Na última quinta-feira (3), véspera da Operação Aletheia, Lula fez um desabafo premonitório ao amigo petista Gilberto Carvalho.
“Eu vou ser preso ou vão fazer a minha condução coercitiva porque, do contrário, a Lava Jato não tem sentido.”
A conversa sintetiza a percepção do partido de que a maior investigação das últimas décadas busca fazer “justiçamento, não justiça”.
“O doutor Sergio Moro tem uma necessidade de provar que os agentes do PT formam uma quadrilha e que o capo dessa quadrilha agora é o presidente Lula”, disse ele.
Para Carvalho, a Lava Jato não tem provas contra Lula, tem teses. E prevê o pior caso tentem prender o ex-presidente: “Não quero falar nessa hipótese. Espero que não brinquem com fogo”.
Carvalho não acredita no sucesso do impeachment e duvida que Dilma Rousseff saia do PT. “Até porque a sobrevivência dela estaria muito ameaçada”, avalia.
*
Vou insistir. O problema da delação premiada é que a pessoa é constrangida pelo inquiridor a dizer aquilo que o agrada porque está na mão dele a liberdade do delator. O advogado também tem o papel de convencer o seu cliente a fazer a delação para buscar a liberdade do seu cliente.
Tudo empurra para a delação. Mas não é preciso haver prova? O problema da Lava Jato, e é preciso que se diga em alto e bom som, é que os campeões da corrupção estão soltos, tendo a suas penas reduzidas escandalosamente e tendo devolvido pequenas quantias daquilo que eles são acusados de ter se apropriado. Quem está ficando na cadeia em Curitiba é o Marcelo Odebrecht, que se negou a fazer delação, e os políticos. Isso é combate à corrupção? Isso tem de ser denunciado. O povo está se iludindo, achando que a Lava Jato está fazendo um processo importantíssimo de combate à corrupção.
Já que os integrantes do MP se mostram tão ávidos em apurar quem teria vazado a informação da quebra de sigilo bancário de Lula e quem, como alerta o Rodrigo Viana, partem para cima de blogueiros, bem que poderiam investigar a coincidência da presença do sr. Jair Bolsonaro soltando foguetes na frente da sede da Polícia Federal em Curitiba, na sexta-feira.
Via a informação no site Notícias Paraná , onde o jornalista Valdir Cruz diz que a “ordem era pôr o Lula num avião e levá-lo a Curitiba.”
E essa informação era de conhecimento de centenas, talvez milhares de pessoas, tanto que havia aglomerações no aeroporto de São Paulo e no de Curitiba. Outro sinal de que havia algo no ar, além dos aviões de carreira: na frente da sede da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, na capital paranaense, onde normalmente são levados os presos da “lava-jato”, havia uma concentração muito grande de pessoas. Até o ultrarreacionário Jair Bolsonaro, com várias caixas de foguetes, estava lá.
Bolsonaro “casualmente” chegou na noite anterior, saudado por uma pequena multidão e por lutadores de MMC, eufóricos com a escolha de Curitiba como sede daquela selvageria a que chamam de UFC.
Ia ser a “estrela” do dia, soltando foguetes enquanto Lula era “conduzido coercitivamente” para a a “masmoro” curitibana. A “inteligência” da PF não sabia?
A direita “convencional” que se cuide.
São cada vez mais claros os sinais que o protofascismo brasileiro é cada vez menos “proto” e está pronto a soltar na ruas suas corjas de arruaceiros.
Depois não reclamem da “radicalização” do processo político.
A jararaca é um animal da classe “reptilia”, do gênero “bothrops” de bote muito rápido, certeiro e mortífero. Sexta-feira em sua fala, Lula, usando da sua extraordinária habilidade de se comunicar por metáforas, igualmente certeiras e mortíferas, mencionou a serpente. Para matar a cobra é preciso “acertar a cabeça” disse ele. Ele foi certeiro e mortífero. A pancada mal dada despertou o Lula, acordou a militância e estimulou os movimentos sociais.
Foi certeiro porque sempre esteve à disposição e ao alcance para prestar esclarecimentos. Aliás, segundo o ministro Mello, do Superior Tribunal Federal, a Polícia Federal deveria ter “observado os parâmetros normais” e disse mais, “um ex-presidente da República, sem ter oposto resistência física, ser conduzido coercitivamente revela em que ponto estamos. A coisa chegou ao extremo”.
Foi mortífero para as pretensões golpistas, porque agora restam apenas duas opções: julgar e condenar Lula de alguma forma ou, caso contrário, com o golpe mal desferido, acabam transformando o molusco em cobra, injetando nele a vontade inquebrantável de lutar. E se Lula chamar, o povo vem.
E o povo vem porque sabe que o golpe não é contra Lula, Dilma e o PT. É contra 54 milhões de eleitores, é contra 22 milhões que deixaram a pobreza extrema para trás. É contra as políticas sociais que praticamente eliminaram a miséria no Brasil. Miséria histórica, atávica, contra a qual os representantes do golpismo pouco ou nada fizeram, quando governaram.
Marx dizia que a história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. E isso me lembra a noite de 13 de dezembro de 1968 com o AI-5 à solta, Juscelino foi preso e, além dele, obviamente Jango e também Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e muitos mais. Outros fugiram, Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, e outros tantos foram para a luta armada.
E hoje a história de fato se repete. Coincidência de métodos, coincidência que enseja a escuridão. Mas a luz prevalecerá!
Aroldo Bernhardt é professor universitário aposentado
Eles estão com medo que a merda jogada no ventilador os atinja
Ou, não há nada que uma jararaca não consiga fazer com 10 minutos de discurso.
FHC muda discurso e sugere diálogo com PT
Diante do risco de implosão da democracia brasileira, graças à tentativa de golpe fomentada pelo PSDB e por grupos de comunicação, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sai da posição de regente irresponsável do caos e assume uma nova postura; em novo artigo, ele sugere diálogo e reconhece que “é preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT, mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro”; na coluna deste domingo, FHC não usa as palavras renúncia ou impeachment, nem criminaliza o ex-presidente Lula; “É hora, portanto, de líderes, de pessoas desassombradas, dizerem a verdade: não sairemos da encalacrada sem um esforço coletivo e uma mudança nas regras do jogo”; FHC, que apostou no caos, agora acena a bandeira branca
6 de Março de 2016 às 06:02
247 – Nos últimos dois anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o regente incontestável da oposição. Em suas colunas mensais, publicadas no Globo e no Estado de S. Paulo, deu o tom a ser seguido por seus liderados.
FHC alternava seu discurso, mas quase sempre exaltava o processo de judicialização da política, desde que voltado, é claro, apenas para a destruição do PT. Em outras ocasiões, defendeu saúdas bruscas e antidemocráticas, como o impeachment e a renúncia da presidente Dilma Rousseff.
Neste fim de semana, em que a democracia brasileira está ameaçada por uma tentativa de golpe fomentada por uma parceria entre setores da oposição e grupos de comunicação, FHC muda seu discurso e acena a bandeira branca. Pela primeira vez em muito tempo, ele não fala em renúncia, impeachment e nem criminaliza o ex-presidente Lula ou o PT.
