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10 Comentários
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  1. Webster Franklin

    27 de dezembro de 2015 5:22 am

    Nas asas dos tucanos,Cunha pode perder cargo e conservar mandato

    Do Tijolaço

    Nas asas dos tucanos, Cunha pode perder cargo e conservar mandato

     

    tucacunha1a

    Da coluna de Ilimar Franco, em O Globo,  que me fugiu nestes dias de Natal embrulhados com defeitos na conexão de internet:

    “Derrotada no STF, a oposição ficou na incômoda situação de defender o rito do processo de impeachment estabelecido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O PSDB abandonou a palavra de ordem “Fora, Cunha”, e seu líder na Câmara, Carlos Sampaio, acompanhado de Mendonça Filho, do DEM, reuniu-se com Cunha para debater a reação à decisão do Supremo.”

    Embora óbvia, a articulação é discreta e não desperta o apetite de nossa reportagem política.

    Firmes na estratégia de fingir que “Cunha nada tem a ver com o impeachment”, enunciada duas semanas atrás pelo principal porta-voz midiático dos tucanos, Merval Pereira,  a parcela do PSDB aliada a Aécio Neves vai cultivando a hipocrisia e mantendo o essencial: sem o Presidente da Câmara não há chance para o  impeachment.

    Assim, vai empurrando com o bico a situação de chantagem que Cunha já praticou com o Governo e que, agora, só resta a praticar com os tucanos.

    O objetivo, agora, é que, vendo insustentável sua situação, Cunha concorde em deixar a presidência da Casa em torca de uma nova composição que preserve seu poder.

    Isto fica claro pela leitura da matéria de hoje da Folha, que dá conta que os ” partidos de oposição ao governo Dilma” – leia-se, tirando o eufemismo da mídia: PSDB – concordam com a tese de que o simples afastamento de Cunha da Presidência, sem a cassação de seu mandato, deixaria o “cunhismo” no controle da Casa, através do deputado Waldir Maranhão, seu fidelíssimo aliado.

    Maranhão, que tem três inquéritos no Supremo – Lava-Jato e outros dois  em que é acusado de crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos ou valores – seria o intermediário de Cunha e o simples afastamento, sem cassação – evitaria uma nova eleição para a presidência da Casa.

    Falta combinar com a opinião pública que Cunha pode ser um ladrão-deputado se deixar de ser um ladrão-presidente da Câmara.

    Mas isso não vem ao caso

    http://tijolaco.com.br/blog/os-tucanos-e-seu-dilema/

  2. Eliane Faccion

    27 de dezembro de 2015 8:15 am

    Augusto Boal e Chico Buarque

    http://brasilem5.org/2015/12/26/augusto-boal-e-chico-buarque-retomar-o-projeto-nacional/

    1. Anna Dutra

      27 de dezembro de 2015 10:08 am

      Plúmbeo
      Nostalgia e esperança neste cinzento ensolarado domingo.
      A felicidade sabida, conhecida, cuspida voltaria?

      Belo artigo.

      Fiquei devendo um retorno alguns posts atrás. Desculpe.

      Feliz 2016 para você também, Eliane!

  3. veras

    27 de dezembro de 2015 11:12 am

    contra o impeachment

    Eu não consigo “colar” esse artigo porque é da Folha e não sou assinante.

    É muito interessante porque ajuda a entender o porque do esvasiamento das manifestações pro impeachment.

    Trata-se de depoimento da socialite Rosangela Lyra (ex-sogra do jogador Kaká) que muda sua posição de pró-queda de Dilma para combate a corrupção. E justifica reconhecendo a não interferência do governo do PT na Operação Lava Jato e as medidas da Dilma no combate à corrupção.

    Vale a pena ler.

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1723228-ex-militante-pela-queda-de-dilma-se-foca-em-combate-a-corrupcao.shtml

     

  4. Gilberto Cruvinel

    27 de dezembro de 2015 11:28 am

    O legado colonial de Portugal no Brasil: entre a culpa e …

    O legado colonial de Portugal no Brasil: entre a culpa e a redenção?

