4 de junho de 2026

BOMBA! BOMBA!O preconceito da Elite Nacional, a dos Punhos de Renda, por Hildegard Angel

Acabei de ler a entrevista de Hildegard Angel à Cynara Menezes para a Carta Capital no site do Rodrigo Vianna.

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Hildegard traz um cenário interessantíssimo da Elite Nacional, a que chama de Punhos de Renda, que não tem como explicar a origem do seu dinheirinho e do seu preconceito contra Lula e a candidatura de Dilma. Abre sua opção de voto para Dilma a partir de emails recebidos contendo ataques pessoais à Dilma primeiro com o foco na (falta) beleza e depois por ter sido terrorista:

Enquanto não colocarmos nos devidos lugares os que foram responsáveis pelas atrocidades da ditadura, eles  vão se sentir no direito de forjar uma realidade inexistente, de denegrir nossos mártires, nossos heróis”.

Com perguntas chaves Hildegard vai traçando o perfil e o preconceito desta elite contra Lula:

“O rico do passado, da herança, do aluguel, muito apegado a tradições, a sobrenome. É, na maioria, uma elite não produtiva. Porque a elite produtiva, o homem que emprega, que gera progresso, desenvolvimento, não deixa de aplaudir o Lula. Mas, às vezes, a mulher deste homem não aplaude… Diplomatas aposentados também têm preconceito com Lula. O Itamaraty sempre foi o filé mignon do serviço público brasileiro, pela cultura, pela erudição, pelo savoir faire. E a política externa atual vai na contramão disso tudo. Esse é um segmento social que rejeita o Lula, o dos punhos de renda”.

A diferença entre Serra e Lula ( Serra: teve de dominar os códigos da elite, pelo estudo, pela convivência com pessoas intelectualmente superiores. Lula: foi abrindo caminho na base da cotovelada. E, de certa maneira, se manteve fiel à sua raça. Não se transformou com a ascensão, não se desligou, guardou seu ranço de pobreza, a memória do sofrimento. Isso o tornou mais sensível).

A mudança no Alvorada e Itamaraty com as festas caipiras e na moda nacional (“Minha mãe tinha uma frase: a moda brasileira só será internacional se for legítima. Por isso foi a primeira a ter penetração no exterior. De certa forma, o Lula, com as festas caipiras dele, fez o que a Zuzu fez em 1960 com a moda caipira dela” (…)  Durante o governo FHC, fui inúmeras vezes convidada para recepções no Itamaraty e, em governos anteriores, até no Palácio da Alvorada. No governo Lula, só fui convidada uma vez, para o Itamaraty. Black-tie nunca existiu”).

Sobre o dinheiro com pedigree:“O dinheiro do comércio sempre foi visto no Brasil como um dinheiro sem base cultural, de origem ruim. Já o dinheiro da indústria, da área financeira, era “digno”. Agora, com a falta generalizada de dinheiro no meio dos que eram muito ricos, estas pessoas com dinheiro de origem menos nobre conseguiram uma posição de respeitabilidade no ambiente social”.

A nobreza do dinheiro de Eike B.: “Culturalmente falando, sim (…) Ele poderia ter um Picasso, mas não é aquele rico tradicional. Nós temos no País essa classe da riqueza envergonhada, que não tem muito como explicar o seu dinheiro, da riqueza escondida, que não pode ser fotografada… E o Eike, como tudo dele, acredito, seja declarado lá no imposto, pode expor seu dinheiro. Ele é o rico da riqueza assumida”.

Pessoalmente nunca entendi a trajetória de Hildegard como colunista social e do O Globo. Afinal ela é uma Angel. Irmã e filha de revolucionários. Cabe também dizer que nunca vi ( se estiver enganada me corrigam) alguém ter interesse no seu posicinamento político nestes anos pós-abertura Baptistiana. Ao final da entrevista ela responde:

CC: Manifestar-se politicamente agora a recoloca mais no caminho do Stuart e da Zuzu? H: Sinto-me um pouco refém da coragem da minha família, é como se tivesse retomado meu curso. Como se cumprisse uma trajetória que estava ali me esperando, neste momento que as pessoas se acomodaram, que estão submetidas a seus empregos, todas colocadas na grande imprensa, com uma posição monocórdia, um pensamento único.

CC: Pretende se tornar uma guerrilheira on-line? H: Eu seria muito pretensiosa e desrespeitosa se de alguma maneira usasse essa qualificação de guerrilheira. Guerrilheiro foi meu irmão. Eu não fui. Estou tirando o atraso, só isso.

Como diria Ibrahin Sued: BOMBA! BOMBA!

A entrevista completa no Blog do Escrevinhador: http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/hildegard-angel-na-cartacapital-a-radical-chic-analisa-o-preconceito-contra-lula.html

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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