5 de junho de 2026

Historiador português avalia crítica de Lula sobre o legado luso à educação

Portugueses criticaram Lula, alguns até ironizaram sua capacidade acadêmica para ponderar sobre educação

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Jornal GGN – No artigo à seguir, o historidador do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova Lisboa, Diogo Ramada Curto, vai na contramão das reações nacionalistas que ocorreram em Portugal, após a declaração do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, de que parte do histórico atraso educacional no Brasil se deve à tardia implantação de uma universidade no país.

Diversos jornais portugueses criticaram Lula, alguns até ironizaram sua capacidade acadêmica para ponderar sobre educação. Mas, Para Ramada Curto, as reações nacionalistas não são estranhas e fazem parte de um “processo constante de manipulação do passado, criador de mitos para consumo político e de uma memória colectiva com conotações ideológicas claras, que nada tem que ver com a investigação histórica”. Em outras palavras, para o professor as declarações de Lula não estão longe da razão histórica.

Do Público

O legado colonial de Portugal no Brasil: entre a culpa e a redenção?

As declarações de Lula da Silva sobre o atraso no ensino brasileiro e a ligação deste com o legado colonial português fizeram tocar tambores nacionalistas deste lado do Atlântico, mas Lula não andou longe da razão.

Por Diogo Ramada Curto *

Numa conferência organizada pelo jornal El País, a 11 de Dezembro, em Madrid, Lula da Silva afirmou: “Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [actual República Dominicana] em 1492 e, em 1507, já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru, em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil, a primeira universidade surgiu apenas em 1922”.

Em Portugal, a afirmação do ex-presidente do Brasil transformou-se num pequeno facto político. Tocaram-se os tambores e ergueram-se as bandeiras do nacionalismo. No mesmo dia da conferência, o Observador intitulou a notícia, feita com base num comunicado da Agência Lusa: “Brasileiro burro? A culpa é do Álvares Cabral, diz Lula”. Enquanto o Diário de Notícias formulou a questão em termos ainda mais retóricos: “De quem é a culpa pelos atrasos na educação? É dos portugueses, diz Lula”.

A 17 de Dezembro, o deputado europeu e colunista do Jornal de Notícias Nuno Melo reagiu, fazendo prova dos seus conhecimentos, adquiridos na Wikipédia. Com uma nota de condescendente desprezo por Lula da Silva, considerou que este discorrera “sobre temas que implicam estudo, com a facilidade com que trautearia um forró”.  É que, se cada um é para o que nasce, como diz o povo, Lula deveria limitar-se ao forró, para que outros pudessem brilhar com a sua sabedoria “wikipédiana”… E foi, com o método do “copy and paste”, que Nuno Melo corrigiu: “As bases do Ensino Superior brasileiro foram lançadas bem antes de 1922. Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, embrionária da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E em 1808 foi criada a Faculdade de Medicina da Baía.”

À acusação de Lula de que os portugueses teriam contribuído para o atraso cultural do Brasil, Nuno Melo contrapôs, ainda, que toda a obra de colonização do Brasil fora feita pelos portugueses, que ali souberam criar a unidade e suscitar o desenvolvimento. Nas suas palavras: “Acontece que se o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do planeta, deve-o a Portugal que lhe deu nascença, administrou e fez Reino, circunstância sem paralelo na colonização espanhola.” E, acrescentou, com base em velhos e infundados ressentimentos anti-britânicos, fingindo conhecer o sentido da historiografia e da obra de Charles Boxer: “A historiografia assinala o notável desenvolvimento do Brasil até 1822, ano da independência. A realidade não muda porque Lula da Silva gostasse de ver o país pejado de ascendência anglo-saxónica. Sendo que a simples leitura do Império marítimo português, de Charles Boxer, britânico sem resquícios de lusitanidade, o ajudará a perceber muita coisa.

Todas estas reacções nacionalistas não são de estranhar. Elas inserem-se num processo constante de manipulação do passado, criador de mitos para consumo político e de uma memória colectiva com conotações ideológicas claras, que nada tem que ver com a investigação histórica. Por isso, é enorme o risco de se tomar como certa uma memória histórica eivada de mitos e de leituras ideológicas, desprezando a riqueza de perspectivas históricas que a investigação histórica nos oferece.