    As declarações de Lula da Silva sobre o atraso no ensino brasileiro e a ligação deste com o legado colonial português fizeram tocar tambores nacionalistas deste lado do Atlântico, mas Lula não andou longe da razão.

     

    por Diogo Ramada Curto *

    do Público

     

    Numa conferência organizada pelo jornal El País, a 11 de Dezembro, em Madrid, Lula da Silva afirmou: “Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [actual República Dominicana] em 1492 e, em 1507, já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru, em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil, a primeira universidade surgiu apenas em 1922”.

    Em Portugal, a afirmação do ex-presidente do Brasil transformou-se num pequeno facto político. Tocaram-se os tambores e ergueram-se as bandeiras do nacionalismo. No mesmo dia da conferência, o Observador intitulou a notícia, feita com base num comunicado da Agência Lusa: “Brasileiro burro? A culpa é do Álvares Cabral, diz Lula”. Enquanto o Diário de Notícias formulou a questão em termos ainda mais retóricos: “De quem é a culpa pelos atrasos na educação? É dos portugueses, diz Lula”.

    A 17 de Dezembro, o deputado europeu e colunista do Jornal de Notícias Nuno Melo reagiu, fazendo prova dos seus conhecimentos, adquiridos na Wikipédia. Com uma nota de condescendente desprezo por Lula da Silva, considerou que este discorrera “sobre temas que implicam estudo, com a facilidade com que trautearia um forró”.  É que, se cada um é para o que nasce, como diz o povo, Lula deveria limitar-se ao forró, para que outros pudessem brilhar com a sua sabedoria “wikipédiana”… E foi, com o método do “copy and paste”, que Nuno Melo corrigiu: “As bases do Ensino Superior brasileiro foram lançadas bem antes de 1922. Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, embrionária da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E em 1808 foi criada a Faculdade de Medicina da Baía.”

    À acusação de Lula de que os portugueses teriam contribuído para o atraso cultural do Brasil, Nuno Melo contrapôs, ainda, que toda a obra de colonização do Brasil fora feita pelos portugueses, que ali souberam criar a unidade e suscitar o desenvolvimento. Nas suas palavras: “Acontece que se o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do planeta, deve-o a Portugal que lhe deu nascença, administrou e fez Reino, circunstância sem paralelo na colonização espanhola.” E, acrescentou, com base em velhos e infundados ressentimentos anti-britânicos, fingindo conhecer o sentido da historiografia e da obra de Charles Boxer: “A historiografia assinala o notável desenvolvimento do Brasil até 1822, ano da independência. A realidade não muda porque Lula da Silva gostasse de ver o país pejado de ascendência anglo-saxónica. Sendo que a simples leitura do Império marítimo português, de Charles Boxer, britânico sem resquícios de lusitanidade, o ajudará a perceber muita coisa.

    Todas estas reacções nacionalistas não são de estranhar. Elas inserem-se num processo constante de manipulação do passado, criador de mitos para consumo político e de uma memória colectiva com conotações ideológicas claras, que nada tem que ver com a investigação histórica. Por isso, é enorme o risco de se tomar como certa uma memória histórica eivada de mitos e de leituras ideológicas, desprezando a riqueza de perspectivas históricas que a investigação histórica nos oferece. 

