
Jornal GGN – A instabilidade econômica afetou os investimentos das indústrias de grande porte no Brasil: pesquisa elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CN(I) mostra que 64% dessas empresas (que contam com 250 ou mais funcionários) pretendem investir neste ano, o menor patamar da série histórica iniciada em 2010. Em 2015, 74% das empresas investiram.
Entre as que planejam investir, 67% pretendem tocar projetos já em andamento e 33% devem iniciar novos empreendimentos, o menor percentual da série. De acordo com o estudo, 46% vão apostar na melhoria ou na introdução de novos processos e 18% em desenvolvimento de produtos. De acordo com as empresas que não pretendem investir, a principal razão é a incerteza econômica (92%). A ociosidade elevada (ou a reavaliação de demanda) foi o segundo item mais apontado (65%). Em terceiro lugar, ficou o custo do crédito, com 41% das respostas.
A notícia mais favorável apurada pela pesquisa é que os investimentos de 2016 estão voltados principalmente para a inovação. Entre as indústrias que pretendem investir, 46% privilegiarão a melhoria ou a introdução de novos processos e 18% o desenvolvimento de produtos. “Os investimentos em inovação são importantes para o país sair da crise, porque aumentam a produtividade e modernizam as empresas”, avalia o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, em nota. O aumento da capacidade instalada está nos planos de 20% das indústrias, o menor percentual da série da pesquisa iniciada em 2010.
Conforme a pesquisa, muitas empresas suspenderam os planos de investimentos no ano passado. O número de empresas que investiu em 2015 foi de 74%, o menor desde 2010, quando a pesquisa começou a ser feita. Mais da metade – 58% – não cumpriram os projetos como estava planejando. “A principal razão apontada para a frustração dos planos de investimentos foi a incerteza econômica”, informa a CNI.
Fonseca destacou, ainda, que as empresas estão com “séria” dificuldade para conseguir recursos para investimento. Segundo a pesquisa, em média, 72% dos investimentos realizados em 2015 foram financiados com recursos próprios, contra 61%, em 2014. Em contrapartida, os investimentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bancos regionais de investimentos e comerciais públicos (Caixa Economica e Banco do Brasil) caíram de 26% em 2014 para 18%, no ano passado. Fonseca acrescentou que as companhias estão com situação financeira debilitada, devido ao aumento de custos e dificuldades de vender os produtos. “Mesmo as empresas que desejam investir não conseguem por falta de recursos”, disse.
Além disso, os planos das empresas para 2016 preveem o aumento dos investimentos destinados a atender o mercado externo. O número de empresas cujo foco principal dos investimentos é o mercado interno caiu de 68% em 2015 para 62% neste ano. “A experiência de uma fraca demanda doméstica, aliada a uma expectativa ainda pessimista, estimula a indústria a procurar o mercado externo”, diz o estudo.
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