4 de junho de 2026

Os erros de Armínio em 2002

Amigo, foi quase isso.

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Em 2001, em razão da crise da Argentina, o BC resolveu emitir uma enormidade de títulos, indexados ao dólar, a NBC-E, todos, absolutamente todos, com vencimento para outubro de 2002. Tinha dia que vencia 8 bilhões. Na época, nosso movimento diário de câmbio era próximo de 600 milhões. 

Parênteses da crise Argentina. O dólar em abril de 2001 estava em torno de 1,90 quando, por temor da crise, Luis Fernando Figueiredo, Diretor de Política Monetária do BC, contrapondo-se ao Eduardo Nakao, chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto, e comprando uma aposta contra a Diretoria, defendeu uma retomada do aumento dos juros e subiu a meta da Selic, que vinha caíndo. O choque, fez com que Nakao pedisse exoneração e o dólar começou uma escalada que em alguns dias o levou a 2,30. Isso motivou a emissão brutal de NBC-E. Fecha parênteses.

Em abril de 2002, diante da iminente proibição de emissão de títulos próprios, ordenada pela LRF, o BC, leia-se Luis Fernando Figueiredo, teve a brilhante idéia de operar swaps cambiais, assunto que aparentava dominar, visto ser egresso da BMF, onde esses contratos seriam registrados, colaborando, inclusive, para uma enormidade de emolumentos àquela bolsa.

A princípio, a operação seria casada com uma compra de LFT, mas o mercado chiou e resolveram soltar o swap sem lastro, ou seja, poderiam ‘comprar’ dólar sem colocar dinheiro algum, somente margem.

O mercado, então, começou a realizar o seguinte movimento: às vesperas do vencimento do swap, abastacia-se de dólar no mercado físico, forçando a cotação da moeda. Na data do vencimento, o cálculo, que era feito pela PTAX800, propiciava um excelente lucro ao bancos. A moeda recuava um pouco até que, às vésperas do vencimento seguinte, subia mais.

Nessa troca, o BC, inclusive, aceitava um ágio na negociação da taxa, que chegou a atingir 80% ao ano. 

Com essa situação, armada, o BC entrou em córner em outubro, o que fez o dólar ir a 4 reais, pois não havia mais como rolar os títulos NBC-E, pois o BC estava proibido de emitir. Assim, tinha que aceitar qualquer taxa no swap.

Observe no gráfico os picos nas datas de vencimento dos swaps, que foram mas viradas dos meses de agosto e outubro. Nos meses seguintes venceram quase todos os swaps restantes, o que fez com que a taxa de câmbio se mantivesse nas alturas.

Os bancos, graças ao swap, conseguiam operar, praticamente, sem risco, pois a alta elevação do dólar na véspera do fechamento, fazia com que fosse seguro manter-se posicionado em dólar, pois qualquer queda na sequencia seria compensada pelo alto ganho do deságio na taxa do CDI e no derivativo. Além disso, não desembolsavam capital, pois a operação exigia apenas margem, e necessitava-se muito pouco para manipular o dólar físico.

Com isso, 26 bilhões migraram em menos de 2 meses para as contas dos bancos.

Para encobrir a burrada, o BC acabou pegando carona na eleição e na ‘Carta aos Brasileiros’ para colocar a culpa no Lula.

Uma observação: Em abril, Lula já estava bem à frente de Serra e todos já consideravam que seria muito difícil que ele perdesse a eleição, no entanto, o dólar estava por volta de 2,30. Parece que o medo surgiu de repente, talvez com a declaração da Regina Duarte.

Outra coisa curiosa é, se o dólar subiu por medo do Lula, porque depois de eleito ele parou de subir? Às vésperas do segundo turno tinha até recuado um pouco. Ah, foi a carta!!!! Ou será que foi porque o BC saiu do córner com o vencimento da maior parte da NBC-Es?

Faça-me o favor, e mercado lá acredita em carta!!!!!

Essa carta teve tanto impacto como a bolinha de papel na cabeça do Serra.

Mas, como tem gente que acredita no Dr. Molina. tem gente que acredita no Dr. Armínio.

Informação complementar ao que falei acima.

A ‘carta aos brasileiros’ do Lula, foi feita em meados de junho, logo, por incompatibilidade entre datas e gráfico, não dá pra dizer que o dólar recuou graças a ela. Na verdade, depois dela é que ele subiu mais vigorosamente rumo aos 4 reais, o que mostra que a desculpa é mais furada que a perícia do Molina.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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