FHC, agora, quer diálogo e prega uma saída coletiva, por parte de todas as lideranças responsáveis do País. Confira:
Cartas na mesa
É preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT, mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro. E mais: o que idealizamos na Constituição de 1988, cujo valor é indiscutível, era construir uma democracia plena e um país decente, com acesso generalizado à Educação pública, Saúde gratuita e Previdência Social. Mais ainda, acesso à terra para os que nela precisassem trabalhar, bem como assistência social aos que dela necessitassem. A execução desse programa encontra dificuldades crescentes porque a estrutura estatal é burocratizada e corporativista. E também porque a sociedade não quer e não pode pagar cada vez mais tributos quando os gastos não param de se expandir.
Era inevitável que nos encontrássemos nessa situação? Não. Contudo, para evitar a crise do sistema de partidos e da relação Executivo/Legislativo, teriam sido necessários, no mínimo, os contrapesos da “lei de barreira” e da proibição de alianças partidárias nas eleições proporcionais, restrição aos gastos de campanha e regras mais severas para seu financiamento.
Mas não é só. A má condução da política econômica tornou impossível ao governo petista seguir oferecendo os benefícios sociais propostos, senão pagando o preço da falência do Tesouro. Não me refiro às bolsas, que vêm do governo Itamar, foram ampliadas em meu governo e consolidadas nos governos petistas: elas são grãos de areia quando comparadas com as “bolsas empresários” oferecidas pelos bancos públicos com recursos do Tesouro. Sem mencionar o grau inédito de corrupção, azeite que amaciou as relações entre governos, partidos e empresas e que deu no que deu: desmoralização e desesperança. Oxalá continue a dar cadeia também.
Diante disso, como manter a ilusão de que as instituições estão funcionando? Algumas corporações do Estado, sim, se robusteceram: partes do Ministério Público e da Polícia Federal, segmentos do Judiciário, as Forças Armadas e partes significativas da burocracia pública, como no Itamaraty, na Receita e em algum ministério, ou no Banco Central. Entretanto, no conjunto, o Estado entrou em paralisia, não só o Executivo, como também a burocracia e o Congresso. Este pelas causas acima aludidas, cuja consequência mais visível é a fragmentação dos partidos e a quase impossibilidade de se constituir maiorias para enfrentar as dificuldades que estão levando ao desmonte do sistema político.
Nada disso ocorreu de repente. Repito o que disse em outras oportunidades: na viagem que a presidente Dilma fez em 2013 para prestar homenagens fúnebres a Mandela, acompanhada por todos os ex-presidentes, eu mesmo lhes disse: o sistema político acabou; nossos partidos não podem ou não querem mudar; busquemos os mínimos denominadores comuns para sair do impasse, pois somos todos responsáveis por ele. Apenas o presidente Sarney se mostrou sensível às minhas palavras.
Agora é tarde. Estamos em situação que se aproxima à da Quarta República Francesa, cujo fim coincidiu com os desajustes das guerras coloniais, tentativas de golpe e, finalmente, a solução gaullista. Aqui as Forças Armadas, como é certo, são garantes da ordem e não atores políticos. É hora, portanto, de líderes, de pessoas desassombradas, dizerem a verdade: não sairemos da encalacrada sem um esforço coletivo e uma mudança nas regras do jogo. A questão não é só econômica. Sobre as medidas econômicas, à parte os aloprados de sempre, vai-se formando uma convergência, basta ler nos jornais o que dizem os economistas.
Mesmo temas sensíveis, nos quais ousei tocar quando exercia a Presidência e que caro me custaram em matéria de popularidade, voltam à baila: no âmbito trabalhista, como disse o novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Gandra Martins, citando como exemplo o Programa de Proteção ao Emprego, comecemos por aceitar que o acordado entre os sindicatos prevaleça sobre o legislado, desde que respeitadas as garantias fundamentais asseguradas aos trabalhadores pela CLT. Enfrentemos o déficit previdenciário, definindo uma idade mínima para a aposentadoria que se efetive progressivamente, digamos, em dez anos. Aspiremos, com audácia, que um novo governo, formado dentro das regras constitucionais, leve o Congresso a aprovar algumas medidas básicas que limitem o endividamento federal, compatibilizemos gasto público com o crescimento do PIB e das receitas, e melhorem o sistema tributário, em especial em relação ao ICMS.
Dentre as medidas fundamentais a serem aprovadas, a principal é, obviamente, a reformulação da legislação partidário-eleitoral. O nó é político: eleições com a legislação atual resultarão na repetição do mesmo despautério no Legislativo. Há que mudar logo a lei dos partidos, restringindo a expansão de seu número, e alterando as regras de financiamento eleitoral para evitar a corrupção. Por boas que tenham sido as intenções da proibição de contribuição de empresas aos partidos, teria sido melhor limitar a contribuição de cada conglomerado econômico a, digamos, X milhões de reais, obrigando as empresas a doarem apenas ao partido que escolherem, e por intermédio do Tribunal Superior Eleitoral, que controlaria os gastos das campanhas. A proibição pura e simples pode levar, como ocorreu em outros países, a que o dinheiro ilícito, de caixa dois ou do crime organizado, destrua de vez o sistema representativo.
Ideias não faltam. Mas é preciso mudar a cultura, o que é lento, e reformar já as instituições. É tempo para que se verifique a viabilidade, como proposto pela Ordem dos Advogados do Brasil e por vários parlamentares, de instituir um regime semiparlamentarista, com uma Presidência forte e equilibradora, mas não gerencial. Só nas crises se fazem grandes mudanças. Estamos em uma. Mãos à obra.
No que deu Honduras que foi palco de um golpe, que os brasileiros sejamos capazes de defender a democracia para que as corporações transnacionais não se apossem de nosso futuro
Quando vamos voltar a ter um dia normal, sem novos sobressaltos a cada momento, para podermos planejar nossas vidas e cumprir nossos compromissos pessoais e profissionais conforme marcado na agenda? Certamente, não será nesta semana que começa carregada de nuvens negras no horizonte e sob o risco de mais radicalização no cenário político.
Para quem acompanhou a intensa movimentação nas redes sociais nos dias que se seguiram à “condução coercitiva” de Lula pela Polícia Federal na sexta-feira, a previsão é de novos confrontos entre os grupos a favor e contra o ex-presidente.
Já estavam marcadas para o próximo domingo, dia 13, grandes manifestações pró-impeachment organizadas pelos movimentos Vem Pra Rua e Brasil Livre, desta vez com o apoio aberto dos líderes dos partidos de oposição. Agora, grupos pró-Lula estão planejando fazer atos nos mesmos locais e horários, o que é prenúncio de confrontos, evitados nas manifestações anteriores, pois foram marcadas para dias diferentes.
Sem querer ser alarmista, mas há uma confluência de fatos que tornam a cada dia mais dramática e complexa a crise brasileira e mais distante uma solução para sairmos do impasse político. O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), por exemplo, que, em dezembro, apoiou ato em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, agora programou uma série de protestos contra o governo, anunciando que as propostas do ajuste fiscal serão “enfrentadas nas ruas, sem tréguas e com radicalidade”.
O vice-presidente Michel Temer que, nos últimos meses, procurou ficar afastado do tiroteio entre governo e oposição, voltou a falar em “reunificação”, ao apontar a gravidade do momento que vivemos, durante discurso feito no domingo no interior paulista. “Hoje o que o país mais precisa é de unidade, de reunificação, um instante em que todos têm que se dar as mãos para tirar o país da crise”. Reunificação em torno dele e do PMDB, é claro, já que em nenhum momento o vice citou o nome da presidente Dilma.
