue assim a um time de futebol, e é certo também que em alguma vezes esta cobrança, por resultados, faz desta torcida também um pouco agressiva, um pouco fora de controle, mas algumas vezes em outras entrevistas eu falei que… que eu não imaginava realmente ter vivido sem o Corinthians.
[Se emociona] Quero agradecer ao presidente, e pedir desculpas publicamente por ter fracassado no projeto Libertadores, dizer que [suspira] dizer que você é meu irmão [olhando para o presidente] dizer que a história aqui foi linda, foi maravilhosa [chora], que continuarei ligado e vinculado ao clube de maneira que você quiser, presidente. Muitas vezes vocês vão me ver no estádio torcendo para o Corinthians [enxuga as lágrimas]… tentar fazer um jogo da velha equipe. Estarei, enfim, eu vou, eu não… eu estava muito pior ali quando eu fui falar com o… você está dormindo aí? [fala com o filho Alex] na hora que eu fui falar com os jogadores, eu agradeci a todos eles. Ao Tite, por cada minuto e cada segundo que estive com eles.
E que como eu sempre fiz desde o primeiro dia que eu cheguei aqui, foi que nos momentos mais difíceis, eu vou entrar na frente deles para receber todo e qualquer bombardeio, e agora eu o farei do lado de fora, talvez com menos força, porque a minha força sempre foi responder tudo dentro de campo, né? É… a minha, o meu futuro já está bem organizado, eu vou me dedicar a minha agência, daqui a um tempo nós vamos anunciar a Fundação Criando Fenômenos, que é uma fundação que eu espero me dedicar muito tempo também, e é isto.
[Jornalista]: Ronaldo, o Falcão disse uma frase um dia, que jogador de futebol morre duas vezes, né, uma delas quando ele para. Se essa realmente é a sensação, e quando te perguntarem: “O que foi o Ronaldo?”, qual será a sua resposta?
[Ronaldo]: Parece que eu estava… está ligado [se referindo ao microfone]? Parece que eu estava… Bom, essa semana, depois de mais uma lesão no adutor, eu refleti muito em casa, e decidi que era o momento, que eu não ia esperar mais e que tinha realmente dado o máximo, mas o máximo que nunca imaginei que poderia chegar como sacrifício, e a partir de quinta-feira, quando eu decidi, parece que realmente estava em uma UTI em estado terminal, e agora este anúncio foi a primeira morte, então, digamos, é muito duro você abandonar algo que te fez tão feliz e que você se doou tanto e que você tem tanto amor e que poderia ainda seguir, porque mentalmente e psicologicamente ainda quero muito, mas tenho que assumir algumas derrotas, e eu perdi para o meu corpo e este é o momento e farei outras coisas na minha vida, para sempre.
[Presidente] Principalmente, uma vez por mês concentração, três dias antes.
[Ronaldo]: Você sabe que já estou até com saudade de concentração. [risos] Vou pegar a família e ir para Itu um dia desses. [risos]
[Presidente]: Já temos que achar algumas desculpas alguns dias concentrado.
[Jornalista]: Ronaldo, eu queria comentar contigo dois assuntos neste momento que você para. Quando você toma uma decisão como esta, você, é claro, deve conviver com pessoas próximas, familiares ou amigos que tentar fazer você mudar de ideia, não sei se isso aconteceu, mas se isso aconteceu, como é que foi para você resistir a isso, e se você, na sua carreira, que além dos gols e títulos tem muitas voltas por cima, se você puder parar para pensar e escolher um único momento, que na sua visão foi o principal, o que te emocionou mais, qual seria?
[Ronaldo]: Olha, as pessoas que estão próximas elas sofrem comigo, sofreram, comigo a cada dia. Eu sinto dor ao subir uma escada, e não, não tenho elevador dentro da minha casa, mas a todos que eu falei, todos me entenderam na primeira vez que eu falei. Eu doei a minha vida ao futebol e eu fiz todos os sacrifícios mais duros e impensáveis que alguém pode fazer e não me arrependo de nada, foi lindo demais, foi maravilhoso demais, foi… foi difícil demais, lógico, mas é… Qual foi a outra pergunta? Bom, eu tenho dois: com a seleção brasileira, a Copa do Mundo de 2002 que foi o título mais importante, e o segundo momento foi ter visto realmente este bando de loucos apaixonados e ter convivido com eles e me tornar um deles. Estes dois foram os mais importantes.
