
Por Marcos Bagno
Estou espantadissimamente impressionado com a falta de capacidade leitora básica de muitas pessoas que frequentam essa rede social. Eu sei que 75% do povo brasileiro é analfabeto funcional, e isso me tira o sono. Mas nunca imaginei que as pessoas supostamente letradas que têm acesso a computador e a Facebook não conseguissem ler um enunciado com sintaxe minimamente complexa.
Eu escrevi anteontem: “Tem que ser MUITO BURRA a pessoa que mora em São Paulo, um estado governado há décadas por uma gangue que rouba merenda da escola pública, corrompida até a medula no escândalo zilionário do trensalão, que decreta 50 anos de sigilo dos documentos oficiais etc. etc. e sai à janela para apitar e bater panela contra Lula”. E agora chovem acusações contra mim de preconceito contra toda a população do estado de São Paulo.
Gente, já ouviu falar de oração adjetiva restritiva? Sabe juntar verbo com sujeito? Pois vou desenhar para vocês: “TEM QUE SER MUITO BURRA A PESSOA QUE MORA EM SÃO PAULO ————– E SAI À JANELA PARA APITAR E BATER PANELA CONTRA LULA”. É dessa gente burra que estou falando, e não de todo o povo de São Paulo. Deu para entender?
Meus filhos e muitos dos meus melhores amigos são paulistas e/ou moram em São Paulo e eles estão longe de ser gente burra como essa gente burra que quer dar aula de preconceito a alguém que há vinte anos só faz escrever e falar contra toda forma de preconceito.
Vão aprender a ler antes de me acusar de qualquer coisa, faz favor!!!!
Marcos Araújo Bagno é um professor, doutor em filologia, linguista e escritor brasileiro
Anarquista Lúcida
6 de março de 2016 7:30 pmEle é ótimo. Mas…
Adoro Marcos Bagno, um dos poucos linguistas que dao a cara a bater e desmistificam a farsa da gramática normativa. Mas querer que quem já saiu da escola há muito tempo saiba o que é uma oraçao adjetiva restritiva é irrealista, rs. Podem saber na prática, claro, basta saber interpretar texto. Mas ligar o nome ao fenômeno? Pouca gente sabe.
Eduardo Pereira da Silva
6 de março de 2016 7:46 pmEntendi a prática, mas a teoria não saberia explicar não… rs
Eu entendi o texto, mas se me peguntassem numa prova o que é uma oração adjetiva restritiva, confesso que não teria a mínima condição de responder… hahaha
Anarquista Lúcida
6 de março de 2016 10:02 pmExatamente como quase qualquer falante q nao seja de Letras
É capaz de interpretar as frases em que ocorre esse tipo de oraçao, mas nao lembra mais do conhecimento metalinguístico aprendido na escola. O que nao tem a menor importância.
Fabian Bosch
6 de março de 2016 7:52 pmgrmática de línguas muito flexionadas
Tenho lido, inclusive em texto de Nassif, a expressão ‘delenda Lula’. Um romano jamais entenderia uma coisa assim, porque a concordância nominal está invertida. “Delendus” é uma forma verbal latina que não chegou até nossa língua, um gerundivo. Quer dizer ‘que deve ser desruído’, do verbo ‘delere’. Comporta-se como um adjetivo, concordando em gênero e em número. Delenda é feminino singular.
A expressão de onde tiraram o termo ‘delenda’ é atribuída a Catão, quando repetia que Cartago devia ser destruída – Cartago delenda est.
Esse é um bom exemplo do papel que a gramática desempenha, de tornar inteligível a linguagem. Como tal, pode ser instrumento de opressão, tanto como de libertação. O resto é burrice.
Anarquista Lúcida
6 de março de 2016 9:54 pmQuerer aplicar gramática latina a usos em Português é demais…
O uso linguístico nao é assim tao “lógico”, e o fato de uma palavra vir de outra língua nao significa que será usada na língua que importa do mesmo modo do que na de origem. Um bom exemplo é o uso de grand no inglês para formar termos de parentesco. Em francês, de onde a forma foi tomada emprestada, é simplesmente o adjetivo correspondente a grande, usado semi-metaforicamente para formar nomes de parentesco, do mesmo modo que petit, = pequeno, tb é. Entao, em francês, grand père, avô, literalmente seria grande pai, e petit fils, neto, literalmente seria pequeno filho. O inglês usa o grand para formar o nome de parênteses em “linha reta” nas duas direçoes, o que torna o uso bem diferente do do francês, sobretudo quando se refere a netos.