Após os acontecimentos da semana passada, que colocaram o governo Dilma e o ex-presidente Lula no alvo central da Operação Lava Jato, PMDB e partidos de oposição voltaram a discutir meios de acelerar o processo de impeachment na Câmara, depois de um período de hibernação.
De outro lado, a presidente Dilma procurou se reaproximar de Lula, ao visitá-lo sábado em sua casa de São Bernardo do Campo para lhe prestar solidariedade. Os dois marcaram um novo encontro para esta segunda-feira, em Brasília. Assunto é o que não falta.
Os últimos vazamentos da Lava Jato dão conta de que o próximo objetivo da operação é mover contra o ex-presidente uma ação civil de improbidade administrativa para torná-lo inelegível em 2018, o que é o grande objetivo das oposições. Para isso, os procuradores querem comprovar que empreiteiras denunciadas no Petrolão bancaram obras no sítio de Atibaia quando Lula ainda era presidente.
Desde que saiu do depoimento à Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas e foi para a sede do PT, na sexta-feira, Lula já fez dois discursos inflamados, em que abandonou a defesa jurídica e procurou levar o confronto para o campo político-eleitoral, já se colocando à disposição do partido para ser candidato a presidente em 2018. Lula quer levar a disputa para as ruas, com todos os riscos que isso pode provocar num ambiente de alta combustão.
Para completar, na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal vai julgar a liminar que suspendeu a nomeação do promotor Wellington Lima para o Ministério da Justiça. O relator do processo, para não variar, é o ministro Gilmar Mendes.
Se o objetivo da “condução coercitiva” de Lula, uma espécie de “pré-prisão”, na 24ª operação desencadeada pela Lava Jato, era testar a capacidade de reação do PT e dos movimentos sociais que apoiam o ex-presidente, vamos saber o resultado até o próximo domingo.
Para responder à pergunta que fiz na abertura desta matéria, só tenho a dizer: tudo indica que tão cedo não voltaremos a ter um dia normal. E faço outra pergunta: o caro leitor se lembra quando foi e como viveu seu último dia normal nesta guerra política sem fim, que se arrasta desde a campanha presidencial?
Secretário do PMDB-RS incita violência contra o PT e MST
Da Revista Forum
Daniel Kieling fez as afirmações por conta de um post do jornalista Ricardo Noblat sobre João Pedro Stédile e a posição do MST contrária a tentativas de golpe de Estado no Brasil
O secretário adjunto do PMDB do Rio Grande do Sul, Daniel Kieling, defendeu neste domingo, em sua conta no Twitter, que a “vagabundagem do PT e do MST” merece tomar “bala na cara, cadeia, tiro, porrada e cacete”. As afirmações foram feitas a propósito de um post do jornalista Ricardo Noblat sobre uma afirmação de João Pedro Stédile a respeito da posição do MST contrária a tentativas de golpe de Estado no Brasil: “O líder do MST avisa: se houver tentativa de golpe contra a democracia, o MST fechará todas as estradas do país”.
O secretário do PMDB, atualmente, é diretor adjunto da Assessoria de Assuntos Municipais da Casa Civil do Governo José Ivo Sartori e vice-presidente do Conselho Estadual de Juventude do Rio Grande do Sul. Kieling também disparou contra “os comunistas” no Twitter: “O Brasil não pode ficar na mão dos comunistas! Minha bandeira é verde e amarela e não vermelha”.
— O Lula abriu um guarda-chuva enorme. Veio um amigo daqui, um amigo dali, que criaram situações. Agora, cabe a ele explicar, com toda a franqueza.
É essa a expectativa do petista histórico Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul (1999-2002) e ex-ministro das Cidades no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2005). Fundador do PT, em 1980, junto com o também sindicalista que virou presidente da República, Dutra, aos 74 anos, bancário aposentado, é presidente de honra do PT gaúcho.
— Não sou candidato a nada, não quero ser, não serei, não devo ser, nem ao Legislativo, nem a um posto executivo — disse ao jornal O Estado de S. Paulo em longa entrevista por telefone na tarde da terça-feira passada.
O mote da entrevista foi a investigação sobre a ligação do ex-presidente Lula com dois imóveis — um apartamento no Guarujá e um sítio em Atibaia — em andamento na Operação Lava-Jato e no Ministério Público de São Paulo, contestada pelo ex-presidente e seus advogados no Supremo Tribunal Federal. Além de comentá-la, o também ex-deputado constituinte (86-89) e ex-prefeito de Porto Alegre (1999-2003) aprofundou suas críticas ao PT e ao que chamou de “trampolinagem política”.
A par da crítica amarga, Olívio Dutra mantém a esperança:
— Eu sou PT e quero que o meu partido saia dessa inhaca em que se meteu por essa política do pragmatismo e da governabilidade a qualquer custo.
Como o sr. está vendo as denúncias contra o presidente Lula?
A visão que marcou a criação do PT foi essa de que a coisa pública não é propriedade do governante, dos seus amigos, dos seus familiares, dos seus partidários. Essa visão não pode mudar assim, no bojo das situações e das circunstâncias. Isso é um ideário básico. Está nas razões da fundação do PT. São questões permanentes.
E isso mudou?
Um partido que nasceu para ser um contestador da política tradicional e fazer da política a construção do bem comum de repente está não sendo diferente de nada das tantas coisas que criticava, contra as quais nos colocávamos diametralmente opostos. O Estado não é propriedade privada ou pessoal de ninguém, nem do governante, nem dos grupos econômicos, nem da mídia.
O PT perdeu esse foco?
O PT não podia perder esse objetivo na sua ação política. O PT deixou de fazer a discussão que devia ter feito. Lutamos contra a ditadura e contra as estruturas do Estado, contra os interesses dos mais poderosos, dos mais ricos, dos mais influentes. Queríamos fazer a máquina do Estado funcionar com outra lógica…
E não foi isso que aconteceu?
Eu tenho essa visão crítica. Eu acho que o PT está envolvido num espaço de atuação em que perdeu a sua identidade e se misturou com a política mais tradicional. Quem mudou não foram os adversários. Nós é que mudamos — e, no meu entendimento, para pior. Há necessidade de resgatar essa discussão da política como a construção do bem comum.
O que sr. achou das explicações do ex-presidente Lula para o tríplex de Guarujá e o sítio de Atibaia?
Eu não converso com o Lula há bastante tempo. Tenho uma enorme estima pelo Lula, que conheci em 1975, nas lutas sérias. Tenho uma preocupação com as coisas que o Lula está sofrendo. Mas eu também fico me perguntando, em relação àquele sítio lá, e ao tríplex, por que não esclarecem logo tudo, publicamente?
Transparência total…
O Lula não tem nada a perder com essa transparência. Quem exerce cargos importantes sabe que os antigos inimigos se transformam em amigos. Alguns continuam sendo amigos porque ainda acham que tu podes exercer influências. Se aproximam, fazem gestos, buscam levar para uma festa, para um coquetel, uma viagem. Nada disso é de graça, tudo faz parte da trampolinagem política. Então, tem que ter a pulga atrás da orelha. O Lula não tem nada de ingênuo. É uma grande figura, de sensibilidade, com capacidade de prever as coisas, de ver longe. Eu acho que ele abriu um guarda-chuva enorme, e debaixo desse guarda-chuva veio um amigo daqui, um amigo dali, que criam situações. Agora, cabe a ele explicar, com toda a franqueza.