[Jornalista]: Ronaldo, queria que você levasse a gente para estes últimos 5, 4 dias. Com quem você conversou e como é que você teve o estalo que realmente não dava mais e como é que foram estes dias, estas madrugadas e noites?
[Ronaldo]: A minha família estava viajando, e quinta?feira quando eu decidi, as dores me possuíam, me consumiam, e eu não conseguia pensar em mais nada, eu fiz um esforço de memória e este último ano, o de 2010 foi um ano péssimo também de lesões e começar o ano assim também com lesões e você jogar e tua cabeça pensar uma coisa e você driblar o zagueiro achando que você vai ganhar na velocidade, porque você sempre fez isto e você não conseguir, então foi o que me motivou, e eu fiquei de sexta até hoje de manhã dentro de casa sozinho e botando e quebrando a cabeça pra caramba.
[Jornalista]: Ronaldo, boa tarde, eu conheci você quando você tinha 17 anos e pude acompanhar, você só tinha 7 anos a mais que o seu filho, e estou deixando você jogar a bola, mas isto aconteceu mais de uma vez, porque eu sou um cara bem antigo de tempo, e ver um cara, um jogador do seu tamanho, quer dizer, sinto muito um jogador do seu tamanho deixar a bola, para a gente não é legal
[Ronaldo]: Tem que deixar uma hora.
[Jornalista]: Como é que você explicou isto para os seus filhos?
[Ronaldo]: Eu expliquei para eles ontem, o Ronaldo já entende bem mais e todas as perguntas que vocês estão fazendo, ele me fez ontem.
O Alex vocês podem perceber que ele não está muito ligado a isto não [risos] [Alex está embaixo da mesa]. E eu vi quando o Washington anunciou também que ia encerrar a carreira, ele levou as filhas dele e achei lindo, mas o Alex, nossa! [O Alex saiu debaixo da mesa, se levantou e ficou ao lado do pai] Quer falar alguma coisa? Não? Vai jogar no meu lugar? [Alex acena com a cabeça que não] Senta aqui do meu lado.
[Jornalista]: Ronaldo, quando você fala em se colocar à disposição do Corinthians a partir de agora, você fala com o coração nitidamente, mas se a gente apelar com a razão, o que você poderia ajudar mais o Corinthians e ser mais útil para o Corinthians, e até projetando a sua vida mais dentro do futebol, o que mais combina com você a partir de agora? Cargo de comissão técnica, direção, enfim?
[Ronaldo]: Não, não, comissão técnica não, e direção também não. Eu serei uma espécie de embaixador institucional, fazendo e levando o nome do Corinthians mundo afora e ajudar, cada vez captar mais para o Corinthians.
[Jornalista]: Ronaldo, o maior artilheiro das Copas, quatro mundiais com a camisa da seleção brasileira, três vezes eleito o melhor jogador do mundo e você há pouco, no seu pronunciamento, se colocou como um derrotado, e humildemente pediu desculpas por ter fracassado no projeto Libertadores da América. Você se mostra um cara humilde e até exemplo para um determinado ponto da torcida do Corinthians, ou um determinado contingente da torcida do Corinthians que veio e fez o que fez quando da eliminação precoce na Libertadores da América, serve como exemplo também você sendo um derrotado e se mostrando humilde neste momento?
[Ronaldo]: Eu acho que temos que assumir todo… tudo que envolve a ser um grande campeão, né? Um grande campeão não se só dentro de campo, mas eu tenho a minha parcela e acho que a minha parcela de culpa é muito grande, mas eu sou humilde o suficiente para assumir qualquer… qualquer erro que tenha cometido, qualquer deslize, mas é… não sei se isto serve de exemplo, eu sempre faço as coisas tentando ser o mais correto possível para mim e para os outros. Mas, bom, eu sou eu e sou assim e fui o primeiro a falar isso que eu falei agora para o Presidente, ainda na Colômbia, dentro do vestiário, mas futebol é isto, gente, futebol se ganha e se perde. E… e somos e estamos sujeito a tudo isso.
[Jornalista]: Ronaldo, são duas perguntas e eu queria saber se você… o que você mudaria na sua carreira, se você faria algo diferente do que você fez e se você planeja um jogo do despedida, seja no Corinthians, seja até na seleção brasileira.