E de qualquer modo o que vc diz sobre o papel da gramática só faz sentido em relaçao à verdadeira gramática das línguas, nao a esse arremedo fossilizado que é a gramática normativa.
JoãoP
6 de março de 2016 7:57 pmSaber “ligar o nome ao
Saber “ligar o nome ao fenômeno” não é o que me preocupa; a minha tristeza é constatar quão efetiva foi a construção de milhões de analfabetos políticos. Milhões repetindo as palavras de ordem da globo, da veja e dos seus assemelhados.
Gabriel Moreno
6 de março de 2016 7:34 pmOs livros do Marcos Bagno são
Os livros do Marcos Bagno são pequenas pérolas, vale muito ler. Recomendo o “Preconceito Linguístico” e o “A Língua Oculta”.
Fabian Bosch
6 de março de 2016 7:35 pma gramática seria instrumento de dominação?
Cuidado, muito cuidado Doutor. Neste blog há gente que decorou textos de Saussure e se acha no direito de denunciar a grmática como meio de opressão, como armadilha das elites dominantes.
Há outros que não toleram lidar com poliglotas, como se alguém houvesse entrado num seminário católico e estudado grego e latim fosse culpado por isso, houvesse de pedir perdão aos que não tiveram esta oportunidade. Seria isso uma versão do anti-intelectualismo? Não, puramente burrice.
Este incidente de incompreensão de uma “oração adjetiva restritiva”, de sintaxe, e sua consequência que é o analfabetismo funcional ilustra bem os neo-decorebas das faculdades de letras com suas limitações intelectivas. Gente que nunca pressentiu a relação entre pensaento e sintaxe, relação explicitada pelos Gregos.
Anarquista Lúcida
6 de março de 2016 10:00 pmVc tá querendo mostrar saber Deveria escolher algo d q entenda
Parece que de Linguística só ouviu falar de Saussure… Marcos Bagno é um grande linguista, que sem dúvida entende muito mais de Linguística do que vc. É dele a comparaçao da gramática normativa com um igapó, algo que é resto de um fluxo de águas de um rio que transborda, mas fossilizado e separado da corrente, uma metáfora excelente. Cuidado ao falar de limitaçoes intelectivas dos outros, porque vc pode estar só revelando as suas…
Eduardo Outro
6 de março de 2016 8:47 pmEntendimento
Prezado mestre, permita-me, humildemente, esclarecer-lhe uma coisa que, talvez pela justa indignação a que foi tomado, não entendeu. Mesmo sem saber o que seja oração subordinada restritiva é muito fácil entender o significado do seu escrito. Mesmo sabendo o que seja a tal oração, quem sai à janela batendo panela contra o Lula são os mesmos que lhe dirigiram acusações de preconceito contra a população de São Paulo. É o outro tipo de analfabetismo, o político, muito pior que o linguístico.
-Charlie-
6 de março de 2016 8:51 pmIndependente da oração ser
Independente da oração ser restritiva, até parece que o petismo não estimula o ódio a SP e à classe média…
Como se São Paulo não tivesse eleito três prefeitos petistas nos últimos 25 anos…
Como se a classe média não tivesse sustentado o PT em seus primeiros 20 anos de vida, quando os pobres do sudeste votavam em quem o patrão indicava e os do nordeste nos coronéis locais…
Enfim, o partido segue a tática imbecil e suicida de achar que vai se manter no poder graças à Classe C, podendo com isso cuspir na cara de seus antigos apoiadores.
alfredo machado
7 de março de 2016 12:18 amo paulistano e a urna
Charlie,
Ao que parece, você acha que o paulistano sabe se comportar diante das urnas.
