4 de junho de 2026

A farra dos juros e do câmbio

Do Estadão

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Brasil é o 3º país mais atrativo para investimento em renda fixa

Dobradinha entre taxa de juros e taxa de câmbio já garantiu ao investidor estrangeiro um ganho de quase 8% no ano
Leandro Modé – O Estado de S.Paulo, 11 de setembro de 2010 | 0h 00

A dobradinha taxa de câmbio/taxa de juros faz do Brasil o terceiro país mais atrativo do mundo para quem aplica em renda fixa em 2010. Um levantamento feito com base em dados da agência Bloomberg mostra que, de janeiro até ontem, um estrangeiro que aplicou em um título público brasileiro ganhou 7,57%. O líder do ranking é o Japão, com 10,69%, seguido pela África do Sul, com 8,05%.

No caso japonês, o desempenho é explicado unicamente pela forte valorização do iene, que, por sua vez, decorre do pesado investimento do governo chinês em títulos públicos do país. Na África do Sul, a performance é um mix da valorização da moeda local, o rand, com a taxa de juros, hoje em 6,5% ao ano.

No Brasil, ao contrário do Japão, o ganho é em função, basicamente, da taxa básica de juros (Selic), hoje em 10,75% ao ano. Apesar da pressão dos últimos dias, o real acumula uma valorização no ano de apenas 1,32%.

“Muitos investidores estrangeiros cansaram de “brincar””, disse o vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, referindo-se à baixa remuneração oferecida pelos ativos de renda fixa no mundo desenvolvido. Estados Unidos, Europa e Japão mantêm suas taxas básicas próximas de zero.

“Esse investidor resolveu olhar as opções disponíveis no mundo e descobriu que há um país supersolvente, com inflação controlada, que paga uma taxa de juros absurda”, afirmou, explicando o interesse crescente no Brasil.

Os dados do Banco Central (BC) mostram que o investimento estrangeiro em renda fixa (inclui títulos privados e do governo) estava em pouco mais de US$ 16 bilhões no acumulado entre janeiro e julho. É um valor quase duas vezes maior que o do mesmo período de 2009, quando estava em US$ 9,1 bilhões.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, observa que esse fluxo especulativo para o Brasil é um dos fatores que ajudam a explicar a valorização do real ante o dólar – potencializada nos últimos dias pela expectativa em relação à capitalização da Petrobrás e pelas captações de empresas brasileiras no exterior.

Rentabilidade. Uma das razões que, segundo analistas, explicam o interesse do investidor estrangeiro pelos bônus de empresas brasileiras é a remuneração.

Um dado compilado pelo banco JP Morgan mostra que o prêmio de risco médio pago por empresas brasileiras está em 3,41 pontos porcentuais acima do custo de uma corporação dos Estados Unidos (referência desse mercado). Uma empresa do Chile paga, na média, 2,47 ponto e uma da Índia, 3,17 pontos.

Do início do ano até sexta-feira passada, o Banco Central comprou quase US$ 20 bilhões para as reservas cambiais – ainda que não declarado oficialmente, um dos objetivos é conter o fortalecimento da moeda brasileira.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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