6 de julho de 2026

Não fugiremos à luta, por Jandira Feghali

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Não fugiremos à luta, por Jandira Feghali

Em fevereiro do ano passado, Lula emudeceu uma gigantesca plateia formada majoritariamente pelo primeiro escalão da política italiana. Seu relato sobre o combate inédito à fome que promoveu a partir de 2002, então presidente do Brasil, gerou respeito e admiração. Conseguiu, com maestria, que entendessem o que era a dor daqueles que não tinha o que ingerir de manhã, de tarde e à noite. Realidade antes comum do agreste aos rincões de nosso país, Lula descreveu para os italianos o Brasil de muitos: os miseráveis e excluídos – invisíveis para os governantes anteriores à ele.

Lula, o sétimo dos oito filhos de Aristides e Eurídice, um casal de lavradores analfabetos que vivenciaram a fome a miséria na zona mais pobre de Pernambuco, nasceu em outubro de 1945 na pobre Caetés. Foi esse ex-metalúrgico que desfez a lógica do Estado que permitia a carestia e deixava diariamente órfãos milhares de brasileiros. Em todos os sentidos, ele é o cara.

A indicação do ex-presidente como ministro-chefe da Casa Civil é uma ótima notícia neste ambiente de instabilidade econômica, política e social. Seu conhecimento único, advindo de sua experiência de vida, será aliado poderoso do Governo Dilma Rousseff, como já o foi no combate à pobreza extrema, na geração de oportunidades, emprego, renda e posição firme e soberana frente ao setor financeiro internacional.

Isso incomoda imensamente uma minoria derrotada nas urnas por quatro vezes consecutivas. Não respeitam o processo democrático e demonstram desconhecer princípios caros ao Estado Democrático de Direito. A motivação de suas histerias tem comando.

Ao divulgar áudios de Lula, numa conversa com a presidente Dilma, o juiz Sérgio Moro escancarou sua parcialidade e soterrou o andamento ético e amparado em nosso arcabouço legal da Operação Lava-Jato. Ultrapassou, ali, a fronteira do que rege a Constituição por motivações políticas. Uma combinação clara de arbitrariedades e ilegalidades por parte dos que ostentam, perigosamente, posicionamentos ideológicos que não combinam com a imparcialidade da Justiça, num verdadeiros Estado de Exceção. Que sejam apuradas essas ilegalidades e seus autores punidos.

Essa massa nas ruas não representa a imensidão plural e diversa de nosso povo, que trabalha, batalha e luta por dias melhores. Suas palavras de ordem raivosas e atitudes violentas só revela o ódio, o preconceito e a desinformação. Ocupam as ruas com gritos fascistas, expulsando até a própria oposição, aliada natural de sua pauta. Foram alimentados por um espetáculo torto de apolítica, de ética quebrada, produzido diariamente nas televisões abertas e na internet.

A convulsão que vem sendo fomentada criminaliza a política e abre espaço para o fascismo, e nossa resposta só pode ser uma: o fortalecimento da democracia e do Estado democrático de Direito. É o que nos cabe neste momento da História, denunciar o golpe e suas consequências. Amanhã, dia 18, será vez de trabalhadores, movimentos sociais, estudantes, setores organizados ou não da sociedade reivindicar o respeito a esta pátria que não são de poucos, mas de muitos. Aqueles muitos que Lula mudou suas vidas um dia. A maioria deles deu seu voto a um projeto que, desde então, está sob ataque. Vamos às ruas, pois não fugiremos à luta!

Jandira Feghali é Médica e deputada federal (PCdoB/RJ)

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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9 Comentários
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  1. mcn

    18 de março de 2016 1:55 pm

    Uma Jandira vale por mil Lucianas

    O Partido Comunista é um exemplo de dignidade nessa hora tenebrosa.

    Com comunista não tem enriquecimento ilícito, nem viracasaquice de última hora. Se é para defender a Constituição, os caras são guerreiros do começo ao fim. Não tem traíra.

    Grande Jandira.

    1. bonobo de oliveira, severino

      18 de março de 2016 2:25 pm

      Não rebaixe a Jandira.

      Por mil Lucianas eu não troco nem a minha Fox Terrier. Imagina a Jandira!