O paulistano, que com alckmin governador ficou no seco e por pouco não ocorreu uma catástrofe, acaba de perder centenas de turmas escolares; já com serra serra prefeito fantasma ( chegou ao ponto de não ir às comemorações de 7 de Setembro ), aquela sociedade foi presenteado com uma incompetência daquelas no caso dos inúmeros gargalos que permitiram o desastre ocasionado pelas águas pluviais impossíveis de serem escoadas, teve aquele incrível acidente passado ao vivo e a cores em obra do metrô, que é uma PPP, portanto, também pública ; já com kassab prefeito ornou-se a capital mundial dos incêndios, além de contar em seus quadros com um jênio do mercado imobiliário, Eduardo Aref, um indicado por serra serra, que, nos quase quatro anos em que trabalhou lá, conseguiu comprar 104 imóveis. E por aí segue a lista de barbaridades que sempre ficam escondidas do noticiário.
Em outro âmbito, dos tres maiores colégios eleitorais do país, SP, MG e RJ, SP foi o único que escolheu o mineirim corrupto e sonegador para presidente do patropi ( já não resta dúvida a respeito das duas características do moço ), mineirim repudiado em sua própria casa.
E o Haddad, o que fez de tão grave, ciclovias?
Edu
7 de março de 2016 2:26 am“Ao que parece, você acha que
“Ao que parece, você acha que o paulistano sabe se comportar diante das urnas.”
Que discurso mais sem noção! Quer dizer que nos outros estados e cidades os eleitos são ótimos políticos e governantes? Não tem corrupto nem ladrão? Faça-me o favor!
O problema não é SP. O problema é a elite.
Óbvio que sendo SP a cidade e o estado mais populoso, a elite é maior. Isso é matemático!
Não quer dizer que é só em SP que tem elite. Agora, em todo o Brasil a grande maioria das pessoas, além de serem desinteressadas da política, se informam através da TV e batem panelas na hora errada, infelizmente.
alfredo machado
7 de março de 2016 7:48 pmEdu,
“Ao que parece, você
Edu,
“Ao que parece, você acha que o paulistano sabe se comportar diante das urnas.”
O assunto em questão é a cidade de São Paulo.
Edu
7 de março de 2016 11:36 pmNo meu comentário citei as
No meu comentário citei as cidades também. Seve para cidades e estados.
O problema não é SP cidade e nem SP estado! Entendeu agora?
Jose mestre Carpina
7 de março de 2016 9:11 amNão esquecendo que…m
Quem também disse que a elite branca de São Paulo fede, foi o vice governador ex-PFL….
Fernandoc
6 de março de 2016 10:34 pmSim! Quando se destroi a
Sim! Quando se destroi a educação gratuita,só terão estudo justamente aqueles que são o alvo dos jornais. E como estes não representam a parte mais combalida, serão manipulados a lutarem contra ela e seu desenvolvimento.
Gerson C T
6 de março de 2016 10:57 pmMais direto
Na próxima seja mais direto, tipo:
“…tem que ser muito burra a pessoa que bate panelas só pq.a Globo mandou, principalmente se essa pessoa for paulista, um estado governado 40 anos no mínimo, eu disse 40 mesmo, por gente capaz de roubar até merenda escolar etc, etc…”
Até meus netinhos entenderiam.
PauloBR
7 de março de 2016 1:50 amMudando de assunto…
Já ouviram falar em palíndromos linguísticos (palavras e frases que podem ser lidas tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda, mantendo o mesmo sentido)? Esse já era muito bom, mas ultimamente ficou sensacional:
A CARA RAJADA DA JARARACA.
era republicana
7 de março de 2016 1:55 amo professor dá uma banho de
o professor dá uma banho de linguística neles e os
chamados coxinhas chiam pra cacete…
se eu disser que o nosso comentarista charilie é um páuiista desse tipo coxinha
ele vai me jogar na cara que eu estou criticando todos os paulistas…
é do dna reducionista- deles…
a oração deles não é só adjetiva mas tb substantitivamente resrtritiva…
nada afirmam, só se restringem a criticar o pt etc etc….
Fabian Bosch
7 de março de 2016 2:11 amtolices
Que diabos seria uma “verdadeira gramática das línguas”????
Que peste seria uma coisa verdadeira? Como referir isso a uma Ontologia?