Como o sr. vê o fato de o Instituto Lula ser financiado pelas empreiteiras e do presidente Lula levar uma vida profissional bancado por palestras pagas pelas mesmas empreiteiras?
É natural na política tradicional, vem de séculos até. Então, aí não inovamos. O partido não inovou. Devia se confrontar com essas condutas e muitas vezes foi assimilando isso. Então, estamos no mesmo balaio. Essa é a questão. O Fernando Henrique Cardoso também tem um instituto. Agora, só porque ele tem, nós também temos que ter? O Sarney também tem, e aí tudo se justifica. Aí acontece o que eu chamo briga de bugio. Os bugios, quando se desentendem, fazem as fezes na mão e jogam uns contra os outros. É um processo evidente de degradação da política.
No qual o sr. considera que o PT entrou?
Não inovamos, pelo pragmatismo. Se está no poder, tem que governar. E, para governar, você faz um acerto aqui com esse, ali com aquele outro, e vai sendo engolido por um processo que era para ser transformado.
O Instituto Lula e o próprio ex-presidente ficaram maiores que o partido, não?
O Instituto Lula não é uma excrescência, mas não é uma inovação positiva. No PT, também os mandatos legislativos e executivos são estruturas maiores que as instâncias partidárias. Um vereador em São Paulo tem uma estrutura própria maior que a instância do partido. Acabam formando estruturas próprias, que se sobrepõem às estruturas democráticas do partido, criam disputas inclusive na base partidária, para ver quem é que vai ocupar o espaço. Não instigamos um debate provocativo por dentro dessa máquina. Como ir para dentro da máquina do Estado, que não funciona bem para a maioria da população, e não ser absorvido pela máquina, não ajudar de dentro para fora aqueles que de fora para dentro lutam para que essa máquina funcione com outra lógica? Essa é a questão.
E como resolve isso?
Tem que fazer uma autocrítica séria, o que não fizemos até agora. A maioria, que tem a direção do partido, não fez essa autocrítica séria. O partido não pode simplesmente achar que não cometeu erros. Figuras importantes, em cargos importantes dentro do governo, cometeram erros seriíssimos, agredindo inclusive o patrimônio ético moral do partido e da política. O (Paulo) Maluf, por exemplo. Eu nunca podia imaginar que um dia nós estivéssemos de braços dados com o Maluf. E por aí vai.
Nos cargos executivos que o sr. exerceu — prefeito, governador, ministro —, como administrou eventuais ofertas de empreiteiras, palestras, por exemplo, durante ou depois do mandato?
Eu nunca peguei dinheiro com palestra, nunca me dispus a isso.
O sr. nunca quis fazer o Instituto Olívio Dutra?
Não. Até porque é outra conjuntura, é outra realidade. Não sou o sal da terra e nem quero dizer que a minha experiência é a melhor. Nós também enfrentamos coisas contraditórias por aqui.
Qual era o seu parâmetro?
Governar bem para a maioria às vezes significa esgarçar as relações com setores que querem tirar proveito próprio de uma relação pessoal, com aquele grupo, com aquela família, com aquela pessoa. Eu sempre tive um pé atrás com isso. Nunca fui unanimidade no meu partido, nunca fui, nem hoje. Hoje eu sou oposição à direção nacional, mas eu sou PT e quero que o meu partido saia dessa inhaca em que se meteu por essa política do pragmatismo e da governabilidade a qualquer custo.
E como é que sai?
Nós temos estruturas que precisam ser mudadas. A estrutura política partidária que existe hoje é uma excrescência, para dizer o mínimo. Tu eleges um presidente da República, ou uma presidente, como é a Dilma, com um projeto. E o Congresso é composto majoritariamente por aqueles que defenderam outro projeto. E, no entanto, por serem maioria, eles vêm para dentro do governo. Isso cria uma contradição. Tudo vira um toma lá dá cá, um é dando que se recebe. E nós não mexemos nessa estrutura, não fizemos reforma política séria, nem reforma tributária, nem reforma agrária, nem reforma urbana, que ficou tudo no Judiciário. Continuam dando isenção tributária a grupos poderosos. Nós não mexemos nessas coisas. Fizemos muito, mas deixamos muito por fazer. E fizemos muita coisa errada também. A política não pode ser uma manobra dos mais espertos, dos mais atilados. Tem que ser a construção do bem comum com o protagonismo das pessoas.
O desembargador federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), derrubou nesta segunda-feira (7) decisão liminar da última sexta (4) que suspendeu a nomeação, pela presidente Dilma Rousseff, do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Com isso, o novo ministro pode permanecer no cargo.
HenriqueBeaga
7 de março de 2016 3:26 amStalinismo nos dos outros é refresco, por Antônio David
http://www.viomundo.com.br/politica/antonio-david-stalinismo-nos-olhos-dos-outros-e-refresco.html
Marcelo R S
7 de março de 2016 3:31 amfernando moraes
http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/a-elite-tem-medo-da-continuidade-1.1250245
Marcelo R S
7 de março de 2016 3:34 amsequesro de Lula para
sequesro de Lula para instalar grampo
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2016/03/sequestro-de-lula-pode-ter-sido-para.html
romério rômulo
7 de março de 2016 3:53 amA midia chafurdou na lama com FHC e a GLOBO.
https://www.youtube.com/watch?v=kjj4wEqgVGk
romério
romério rômulo
7 de março de 2016 6:50 amMaradona fala do Macri
http://hispantv.com/newsdetail/futbol/217321/maradona-autocritica-elegir-macri-presidente
romério
Gilberto Cruvinel
7 de março de 2016 7:57 amEventual prisão de Lula seria brincar com fogo
Eventual prisão de Lula seria brincar com fogo, diz Gilberto Carvalho
por Natuza Nery
da Folha
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1747043-eventual-prisao-de-lula-seria-brincar-com-fogo-diz-gilberto-carvalho.shtml
Makário
7 de março de 2016 9:38 amFolha: uma longa entrevista com Gilberto Carvalho
Eventual prisão de Lula seria brincar com fogo, diz Gilberto Carvalho
Pedro Ladeira – 3.fev.2016/Folhapress
O ex-ministro de Dilma e ex-chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho
NATUZA NERY
EDITORA DE PAINEL
07/03/2016 02h00
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Na última quinta-feira (3), véspera da Operação Aletheia, Lula fez um desabafo premonitório ao amigo petista Gilberto Carvalho.
“Eu vou ser preso ou vão fazer a minha condução coercitiva porque, do contrário, a Lava Jato não tem sentido.”
A conversa sintetiza a percepção do partido de que a maior investigação das últimas décadas busca fazer “justiçamento, não justiça”.
“O doutor Sergio Moro tem uma necessidade de provar que os agentes do PT formam uma quadrilha e que o capo dessa quadrilha agora é o presidente Lula”, disse ele.
Para Carvalho, a Lava Jato não tem provas contra Lula, tem teses. E prevê o pior caso tentem prender o ex-presidente: “Não quero falar nessa hipótese. Espero que não brinquem com fogo”.
