4 de junho de 2026

A reforma do Estado já começou

Coluna Econômica

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A verdadeira reforma do Estado já começou e pouca gente se deu conta. O aviso veio do ex-Ministro Delfim Netto em sua colunas semanal na «Folha de S Paulo».

O trabalho é do Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, que há dois anos deu início a um sistema de centro de custo da administração pública. Isto é, um sistema de cálculos que permitirá saber o quanto cada unidade de governo gasta e produz.

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Prestes a sair do governo, Nelson Machado explica que a modelagem foi feita em cima de dois pilares.

Hoje em dia existem sistemas informatizados de orçamento – como o SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Feeral) onde são lançadas todas as despesas e empenhos da máquina pública.

A primeira parte do trabalho consistiu em conceituar adequadamente os custos. No banco de dados do SIAFI há uma miríade de conceituações de despesas.

Decidiu-se incluir no conceito de despesas o bem ou serviço consumido de prestação de outro serviço – indepentementemente de ter sido pago, não pago, empenhado ou não (categorias em que estão divididas as despesas no SIAFI).

Cada despesa é associada a determinado centro de custo. E define-se o chamado output – a saída, o produto entregue.

Os centros de custo serão em programas, atividades, projetos, órgãos, departamentos, ministérios.

Onde houver quantificação ou mensuração física de produto, entra: como, por exemplo, quantidade de quilômetros asfaltados, processos executados, quantidade de vacinas realizadas etc.

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Definidos esses conceitos, monta-se um banco de dados relacional, e leva-se para lá as informações extraída do SIAFI. Depois, pegam-se os dados quantitativos no PPA (Plano Plurianual) e procede-se ao cruzamento.

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Aí a ideia é subdividir o máximo possível todos os centros de custo, permitindo desde o levantamento do custo de uma estrada como o custo/produtividade do Tribunal de Contas, Supremo etc.

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O sistema foi colocado no ar com dados de 2008 a 2010. Por enquanto, a qualidade das informações é muito ruim, diz Machado. Como até agora ninguém ligava para esse tipo de dado, não havia muito apuro na alimentação das quantidades físicas produzidas.

Para alimentar o novo sistema foram montados 60 grupos em Ministérios, autarquias, com três a quatro especialistas tendo as senhas do sistema. Todos eles compondo o Grupo de Análise e Validação das Análises de Custo.

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A implantação será acelerada dependendo das demandas da imprensa, do Tribunal de Contas etc. Por exemplo, se uma instituição pública gastou tantos milhões, o produto final foram tantos estudos, será facílimo identificar o valor médio dos estudos, saber se foram caros ou baratos e cobrar explicações do gestor.

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Esse modelo começou a ser desenhado por Nelson Machado em 2008, na própria Fazenda, quando montou um modelo de macroprocessos do crédito tributário e do orçamento financeiro. O trabalho se baseava em duas teses acadêmicas, uma de doutorado do próprio Nelson – “Diretrizes do Sistema de Custos”, defendida em 2003 ns USP – e outra sobre processos de implantação de sistemas, de Victor de Holanda, também da USP.

Comentário

Aproveite para consultar o grupo temático Gestão no Brasilianas (clique aqui) e dois trabalhos importantes para entender essa reforma:

Sistemas de Informação de Custos na Administração Pública Federal

Manual da Receita Nacional

MELHORIA DA GESTÃO PÚBLICA POR MEIO DA DEFINIÇÃO DE UM GUIA REFERENCIAL PARA MEDIÇÃO DO DESEMPENHO DA GESTÃO, E CONTROLE PARA O GERENCIAMENTO DOS INDICADORES DE EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E DE RESULTADOS DO PROGRAMA NACIONAL DE GESTÃO PÚBLICA DESBUROCRATIZAÇÃO

“O combate ao desperdício no gasto público: uma reflexão baseada na comparação entre os sistemas de compra privado, público federal norte-americano e brasileiro”

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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