De igual modo,  há alguns meses, o Reitor da Universidade de Coimbra, numa entrevista ao PÚBLICO (20/07/2015), argumentou que a unidade do Brasil era obra da sua própria instituição. Em tempos coloniais, anteriores a 1822, cerca de 5000 estudantes oriundos daquela colónia americana formaram-se na Universidade situada nas margens do Mondego. Por isso, foram os Estudos Gerais que criaram a unidade entre os que fizeram a independência desse grande país. À argumentação do Magnífico Reitor não faltou o elemento comparativo, pois de forma diferente procedera a vizinha Espanha, quando, ao autorizar a criação de universidades desde os seus tempos coloniais, criara as condições para uma maior fragmentação dos países. No Peru, Bolívia, Venezuela e noutras futuras nações da América Espanhola formaram-se cerca de 170 mil estudantes, correspondendo às antigas universidades do tempo dos vice-reis.  Em conclusão, sempre segundo o Reitor, a Universidade de Coimbra unificou o que a política espanhola dos vice-reis dividiu.

Que o Reitor queira atrair os estudantes brasileiros a virem estudar para o Mondego, parece-me um objectivo legítimo. Mas que o pretenda fazer com base numa deturpação do que se passou, jogando com o peso da história da sua própria instituição, que teria servido de berço à unidade brasileira, já me soa a uma atoarda, e das grandes!

Só acabando com a manipulação dos factos do passado se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros

Nos argumentos comemorativistas do Reitor, encontra-se um espécie de redenção ou de salvação da Universidade de Coimbra, tanto quanto as interpretações da conferência de Lula apontariam para o sentido da culpa a atribuir ao legado colonial que os portugueses deixaram no Brasil. Discordo de ambos os juízos. O historiador, tal como o jornalista, não se pode afunilar entre os valores da culpa e da redenção, cedendo a uma moral simplificadora, espartilhada pelos valores de um senso comum capaz de banalizar a interpretação e a compreensão dos factos. À investigação histórica e jornalística competirá, sempre, estabelecer os factos com base em provas e demonstrações, o que implica um conjunto de operações que, insisto, não podem dissociadas da sua interpretação e compreensão.

Começando pela própria notícia tal como surgiu no El País e foi, muito correctamente, transmitida pela Agência Lusa, será possível reconstruir melhor o sentido da afirmação de Lula, percebendo melhor o seu contexto e a intenção do seu autor. O objectivo da argumentação de Lula não parece ter sido tanto o de criticar os portugueses, mas o de se demarcar das “elites brasileiras”, insinuando que estas se limitavam à reprodução social das lógicas da desigualdade herdadas dos tempos coloniais. Na força da sua generalização, não me parece que tal interpretação possa ser considerada errada. Pelo contrário, inscreve-se nas políticas de Lula destinadas a combater as desigualdades ou, pelo menos, a acabar com a pobreza. Pois, conforme noticiou a Lusa, em contraste com o sucedido nos últimos 100 anos, foi durante o seu governo (2003-2011) que triplicou o orçamento da Educação, tendo-se assistido à criação de 18 novas universidades federais, 173 novos campus no interior do Brasil e três vezes mais escolas técnicas do que nos últimos 100 anos.

Em relação ao que se passou em tempos anteriores a 1822, quanto à não existência de ensino universitário no Brasil colonial, importaria voltar às análises de Sérgio Buarque de Holanda. De facto, em Raízes do Brasil (1936), o maior historiador brasileiro do século XX considerou que a cultura brasileira anterior ao século XVIII tinha sido determinada por políticas que proibiram a instalação de tipografias e a criação de universidades, ao contrário do sucedido na América Espanhola, nomeadamente no México e Peru. Assim, o mercado do livro e a frequência dos mais altos níveis de ensino fizeram com que a colónia ficasse submetida à metrópole. Acrescente-se que a ausência de um tribunal da Inquisição próprio, instalado no Brasil, reproduziu a mesma falta de autonomia da colónia, ou seja, a dependência em relação ao reino.

O argumento revisionista do Reitor, tal como o de outros movidos por orgulhos nacionalistas, recorreu, pois, a velhas ideias acerca do Brasil colonial, mas investiu-as de uma conotação diferente. Onde Buarque de Holanda vira a hegemonia da metrópole na criação de uma colónia sem autonomia, o Reitor passou a considerar uma herança colonial positiva, digna de ser celebrada, porque dotada de uma força emancipadora e capaz de criar a unidade que o Brasil necessitou para se constituir numa nação independente.