    De igual modo,  há alguns meses, o Reitor da Universidade de Coimbra, numa entrevista ao PÚBLICO (20/07/2015), argumentou que a unidade do Brasil era obra da sua própria instituição. Em tempos coloniais, anteriores a 1822, cerca de 5000 estudantes oriundos daquela colónia americana formaram-se na Universidade situada nas margens do Mondego. Por isso, foram os Estudos Gerais que criaram a unidade entre os que fizeram a independência desse grande país. À argumentação do Magnífico Reitor não faltou o elemento comparativo, pois de forma diferente procedera a vizinha Espanha, quando, ao autorizar a criação de universidades desde os seus tempos coloniais, criara as condições para uma maior fragmentação dos países. No Peru, Bolívia, Venezuela e noutras futuras nações da América Espanhola formaram-se cerca de 170 mil estudantes, correspondendo às antigas universidades do tempo dos vice-reis.  Em conclusão, sempre segundo o Reitor, a Universidade de Coimbra unificou o que a política espanhola dos vice-reis dividiu.

    Que o Reitor queira atrair os estudantes brasileiros a virem estudar para o Mondego, parece-me um objectivo legítimo. Mas que o pretenda fazer com base numa deturpação do que se passou, jogando com o peso da história da sua própria instituição, que teria servido de berço à unidade brasileira, já me soa a uma atoarda, e das grandes!

    Só acabando com a manipulação dos factos do passado se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros

    Nos argumentos comemorativistas do Reitor, encontra-se um espécie de redenção ou de salvação da Universidade de Coimbra, tanto quanto as interpretações da conferência de Lula apontariam para o sentido da culpa a atribuir ao legado colonial que os portugueses deixaram no Brasil. Discordo de ambos os juízos. O historiador, tal como o jornalista, não se pode afunilar entre os valores da culpa e da redenção, cedendo a uma moral simplificadora, espartilhada pelos valores de um senso comum capaz de banalizar a interpretação e a compreensão dos factos. À investigação histórica e jornalística competirá, sempre, estabelecer os factos com base em provas e demonstrações, o que implica um conjunto de operações que, insisto, não podem dissociadas da sua interpretação e compreensão.

    Começando pela própria notícia tal como surgiu no El País e foi, muito correctamente, transmitida pela Agência Lusa, será possível reconstruir melhor o sentido da afirmação de Lula, percebendo melhor o seu contexto e a intenção do seu autor. O objectivo da argumentação de Lula não parece ter sido tanto o de criticar os portugueses, mas o de se demarcar das “elites brasileiras”, insinuando que estas se limitavam à reprodução social das lógicas da desigualdade herdadas dos tempos coloniais. Na força da sua generalização, não me parece que tal interpretação possa ser considerada errada. Pelo contrário, inscreve-se nas políticas de Lula destinadas a combater as desigualdades ou, pelo menos, a acabar com a pobreza. Pois, conforme noticiou a Lusa, em contraste com o sucedido nos últimos 100 anos, foi durante o seu governo (2003-2011) que triplicou o orçamento da Educação, tendo-se assistido à criação de 18 novas universidades federais, 173 novos campus no interior do Brasil e três vezes mais escolas técnicas do que nos últimos 100 anos.

    Em relação ao que se passou em tempos anteriores a 1822, quanto à não existência de ensino universitário no Brasil colonial, importaria voltar às análises de Sérgio Buarque de Holanda. De facto, em Raízes do Brasil (1936), o maior historiador brasileiro do século XX considerou que a cultura brasileira anterior ao século XVIII tinha sido determinada por políticas que proibiram a instalação de tipografias e a criação de universidades, ao contrário do sucedido na América Espanhola, nomeadamente no México e Peru. Assim, o mercado do livro e a frequência dos mais altos níveis de ensino fizeram com que a colónia ficasse submetida à metrópole. Acrescente-se que a ausência de um tribunal da Inquisição próprio, instalado no Brasil, reproduziu a mesma falta de autonomia da colónia, ou seja, a dependência em relação ao reino. 

    O argumento revisionista do Reitor, tal como o de outros movidos por orgulhos nacionalistas, recorreu, pois, a velhas ideias acerca do Brasil colonial, mas investiu-as de uma conotação diferente. Onde Buarque de Holanda vira a hegemonia da metrópole na criação de uma colónia sem autonomia, o Reitor passou a considerar uma herança colonial positiva, digna de ser celebrada, porque dotada de uma força emancipadora e capaz de criar a unidade que o Brasil necessitou para se constituir numa nação independente.

