Minha família tem hipercolesterolemia familiar – o chamado colesterol selvagem. Tasso Jereissatti também tem. Um médico especialista de Ribeirão Preto diz que é problema de DNA defeituoso, que atinge especialmente libaneses.
Quando chega aos dez anos, a criançada precisa fazer exame de sangue para identificar os premiados.
Minha mãe chegou a ter 800 de colesterol. Duas irmãs chegaram aos 600. Todas foram operadas pelo grande Sérgio Oliveira.
Nos anos 70, ainda começando a vida, a compra de remédios para tratamento era terrível. Acho que era Questran, algo assim, da Johnson. Além de caríssimo, fazia pouco efeito e tinha seqüelas, afetava o intestino, o diabo. Durante algum tempo, mamãe recebeu do Instituto do Coração, pois virou caso de pesquisa médica. As irmãs faziam dieta rigorosíssima, com poucos resultados iniciais.
Depois, os remédios foram evoluindo, ficando mais eficientes mas, ainda assim, bastante caros.
Não faço parte do grupo familiar premiado com o hipercolesterol. Mas quando, finalmente, consegui uma taxa inferior ao limite preconizado, baixaram novamente o limite para o tal nível ótimo.
Folha de S.Paulo – Protocolo sobre colesterol gera controvérsia – 03/02/2011
DE SÃO PAULO
Há uma polêmica em curso no Brasil sobre como tratar pacientes com índices elevados de colesterol no sangue (dislipidemias).
O ministério está elaborando um novo documento, mas não consultou a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que já tem uma diretriz pronta sobre o tema.
Os cardiologistas dizem que, seguindo as novas recomendações do ministério, o SUS estará tratando mal os pacientes.
Um dos problemas seria o ministério considerar o nível ótimo do LDL (colesterol ruim) como inferior a 100 mg/ dL (miligramas por decilitro de sangue).
A SBC preconiza um nível ótimo muito mais baixo, inferior a 70, segundo Jadelson de Andrade, coordenador das diretrizes da SBC.
Os cardiologistas também discordam de o ministério não incluir no documento a dislipidemia de base genética (hipercolesterolemia familiar), em que há tendência a altos níveis de colesterol, independentemente da dieta ou exercício.
A proposta da SBC é que pacientes com o problema recebam a medicação gratuitamente no SUS, em razão do alto risco de eventos cardiovasculares.
Inez Gadelha, do Ministério da Saúde, afirma que o ministério consultou as melhores bibliotecas virtuais, como a Cochrane e a Pubmed, para elaborar o protocolo e que não é praxe ouvir as sociedades médicas na fase inicial do documento.
Ela afirma que a SBC apresentou contribuições durante a fase de consulta pública, que terminou no mês passado, “Assim como todas as demais apresentadas, essas contribuições serão analisadas e avaliadas, com base em critérios técnico-científicos.”
Segundo Gadelha, o grupo técnico que elabora o protocolo assina um termo de confidencialidade para que não sejam assediados ou sofram interferências na elaboração do documento.
E a coordenação do grupo técnico, que faz o julgamento final dos trabalhos, é isenta de conflitos. (CC)
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