5 de junho de 2026

Com Bresser-Pereira e Belluzzo, grupo de economistas discute indústria

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Economistas de várias escolas formam grupo para discutir indústria

Da Rede Brasil Atual

Desde o início de 2015, um grupo de economistas de diversas escolas se reúne periodicamente em São Paulo para discutir políticas de desenvolvimento que tenham foco no setor industrial. Reunidos sob o nome Grupo Reindustrialização, esse coletivo pretende apresentar alternativas visando a um crescimento sustentado e buscar espaço entre formadores de opinião, especialmente em tempos de “financeirização” da economia.

Trata-se de um debate antigo, conforme lembra o professor Antonio Corrêa de Lacerda, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “É recorrente na história econômica brasileira”, diz, citando como exemplo o embate protagonizado por nomes como Eugênio Gudin e Roberto Simonsen, nos anos 1940.

“Tem aqueles que acham que o mercado resolve tudo, e os que acham que a indústria pode induzir o desenvolvimento”, observa Lacerda, para quem, neste momento, “nos tornamos um país de rentistas”. Ele critica o câmbio permanentemente, e artificialmente, valorizado, e a elevada taxa de juros no Brasil.

Entre as medidas defendidas pelo GR, estão adoção de juros – básicos e de mercado – compatíveis com os principais concorrentes internacionais e uma taxa de câmbio “real”, que garanta competitividade às empresas brasileiras “competentes ao longo do tempo”. Eles também defendem redução de tarifas alfandegárias e da carga tributária, com desoneração das exportações e dos investimentos produtivos. Outra proposta é de reter parte da receita de exportação de commodities, em um fundo, “para reduzir a constante pressão pela apreciação cambial, visando a estimular a agregação de valor nas vendas externas”.

Segundo Lacerda, o ponto comum no grupo é a ideia da reindustrialização como fator de desenvolvimento. “Isso parece óbvio, mas há economistas que não pensam assim.”

Produtividade
Para o grupo, o país “clama” por uma política de desenvolvimento que vá além do atual ajuste. “Neste contexto, a reindustrialização do Brasil deve ser parte fundamental da agenda de crescimento dada a capacidade do setor industrial de gerar bens com maior valor agregado, de difundir tecnologia, criar empregos de qualidade e, através de seus encadeamentos produtivos, elevar a produtividade de toda a economia”, afirmam os economistas, em documento.

Coordenado pelo professor Yoshiaki Nakano, da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, e pelo diretor de competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Mario Bernardini, o grupo reúne economistas ligados a instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além da PUC. Também fazem parte do coletivo os economistas Luiz Carlos Bresser-Pereira e Luiz Gonzaga Belluzzo, além do diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

Lacerda defende propostas que contemplem três esferas de política: macroeconômica (câmbio, juros, tributos), mesoeconômica (política tributária, ciência e tecnologia) e micro (atuação das empresas, inovação, gestão). “A nossa avaliação é de que uma não sobrevive sobre a outra.” Da mesma forma, planos como o Brasil Maior são importantes, mas não suficiente. “Todas as políticas industriais são bem-vindas, mas elas não sobrevivem sem uma política macro”, diz o economista.

Representantes do grupo já conversaram com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, durante um encontro em São Paulo. E também tiveram contato com o então ministro do Planejamento Nelson Barbosa, agora titular da Fazenda, no lugar de Joaquim Levy. A expectativa é de mudanças na condução da política econômica. “Levy tinha um papel de representar o setor financeiro. Aparentemente, ele (Barbosa) vai dialogar mais com o setor produtivo.”

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

10 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    26 de dezembro de 2015 1:20 pm

    Nenhum economista resolve os

    Nenhum economista resolve os problemas de quem gasta muito ou gasta mal o dinheiro que ganha. Nenhum economista é necessário quando gasta-se menos do que se ganha ou se ganha um pouco mais gastando bem parte do mesmo. O problema do empresariado brasileiro é histórico e histérico. Histórico porque eles são descendentes de escravocratas. Histérico porque eles querem que o Estado resolva os problemas deles quando eles mesmos privam o Estado dos impostos que deveriam recolher.