Carvalho não acredita no sucesso do impeachment e duvida que Dilma Rousseff saia do PT. “Até porque a sobrevivência dela estaria muito ameaçada”, avalia.
*
Vou insistir. O problema da delação premiada é que a pessoa é constrangida pelo inquiridor a dizer aquilo que o agrada porque está na mão dele a liberdade do delator. O advogado também tem o papel de convencer o seu cliente a fazer a delação para buscar a liberdade do seu cliente.
Tudo empurra para a delação. Mas não é preciso haver prova?
O problema da Lava Jato, e é preciso que se diga em alto e bom som, é que os campeões da corrupção estão soltos, tendo a suas penas reduzidas escandalosamente e tendo devolvido pequenas quantias daquilo que eles são acusados de ter se apropriado. Quem está ficando na cadeia em Curitiba é o Marcelo Odebrecht, que se negou a fazer delação, e os políticos. Isso é combate à corrupção? Isso tem de ser denunciado. O povo está se iludindo, achando que a Lava Jato está fazendo um processo importantíssimo de combate à corrupção.
Entrevista completa: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1747043-eventual-prisao-de-lula-seria-brincar-com-fogo-diz-gilberto-carvalho.shtml
Antonio Republicano
7 de março de 2016 9:44 amQueriam levar o Lula para Curitiba
Circo armado para Bolsonaro brilhar em Curitiba? O senhor sabia, Dr. Moro?
POR FERNANDO BRITO · 06/03/2016
No tijolaço
Já que os integrantes do MP se mostram tão ávidos em apurar quem teria vazado a informação da quebra de sigilo bancário de Lula e quem, como alerta o Rodrigo Viana, partem para cima de blogueiros, bem que poderiam investigar a coincidência da presença do sr. Jair Bolsonaro soltando foguetes na frente da sede da Polícia Federal em Curitiba, na sexta-feira.
Via a informação no site Notícias Paraná , onde o jornalista Valdir Cruz diz que a “ordem era pôr o Lula num avião e levá-lo a Curitiba.”
E essa informação era de conhecimento de centenas, talvez milhares de pessoas, tanto que havia aglomerações no aeroporto de São Paulo e no de Curitiba. Outro sinal de que havia algo no ar, além dos aviões de carreira: na frente da sede da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, na capital paranaense, onde normalmente são levados os presos da “lava-jato”, havia uma concentração muito grande de pessoas. Até o ultrarreacionário Jair Bolsonaro, com várias caixas de foguetes, estava lá.
Bolsonaro “casualmente” chegou na noite anterior, saudado por uma pequena multidão e por lutadores de MMC, eufóricos com a escolha de Curitiba como sede daquela selvageria a que chamam de UFC.
Ia ser a “estrela” do dia, soltando foguetes enquanto Lula era “conduzido coercitivamente” para a a “masmoro” curitibana. A “inteligência” da PF não sabia?
A direita “convencional” que se cuide.
São cada vez mais claros os sinais que o protofascismo brasileiro é cada vez menos “proto” e está pronto a soltar na ruas suas corjas de arruaceiros.
Depois não reclamem da “radicalização” do processo político.
Irene Rir
7 de março de 2016 9:52 amLula e a jararaca
Aroldo Bernhardt: A pancada mal dada na jararaca despertou o Lula e a militância
publicado em 05 de março de 2016 às 16:51 no Vi o Mundo
http://www.viomundo.com.br/politica/aroldo-bernhardt-a-pancada-mal-dada-na-jararaca-despertou-o-lula-e-a-militancia.html
Como matar uma jararaca!
por Aroldo Bernhardt, especial para o Viomundo
A jararaca é um animal da classe “reptilia”, do gênero “bothrops” de bote muito rápido, certeiro e mortífero. Sexta-feira em sua fala, Lula, usando da sua extraordinária habilidade de se comunicar por metáforas, igualmente certeiras e mortíferas, mencionou a serpente. Para matar a cobra é preciso “acertar a cabeça” disse ele. Ele foi certeiro e mortífero. A pancada mal dada despertou o Lula, acordou a militância e estimulou os movimentos sociais.
Foi certeiro porque sempre esteve à disposição e ao alcance para prestar esclarecimentos. Aliás, segundo o ministro Mello, do Superior Tribunal Federal, a Polícia Federal deveria ter “observado os parâmetros normais” e disse mais, “um ex-presidente da República, sem ter oposto resistência física, ser conduzido coercitivamente revela em que ponto estamos. A coisa chegou ao extremo”.
Foi mortífero para as pretensões golpistas, porque agora restam apenas duas opções: julgar e condenar Lula de alguma forma ou, caso contrário, com o golpe mal desferido, acabam transformando o molusco em cobra, injetando nele a vontade inquebrantável de lutar. E se Lula chamar, o povo vem.
E o povo vem porque sabe que o golpe não é contra Lula, Dilma e o PT. É contra 54 milhões de eleitores, é contra 22 milhões que deixaram a pobreza extrema para trás. É contra as políticas sociais que praticamente eliminaram a miséria no Brasil. Miséria histórica, atávica, contra a qual os representantes do golpismo pouco ou nada fizeram, quando governaram.
Marx dizia que a história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. E isso me lembra a noite de 13 de dezembro de 1968 com o AI-5 à solta, Juscelino foi preso e, além dele, obviamente Jango e também Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e muitos mais. Outros fugiram, Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, e outros tantos foram para a luta armada.
E hoje a história de fato se repete. Coincidência de métodos, coincidência que enseja a escuridão. Mas a luz prevalecerá!
Aroldo Bernhardt é professor universitário aposentado
Irene Rir
7 de março de 2016 10:04 amEles estão com medo que a merda jogada no ventilador os atinja
Ou, não há nada que uma jararaca não consiga fazer com 10 minutos de discurso.
FHC muda discurso e sugere diálogo com PT
Diante do risco de implosão da democracia brasileira, graças à tentativa de golpe fomentada pelo PSDB e por grupos de comunicação, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sai da posição de regente irresponsável do caos e assume uma nova postura; em novo artigo, ele sugere diálogo e reconhece que “é preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT, mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro”; na coluna deste domingo, FHC não usa as palavras renúncia ou impeachment, nem criminaliza o ex-presidente Lula; “É hora, portanto, de líderes, de pessoas desassombradas, dizerem a verdade: não sairemos da encalacrada sem um esforço coletivo e uma mudança nas regras do jogo”; FHC, que apostou no caos, agora acena a bandeira branca
6 de Março de 2016 às 06:02
247 – Nos últimos dois anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o regente incontestável da oposição. Em suas colunas mensais, publicadas no Globo e no Estado de S. Paulo, deu o tom a ser seguido por seus liderados.
FHC alternava seu discurso, mas quase sempre exaltava o processo de judicialização da política, desde que voltado, é claro, apenas para a destruição do PT. Em outras ocasiões, defendeu saúdas bruscas e antidemocráticas, como o impeachment e a renúncia da presidente Dilma Rousseff.
Neste fim de semana, em que a democracia brasileira está ameaçada por uma tentativa de golpe fomentada por uma parceria entre setores da oposição e grupos de comunicação, FHC muda seu discurso e acena a bandeira branca. Pela primeira vez em muito tempo, ele não fala em renúncia, impeachment e nem criminaliza o ex-presidente Lula ou o PT.