O que quer dizer “arremedo fossilizado”?
Qual a diferença entre uma gramática normativa (não verdadeira) e outra, não-normativa (verdadeira)?
Não-normativo seria o mesmo que descritivo?
Tudo isso são questões que um discurso de decoreba de Saussure suscita. Suscita? Qual a importância destas recorrentes observações inoportunas, marginais, de algum decoreba egresso de uma faculdade qualquer de letras?
“Delenda” não foi nem poderia ter sido transportado do latim para nossa língua, onde não tem nenhum correspondente. Quando Nassif escreveu “Lula delenda” apenas mostrou que não conhece nada do latim, e que gosta de arremedar expressões que lhe parecem eruditas, sem consultar sequer um google da vida. Não tanto por preguiça, mas por presunção.
Nada disso diz respeito ao mérito de nossas questões destes dias. Mas esses ruídos idiotas incomodam.
Qem se esconde atrás de um epíteto imbecil, covardemente, mostre sua identidade, para começo de conversa. Eu me chamo Fabiano João Bosco Formiga de Carvalho.
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 6:52 pmNao sabe nada do q está falando, mas insiste no besteirol
A verdadeira gramática das línguas sao as regularidades que toda língua contém, nao dependem de ensino, todos os falantes as sabem, embora nao conscientemente. Por exemplo, nenhum gramático jamais te disse para colocar o artigo antes do substantivo (ou de adjetivos, etc., que venham antes do substantivo), e nao depois dele. Nao porque seja impossível isso, há línguas em que o artigo vem depois. Mas isso é uma regularidade tao geral do português que nem passa pela cabeça dos gramáticos que alguém possa fazer diferentemente. Ao contrário das regras normativas, que sao prescritas exatamente porque sao pontos em que a língua varia, mas os gramáticos a querem fixa. Tanto assim que os linguistas e filólogos podem descrever a gramática do português no séc. XII, quando ainda se escrevia em latim (e nao havia gravador na época…). Quais as fontes? Os “erros” de latim, resultado da influência do que realmente se dizia, e… os textos dos gramáticos. Quando um gramático dizia: “nao use X, use Y”, os linguistas deduziam que X era a forma realmente usada. O arremedo de que falo sao exatamente essas regras artificiais, que nao correspondem à gramática efetivamente usada por ninguém. Nao se trata de uma questao de ontologia, deixe de ser pedante.
Delenda nao existe no português? Mas a forma é usada por falantes do português, por influência exatamente da frase de Cícero. É como o caso do grand no inglês, é usada diferentemente do que era na língua original. No latim era uma forma verbal, e concordava com o objeto. Nos usos que fazem dela os falantes de português virou uma espécie de interjeiçao invariável. Ridículo seria dizer “Delendus Lula”.
Quanto ao uso ou nao de pseudônimo é questao de escolha subjetiva de cada um. O Nassif permite o uso, se eu escolho usar nao é de sua conta. E, de qualquer forma, o fato de alguém usar um “nome completo”, com prenome e sobrenome, nao é nenhuma garantia de que esse seja realmente o nome da pessoa.
Fabian Bosch
7 de março de 2016 7:34 pmNao sabe nada do q está falando, mas insiste no besteirol
A frase ‘delenda Cartago” não é de Cícero, é, como eu escrevi, de Catão (Cato). Somente isso indicia a falta de funcionamento de seu cérebro, oh decoreba de Letras.
Não é capaz de sentir um discurso irônico, e vem distinguir “regularidades” (se tivessse mínima percepção fenomênica diria ‘constâncias’) de regras formalizadas por gramáticos.
As línguas neolatinas vieram sobretudo do latim castrense, pois a Europa era ocupada por tropas romanas. Entretanto Júlio César escreveu (lá nos acampamentos militares) seu “De Bello Gallico” em latim clássico – aquele latim abominável de Ovídio, Virgílio, Cícero…- livro que traduzi aos onze anos.
Uma pérola como “timeo danaos et dona ferentes’ jamais teria sido escrita no latim castrense ou no latim vulgar. Vale dizer, sem gramática e sem gramáticos não haveriam nascido aqueles maravilhosos escritores romanos. Isso vale para o grego clássico, obviamente. Sem gramática (sem a Retorica) não teria existido a Odisséia.