[Ronaldo]: Não, não faria nada. Talvez, se minha história voltasse a ocorrer, não sei, em quinze, vinte anos, a medicina terá avançado muito mais e aí os meus problemas que no momento foram gravíssimos, no momento futuro poderia ser resolvido mais rápido e mais fácil, mas não me arrependo de nada que fiz e acho que a minha carreira foi linda, foi digna, e honrei sempre tudo o que eu fiz e foi tudo muito maravilhoso. Vou sentir muita saudade, vou… não sei como é que vai ser daqui para frente esta saudade de voltar a jogar, aquela sensação de competição, o protagonismo quando você faz um gol de vitória, mas, enfim, deu a hora e nós temos que olhar pra frente. O jogo de despedida, eu fui… por enquanto não, mas eu acho que em junho ou julho vamos fazer alguma coisa, tentar reunir vários jogadores que estiveram comigo e fazer uma festa de despedida e vamos ver. Vou informando vocês.
[Jornalista]: Ronaldo, você falou do teu futuro já organizado, foi a palavra que você disse, que tem a empresa, a agência, e também falou do projeto “Criando Fenômenos”, e é algo que você pode dizer com mais detalhes, um formato, um projeto que você já tem caminhado, é uma ideia ou como é que está este projeto?
[Ronaldo]: Não, o projeto ainda a gente está desenvolvendo, é o projeto que sempre tive vontade, mas eu ia precisar muito de tempo para tocar também este projeto, a gente já tem o nome, já temos registrado, já temos tudo que precisa para esta fundação funcionar e agora tem o principal, que é tempo também, e vamos tocar ela também.
[Jornalista]: Ronaldo, duas perguntas rápidas, a primeira: Qual foi o momento mais difícil que você enfrentou na carreira, e, segundo, nos nossos estúdios está presente o Alfredo Sampaio, que hoje é técnico do Boa Vista e que foi um dos seus primeiros treinadores no São Cristóvão e queria que você falasse alguma coisa para ele, ele está te ouvindo muito emocionado neste momento nos nossos estúdios, e queria que você passasse um recado para ele e o momento mais difícil assim de contusão, da Inter de Milão, por exemplo, sei lá.
[Ronaldo]: Eu acho que o momento mais difícil foram estas duas lesões gravíssimas que me tirou praticamente três, quatro anos e meio de carreira, sem contar sequelas que deixaram. Bom, que legal! O Alfredo sempre eu encontroava ele no Rio, e é um grande amigo e foi o primeiro cara mesmo que acreditou em mim. Eu jogava no… eu era da categoria infantil e já estava jogando no juvenil do São Cristóvão, e ele estava no Júnior e ele me tirou do Juvenil, eu pulei duas categorias e eu fui jogar com ele no Júnior do São Cristóvão, e ele foi o primeiro cara a acreditar de mim, e ele era duro pra caramba, e cresci com ele levando esporro pra cacete, mas é um cara fantástico. Alfredo, um grande abraço para você e você fez parte desta história também.
[Jornalista]: Ronaldo, você estava falando agora das suas dores e você acho que é o maior exemplo deste futebol moderno de alto rendimento. Você acha que isto precisa acabar, esta busca pelo físico perfeito, pelo condicionamento perfeito? Você acha que isso precisa melhorar para o futuro, como você chegou a isto e teve muitas lesões?
[Ronaldo]: Não, eu acho que a busca pela perfeição é ótimo, eu acho que os campeonatos não deveria ter tantos jogos, porque a longo prazo você sofre lesões. Eu vejo em programas esportivos e vários comentaristas e analistas se perguntando o por que das lesões, mas são muitos jogos, a gente está sempre explorando o máximo do nosso corpo e sempre buscando o nosso limite, e isso não é saudável, não é que nem você treinar para ficar saudável, para você correr num parque ou numa academia. E a busca do futebol profissional é sugar o máximo do atleta para que ele renda o melhor em cada jogo, e isto a longo prazo cria muitos problemas.
[Jornalista]: Ronaldo, boa tarde. Queria saber se o Corinthians sabia que você tinha este problema de hipotireoidismo, quando você foi contratado, e por que você decidiu continuar jogando, como foi esta decisão mesmo sabendo que você teria ou poderia ter problema de peso.