  2. Conde de Rochester

    26 de dezembro de 2015 1:32 pm

    Pacto da produção e da tecnologia

     

    Padeço atualmente de um saudosismo entristecedor. Trabalhávamos em empresas consideradas a extensão da família que provia e dava condições de crescimento e prosperidade, o quartel de forças que nos tornava guerreiros, dispostos a defender a sobrevivência da empresa como a própria sobrevivência. O Patrão não é o inimigo a ser combatido. È preciso que isto fique muito claro.

    O Patrão neste País é também vitima.

    Esta ai todo histórico jornalístico contando das agruras que o empreendedor sempre sofreu, vítima dos políticos, dos administradores e fiscais corruptos, que sempre estiveram de tocaia para achacar aqueles que se propuseram a produzir alguma coisa neste País.

    O capital não é o monstro. O monstro é o gigantismo do estado, os megas-salarios, a corrupção o sorvedouro que tudo suga em detrimento da saúde da coletividade, a força do coletivo é o individuo e se o individuo tem limitações insuperáveis de crescimento, como é que se pode esperar que a coletividade cresça?

    O Estado ideal deveria se situar entre o neoliberalismo e o estatismo. A maquina administrativa deveria ser eficiente e enxuta, tudo isto soa a utopia levando-se em consideração o tamanho da dificuldade que se encontra o Brasil.

    O jeitinho brasileiro foi a maneira que o brasileiro encontrou de sobrevivência nesta terra de achaque. Até as grandes empresas hoje em dia que terceirizam a mão de obra merecem nossa consideração, porque fazem isto buscando a sobrevivência, e buscando o lucro obviamente. O crescimento do PIB deveria ser consequência do crescimento da produção, repartir o lucro é o que conta. O patrão não é o inimigo, visão tacanha de lutas de classes antiquada e superada, estão ai as cooperativas de gestão dando uma nova perspectiva para a relação patrão empregado.

    Agora vem novamente esta gente, pressionando para que se aprove a redução das horas trabalhadas, são cínicos debochados, o funcionário deve ser um aliado do patrão, para haver adoção de novos benefícios é necessário aumentar a receita, não existe milagre. As grandes empresas se livram destes oportunistas terceirizando, o coitado do pequeno empresário não tem outra saída a não ser diminuir salario ou o numero de empregados.

    Intui-se necessário estabelecer um pacto com as forças produtivas para conseguir-se um novo norte para o destino da Nação. Para se tornar possível tal pacto seria necessário desmontar todo um arcabouço de pseudo socialismo que se tentou implantar, conjugado com a irresponsabilidade daqueles que administraram a economia e que remonta ao fracasso do sistema economico atual.

    Uma coisa esta conjugada com a outra. Como tentar um pacto agora com as forças produtivas se tudo que fizeram nas ultimas décadas foi um desmonte persistente e inflexível destas forças?

  3. altamiro souza

    26 de dezembro de 2015 2:33 pm

    o ex-ministro bresser

    o ex-ministro bresser pereira, no site da rede brasil atual,

    diz que a economia no próximo ano  será melhor do

    que dizem os pessimistas de plantão.

    e denuncia esses grupos economicos que criticam a economia

    como forma de enfraquecer a presidenta dilma,

    confessoo que é essse tipo de pensamento

    que pode ajudar o país nesse momento.

    denujnciar os que estão envolvidos nesse golpe do impedimento…

    e defender a presidenta dilma para fortalece-la,

    não para torná-la mais fraca diante desses golpístss.

  4. servidor publico

    26 de dezembro de 2015 2:33 pm

    crime

    “Outra proposta é de reter parte da receita de exportação de commodities, em um fundo, “para reduzir a constante pressão pela apreciação cambial, visando a estimular a agregação de valor nas vendas externas”.