Se houvesse a mínima flexibilidade no seu pensamento, você argumentaria com o exemplo de Patativa do Assaré, ou dos cordéis nordestinos. Então, esta discussão tomaria rumos decentes, o que é impossível no seu nível de decoreba de Saussure.
Realmente, você pareceria suspeitar das limitações mentais quando fica vomitando monossílabos neste blog. Bem, o fato é que nos poupa de ler asneiras, como estas que estou comentando.
Se puser meu nome no Google, você terá elementos que confirmam minha autenticidade – claro, se você tivesse capacidade de interpretar sintomas. Já ouviu que o estilo é o homem? Lembra de quem disse isto?
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 8:00 pmCacilda! Haja presunçao e arrogância!
Primeiro, nao lembrar de um dado é algo muito diferente de ter mau funcionamento cerebral. Tem razao quanto à autoria de Catao, mas é um idiota se acha que isso mostra conhecimento de Linguística. Mostra apenas seu pedantismo e vontade de exibir saber. Pura erudiçao vazia.
E deixe de ser cretino! O que eu disse é que as regularidades reais da línguas sao diferentes das falsas regularidades prescritas pelos gramáticos normativos. É indiferente aí o uso das palavras constância, ou regularidade, ou mesmo regra (mas o uso dessa última é perigoso, exatamente porque há o risco de ser interpretada com sentido prescritivo, e nao como sinônimo de regularidade).
Sem gramática nao haveria os maravilhosos escritores? Isso é uma obviedade, mas nao se aplica só aos escritores, e sim a todos os falantes, e nao se trata exatamente de gramática normativa, e sim da gramática real da língua (daquela variedade da língua, mas isso já é estender a discussao; uma língua nao tem uma variedade só). E a haver alguma relaçao de causalidade entre a escrita de escritores e a gramática normativa é na direçao contrária: os gramáticos normativos se baseiam no uso de escritores literários, como se a escrita literária fosse a mesma que a escrita comum para fins de comunicaçao e, sobretudo, como se a escrita fosse modelo para a fala, o que é um absurdo completo. Há uma historinha que adoro sobre Érico Veríssimo. Ele usava uma regência que nao via ninguém mais usando, e achou que estava errado. Foi pesquisar num dicionário. Achou aquela regência. Ilustrada por um exemplo dele… Agora, se fosse o Joao das couves que usasse o dicionarista nao registraria, simples assim.
Estou reproduzindo “decoreba de Saussure”? Bom, realmente conheço bastante o texto de Saussure, já tendo inclusive escrito artigos e dado cursos de pós sobre ele. Conheço o suficiente, inclusive, para saber que ele nao fala nada sobre questoes de uso correto ou incorreto, no máximo desconfia da teoria gramatical clássica como boa descriçao dos fenômenos linguísticos. Mas vc o está citando de orelhada, né? Ora, ora…
Quanto à sua identidade, nao tenho o mínimo interesse nela. Passe muito bem.
Fabian Bosch
7 de março de 2016 9:34 pm” falsas regularidades”
Este uso da dicotomia “falso/verdadeiro” é irracional, fica no plano do religioso ou mesmo da superstição. Seu caso é o último, E ainda considera arrogante a menção a uma Ontologia, mesmo quando anda usando inconscientemente aquela dicotomia. Lições sobre Saussure? Bem, nos cursos de Letras (cedo a maiúscula), tudo é possível. Lá se reunem os que não conseguem superar o vestibular mais rigoroso. Sempre foi um refúgio dos incompetentes e/ou preguiçosos. Das mocinhas que buscam um bom partido. Preconceito? Uma ova.
Imagino o desafio de dar aulas sobre Charles Sanders Peirce. Ou sobre o que escreve H.Eco sobre ele. Aí, o buraco é mais embaixo.
Esse pessoal ignorante de Letras usa e abusa do prefixo ‘meta’. Sem terem idéia do que significa isso.
A sugestão de enriquecer a discussão com o Patativa de Asssaré e os cordéis, passou em branco. De fato, foi esperar demais, bem além do pouco que uma decoreba de Saussure poderia alcançar.