    Ora, é este tipo de revisionismo historiográfico que me assusta, por três diferentes razões. Primeiro, porque faz parte de um modo de manipulação pública do passado feito ao sabor das comemorações e de lógicas nacionalistas, por parte de quem tem responsabilidades políticas na formação de uma opinião pública e capacidade de decisão. Ora, os historiadores brasileiros, de Caio Prado a Maria Odila Leite da Silva Dias e a Luiz Felipe de Alencastro, têm procurado demonstrar que importa desvincular o estudo do processo de formação da nacionalidade brasileira, nas primeiras décadas do século XIX, da imagem tradicional da colónia em luta contra a metrópole. A instalação da corte no Rio de Janeiro em 1808 e os interesses das elites escravocratas é que foram preponderantes no processo de independência do Brasil. A este respeito, Lula não andou assim tão longe da razão histórica ao apontar o dedo às elites brtasileiras.

    A segunda razão prende-se com a comparação entre heranças coloniais. O argumento segundo o qual uma política de proibição de universidades nas colónias criava formas de identidade mais unificadas foi particularmente utilizado nos círculos oficiais do Estado Novo. Os estudantes provenientes das colónias, não dispondo de universidades nos seus territórios de origem (também chamados províncias) eram obrigados a vir estudar para a metrópole com o objectivo oficial de aqui adquirirem uma visão unitária do Império (ou de um Mundo Português que se pretendia multicultural). Pouco importa que esta política de estrangulamento do ensino universitário, a bem da unidade, tivesse desencadeado reivindicações por parte das colónias, no sentido da criação de universidades naqueles territórios, e suscitado por parte dos estudantes coloniais movimentos de revolta, alguns deles organizados em torno da Casa dos Estudantes do Império e suas respectivas delegações. O certo é que o que estava em causa nessa mesma política colonial eram os mecanismos de controlo das populações, incluindo dos seus estratos mais jovens e letrados, sobretudo quando se tratava de grupos com um potencial de resistência ao Estado colonial.        

    Por último, no século XXI, a defesa de comunidades imaginadas à escala nacional, investidas de sentimentos patrióticos de emancipação, e de instituições com uma memória de séculos,  não poderá continuar a ser feita com base em mitos e em operações de manipulação do passado. Mais: estou em querer que existe uma intenção cada vez maior, por parte das instituições, destinada a desenvolver políticas de investigação, a pretexto da comemoração  de instituições e do denominado passado nacional. Em Portugal, por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Instituto Diplomático, deu o exemplo claro de uma nova atitude ao lançar programas de pesquisa relacionados com a história da escravatura. Será, agora, também necessário que se aprofundem os conhecimentos em Portugal sobre a história do Brasil, procedendo-se à sua divulgação. Só assim se poderão encontrar bases mais seguras para o estabelecimento de relações entre portugueses e brasileiros, acabando com as ideias míticas que vivem da manipulação dos factos do passado.

    * Historiador, Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa

  5. Anna Dutra

    27 de dezembro de 2015 11:29 am

    Nassif, a lama na política não é no Rio. É no Brasil.
    http://tijolaco.com.br/blog/32931-2/

    grifo e ênfase meus. Será que sobe?

    Nassif, a lama na política não é no Rio. É no Brasil

    POR FERNANDO BRITO · 27/12/2015

    Os leitores deste blog sabem que aqui já passamos do tempo do Torneio Rio-São Paulo, do Roberto Gomes Pedrosa e hoje estamos mesmo é no Brasileirão.

    Campeonato Estadual, o Vasco ganhou e acabou rebaixado, apesar da reta final assombrosa que fez.

    Pois não é que o querido Nassif, olho atento e coragem constante em tanta coisa importante, foi sondar a lama que é a política do Rio de Janeiro e acabou com o pé atolado?