[Ronaldo]: O Corinthians sempre soube de tudo.
[Jornalista]: E como foi a decisão sua, foi difícil?
[Ronaldo]: De quê?
[Jornalista]: De continuar jogando, mesmo sabendo destes problemas?
[Ronaldo]: Não, a minha decisão sempre foi voltado para o meu coração e o meu amor pelo futebol sempre fez eu superar barreiras gigantes, e o que para uma pessoa normal emagrecer já é difícil, para mim ainda é mais ainda, porque o hipotireoidismo ele desacelera o teu metabolismo e é isto, mas eu sempre quis jogar e banquei todo o sacrifício que eu tive que fazer para… para estar em condições de jogar.
[Jornalista]: Ronaldo, você até lembrou agora que o Alex não está muito ligado, até pela idade e tal. E se daqui dez, quinze anos ele perguntar para você qual… o que foi ter passado pelo Corinthians, que imagem que você levou do clube, enfim, o que você responderia para ele daqui uns dez anos, a hora que ele entendesse um pouco mais? O que fica para você, qual o seu sentimento em relação ao clube do que você viveu?
[Ronaldo]: Sem dúvida, ele já é corintiano, e mais alguns anos ele já será um louco corintiano também. Qual o time que você torce?
[Alex] Corinthians. [risos]
[Jornalista]: Ronaldo, teve algum outro momento na sua carreira que você chegou tão perto de tomar esta decisão e por algum motivo não tomou, e se você também pode explicar, e o Presidente, como fica esta relação comercial que tem do Corinthians, os patrocinadores que vieram por sua causa, se eles continuam e como é que fica?
[Ronaldo]: Eu estive próximo sim de tomar esta decisão no dia seguinte da eliminação da Libertadores. Esperei algum tempo mais, e, bom, estou tomando agora. Quer falar, Presidente?
[Presidente]: Não, foi como ele disse, não muda nada até o final do ano, continua tudo tranquilo entre Corinthians, Ronaldo e Neo Química.
[Jornalista]: Ronaldo, até para falar que é uma pena que aqui no Brasil a cultura brasileira no meio esportivo não, na verdade não… Como é que se diz? Não… não cultiva o seu ídolo como deveria, valorizá-lo, isto tanto no futebol, como em outras modalidades também, e acho que você pode até falar melhor do que eu, que vivenciou aí críticas, elogios e tudo o mais, e espero que isto possa melhorar de alguma forma. Mas voltando à sua carreira, Ronaldo, desde quando você começou menino e analisando toda a sua trajetória até hoje, pode-se dizer que o Ronaldo conquistou todos os objetivos?
[Ronaldo]: Eu acho que o brasileiro valoriza sim o seu ídolo, idolatra o seu ídolo, talvez menos que em outros lugares, mas certeza que o brasileiro faz… E a minha… o que faltou? Bom, a Libertadores.
[Jornalista]: Ronaldo, você disse que pensou em parar no dia seguinte a eliminação contra do Tolima, e eu queria saber de que maneira ou se pesaram os protestos violentos da torcida contra você, contra os outros jogadores, se você pensou em, por causa dos protestos, parar de jogar, e se você ficou chateado de ver o seu nome sendo… as pessoas xingando e falando mal de você.
[Ronaldo]: Não, em nenhum momento eu pensei nisso. Acho que os protestos eles jamais podem ser violentos, e eu não… não levei em nenhum momento em consideração estes protestos para tomar a decisão que eu estou tomando hoje.
[Jornalista]: Ronaldo, voltando à questão da Libertadores, eu queria saber se você consegue equiparar a derrota da Libertadores deste ano, do ano passado a outras derrotas suas na carreira, por exemplo, Copa de 98, enfim, você consegue fazer um ranking das derrotas que mais doeram e a Libertadores entra neste ranking?
[Ronaldo]: Não, não tem ranking não, está ali, está tudo… Eu não classifico as minhas derrotas não. Eu classifico as minhas vitórias e, logicamente, sem desmerecer nenhuma vitória, acho que as derrotas vêm para te ensinar sempre alguma coisa e você aprende muito mais perdendo do que ganhando, então, de qualquer maneira foi bom ter perdido também bastante na minha carreira, porque me ensinou muito, e me ensinou, inclusive e principalmente como homem, como me comportar na sociedade.”
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