FHC, agora, quer diálogo e prega uma saída coletiva, por parte de todas as lideranças responsáveis do País. Confira:
Cartas na mesa
É preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT, mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro. E mais: o que idealizamos na Constituição de 1988, cujo valor é indiscutível, era construir uma democracia plena e um país decente, com acesso generalizado à Educação pública, Saúde gratuita e Previdência Social. Mais ainda, acesso à terra para os que nela precisassem trabalhar, bem como assistência social aos que dela necessitassem. A execução desse programa encontra dificuldades crescentes porque a estrutura estatal é burocratizada e corporativista. E também porque a sociedade não quer e não pode pagar cada vez mais tributos quando os gastos não param de se expandir.
Era inevitável que nos encontrássemos nessa situação? Não. Contudo, para evitar a crise do sistema de partidos e da relação Executivo/Legislativo, teriam sido necessários, no mínimo, os contrapesos da “lei de barreira” e da proibição de alianças partidárias nas eleições proporcionais, restrição aos gastos de campanha e regras mais severas para seu financiamento.
Mas não é só. A má condução da política econômica tornou impossível ao governo petista seguir oferecendo os benefícios sociais propostos, senão pagando o preço da falência do Tesouro. Não me refiro às bolsas, que vêm do governo Itamar, foram ampliadas em meu governo e consolidadas nos governos petistas: elas são grãos de areia quando comparadas com as “bolsas empresários” oferecidas pelos bancos públicos com recursos do Tesouro. Sem mencionar o grau inédito de corrupção, azeite que amaciou as relações entre governos, partidos e empresas e que deu no que deu: desmoralização e desesperança. Oxalá continue a dar cadeia também.
Diante disso, como manter a ilusão de que as instituições estão funcionando? Algumas corporações do Estado, sim, se robusteceram: partes do Ministério Público e da Polícia Federal, segmentos do Judiciário, as Forças Armadas e partes significativas da burocracia pública, como no Itamaraty, na Receita e em algum ministério, ou no Banco Central. Entretanto, no conjunto, o Estado entrou em paralisia, não só o Executivo, como também a burocracia e o Congresso. Este pelas causas acima aludidas, cuja consequência mais visível é a fragmentação dos partidos e a quase impossibilidade de se constituir maiorias para enfrentar as dificuldades que estão levando ao desmonte do sistema político.
Nada disso ocorreu de repente. Repito o que disse em outras oportunidades: na viagem que a presidente Dilma fez em 2013 para prestar homenagens fúnebres a Mandela, acompanhada por todos os ex-presidentes, eu mesmo lhes disse: o sistema político acabou; nossos partidos não podem ou não querem mudar; busquemos os mínimos denominadores comuns para sair do impasse, pois somos todos responsáveis por ele. Apenas o presidente Sarney se mostrou sensível às minhas palavras.
Agora é tarde. Estamos em situação que se aproxima à da Quarta República Francesa, cujo fim coincidiu com os desajustes das guerras coloniais, tentativas de golpe e, finalmente, a solução gaullista. Aqui as Forças Armadas, como é certo, são garantes da ordem e não atores políticos. É hora, portanto, de líderes, de pessoas desassombradas, dizerem a verdade: não sairemos da encalacrada sem um esforço coletivo e uma mudança nas regras do jogo. A questão não é só econômica. Sobre as medidas econômicas, à parte os aloprados de sempre, vai-se formando uma convergência, basta ler nos jornais o que dizem os economistas.
Mesmo temas sensíveis, nos quais ousei tocar quando exercia a Presidência e que caro me custaram em matéria de popularidade, voltam à baila: no âmbito trabalhista, como disse o novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Gandra Martins, citando como exemplo o Programa de Proteção ao Emprego, comecemos por aceitar que o acordado entre os sindicatos prevaleça sobre o legislado, desde que respeitadas as garantias fundamentais asseguradas aos trabalhadores pela CLT. Enfrentemos o déficit previdenciário, definindo uma idade mínima para a aposentadoria que se efetive progressivamente, digamos, em dez anos. Aspiremos, com audácia, que um novo governo, formado dentro das regras constitucionais, leve o Congresso a aprovar algumas medidas básicas que limitem o endividamento federal, compatibilizemos gasto público com o crescimento do PIB e das receitas, e melhorem o sistema tributário, em especial em relação ao ICMS.
Dentre as medidas fundamentais a serem aprovadas, a principal é, obviamente, a reformulação da legislação partidário-eleitoral. O nó é político: eleições com a legislação atual resultarão na repetição do mesmo despautério no Legislativo. Há que mudar logo a lei dos partidos, restringindo a expansão de seu número, e alterando as regras de financiamento eleitoral para evitar a corrupção. Por boas que tenham sido as intenções da proibição de contribuição de empresas aos partidos, teria sido melhor limitar a contribuição de cada conglomerado econômico a, digamos, X milhões de reais, obrigando as empresas a doarem apenas ao partido que escolherem, e por intermédio do Tribunal Superior Eleitoral, que controlaria os gastos das campanhas. A proibição pura e simples pode levar, como ocorreu em outros países, a que o dinheiro ilícito, de caixa dois ou do crime organizado, destrua de vez o sistema representativo.
Ideias não faltam. Mas é preciso mudar a cultura, o que é lento, e reformar já as instituições. É tempo para que se verifique a viabilidade, como proposto pela Ordem dos Advogados do Brasil e por vários parlamentares, de instituir um regime semiparlamentarista, com uma Presidência forte e equilibradora, mas não gerencial. Só nas crises se fazem grandes mudanças. Estamos em uma. Mãos à obra.
Barbalho
7 de março de 2016 1:27 pmPraieira
Nassif, que tal divulgar um evento que vai ocorrer em Paraty? Não é a FLIP mas já está bombando.
https://www.facebook.com/events/1511727022467208/
José Carlos Lima...
7 de março de 2016 3:06 pmMirem-se em Honduras….
No que deu Honduras que foi palco de um golpe, que os brasileiros sejamos capazes de defender a democracia para que as corporações transnacionais não se apossem de nosso futuro
http://www.brasildefato.com.br/node/34323
Cris K.
7 de março de 2016 3:41 pmSemana começa sob e risco de radicalização
Por Rocardo Kotscho
Quando vamos voltar a ter um dia normal, sem novos sobressaltos a cada momento, para podermos planejar nossas vidas e cumprir nossos compromissos pessoais e profissionais conforme marcado na agenda? Certamente, não será nesta semana que começa carregada de nuvens negras no horizonte e sob o risco de mais radicalização no cenário político.
Para quem acompanhou a intensa movimentação nas redes sociais nos dias que se seguiram à “condução coercitiva” de Lula pela Polícia Federal na sexta-feira, a previsão é de novos confrontos entre os grupos a favor e contra o ex-presidente.
Já estavam marcadas para o próximo domingo, dia 13, grandes manifestações pró-impeachment organizadas pelos movimentos Vem Pra Rua e Brasil Livre, desta vez com o apoio aberto dos líderes dos partidos de oposição. Agora, grupos pró-Lula estão planejando fazer atos nos mesmos locais e horários, o que é prenúncio de confrontos, evitados nas manifestações anteriores, pois foram marcadas para dias diferentes.
