4 de junho de 2026

O treinamento na Aeuronáutica

Por Ric 

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Que bobagem!

Já está na hora de começarem a fazer reportagens sobre militares com um mínimo de conhecimento de causa.

Já começa a cair no ridículo tirar as situações do contexto para auferir lucros de sensacionalismo midiático.

Esse tipo de treinamento não se destina a conscritos. Instrução de operações especiais são para um grupo extremamente especializado, destinado a realizar operações de altíssimo risco sob condições extremas. Em termos táticos, as “forças especiais” são aquelas um nível acima, em complexidade e rusticidade, a dos “comandos”.

O treinamento nessas condições deve atingir um nível máximo de tensão e brutalidade, exatamente para que,  curtido e condicionado a enfrentá-las, o combatente, em uma situação real,i6 não entre em parafuso com o stress e seja tomado por um pânico imobilista ou caótico, mas, ao invés disso, aja com um mínimo de racionalidade que o permita fazer frente à situação.

Será que ninguém assistiu a nenhum desses filmes simplórios do tipo “Até o limite da honra”? Não conseguiram mesmo ligar os fios?…

Por Antonio CDS

Aqui tem um bando gente dando palpite sobre o que não sabe, em cima de um vídeo descontextualizado. Vcs acham que quem torturou na época da ditadura eram caras como estes? Vcs já ouviram falar de algum recruta ou soldado do serviço obrigatório na lista dos torturadores? Vcs acham que os torturadores começaram assim?

Para cada tipo de tropa existe um treinamento diferente. Servi na PE, que tem a função de polícia, segurança de autoridades, escolta e, em caso de guerra, vigilância de prisioneiros. Pela função, tive um rigor de treinamento razoável. Tropas da infantaria, que em caso de guerra vão pra linha de frente, tem um treinamento muito mais severo, com simulações de situações de frente de batalha: fome, privação de sono, frio, deslocamentos com quilos de equipamentos nas costas, etc. Estes dois exemplos para tropas do serviço militar obrigatório. Duro, mas nada que seja insuportável. Portanto, não são os filhinhos queridos dos papais que estão no vídeo.

Para os soldados profissionais, ou que se inscrevem para tipos de tropas específicas como paraquedistas p. ex.,  que em combates correm mais riscos de serem capturados ( não pensem que os inimigos vão pedir informações cruciais na base do por favor) tem estes treinamentos que  envolvem sofrimento físico. E podem ter certeza que o que vcs viram não é nada perto da realidade ( Abu Ghraib e Guantanamo estão aí de prova). Querem o quê? Um filhinho de papai achando que está nas forças armadas para praticar esportes radicais? Que depois de todo o dinheiro investido (sim, por incrível que pareça, isto no vídeo custou caro) amarelar, desertar e querer buscar o colinho da mamãe? Ou  que no primeiro tapinha entreguem tudinho e mandem um batalhão pra morte? Quem tava neste vídeo sabia onde se meteu. O objetivo é selecionar os que suportam pressão e dor. São estes que vão ganhar uma guerra.

 Quem assistiu Tropa de Elite I viu a função e necessidade do treinamento. Vcs acham que os que desistem tem condições de subir morro sem provocar a morte de colegas ou de cidadãos? Que no meio de um tiroteio fiquem paralisados pelo pânico ou comecem a atirar a esmo? Já sumiu da memória de vcs as ações desastradas e desastrosas da PM nas favelas do Rio? Vi alguns soldados, com muito menos humilhação, fazer cara de choro ou querendo partir para cima de colegas e superiores. Vcs iam querer um cara destes –  um covardão ou uma bomba com estopim curto- do lado numa guerra com nível de stress altíssimo e um fuzil na mão? Eu não.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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