    Querer fazer isso sem ao menos instituir uma cota mínima para abastecimento interno é criminoso. 

    1. Caetano.

      26 de dezembro de 2015 3:38 pm

      Assim funciona a cabeça do

      Assim funciona a cabeça do servidor público. Quer estabelecer cotas para tudo. De produtividade pouco fala.

      1. servidor publico

        26 de dezembro de 2015 7:04 pm

        cotas

        “Assim funciona a cabeça do servidor público. Quer estabelecer cotas para tudo. De produtividade pouco fala.”

        Acho que você não lê meus outros posts. Acho que sou o único servidor público que realmente defende a produtividade.

        A imposição de cota de abastecimento mínimo é um imperativo para os preços dos produtos básicos não dispararem junto com a alta do dólar e para que não se precarize a segurança alimentar, coisa que qualquer país civilizado e desenvolvido faz, se for necessário.

        A cota, no caso, estimula a busca por produtividade da agricultura para procurar gerar excedentes que possam ser exportados e, ao mesmo tempo, aumenta a competividade da indústria e do setor de serviços na produção de bens de maior valor agregado (porque as matérias básicas que eles utilizam não disparam junto com o dólar).

        Não sei a que outras “cotas para tudo” você está a se referir. 

      2. servidor publico

        26 de dezembro de 2015 7:09 pm

        emprestimos banco do brasil

        E é gozadíssimo alguém falar mal de servidor público que defende cota mínima para abastecimento interno, e não criticar o “agribusiness” subsidiado a torto e a direito pelo governo…

      3. servidor publico

        26 de dezembro de 2015 7:09 pm

        emprestimos banco do brasil

        E é gozadíssimo alguém falar mal de servidor público que defende cota mínima para abastecimento interno, e não criticar o “agribusiness” subsidiado a torto e a direito pelo governo…

  5. franciscopereira neto

    26 de dezembro de 2015 3:27 pm

    Antes de tudo

    Eu acho que antes de tudo, discutir a reindustrialização do país, precisamos criar uma nova classe de empresários diferente da que está ai, porque acho que um dos grandes entraves não é só do governo, e sim o tipo de empresários que nós temos.

    Os bons, que eram gigantes (Mário Wallace Simonsen, José Mindlin, Abraham Kasinsky, Villares…) não sobreviveram.

    Restou a escória como Skaf, empresário de galpão, João Dória Jr, produtor de vácuo, Washington Cinel, trambiqueiro.

    E por ai vai.

    Não haverá política insdustrial que consiga ir em frente com essa gente.

    1. servidor publico

      26 de dezembro de 2015 7:56 pm

      você tem toda razão

      Você está certíssimo.

      O empresariado que você citou fazia suas picaretagens, mas tinha um projeto de fazer o País crescer junto.

      Hoje, a maioria do grande empresariado, que continua atrelada ao Estado (e nós é que mamamos nas tetas do governo), SÓ ROUBA, em nada contribui para o crescimento do País e o aumento do bem-estar geral.

      Se ao menos essa elite roubasse, mas tivesse um projeto bom para o País, tudo bem. Mas os caras são só sanguessugas.

      Eu não acharia errado um político, em igualdade de condições, escolher uma empresa para contratar com o Estado. O “cronismo” acaba sendo necessário para você concentrar capital. Até o Rockfeller, da Standard Oil, começou vendendo mercadorias para o governo federal dos EUA na guerra da Secessão (foi assim que ele se alavancou para começar no setor petroleiro e de refino). Mas o cara ajudou a construir o desenvolvimento dos EUA, assim como J. P. Morgan (eletrificação em massa), Carnegie (aço), etc, etc.

      Aqui no Brasil, temos ladrões imediatistas, com um horizonte curtíssimo, que gostam de festas caras, de aparecer na Caras, no Dória Jr., coisa e tal.

      Um país como esse está condenado ao eterno fracasso…

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