Sem querer ser alarmista, mas há uma confluência de fatos que tornam a cada dia mais dramática e complexa a crise brasileira e mais distante uma solução para sairmos do impasse político. O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), por exemplo, que, em dezembro, apoiou ato em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, agora programou uma série de protestos contra o governo, anunciando que as propostas do ajuste fiscal serão “enfrentadas nas ruas, sem tréguas e com radicalidade”.
O vice-presidente Michel Temer que, nos últimos meses, procurou ficar afastado do tiroteio entre governo e oposição, voltou a falar em “reunificação”, ao apontar a gravidade do momento que vivemos, durante discurso feito no domingo no interior paulista. “Hoje o que o país mais precisa é de unidade, de reunificação, um instante em que todos têm que se dar as mãos para tirar o país da crise”. Reunificação em torno dele e do PMDB, é claro, já que em nenhum momento o vice citou o nome da presidente Dilma.
Após os acontecimentos da semana passada, que colocaram o governo Dilma e o ex-presidente Lula no alvo central da Operação Lava Jato, PMDB e partidos de oposição voltaram a discutir meios de acelerar o processo de impeachment na Câmara, depois de um período de hibernação.
De outro lado, a presidente Dilma procurou se reaproximar de Lula, ao visitá-lo sábado em sua casa de São Bernardo do Campo para lhe prestar solidariedade. Os dois marcaram um novo encontro para esta segunda-feira, em Brasília. Assunto é o que não falta.
Os últimos vazamentos da Lava Jato dão conta de que o próximo objetivo da operação é mover contra o ex-presidente uma ação civil de improbidade administrativa para torná-lo inelegível em 2018, o que é o grande objetivo das oposições. Para isso, os procuradores querem comprovar que empreiteiras denunciadas no Petrolão bancaram obras no sítio de Atibaia quando Lula ainda era presidente.
Desde que saiu do depoimento à Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas e foi para a sede do PT, na sexta-feira, Lula já fez dois discursos inflamados, em que abandonou a defesa jurídica e procurou levar o confronto para o campo político-eleitoral, já se colocando à disposição do partido para ser candidato a presidente em 2018. Lula quer levar a disputa para as ruas, com todos os riscos que isso pode provocar num ambiente de alta combustão.
Para completar, na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal vai julgar a liminar que suspendeu a nomeação do promotor Wellington Lima para o Ministério da Justiça. O relator do processo, para não variar, é o ministro Gilmar Mendes.
Se o objetivo da “condução coercitiva” de Lula, uma espécie de “pré-prisão”, na 24ª operação desencadeada pela Lava Jato, era testar a capacidade de reação do PT e dos movimentos sociais que apoiam o ex-presidente, vamos saber o resultado até o próximo domingo.
Para responder à pergunta que fiz na abertura desta matéria, só tenho a dizer: tudo indica que tão cedo não voltaremos a ter um dia normal. E faço outra pergunta: o caro leitor se lembra quando foi e como viveu seu último dia normal nesta guerra política sem fim, que se arrasta desde a campanha presidencial?
E vamos que vamos.
Cris K.
7 de março de 2016 4:06 pmSecretário do PMDB-RS incita violência contra o PT e MST
Da Revista Forum
Daniel Kieling fez as afirmações por conta de um post do jornalista Ricardo Noblat sobre João Pedro Stédile e a posição do MST contrária a tentativas de golpe de Estado no Brasil
O secretário adjunto do PMDB do Rio Grande do Sul, Daniel Kieling, defendeu neste domingo, em sua conta no Twitter, que a “vagabundagem do PT e do MST” merece tomar “bala na cara, cadeia, tiro, porrada e cacete”. As afirmações foram feitas a propósito de um post do jornalista Ricardo Noblat sobre uma afirmação de João Pedro Stédile a respeito da posição do MST contrária a tentativas de golpe de Estado no Brasil: “O líder do MST avisa: se houver tentativa de golpe contra a democracia, o MST fechará todas as estradas do país”.
O secretário do PMDB, atualmente, é diretor adjunto da Assessoria de Assuntos Municipais da Casa Civil do Governo José Ivo Sartori e vice-presidente do Conselho Estadual de Juventude do Rio Grande do Sul. Kieling também disparou contra “os comunistas” no Twitter: “O Brasil não pode ficar na mão dos comunistas! Minha bandeira é verde e amarela e não vermelha”.
http://www.revistaforum.com.br/2016/03/07/secretario-do-pmdb-rs-defende-bala-na-cara-tiro-e-porrada-contra-pt-e-mst/
Cristiano Marochi
7 de março de 2016 5:38 pmEntrevista com petista histórico sobre os rumos do partido.
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2016/03/quero-que-o-pt-saia-da-inhaca-em-que-se-meteu-diz-olivio-dutra-4991137.html
“Quero que o PT saia da inhaca em que se meteu”, diz Olívio Dutra
Petista comenta situação do partido e denúncias contra Lula
Por: Estadão Conteúdo05/03/2016 – 21p1min | Atualizada em 05/03/2016 – 22h09minCompartilharE-mailGoogle+TwitterFacebook
Foto: Ricardo Duarte / agencia rbs
— O Lula abriu um guarda-chuva enorme. Veio um amigo daqui, um amigo dali, que criaram situações. Agora, cabe a ele explicar, com toda a franqueza.
É essa a expectativa do petista histórico Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul (1999-2002) e ex-ministro das Cidades no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2005). Fundador do PT, em 1980, junto com o também sindicalista que virou presidente da República, Dutra, aos 74 anos, bancário aposentado, é presidente de honra do PT gaúcho.
— Não sou candidato a nada, não quero ser, não serei, não devo ser, nem ao Legislativo, nem a um posto executivo — disse ao jornal O Estado de S. Paulo em longa entrevista por telefone na tarde da terça-feira passada.
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O mote da entrevista foi a investigação sobre a ligação do ex-presidente Lula com dois imóveis — um apartamento no Guarujá e um sítio em Atibaia — em andamento na Operação Lava-Jato e no Ministério Público de São Paulo, contestada pelo ex-presidente e seus advogados no Supremo Tribunal Federal. Além de comentá-la, o também ex-deputado constituinte (86-89) e ex-prefeito de Porto Alegre (1999-2003) aprofundou suas críticas ao PT e ao que chamou de “trampolinagem política”.
A par da crítica amarga, Olívio Dutra mantém a esperança:
— Eu sou PT e quero que o meu partido saia dessa inhaca em que se meteu por essa política do pragmatismo e da governabilidade a qualquer custo.
Como o sr. está vendo as denúncias contra o presidente Lula?
A visão que marcou a criação do PT foi essa de que a coisa pública não é propriedade do governante, dos seus amigos, dos seus familiares, dos seus partidários. Essa visão não pode mudar assim, no bojo das situações e das circunstâncias. Isso é um ideário básico. Está nas razões da fundação do PT. São questões permanentes.
E isso mudou?
Um partido que nasceu para ser um contestador da política tradicional e fazer da política a construção do bem comum de repente está não sendo diferente de nada das tantas coisas que criticava, contra as quais nos colocávamos diametralmente opostos. O Estado não é propriedade privada ou pessoal de ninguém, nem do governante, nem dos grupos econômicos, nem da mídia.