  2. maria rodrigues

    18 de março de 2016 2:04 pm

    Em primeiro lugar, não há

    Em primeiro lugar, não há verá golpe porque o golpe já foi dado. Muito importante toda e qualquer manifestão em favor de Lula e do PT, ou do Governo. Ocorre que, afora Jandira Fegalli, Requião, entre outros parlamentares da base governista, fieis a seus propósitos, gente da mais alta consideração e respeito por suas posições e coerências, muito do que hoje vemos é o resultado de um governo que se fez inépito. Falta de comunicação, e reação por parte inclusive dos parlamentares petistas, conformados em ouvir desaforos e nunca mostrando contrapontos suficientes para salvar a Pátria; a manutenção de Eduardo Cardoso na PF, razão maior da conduta progressiva da corporação, que encontrou em Moro seu dono, seguindo-o à risca, enquanto o Ministro Zero, se se comunicasse era pra dizer merda, enfim, por grande infelicidades, o jogo já não está mais jogado no sentido de livrar Dilma do impeachment. Este tem tudo pra seguir em frente, e ser aceito na Suprema Corte, com a desculpa de que há que se ouvir a voz das ruas, e outras nojeiras mais.

    Mas, como diz o velho adágio: há males que vem pra bem. E Jesus dizia no Sermão da Montanha: “Não vos preocupeis com o dia do amanhã, porque ele cuidará de si mesmo; basta a cada dia o seu mal”.

    O amanhã poderá ser aquilo que, mesmo a gente não desejando, possa acontecer: o Governo nas mãos dos pilantras, que vão se engalfinhar, e dizer ao povo o quão imbecis eles foram. Se Lula não for preso, voltará, por certo, com sua carga de político preparado para voltar, e por cima. 

    Não quero, e não devo perder as esperanças. 

  3. Juliano Santos

    18 de março de 2016 2:09 pm

    Eu vou estar na Praça XV

    Eu vou estar na Praça XV daqui a pouco. Espero que a Jandirona discurse, ela é ótima no palanque

  4. Vigilante

    18 de março de 2016 2:16 pm

    Como sempre, uma andorinha.
    Jandira é sempre a 1a. Voz a se levantar. Ultimamente, na prática, a única.
    Todo o resto olha para ver onde o vento vai bater…
    Bando de ratos covardes e pusilânimes!
    Deixam a mulher apanhar sozinha, a ver onde batem os fortes…
    Fortes com os fracos, fracos com os fortes.
    Isto tem nome…
    Jandira me representa.

  5. JoaoMineirim

    18 de março de 2016 2:30 pm

    Brasileiro tem memória

    Brasileiro tem memória fraca. 

    Sempre ouvia alguém dizendo, mas, agora, mais do que nunca, isso faz muito sentido para mim.

    O Lula prometeu acabar com  a fome e cumpriu a promessa. Ele não prometeu acabar com a corrupção, quem prometeu isso foi o Jânio Quadros e o Collor, um apeou e outro foi apeado do poder. Este seria o destino do Lula, se tentasse combater a corrupção, dado o alvoroço que ocorreu antes de sua posse e que exigiu um pacto de governabilidade. Seu governo era bem classificado como pragmático, porque conseguiu conciliar mudanças sociais e econômicas sem ruptura com os grupos políticos tradicionais. Agora, querem culpar o Lula por não ter combatido a corrupção, como se ele tivesse tido a escolha.

     

  6. agincourt

    18 de março de 2016 3:24 pm

    poéticas

    Após fugir da luta durante treze anos, o PC do B acorda agora para a provável perda de cargos.

    Sem cargos a “luta” é impossível.

    Esquenta não, Jandira. Mutatismutando Drummond: “Meu bem, não chores,

    este ano tem Olimpíadas”.

    1. mcn

      18 de março de 2016 5:54 pm

      Troll idiota

      Só pq vc é desonesto, não quer dizer que todos o sejam.

      Jandira é mulher guerreira e digna. Só vc, que é frouxo e indigno, não consegue ver.

  7. Amaro Doce

    18 de março de 2016 5:42 pm

    Vem da FEB (Força Expedicionária Brasileira) um dos

    maiores exemplos de dignidade de todos os tempos:

    Itália, final da segunda grande guerra, batalhas de Monte Castelo e Montese. Um pracinha teve um momento de relaxamento e ofereceram a ele um prêmio: transar com uma mulher casada que havia se prostituído para suportar os rigores da guerra.

    E intermediaram  um encontro entre o  pracinha e a “prostituta”. Ao chegar na casa da “rameira” o pracinha observou que o marido da mulher, descorado e fraco, se encontrava na cama que deveria ser desocupada para que o casal do encontro arrajando pudesse transar. Deitado na cama, o dono da casa tinha a aparência de um turbeculoso. Aquela cena dantesca despertou a compaixão no coração do Brasileiro (com B maiúsculo, mesmo). E o pracinha entregou para a mulher a quantia que havia sido combinada e voltou, sem transar, para a frente de batalha.

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