Ora, é este tipo de revisionismo historiográfico que me assusta, por três diferentes razões. Primeiro, porque faz parte de um modo de manipulação pública do passado feito ao sabor das comemorações e de lógicas nacionalistas, por parte de quem tem responsabilidades políticas na formação de uma opinião pública e capacidade de decisão. Ora, os historiadores brasileiros, de Caio Prado a Maria Odila Leite da Silva Dias e a Luiz Felipe de Alencastro, têm procurado demonstrar que importa desvincular o estudo do processo de formação da nacionalidade brasileira, nas primeiras décadas do século XIX, da imagem tradicional da colónia em luta contra a metrópole. A instalação da corte no Rio de Janeiro em 1808 e os interesses das elites escravocratas é que foram preponderantes no processo de independência do Brasil. A este respeito, Lula não andou assim tão longe da razão histórica ao apontar o dedo às elites brtasileiras.

A segunda razão prende-se com a comparação entre heranças coloniais. O argumento segundo o qual uma política de proibição de universidades nas colónias criava formas de identidade mais unificadas foi particularmente utilizado nos círculos oficiais do Estado Novo. Os estudantes provenientes das colónias, não dispondo de universidades nos seus territórios de origem (também chamados províncias) eram obrigados a vir estudar para a metrópole com o objectivo oficial de aqui adquirirem uma visão unitária do Império (ou de um Mundo Português que se pretendia multicultural). Pouco importa que esta política de estrangulamento do ensino universitário, a bem da unidade, tivesse desencadeado reivindicações por parte das colónias, no sentido da criação de universidades naqueles territórios, e suscitado por parte dos estudantes coloniais movimentos de revolta, alguns deles organizados em torno da Casa dos Estudantes do Império e suas respectivas delegações. O certo é que o que estava em causa nessa mesma política colonial eram os mecanismos de controlo das populações, incluindo dos seus estratos mais jovens e letrados, sobretudo quando se tratava de grupos com um potencial de resistência ao Estado colonial.        

Por último, no século XXI, a defesa de comunidades imaginadas à escala nacional, investidas de sentimentos patrióticos de emancipação, e de instituições com uma memória de séculos,  não poderá continuar a ser feita com base em mitos e em operações de manipulação do passado. Mais: estou em querer que existe uma intenção cada vez maior, por parte das instituições, destinada a desenvolver políticas de investigação, a pretexto da comemoração  de instituições e do denominado passado nacional. Em Portugal, por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Instituto Diplomático, deu o exemplo claro de uma nova atitude ao lançar programas de pesquisa relacionados com a história da escravatura. Será, agora, também necessário que se aprofundem os conhecimentos em Portugal sobre a história do Brasil, procedendo-se à sua divulgação. Só assim se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros, acabando com as ideias míticas que vivem da manipulação dos factos do passado.

* Historiador, Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa

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  1. alexis

    27 de dezembro de 2015 3:46 pm

    Contrastante

    Confesso que nem sabia do tardio nascimento de universidades no Brasil.

    Por outro lado, em tão pouco tempo, conseguimos maior quantidade de faculdades de direito que no mundo inteiro. Isso é muito estranho mesmo. Qual  o equilíbrio de “mercado” naquela profissão dentro do Brasil?

    Seria interessante descobrir como é que temos que trazer médicos de fora e, em compensação, temos advogados saindo pelo ladrão.

    1. Frederico69

      28 de dezembro de 2015 2:22 am

      a maior quantidade de incompetentes faculdades!

      onde só 1/5 dos bachareis consegue atender os requisitos mínimos, para o exercício da profissão!

    2. Só na Boa

      28 de dezembro de 2015 10:41 am

      talvez o fato de que

      para se estudar medicina o sujeito não pode trabalhar e isto é muito difícil acontecer; sem contar que as vagas de medicina são autorizadas pelo MEC, a instituição não é livre para formar quantos quiser…

  2. odacir bressani

    27 de dezembro de 2015 4:57 pm

    estive em buenos aires em

    estive em buenos aires em 1975, e o presidente dos criadores de canarios, quando eu comentava sobre buenos aires, que eu ja conhecia, mas continuava admirando muito a cultura do pais, ele sem saber minha descendencia me disse: nos fomos colonizados por espanhois, nao por portugueses.

     

  3. Pedro Mundim

    27 de dezembro de 2015 4:58 pm

    O que faltou mesmo foram escolas primárias

    Que os colonizadores portugueses nunca priorizaram a educação, é coisa sabida, mas não vejo tanta importância assim no tocante às universidades. O que faltou mesmo, seja na América portuguesa ou na espanhola, foram escolas primárias. Universidades são para elites – é assim até hoje, e era mais ainda naquele tempo. Portanto, o fato de os espanhóis haverem desde o início fundado universidades em suas colônias e os portugueses haverem vetado-as impactou somente nas elites, talvez tornando as espanholas mais propensas à desintegração de seus territórios, e as brasileiras mais propensas à união com Portugal. Para o povo em geral, isso não acrescentou nada.

