Lembro-me do discurso que vou mencionar como se ele tivesse sido divulgado ontem. Quero falar sobre, e também complementar, o discurso do professor Ubiratan Félix, proferido durante a formatura de uma turma de engenharia da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. Abaixo, transcrevo parte do discurso:
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Infelizmente não somos grandes exportadores de produtos finais e elaborados. O Brasil exporta amêndoas de cacau e consome chocolate suíço, que com agregação da tecnologia (o saber fazer) dos suíços e tem valor de mercado 150 vezes maior do que o produto não elaborado exportado pelo Brasil (amêndoa de cacau). Logo, para consumir 200 gramas de um bom chocolate suíço, temos de exportar 30 toneladas de amêndoas de Cacau.
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Para dar outros exemplos: em média 1 kg de soja custa US$ 0,10 (dez centavos de dólar); 1kg de automóvel custa US$ 10,00 isto é, 100 vezes mais; 1kg de aparelho eletrônico custa US$ 100,00; 1kg de avião custa US$1.000,00 (10mil quilos de soja); e 1kg de satélite custa US$ 50.000,00.
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Quanto mais tecnologia agregada a um produto, maior é o seu preço e mais empregos são gerados na sua fabricação.
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Os Chineses, Europeus, Americanos e Indianos sabem disso, e por este motivo investem na pesquisa científica e tecnológica. Eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250 e para importarmos esta mesma plaquinha eletrônica precisamos exportar 20 toneladas de minério de ferro.
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(….)
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Infelizmente o Brasil é muito dependente da tecnologia externa. Quando fabricamos bens com alta tecnologia, fazemos apenas a parte final da produção. Por exemplo: o Brasil produz 20 milhões de aparelhos celulares por ano, mas o que nos coube na divisão internacional do trabalho é de montar os “kits eletrônicos”, nenhuma empresa brasileira projeta o “miolo” do telefone celular, da TV digital e dos demais aparelhos eletrônicos.Todo são importados.
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É importante compreendermos que os países “donos” do conhecimento cientifico e tecnológico são os detentores das decisões econômicas, do dinheiro, do poderio militar e das riquezas do mundo.
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A dependência científica e tecnológica acarretou para nós brasileiros a dependência econômica, política e cultural. Não podemos admitir a continuação dessa situação esdrúxula, onde 70% do PIB brasileiro é controlado por não residentes.
Embora eu não conheça o professor, devo confessar que o seu pensamento é bastante esclarecedor, principalmente ao alertar-nos para a problemática do perfil da economia brasileira, que, embora não sendo predominantemente primária, está voltada estrategicamente para a produção de alimentos e para a exportação de commodities.
A nossa economia precisa ser modernizada, e com certa urgência. Digo isso porque grande parte dos produtos de alta tecnologia vendidos no mercado interno é importada. E ironicamente falando, mas com certo grau de veracidade, alerto para o fato de que os produtos de alta tecnologia que trazem no seu corpo a observação “Made in Brazil”, são, na maioria das vezes, mercadorias apenas montadas no território nacional. Isso prova, pois, que o nível de desnacionalização da nossa economia é muito grande, e que depende muito das importações dos componentes e peças do estrangeiro, de alto valor agregado.
Mandamos para fora do país uma quantidade enorme de produtos primários para obtermos em troca uma quantidade mínima de produtos de alta tecnologia. A constatação desse problema, nos encaminha a um processo de reflexão, dada a grande evasão de divisas do patrimônio nacional.
As autoridades que ascenderem aos cargos governamentais no próximo pleito eleitoral, a realizar-se neste ano, de 2010, deverão, ao alçarem os postos e as atribuições que lhes serão conferidos para os exercícios dos próximos quatro anos, preocupar-se com as medidas políticas, sociais e econômicas que possibilitem a reversão do quadro de dependência no qual se encontra a economia do nosso país. É uma questão estratégica que envolve a nossa soberania. Não podemos mais continuar nessa situação. Temos que investir na educação e na qualificação de profissionais que possam dedicar-se às atividades científicas e produtivas de alta tecnologia.
Infelizmente, o Brasil ainda é muito carente na produção de produtos eletrônicos e de informática, e por isso, devem o Estado e o setor privado investir pesadamente na instalação de parques industriais de produtos de alta tecnologia. Temos que produzir bens sofisticados para tornar a nossa economia mais dinâmica e moderna, e também para agregar altos valores às nossas pautas de exportação.
A implantação de pólos industriais de alta tecnologia demanda altos investimentos governamentais e privados. E os grandes investimentos, por sua vez, dificilmente serão realizados se no país não existir uma poupança interna considerável a disposição dos empreendedores. Lamentavelmente, o Brasil não dispõe de uma poupança que possa dar suporte a tal empreendimento. E por isso, é necessário, então, que as autoridades governamentais aproveitem os recursos do pré-sal e do fundo soberano para implantar a estrutura necessária para dar suporte aos novos empreendimentos de alta tecnologia. Dessa estrutura, também faz parte uma reforma da educação, incluindo aí incentivos e subsídios para motivar os alunos a se dedicarem ao máximo às disciplinas de matemática, química e física; qualificação profissional voltada para as áreas técnicas e científicas, e ainda, para estabelecer maior oferta de vagas nos cursos de engenharia.
Não podemos mais deixar para adiante as medidas necessárias à modernização da economia brasileira. São questões estratégicas que envolvem a soberania nacional.
Autor: Luiz Guilherme Menezes Lopes – militar inativo, historiador e adesguiano/SC.
Home page: http://tenente-menezes.blogspot.com
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