Uma coisa é segurança pública, impedir os crimes corriqueiros na cidade, algo que é influenciado por momento econômico, catarses, ausência de políticas sociais. Em suma, um problema complexo. Outra é o combate ao crime especializado.
É um absurdo que, na maior metrópole do país, existam quadrilhas especializadas em assaltar joalherias em shoppings de grande movimento. Parece piada. Se shoppings se tornaram locais inseguros, onde encontrar a segurança? Cadê o tal trabalho científico da Polícia Civil? Quadrilhas especializadas não surgem do nada. Formam-se a partir de elementos com histórico de crime. Toda Polícia Civil que se preze tem informações estruturadas, informantes, análise estratégica, monitoramento de grupos potencialmente perigosos.
Permitir a expansão de grupos especializados em assaltar shoppings (!) à luz do dia é de cabo de esquadra. Apenas em 2010, foram quinze assaltos. Além de não identificar os grupos, a Secretaria de Segurança sequer cuidou de se reunir com os administradores de shoppings para montar estratégias de prevenção.
O Higienópolis tem duas saídas apenas, uma para a rua Higienópolis, outra para a Veiga Filho.
Da Folha
Pátio Higienópolis tem 2º assalto no ano
Relojoaria Timeland foi alvo de roubo no último dia 2; já são ao todo 15 casos em joalherias da capital em 2010
Em 12 de janeiro, a loja de artigos de luxo Montblanc do shopping Higienópolis já tinha sido alvo de assalto
GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO
A polícia informou ontem que o shopping Pátio Higienópolis, na região central de São Paulo, voltou a ser alvo de ladrões no último dia 2 de agosto. Dessa vez, o assalto foi à relojoaria Timeland.
O crime é um dos 15 casos de roubos a joalherias, a maioria dentro de shopping centers, registrados neste ano na capital paulista.
Conforme a Folha revelou ontem, a onda de assaltos fez com que pelo menos cinco shoppings contratassem seguranças armados.
Em 12 de janeiro deste ano, a loja de artigos de luxo Montblanc do Pátio Higienópolis foi assaltada por três homens. Na ação do dia 2, dois homens, um deles armado e com um falso uniforme dos Correios, renderam uma vendedora e uma mulher que havia levado uma pulseira para consertar.
A dupla ordenou que a funcionária colocasse os relógios mais caros numa sacola e fugiu caminhando. A suposta cliente pediu que não fosse acionado o alarme e disse que não queria ser testemunha no registro policial. Ela foi embora antes da chegada da PM. A polícia investiga se ela participou do crime.
“Eles sabiam o que queriam. Chegaram e apontaram dizendo “Quero esse, esse e esse'”, contou um funcionário da Timeland, que vende relógios de R$ 300 a R$ 9.000. A Folha apurou que foram levados R$ 65 mil em mercadorias.
A vendedora foi chamada para tentar fazer o reconhecimento dos ladrões. Nenhum suspeito foi identificado. A assessoria do Pátio Higienópolis informa “que está colaborando com as autoridades para a solução do caso”.
RAPOSO TAVARES
A Polícia Civil também investiga dois assaltos ocorridos nos dias 6 e 23 de março na Casa das Alianças do Shopping Raposo Tavares (zona oeste).
O shopping informou que “medidas de segurança já foram adotadas”.
Somados esses dois roubos, a joalheria já foi vítima três vezes em 2010, a última delas quando dez homens armados invadiram o shopping Santana Parque, na zona norte, e mataram um segurança antes de fugir.
Também foram alvo de assaltos neste ano joalherias e relojoarias dos shoppings Cidade Jardim, Ibirapuera, Iguatemi, Vila Olímpia, Santa Cruz e Campo Limpo.
Segundo a Polícia Civil, 17 pessoas envolvidas em assaltos a joalherias na cidade já foram presas.
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