    De qualquer modo é tarde para ficar culpando Portugal nessa altura do campeonato. Já tivemos muito tempo para recuperar o atraso, mas é notável como continuamos obcecados com o ensino superior e deprezando o básico – note que Coréia do Sul e Singapura, que hoje têm os estudantes mais aplicados do mundo, começaram investindo no ensino básico antes de investir nas universidades, enquanto por aqui nós nos empenhamos em ampliar o número de universidades sem provê-las de estudantes qualificados a frequenta-las – não podia mesmo dar certo, e aí a culpa já não é de Portugal.

  4. Gilson AS

    27 de dezembro de 2015 5:21 pm

    No face, muitos coxinhas

    No face, muitos coxinhas tripudiaram do Lula por causa dessa pendenga.

    O que o Lula disse foi que a primeira Universidade, foi criada em 1922, o que é diferente de Faculdade.

    Faculdade de Direito e de Medicina, são bem anterior a essa data. Muitos coxinhas, querendo sacanear o Lula,  não sabiam diferenciar uma coisa da outra.

    Uma Universidade, tem que conter pelo menos sete Faculdades

    //////////////////

    Os senhores de engenhos na sua grande maioria eram analfabetos.

    Por isso, quase que a  revolta do Malês, que se não fosse o empenho pesado da Corôa para combater o levante, teria  tido sucesso.

    Os Malês eram escravos muçulmanos, portanto, eram letrados. Sabiam ler e escrever, pois tinham que ler e decorar  o Alcorão. Para época, séc XIX, muitos membros da elite não tinham esse domínio

    Eram um grupo extremamente organizado e inteligentes,  quase que conseguem sucesso com seu golpe/levante social. Se fossem bem sucedidos, o Brasil hoje poderia ser um Califado.

    A mãe do Luis Gama, escritor, poeta e abolicionista, era descendente dos Malês.

  5. robson_lopes

    27 de dezembro de 2015 5:31 pm

    Se o que o deputado português

    Se o que o deputado português diz for verdade:
    “Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, embrionária da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E em 1808 foi criada a Faculdade de Medicina da Baía.”
     

    A situação é pior ainda, de uma incompetência sem tamanho, do embrião para a Univerdade levou-se mais de 120 anos? Melhor ficar calado.

    1. Ricardo Ag

      27 de dezembro de 2015 6:16 pm

      Não foi criada Faculdade de

      Não foi criada Faculdade de Medicina alguma na Bahia, e sim um mero colégio de cirurgiões. 

      Os primeiros cursos superiores no país começaram a surgir – embrionariamente – a partir de D. João VI e, principalmente, a partir da Independência, com os cursos de Direito, Medicina e outras carreiras em Olinda, Recife, São Paulo e Rio. 

      Lula poderia ter ficado calado – afinal, não há razão para criar problemas quanto a um fato sobejamente conhecido – mas não mentiu em absolutamente nada. 

      E de que incompetência falamos, quando fomos o ÚLTIMO país da América Latina a ter universidades e hoje temos as melhores do continente?

      1. Jose de Almeida Bispo

        28 de dezembro de 2015 1:47 am

        Perfeito, Ricardo Ag;

        Perfeito, Ricardo Ag; perfeito! E ainda mais: uma reles escola de cirurgia com total vocação para controlar os “sans-cullotes”, pardos e até negros forros, que andavam a arrastarem a asa, se aproveitando da total escassez de cirurgiões para praticar sangrias e aposições de ventosas. O colégio, pois, foi uma forma de separar “os nobres” da turma da senzala. Dos não autorizados. De por cada um “no seu lugar”.

      2. João d'CUia

        28 de dezembro de 2015 8:55 am

        E mais: o maior grupo no

        E mais: o maior grupo no mundo em  educação com ações em bolsa é pelas universidades que tem no Brasil

  6. altamiro souza

    27 de dezembro de 2015 5:51 pm

    fica clara aí a omissão da

    fica clara aí a omissão da dita elite escravocrata em relação

    a inexistencia da Universidade no brasil até 22

    (juro  que eu achava que a primeira tinha sido em sp em 36),

    essa elite escravocrata sempre foi colonialista.

    hoje defende a submissão ao imperialismo com a aura dos

    canalhas que pensam deter todo o aparato filsófico e de todo

    o conhecimento universais.

    e, como sempre, esquecendo a prórpia cultura nacional.riquíssima….

    isso só reforça a tese dos que, baseados na obra machadiana,

    sacaram que essa elite esxcravocrata posa de iluminista, de vanguardista,

    mas quando volla ao seu pedaço patrimonialiata açoita seus escravos…

    essa é a simplificação da bela  tese do professor roberto schwarz.

    hoje essa elite colonialista posa de vnaguardista da falácia da economia

    neonliberal e golpeia

    as instituição com o tal do impedimento e o escambau…

    e põe escambau nisso….