Não se trata de interessar-se por minha identidade. Trata-se de um repto. Estou aqui dialogando com um personagem ficto, sobretudo porque o feminino ‘lúcida’ deixa de atender a normas prescritivas de gramáticos ditadores. Se o sexo é escondido, que mais resta na superfície? Bem, isso é o que não importa.
Qual seria mesmo a diferença entre o prescritivo (normativo) e o descritivo????? Haveria mesmo dois mundos, o do dever-ser (Sollen) e o do ser (Sein)? Seriam dois mundos estanques?
Assim se vê que esta discussão com decoreba de Saussure nunca poderia ter fôlego.
Situar em dois planos as “regularidades” (leia-se ‘constâncias”) e as regras formais dos gramáticos, é sinal de curteza. Mais um.
Há uma relação dialética entre o dever-ser e o ser. Que diabos seria isso? Adiantaria explicar? A leitura de Hegel passa bem distante dos decorebas de Letras.
Resta retrucar com o argumento “ad hominem”, pois não há outros.
Finalmente, você encheu meu saco. Vá se coçar.
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 9:48 pmSó nao posso dizer o mesmo a seu respeito pq nao tenho saco
Tudo o que vc diz é besteirol e manifestaçao de presunçao, exibiçao de erudiçao vazia, nem há como responder, porque de Linguística nao entende nada, e entao desvia o assunto para ser e dever ser, e outros quejandos filosóficos. Que sao importantes, claro, mas nao se aplicam a esta discussao.
A uma úncia coisa vou responder: como o adjetivo lúcida é erro de concordância ou esconde o sexo? É exatamente o contrário; o substantivo é o que se chama normalmente um “comum de 2”, tem a mesma forma tanto para o masculino quanto para o feminino; mas o adjetivo deixa o sexo muito claro…
Quanto ao que escreve Eco sobre Peirce, o principal está em Kant e o Ornitorrinco; já falei sobre esse livro aqui recentemente, por ocasiao da morte de Eco, escritor que adoro, embora nao exatamente sobre a interpretaçao de Peirce.
Morvan
7 de março de 2016 3:37 amNão Se Trata De Interpretação E Sim De Utilidismo
Boa noite. Caro Marcos Bagno. Não se amofine pelo não-entendimento ou entendimento enviesado de vosso Post. Não se trata, a rigor, de compreensão dos meandros formais da língua (ou da linguagem em sentido lato). Trata-se de interpretação à luz da conveniência política. Se os detratores da sua manifestação tivessem os mesmos afã e apego à Última do Lácio, a imagem abaixo os teria feito andar em círculos:
O indigitado é membro da Academia, ora pois!
Ale Nogueira
7 de março de 2016 10:38 amSeria uma forma linguística
Seria uma forma linguística de ultravanguarda?
Morvan
7 de março de 2016 1:36 pmSeria uma forma linguística II ?
Bom dia. Ale Nogueira:
— “Seria uma forma linguística de ultravanguarda?”.
— Caro Ale Nogueira. Talvez seja pior. Indício de que tudo tem um preço, até mesmo ingresso na “Acadimia”…
hiperpreconceito
7 de março de 2016 7:51 am[ Eu sei que 75% do povo
[ Eu sei que 75% do povo brasileiro é analfabeto funcional [ no ponto atacado deu para esconder, pois o mesmo sabe como usar a norma culta para exercer tais coisas e parecer que não. Porém no destaque não escapa, pois tais pesquisas são feitas com textos dentro da normal cultíssima enquanto o povo entderia se fosse na base do ¨nós pega peixes¨. Ou seja, é preconceito enorme corrobarar o que foi fruto de um ato de extremo preconceito
você sabe com quem estais falando?!!!
7 de março de 2016 8:27 am¨já ouviu falar de oração
¨já ouviu falar de oração adjetiva restritiva ¨ isso é uma carteira usando a norma culta. Quem diria…..
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 7:21 pmTá confundindo alhos com bugalhos…
Norma culta é uma coisa (já bastante problemática…) bem diferente de conhecimento de metalinguagem gramatical. Ele atá pode ter dado uma carteirada, mas sem relaçao alguma com uso ou nao de norma culta; e bem explicável no caso, oras.
