
E você, qual prefere: Trump, Rubio ou Cruz?
por Percival Maricato
Também nos EUA parece que a direita está na crista da onda. O Partido Republicano, que tem o voto de aproximadamente 50% dos eleitores, milhões deles compondo organicamente o poder econômico, ou são apoiadores, está escolhendo seu candidato entre a extrema direita, a direita da direita e a direita extrema.
Donald Trump é um batedor de bumbo perigoso, demagogo que diz querer resgatar a glória do país, erguer um muro na fronteira com o México, empoderar, a economia americana no planeta, expulsar os imigrantes. Marco Rubio, se eleito, garante que vai revogar os acordos feitos por Obama com Cuba e Irã, apoiar incondicionalmente Israel, opor-se ao casamento gay e ao aborto até mesmo em caso de estupro. Só não é ameaça os imigrantes por ser um filho de cubanos. Mas que ninguém duvide: pode mudar de ideia; Por sua vez, Ted Cruz é uma soma de ambos. Todos são a favor de interrogatórios rigorosos, com uso de afogamento, privação do sono, alimentação retal e etc
Rubio tem ganho espaço alegando que Trump é um falso conservador, no fundo, diz ele, é um liberal, termo que pronuncia como se fosse um palavrão. De fato, Trump de vez em quando escorrega. Disse que cuidará da saúde da população mais pobre e que o conflito Israel-palestinos tem que terminar por acordo (os palestinos são todos terroristas), duas barbaridades para os conservadores.
Todos os três prometem aumentar o poderio militar americano e certamente não é para defesa interna, algo que o país não se preocupa há muito tempo. Para eles as fronteiras dos EUA vão até onde chegam seus interesses. Agora, aliás, já falam em interesses e controle inclusive no espaço planetário.
E os do Partido Democrático, teriam mudado?
Para quem não lembra, época dos democratas John Kennedy/Lyndon Johnson, o embaixador Lincoln Gordon e o agente da CIA, Wernon Walters, então adido militar, mapearam todos os generais brasileiros antes do golpe militar de 1964, os que se identificavam com as posições políticas e interesses econômicos americanos, os que eram nacionalistas e ou legalistas, uns poucos de esquerda. Os primeiros foram estimulados a dar o golpe de 1964, com promessa de apoio militar. E de fato, nos dias que antecederam o golpe os EUA iniciaram o deslocamento de uma poderosa frota de navios de guerra com marines e caças em direção ao litoral do Rio e Santos. Não foi preciso intervir, mas se precisasse…
O maior pretexto para os golpes, o do Brasil e que se repetiu em todos os países da América Latina, era a divisão do mundo entre URSS e EUA e o pavor de uma nova Cuba. Não havia caminho independente e tinha que se fazer a opção, ficar sob liderança de um desses países, no caso dos EUA, representante da cultura ocidental e cristã.
Portanto, com Trump ou sem Trump, é sempre bom andar com as barbas de molho, não obstante as mudanças entre militares, igreja, sociedade, etc. Os tanques que podem vir na vanguarda de um golpe poderão ser de o outro tipo e ter membros de outros poderes. Trumps na retaguarda.
Percival Maricato
ATavares
29 de fevereiro de 2016 9:54 pmTrump mostraria a verdadeira
Trump mostraria a verdadeira face do estadunidense.
Uma disputa Trump X Sanders seria a ideal.
lenita
29 de fevereiro de 2016 11:41 pmTanto faz !
O presidente americano não passa de uma raínha da Inglaterra mesmo!
Tô nem aí ! Jamais fizeram nada de bom p/ a América do Sul, Central e México mesmo !
Ivan de Union
1 de março de 2016 1:51 amDepois de ano apos ano apos
Depois de ano apos ano apos ano de ver essa putada jogar sujo comigo ate quando eles jogam limpo comigo, vou votar em Trump.
Juro.
Ele eh minha ultima esperanca de ver essa putada se foder por seus proprios meritos.
Vinicius Carioca
1 de março de 2016 3:27 amPor mais falastrão que seja,
Por mais falastrão que seja, Trump seria o menor dos males entre esses três.
Apesar dos discursos xenofóbicos é casado com uma imigrante eslava. (Nào estou atenuando seu preconceito, apenas explicitando suas incoerências).
Em suas falas sobre segurança deixa transparecer um desejo de não-intervencionismo na política de outros países, talvez para não prejudicar interesses comerciais com outras nações complicadas. Diz que se opôs, desde o início, à guerra no Iraque, tendo, inclusive, afirmado num na presença de Jeb Bush que a guerra no Iraque foi um imenso desastre no governodo irmão desse. Ao mesmo tempo em que pretende barrar a entrada de muçulmanos nos EUA, propõe, a princípio, uma política de não intervenção direta no oriente médio (com exceção do combate direto ao Isis, sem enviar tropas americanas para ocupar a síria).
Os outros dois são marinheiros de primeira viagem no senado. O Rubio parece um robozinho. Repetindo umas frases de efeito, totalmente vazias. Ted Cruz fala com uma aura messiânica, mas também com uma retórica vazia. Ambos são claros, no entanto, em discursar sobre o restabelecimento da grandeza dos EUA, o que quer que isso signifique. E deixam transparecer estratégias de intervencionismo à la Bush.
De qq forma os três apelam aos votos do Tea Party.
O autor deixou de fora a única voz razoável no lado repubicano, John Kasich, governador de Ohio. Esse sim, tem uma dimensão política conservador não-folclórica. Quero dizer, sem apelo ao Tea Party.