  7. Snaporaz

    27 de dezembro de 2015 6:04 pm

    Omitiu-se a verdadeira  razão

    Omitiu-se a verdadeira  razão  de inaugurar tão tardiamente uma  “universidade”;   a visita ao país do rei da Bélgica e o título de  “doutor  honoris causa” a lhe ser  conferido na ocasião.

     Esqueceram de mencionar o caráter predatório do colonialismo,independentemente, de sua nacionalidade. Os Belgas foram cruéis  ao extremo,talvez refletindo o caráter  doentio do  rei Balduíno. Os portugueses indiferentes,o objetivo era o lucro a qualquer preço investindo o mínimo possível. Quando abandonaram Moçambique, em 1975,o nível tecnológico transferido à população, o mais elevado era motorista de caminhão. e poucos…

     Samora  Machel  formou-se  enfermeiro  na Metrópole, era portanto ,considerado um luminar entre seus pares.

    Os ingleses destruíram o sistema de irrigação milenar da Índia para  submeter tecnologicamente os indianos. Era proibido, por exemplo  obter sal do mar tinha-se de comprá-lo aos colonizadores. O Brasil ficou  fechado para o mundo por trezentos anos, as portas abriram-se quando  D. João transferiu  a corte da  metrópole para o Rio de Janeiro. Não fora  isso,possivelmente a independência se daria  juntamente com Angola e Moçambique ,no século XX.

  8. Ricardo Ag

    27 de dezembro de 2015 6:23 pm

    Esses patrioteirismo lusitano

    Esses patrioteirismo lusitano é ridículo. 

    Babam de raiva sempre que um brasileiro diz uma verdade incontestável sobre a colonização do Brasil. Ou sobre qualquer coisa que envolva Portugal. São hiper sensíveis, complexados e doutrinados.

    Há uns anos armaram uma guerra porque a Maitê Proença gravou um vídeo bobinho em uma viagem a Portugal. Com direito a petição para que a mesma fosse declarada persona non grata no país. Houve debates na televisão, discussões mil, acadêmicos reunidos para cimeiras sobre a declaração da Maitê. Algo simplesmente inacreditável. 

    Lula não criticou Portugal nem os portugueses, apenas apontou um fato histórico. Os espanhóis criaram universidades na América Hispânica já no século XVI, os portugueses nunca criaram uma. Os ingleses, idem nos EUA. 

    Curiosamente, hoje temos as melhores universidades da América Latina, melhor colocadas nos rankings internacionais inclusive do que as portuguesas. 

    A propósito: aviso ao Nassif que cuide da moderação dos comentários, porque em breve milhões de trolls portugueses virão a este espaço insulta-lo. Fazem isso em todas as páginas, foruns e videos do youtube do Brasil. 

     

  9. Ricardo Ag

    27 de dezembro de 2015 6:28 pm

    Português burro? A culpa é de quem?

    No mais, acho engraçado esse Nuno Melo dizer que o Lula deveria estudar quando ele repete idiotices deste quilate:

     

    “Acontece que se o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do planeta, deve-o a Portugal que lhe deu nascença, administrou e fez Reino, circunstância sem paralelo na colonização espanhola.”

     

    Claro, depois que tentaram dividir o país após a Independência (com direito a batalhas a sul e norte do território) e, durante o Período Colonial, impediram avanços pelo interior do país. 

    Quando o Brasil, APESAR DE TUDO ISSO, manteve-se unificado e grande, aí os portugas querem vir com esse discurso. 

    Depois reclamam das piadas. 

     

    1. rdmaestri

      28 de dezembro de 2015 3:20 am

      O que manteve o país unido foi o Império.

      O que manteve o país unido foi a ação do Império, pois se fosse proclamada a república provavelmente estaríamos fragmentados conforme os desejos das oligarquias locais.