Mário Mendonça
7 de março de 2016 9:46 amNassif
Não é questão
Nassif
Não é questão linguista, é moralismo seletivo !
Simples, assim !
marcio r
7 de março de 2016 11:01 amGente burra.
O que a TV não conseguiu fazer – idiotizar toda a população – a internet promete.
Morvan
7 de março de 2016 6:55 pmE Eu, Que Achei Umberto Eco Exagerado
Boa tarde.
Marcio R, quando Umberto Eco falou sobre o midiota que as Redes Sociais estariam cevando, confesso ter, a princípio, considerado exagero. Agora, mesmo sem o mestre, vejo que ele estava coberto de razão.
Athos
7 de março de 2016 4:33 pm….
Cheguei a achar cômica sua reação porque a situação é muito pior que imaginas.
Estão esquecendo o significado de palavras básicas. … Estão deixando de falar português.
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 6:58 pmQue besteira. Línguas nao sao coisas imutáveis
O significado das palavras muda, e a gramática das línguas também. Ou ainda falaríamos latim. Ou indo-europeu. Ou… sei lá que língua havia antes desse.
Agora até concordo que estamos deixando de falar português. O mui hipocritamente chamado “português brasileiro” na verdade já é uma outra língua.
Morvan
7 de março de 2016 7:09 pmConcordo. Permita-me…
Boa tarde.
… que relate um caso absurdo, porém verdadeiro:
Uma atendente de um daqueles bancos que vivem a nos empanturrar de ofertas de cartões, numa das demoradas conversas, eu insistindo que meu e-mail era *%&$ Sublinha Br. Ela não entendia o sublinha. Lembrei-me da massificação do “Underline”, por parte destes colonizados de Sale, Off, Travel, Customize, etc., e o substituí na descrição do aludido e-mail. Fiat Lux! Cadastro resolvido. Colonização e Ignorância.
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 7:29 pmAté compartilho um pouco sua irritaçao c/ isso. Mas é inútil
Quando os falantes começam a aceitar um termo de outra língua, isso pode irritar outros que sabem que a língua que importa o termo tem um outro com aquele mesmo sentido e que o empréstimo é desnecessário. Mas se o empréstimo “pega”, nao adianta chiar. Ou vc hoje diria ludopédio em vez de futebol? Convescote em vez de piquenique? Nao né? Detesto o uso de deletar, em vez de apagar, e sobretudo de sortear no sentido de classificar, quando o termo já existe em português com outro sentido. Mas ninguém manda na língua, se os falantes continuam usando, simplesmente vira fato da língua, concorde eu ou nao.
Morvan
7 de março de 2016 7:39 pmConcordo Com O Seu Contraponto…
Boa tarde.
Mas a irritação é inevitável, principalmente quando se transita e se convive no meio termo entre o “technês”, típico do universo de TIC, onde convivo, por força profissional, e o escorreito, mais afeito a alguém das “humanas”, caso cito, pedagogo. O próprio dinamismo da língua, você já ventilou, é o motivo pelo qual falamos o português, um dos latins vulgares (aqui, do povo).
Viva a língua portuguesa.
Anarquista Lúcida
7 de março de 2016 8:04 pmConcordo com o viva, mas preferiria louvar a língua BRASILEIRA
Há muito tempo a língua hipocritamente chamada de português do Brasil já é outra em relaçao ao português europeu.
Morvan
7 de março de 2016 9:23 pm🙂
🙂
Athos
8 de março de 2016 4:54 pmEu estava sendo mais simples e direto.
Repare só. ..
https://jornalggn.com.br/comment/862152#comment-862152
Morvan
8 de março de 2016 5:13 pmMais Direto, Impossível…
Ah, ah, ah….
Anarquista Lúcida
8 de março de 2016 7:19 pmDireto e EQUIVOCADO…
Corrige o português dos outros, e ao fazer isso comete um “erro de português”. Completamente natural, correspondente ao uso real da língua, mas que contraria as regras da gramática normativa. Quer se fazer de censor linguístico, pelo menos que seja coerente com o que prega…