4 de junho de 2026

A ausência de jornalistas especializados

Por Rogério Maestri

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Criticam-se os grandes órgãos de imprensa com razão devido à falta de continuidade e a superficialidade das notícias por eles veiculadas. Ao mesmo tempo em que se se criticam estes órgãos de imprensa por tabela também está se criticando os profissionais que estão ligados a eles.

Não acredito que todo o corpo de profissionais vinculados ao Estadão, à Folha, ao Globo e redes de TV seja composto de profissionais incapazes “vendidos” às forças de direita como se propaga pela Internet, há realmente nestes órgãos de imprensa uma equipe de articulistas “Top” que servem a este propósito, porém há uma massa de profissionais que simplesmente estão vivendo de seus salários da forma mais honesta possível procurando subsistir no mercado de trabalho.

Não podemos, pessoas como eu, que não dependemos da arte de escrever e noticiar demonizar todos os componentes destes órgãos sob a pena de cometer grandes injustiças.

AgorAgora vamos ao que interessa. Por que esta massa de profissionais que orbitam nestas redações não conseguem manter uma pauta conseqüente de notícias, esgotando o assunto antes de ter que criar outros factóides para justificar os seus empregos?

Talvez a origem de tudo está na falta de especialização que virou a imprensa brasileira. Excetuando o jornalismo futebolístico (nem podemos dizer jornalismo esportivo) e o jornalismo científico que em alguns jornais há uma meia dúzia de profissionais especializados, porém mesmo neste ramo o editor de ciências é alguém que deve escrever sobre o Big-Bang, sobre a sexualidade das borboletas e sobre pesquisas sociológicas. Pede-se a estes últimos conhecimentos básicos de física nuclear, biologia, filosofia e antropologia, ou seja, pede-se simplesmente que se torne um homem da renascença com um pouco de Leonardo da Vinci com pinceladas de Galileu Galilei (para a ciência moderna). Talvez esteja aí a grande falha de parte da imprensa brasileira.

A grande imprensa ou mesmo os blogs que querem um dia se tornar grandes (ninguém me diga que os blogs alternativos queiram ficar a vida inteira como alternativos!), devem procurar no mínimo alguma especialização sobre assuntos que levem a notícias.

O compromisso de falar sobre economia, ciência e sociologia ao mesmo tempo, para os que, sem obrigação profissional, escrevem voluntariamente na blogosfera é leve e divertido, mas para profissionais que vivem disto é a questão da sua sobrevivência pessoal, e se não for mudada a forma de agir das redações ficará extremamente simples para os que estão de fora mostrar erros e inconsistências, sem levar em conta que a sobrevivência do dia a dia do profissional de imprensa depende disto.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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