  10. Clovis Sena

    27 de dezembro de 2015 11:07 pm

    mas o Lula está é cerissimo!

    mas o Lula está é cerissimo! os portugueses não se preocuparam em desenvolver uma estrutura mínima de estado aqui, e de fato demoraram demais até para criar as primeiras universidades por aqui

  11. naldo

    27 de dezembro de 2015 11:44 pm

    Numa certa emissora tinha um

    Numa certa emissora tinha um programa idiota chamado reescrevendo a historia no qual tentavam desdizer fatos contraditorios, aqui depois de mais de 300 anos de escravidão, do governo se utilizar de tecnicas eugenistas, de um povoamento que privilegiou o estrangeiro em detrimento dos nacionais, de uma ditadura brutal e da desigualdade social em que vivemos, querem que reescrevamos a historia com olhos bondosas, piada não? Nossa Historia é vergonhosa de cabo a rabo e a atualidade não está sendo diferente.

  12. José Adailton V Ribeiro

    28 de dezembro de 2015 12:49 am

    Padim Ciço

    Comovente: “Em outras palavras, para o professor as declarações de Lula não estão longe da razão histórica.”

  13. Jose de Almeida Bispo

    28 de dezembro de 2015 2:08 am

    Sim… e não!

    Em primeiro, sempre é bom lembrar que Portugal é a primeira nação moderna europeia a se consolidar depois da Idade Média. Logo, uma nação de transição, como também a Espanha, ressalve-se. Diferente, pois, da Inglaterre e Holanda, um século mais tarde. Segundo, em 1500, Portugal tinha a metade da população de Sergipe hoje, e um império em construção por quatro dos seis continentes. Era uma empresa mermente comercial, e administrando o Brasil na base da gambiarra porque FALTAVA GENTE. Tão logo veio a conquista da América, os jesuítas, ordem criada pelos espanhois, e pela grandeza de Espanha passaram a ditar também em Portugal a sua forma de agir. E Portugal não tinha como indispor-se deles, porque, além das implicações políticas com a Igreja Católica e até a própria Espanha, carecia desesperadamente de quem controlasse o espírito dos dominados pela fé. Entregaram a educação aos jesuítas, que de fato, só estavam interessados em fazer fortuna para o preparo em suas lutas internas na Igreja, na Europa, obviamente. Jesuíta não veio ensinar corumin; veio montar currais de escravos e de gado, engenhos, hospícios, incluindo os suspeitos de motel e fazer agiotagem. Agiotagem da pesada. E em nome de Deus. Nada de escola, salvo um ou outro convento. 

    Sobre o clamor português contra Lula, não têm a menor razão: Lula está certo. O que poderia – e deveriam – era contextualizar a situação. Cabe até uma pergunta: e São Domingos, local da primeira universidade, é uma potência? Não! Porque, escola por si só não é nada. Se não houver onde aplicar o conhecimento aprendido, escola não é nada! E, principalmente, quando se sabe que a universidade latino-americana criada pela Espanha não teve o propósito de desenvolver nada por cá; em contrário: surgiu como forma de aniquilar qualquer resquício de conquista tecnológica “não cristã”, dos impérios nativos, ou seja, não submetida a Roma, que até Napoleão, quase sempre significou… Império Espanhol.

    1. rdmaestri

      28 de dezembro de 2015 3:38 am

      Uma visão das missões que nada tem com a historiografia.

      Caro amigo, esta visão raivosa contra os jesuítas nada tem de respaldo em toda a historiografia. Haviam sim escolas nas Missões, não só escolas como ateliers de artes e ofícios. A educação era dada inclusive na língua nativa dos índios, e as missões possuíam bibliotecas significativas para a época.

      Não se pode pensar que quatro ou cinco padres que existiam por missão pudesem dar uma educação primorosa a milhares de índios, pois faltava número para isto.

      Se contrapormos o que os jesuítas forneciam aos índios na época com o que os “bravos bandeirante paulistas” lhe ofereciam é algo da água para o vinho, logo toda esta revolta contra os jesuítas é totalmente descabida.

    2. Pedro Mundim

      28 de dezembro de 2015 12:00 pm

      Exatamente o que eu disse

      Exatamente o que eu disse: universidade é para elites e só influencia as elites. Apesar das universidades fundadas cedo na América espanhola, suas ex-colônias hoje não estão melhor do que nós. O que faltou – tanto na América espanhola quanto na portuguesa – foram escolas primárias, e sobretudo escolas técnicas. Por este motivo o profissional de nível médio até hoje é desprezado.