O PT perdeu esse foco?
O PT não podia perder esse objetivo na sua ação política. O PT deixou de fazer a discussão que devia ter feito. Lutamos contra a ditadura e contra as estruturas do Estado, contra os interesses dos mais poderosos, dos mais ricos, dos mais influentes. Queríamos fazer a máquina do Estado funcionar com outra lógica…
E não foi isso que aconteceu?
Eu tenho essa visão crítica. Eu acho que o PT está envolvido num espaço de atuação em que perdeu a sua identidade e se misturou com a política mais tradicional. Quem mudou não foram os adversários. Nós é que mudamos — e, no meu entendimento, para pior. Há necessidade de resgatar essa discussão da política como a construção do bem comum.
O que sr. achou das explicações do ex-presidente Lula para o tríplex de Guarujá e o sítio de Atibaia?
Eu não converso com o Lula há bastante tempo. Tenho uma enorme estima pelo Lula, que conheci em 1975, nas lutas sérias. Tenho uma preocupação com as coisas que o Lula está sofrendo. Mas eu também fico me perguntando, em relação àquele sítio lá, e ao tríplex, por que não esclarecem logo tudo, publicamente?
Transparência total…
O Lula não tem nada a perder com essa transparência. Quem exerce cargos importantes sabe que os antigos inimigos se transformam em amigos. Alguns continuam sendo amigos porque ainda acham que tu podes exercer influências. Se aproximam, fazem gestos, buscam levar para uma festa, para um coquetel, uma viagem. Nada disso é de graça, tudo faz parte da trampolinagem política. Então, tem que ter a pulga atrás da orelha. O Lula não tem nada de ingênuo. É uma grande figura, de sensibilidade, com capacidade de prever as coisas, de ver longe. Eu acho que ele abriu um guarda-chuva enorme, e debaixo desse guarda-chuva veio um amigo daqui, um amigo dali, que criam situações. Agora, cabe a ele explicar, com toda a franqueza.
Como o sr. vê o fato de o Instituto Lula ser financiado pelas empreiteiras e do presidente Lula levar uma vida profissional bancado por palestras pagas pelas mesmas empreiteiras?
É natural na política tradicional, vem de séculos até. Então, aí não inovamos. O partido não inovou. Devia se confrontar com essas condutas e muitas vezes foi assimilando isso. Então, estamos no mesmo balaio. Essa é a questão. O Fernando Henrique Cardoso também tem um instituto. Agora, só porque ele tem, nós também temos que ter? O Sarney também tem, e aí tudo se justifica. Aí acontece o que eu chamo briga de bugio. Os bugios, quando se desentendem, fazem as fezes na mão e jogam uns contra os outros. É um processo evidente de degradação da política.
No qual o sr. considera que o PT entrou?
Não inovamos, pelo pragmatismo. Se está no poder, tem que governar. E, para governar, você faz um acerto aqui com esse, ali com aquele outro, e vai sendo engolido por um processo que era para ser transformado.
O Instituto Lula e o próprio ex-presidente ficaram maiores que o partido, não?
O Instituto Lula não é uma excrescência, mas não é uma inovação positiva. No PT, também os mandatos legislativos e executivos são estruturas maiores que as instâncias partidárias. Um vereador em São Paulo tem uma estrutura própria maior que a instância do partido. Acabam formando estruturas próprias, que se sobrepõem às estruturas democráticas do partido, criam disputas inclusive na base partidária, para ver quem é que vai ocupar o espaço. Não instigamos um debate provocativo por dentro dessa máquina. Como ir para dentro da máquina do Estado, que não funciona bem para a maioria da população, e não ser absorvido pela máquina, não ajudar de dentro para fora aqueles que de fora para dentro lutam para que essa máquina funcione com outra lógica? Essa é a questão.
E como resolve isso?
Tem que fazer uma autocrítica séria, o que não fizemos até agora. A maioria, que tem a direção do partido, não fez essa autocrítica séria. O partido não pode simplesmente achar que não cometeu erros. Figuras importantes, em cargos importantes dentro do governo, cometeram erros seriíssimos, agredindo inclusive o patrimônio ético moral do partido e da política. O (Paulo) Maluf, por exemplo. Eu nunca podia imaginar que um dia nós estivéssemos de braços dados com o Maluf. E por aí vai.
Nos cargos executivos que o sr. exerceu — prefeito, governador, ministro —, como administrou eventuais ofertas de empreiteiras, palestras, por exemplo, durante ou depois do mandato?
Eu nunca peguei dinheiro com palestra, nunca me dispus a isso.
O sr. nunca quis fazer o Instituto Olívio Dutra?
Não. Até porque é outra conjuntura, é outra realidade. Não sou o sal da terra e nem quero dizer que a minha experiência é a melhor. Nós também enfrentamos coisas contraditórias por aqui.
Qual era o seu parâmetro?
Governar bem para a maioria às vezes significa esgarçar as relações com setores que querem tirar proveito próprio de uma relação pessoal, com aquele grupo, com aquela família, com aquela pessoa. Eu sempre tive um pé atrás com isso. Nunca fui unanimidade no meu partido, nunca fui, nem hoje. Hoje eu sou oposição à direção nacional, mas eu sou PT e quero que o meu partido saia dessa inhaca em que se meteu por essa política do pragmatismo e da governabilidade a qualquer custo.
E como é que sai?
Nós temos estruturas que precisam ser mudadas. A estrutura política partidária que existe hoje é uma excrescência, para dizer o mínimo. Tu eleges um presidente da República, ou uma presidente, como é a Dilma, com um projeto. E o Congresso é composto majoritariamente por aqueles que defenderam outro projeto. E, no entanto, por serem maioria, eles vêm para dentro do governo. Isso cria uma contradição. Tudo vira um toma lá dá cá, um é dando que se recebe. E nós não mexemos nessa estrutura, não fizemos reforma política séria, nem reforma tributária, nem reforma agrária, nem reforma urbana, que ficou tudo no Judiciário. Continuam dando isenção tributária a grupos poderosos. Nós não mexemos nessas coisas. Fizemos muito, mas deixamos muito por fazer. E fizemos muita coisa errada também. A política não pode ser uma manobra dos mais espertos, dos mais atilados. Tem que ser a construção do bem comum com o protagonismo das pessoas.
Nonato Amorim
7 de março de 2016 9:03 pmOLHA ESSA, SEU NASSIF!
Grupo RBS vende suas operações no Estado
http://www.gruporbs.com.br/noticias/2016/03/07/rbs-anuncia-venda-de-operacoes-de-midia-em-santa-catarina/
antonio francisco
7 de março de 2016 10:42 pmCunha notificado pelo Conselho de Ética
O prazo de 10 dias para ele se pronunciar começa a correr a partir de terça:
http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/03/eduardo-cunha-e-notificado-pelo-conselho-de-etica-sobre-processo.html
antonio francisco
7 de março de 2016 10:45 pmMinistro da Justiça confirmado
O desembargador federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), derrubou nesta segunda-feira (7) decisão liminar da última sexta (4) que suspendeu a nomeação, pela presidente Dilma Rousseff, do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Com isso, o novo ministro pode permanecer no cargo.
http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/03/desembargador-derruba-decisao-que-suspendeu-nomeacao-de-ministro.html