O GLOBO
RIO – Um livro de biologia é um material didático. Já usar um game para ensinar a disciplina é uma manifestação da economia criativa. A diferença entre uma coisa e outra é o motor de um movimento que acaba de receber reforço no país, com a criação da Secretaria da Economia Criativa, pelo Ministério da Cultura: a habilidade de usar a criatividade e o conhecimento para lançar produtos e serviços inovadores, capazes de gerar renda e empregos.
O exemplo acima é uma entre inúmeras possibilidades de negócios economicamente criativos. Idealizado há 13 anos na Inglaterra, mas ainda desconhecido no Brasil, o modelo vem sendo apropriado por empreendedores de diferentes segmentos de negócios – como moda, design, arquitetura, audiovisual, educação e novas mídias – que já entenderam como a arte e a cultura podem agregar valor a bens e serviços.
Segundo estudo da Firjan, a cadeia da indústria criativa já representa 17,8% do PIB do Estado do Rio (cerca de R$ 54,6 bilhões) e emprega 82 mil pessoas. Números que, para Marcos André, coordenador de Economia Criativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio, revelam o potencial fluminense de transformar boas ideias em inovação. Parte delas, inclusive, está sendo avaliada pelo projeto Rio Criativo, que acaba de encerrar seu primeiro edital. De 124 planos de negócios recebidos, 24 serão desenvolvidos em duas incubadoras (uma no Porto e outra na Baixada, que serão inauguradas em maio) e quatro receberão consultoria virtual.
– Isso é só o início. Ainda há muito a ser feito, como identificar as vocações das cidades, organizar suas cadeias produtivas e pensar em políticas de fomento – diz André.
Apesar de o modelo de economia criativa estar ganhando projeção no país, especialistas afirmam que ao menos dois gargalos dificultam o seu desenvolvimento: falta de informação e carência de qualificação.
– Há uma dificuldade de conceituação. E de definir quais setores são criativos ou não, já que o movimento é recente. Muita gente ainda não sabe que está inserida nesse sistema e que pode se beneficiar dele – diz José Alberto Aranha, diretor do Instituto Gênesis, da PUC-Rio, que trabalha o desenvolvimento de empreendedores.
Segundo estudo da Firjan, as oportunidades crescentes de negócios na indústria criativa têm incentivado alunos a optarem por carreiras relacionadas à área. Em 2006, de um total de 737 mil formandos no país, 90 mil eram de 118 cursos relacionados ao setor. No Rio, a proporção foi ainda maior: 13,3% dos 74 mil formandos optaram por carreiras criativas.
É o caso das empresárias Bárbara Cruz, formada em desenho industrial e moda; Eduarda Araújo, também graduada em desenho industrial; e Joana Contino, que tem diploma de jornalista. Juntas, elas comandam a Santas, na Gávea, que vende roupas e acessórios com toques artesanais, fibras naturais e temas inspirados na cultura popular.
– Somos parte desse movimento: investimos em peças exclusivas, que fogem da moda da estação – resume Joana.
Deixe um comentário