Demissão é um processo doloroso. Além da falta de dinheiro, suscita um gosto de fracasso e rejeição etc. etc. etc. Essa parte todos sabemos. Mas, depois que a poeira baixa, podemos perceber que:
1. A demissão pode nos libertar de acordos mal-cumpridos, de descasos mútuos suportados educadamente e de trabalhos que já não agüentávamos. Pode nos obrigar a uma correção de curso necessária, mas que demoraríamos muito a fazer “pacificamente”.
2. Nos força a repensar custos e simplificar a vida. Podemos decidir deixar de ser escravos de despesas inúteis e aprender a usar recursos de maneira inteligente.
3. Nos dá tempo para planejar novos projetos e objetivos. Ou no mínimo nos desintoxica da rotina e faz surgir novos hábitos.
4. Nos liberta de disputas inúteis conosco. Quantas vezes nos mantemos num emprego só porque não queremos admitir que falhamos ou que erramos ao escolhê-lo? Quantos dos nossos sonhos se tornaram verdadeiros obstáculos, mas não temos coragem de admitir? Um corte faz todo apego se tornar automaticamente inútil.
5. Nos faz acreditar menos na solidez da realidade. Ao longo da vida, acumulamos dezenas de identidades (estudante, empregado desta ou daquela empresa etc). Elas se interconectam, se criticam e se anulam constantemente, criando sempre outras. Quando estamos envolvidos com elas, achamos que são extremamente sólidas e duráveis. Um corte nos lembra da biodegradabilidade das coisas.
6. Mostra que as identidades têm prazo de validade. Isso acontece com pessoas físicas e jurídicas. Pense no Netscape, Excite, Alta Vista, Hot Bot, quantas das companhias mais importantes da web sobreviveram? Um corte nos ensina a aprender a aproveitar melhor os ciclos: rir mais quando se está por cima, chorar menos quando se está por baixo.
7. Facilita a criação de períodos sabáticos, viagens etc. Sobretudo se você tiver recebido algum dinheiro de FGTS e coisas assim.
8. Estimula a criatividade para criar novas fontes de renda. Steve Jobs, por exemplo, há alguns anos, foi demitido da própria empresa que criou, a Apple. Em vez de parar, inventou o estúdio de animação Pixar e revolucionou o mercado de entretenimento. Tempos depois, foi convidado para voltar a dirigir sua antiga companhia. Hoje é cultuado como um semi-deus da informática.
9. Abre a mente para outras coisas além do trabalho. Continuando no exemplo de Jobs, foi na época em que ele perdeu o job dele que encontrou uma esposa. Livres das distrações, conseguimos enxergar melhor quem são nossos verdadeiros amigos e valores.
10. A demissão nos libera algum tempo para reciclar a formação, seja por meio de leituras ou cursos.
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