      Não se trata de fenômeno exclusivo do Brasil. Mesmo entre os países campeões de educação, como Coréia do Sul e Singapura, nota-se algo curioso: o percentual da população que possui graduação universitária ali é maior do que o mesmo percentual em países bem mais ricos, como os EUA, a Alemanha e o Japão. Isso ocorre porque nesses países ricos antigos o profissional de nível médio é bem formado e bem remunerado, de modo que a procura pelo grau universitário é menor.

  14. Ruy P F Neto

    28 de dezembro de 2015 2:51 am

    Poema a Portugal

    Portugal!

    Teu passado te condena,

    Teu presente é uma pena,

    Uma pena que não escreve.

    E se fomos salvos dos grilhões,

    Não foi obra de Camões,

    Mas dessa gente Morena.

    Por que tanto de apequenas

    Se já não te lanças mais ao mares,

    Se o que te resta são altares,

    Glorias de tempos seculares,

    Nação e gente pequena?

  15. rdmaestri

    28 de dezembro de 2015 3:13 am

    Sempre foi deliberado manter o Brasil atrasado.

    Agora sim que a portuguesada vai chiar, vai chiar pois realmente a sua política para a colonia sempre foi deliberadamente a de manter o Brasil na ignorância.

    A imprensa no Brasil era deliberadamente proibida pois antes da FUGA da FAMÍLIA REAL para o Brasil vários fatos mostram claramente isto.

    Já em 8 de junho de 1706 a corte determinou que a primeira tentativa de instalar uma pequena tipografia no Recife sob os auspícios oficiais do Governador Francisco de Castro Morais, fossem eliminadas pelo sequestro das máquinas e letras e proibindo a impressão de qualquer coisa que fosse no Brasil.

    Posterior a isto, em 1746, mais uma vez sob os auspícios de outro Governador de Província (Gomes Freire do Rio de Janeiro), doi permitido a um antigo impressor de Lisboa que havia se transferido para o Brasil (Antonio Isidoro da Fonseca) com seu matéria tipográfico, que o mesmo montasse uma pequena tipografia.

    A metrópole reagiu rapidamente através de outra ordem Régia de 6 de julho de 1747, onde se dizia claramente que deveriam ser sequestradas a “quantidade de letras de imprimir” que haviam sido transportada para a colônia e que “não imprimissem livros, obras ou papéis avulsos, sem embargo de quaisquer licenças que tivessem para dita impressão, sob pena de que, fazendo o contrário, seriam remetidos presos para o Reino para lhes impor as lhes impor as penas em que tivessem incorrido, de conformidade com as leis e ordens a respeito”. Além disto a ordem Régia explicava melhor ainda: Não sendo conveniente haver aí tipografias, nem mesmo utilidade para os impressores, por serem maiores as despesas que no Reino, de onde podiam vir impressos os livros e papéis, no mesmo tempo em que deviam ir as licenças da Inquisição e do Conselho Ultramarino, sem as quais não se podia imprimir nem correr obras”.

    Além da proibição da imprensa, posteriomente Marques do Pombal expulsou os jesuítas que mantinham escolas no Brasil, jogando a responsabilidade de um ensino público as iletradas comarcas brasileiras.

    A tentativa de manter o Brasil na ignorância e na dependência de uma corte, que não produzia nada, eram  proibidas a construção de estradas que entre as províncias, e também indústrias, esta claramente definida por ordem Régia emitida pela mesma Maria Louca, rainha de Portugal, de 5 de janeiro de 1785.

    A política implementada por Portugal foi deliberadamente uma política para manter o Brasil atrasado, enquanto de forma desesperada se tentava em Portugal obrigar os nobres a estudar através de uma malfadada tentativa dos “Colégio dos Nobres” do Marques de Pombal. Este como um iluminista tentou educar a nobreza portuguesa, elite burocrática do Reino, mas não conseguiu levar adiante o seu intento. Talvez devido a resistência dos nobres portugueses em se letrar melhor e da necessidade de construir fortificações no Brasil que a mesma Maria a Louca institui a Real Academia de Artilharia, fortificação e desenho, que deu origem não a UFRJ mas sim ao IME.

    Em resumo, além da elite portuguesa da época não dar muita importância aos estudos superiores e a industrialização de Portugal, procurou ao máximo manter o Brasil atrasado e inculto como a metrópole, pois estudos e indústria não seduziam muito a nobreza portuguesa.

    1. Pedro Mundim

      28 de dezembro de 2015 11:52 am

      Mas lá se vão 200 anos

      Agora é tarde para culpar Portugal.

      1. drigoeira

        28 de dezembro de 2015 4:39 pm

        E Lula culpou alguém?

        Ele só bateu o pó dos livros de história…

  16. Perseguindo Lula e amigos

    28 de dezembro de 2015 6:45 am

    ninguém deixa de querer

    ninguém deixa de querer destruir Lula.  Mais um caso exemplar. Já poluiram toda baia da guanabara e ninguém disse nada, mas quando é amigo de Lula e Dilma fazendo o mesmo com um riachinho sem importância, vira questão no Facebunda

    ======================

    https://www.facebook.com/nilce.silveira.5/videos/10207790733664657/?fref=nf

  17. Marcos K

    28 de dezembro de 2015 8:20 am

    Eu penso que o problema é

    Eu penso que o problema é outro: até hoje nenhum governante conseguiu ver a importância estratégica da educação. Enxergam apenas como forma de ascenção social, não como instrumento fundamental para construção do país. Aliás, nem sabem o que é isso.

  18. Trunfim

    28 de dezembro de 2015 10:35 am

    PESQUISAS, ESTUDOS

    para aprofundar o conhecimento sobre a História do Brasil  não vai mudar o sentimento que a Elite e também grande parte da população brasileira tem em relação aos portugueses.

          É sentimento generalizado que todos os problemas existentes no Brasil tem como culpa a colonização ter sido feita por Portugal. Se fosse a Inglaterra ou Holanda o Brasil seria diferente, dizem.

          Meu pai nasceu em Rapa (Portugal) e até hoje muitos me chamam de Português.

          Na escola ouvi Professores falando mal dessa colonização, do domínio português sobre o Brasil por tantos séculos. Em programas de TV, rádio, por toda a mídia essa idéia é comumente difundida.

          Acho que 99% das pessoas integrantes das classes consideradas alta, ricos e milionários e até mesmo entre pessoas letradas, doutores, estudiosos, consideram que a colonização Portuguessa é a razão primeira de todos os nossos males.

          É importante colocar dessa forma por causa dos Portugueses estudiosos, letrados que passaram a criticar o Lula em razão de sua opinião: não tem condições intelectuais pra dar opinião sobre o tema.

           E está demorando pra ler e ouvir os críticos aqui no Brasil no mesmo diapasão. Só para atacar o LULA vão até falar bem da colonização portuguesa.

            O Jornalista Alberto Dines escreveu muito sobre a dificuldade de ser instalada a imprensa no Brasil. De se implantar Universidades.

  19. drigoeira

    28 de dezembro de 2015 10:59 am

    Eu sempre falo isto…

    Quem fez tem o direito de falar.

    E quem não fez põe a carapuça e fica calado.

  20. Andre B

    28 de dezembro de 2015 12:22 pm

    Lula, mestre na retórica politica.

    Lula pode até ter razão em atribuir a origem do atraso educacional a colonização portuguesa, faz todo sentido. Mas sinceramente, já se vão quase duzentos anos da independencia. E nesses duzentos anos, o que fez a elite brasileira para recuperar ou pelo menos minorar esse atraso? Ao que parece causar um incidente diplomático é melhor do que olhar para dentro do próprio pais, deixando a elite econômica brasileira, que embarcou no impechment da Dilma, quieta ,ou criticar o corte de verbas da educação e o estado lastimável em que o governo Dilma deixou as universidades públicas. Continuo tirando o meu chapéu para o Lula, ele ainda é um mestre na retórica politica.

    1. Ricardo Ag

      28 de dezembro de 2015 1:42 pm

      Está falando sério com essa

      Está falando sério com essa pergunta? De um país sem uma só universidade, sem uma só imprensa, passamos a ser o país com as melhores universidades da América Latina e do próprio mundo lusófono, bastante superiores às próprias universidades portuguesas. Além de sermos o maior editor de livros em língua portuguesa no mundo. Nós, brasileiros, pouco nos lixamos para esse tema da lusofonia, mas é um espaço onde indiscutivelmente somos reis e senhores (o que dói e não é pouco no ouvido dos portugas, que babam de ódio impotente diante disso).

      Quanto à frase do Lula, foi realmente fora de lugar, mas não é nada mentirosa e a reação lusitana foi ridícula e desproporcional. A feliz exceção é o artigo desse academico português, o que prova que existe vida inteligente por lá, apesar de às vezes não parecer.

  21. Rogério Ferraz

    28 de dezembro de 2015 1:18 pm

    André B, pelo que entendi, a

    André B, pelo que entendi, a crítica de Lula foi justamente esta: a elite brasileira nunca se interessou pela emancipação do brasileiro, mas em mantê-los pobres e ignorantes, o que foi feito também pelos portugueses que aqui aportaram.

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