    Porque a lama na política não é no Rio de Janeiro, é a lama na política. Ponto.

    No Rio, em São Paulo, em Minas, no Paraná. Até no Rio Grande do Sul, onde isso demorou um pouco mais a acontecer, aconteceu.

    Não há nenhum problema em Pezão ser de Piraí, uma simpática vilazinha ao lado da Via Dutra, como não havia em Garotinho ser de Campos – apesar do ditado maldoso que com campista, nem fiado, nem à vista – como não há mal em Geraldo Alckmin ser de Pindamonhagaba.

    Há alguém mais paulista que o carioca Fernando Henrique Cardoso?

    Ou mais carioca que o Chico Buarque, que mal nascido aqui foi para São Paulo, de lá para a Itália e voltou rapaz para Sampa outra vez?

    O que acontece com o Rio, Nassif, é que fomos envenenados, mais que qualquer lugar, pela Globo, que nos pasteurizou e homogeneizou, culturalmente.

    Quem esteve no poder aqui, Nassif, muito mais do que qualquer eleito, foi ela.

    Nossa virtude, que são as diversidades – mar/montanha, pedra/água; pobre/rico –  que se roçavam  no espaço e no tempo, iam gerando a miscigenação que é geral, mas aqui se antecipava: praia, areia, mulatos.

    Pena o doido do Darcy não estar mais aqui para levar um papo sobre isso. O último “maluco beleza” dos cariocas parece ter sido o gaúcho de Carazinho, o Brizola.

    O Rio, como a Roma do Fellini, já foi a cidade aberta, onde o poder convivia de perto com as utopias,  e está deixando de ser.

    O pragmatismo, que é mortal para o sonho, venceu sua vitória minúscula.

    Tanto que o Garotinho usou, Deus me perdoe,  como música de campanha aquele horrendo “eu só quero saber/do que pode dar certo/não tenho tempo a perder”, do “Go Back”, dos  paulistíssimos Titãs, que involuntariamente, creio eu, fizeram um hino apropriado pelo pragmatismo .

    O artigo de Nassif tem razão em quase tudo, menos num ponto, que faz toda a diferença.

    Não é no Rio, é no Brasil. E por isso me poupo de falar em Malufs, Pittas, Adhemares, Hucks, Datenas e outros que tais.

    Como me poupo de descer a análises, muito bem feitas, aliás, pelos comentaristas do próprio site do Nassif, que atrai gente de alta capacidade de raciocínio, como tem o seu autor.

    O Nordeste não vota em Dilma porque é revolucionário, mas porque é pobre e sente que o projeto que chegou ao poder com Lula é do seu lado.

    São Paulo não vota no Aécio porque ele é paulista, mas porque ele é o perseverar dostatus quo.

    O Rio não vota no Sérgio Cabral e no Pezão – aliás, pessoalmente, um sujeito afável enfiado na máquina grotesca do PMDB -, vota porque a esquerda do Rio de Janeiro não se apresenta de cara limpa faz tempo.

    Aliás, do “purismo” que assumiu seu lugar, de bom, mesmo, só veio o Jean Willys, um sujeito que respeito por sua permanente coerência e combatividade.

    A tragédia política do Rio de Janeiro, Nassif, é a tragédia política do Brasil.

    Mídia e dinheiro, dinheiro e mídia.

    Não sei, sinceramente, se nos cabe ser mais uma federação, antes um refúgio da oligarquia e hoje um refúgio dos organismos oligárquicos sustentados pelo dinheiro.

    Seria o ideal, por nosso tamanho e  diversidade, ainda que minguante.

    Mas é de recordar que dinheiro e mídia, mídia e dinheiro, cada vez mais têm menos fronteiras e divisas. E mais poder.

  6. Jaide

    27 de dezembro de 2015 12:55 pm

    Gostei do que falou Cacá

    Gostei do que falou Cacá Diegues comentando a agressão à Chico Buarque. Destaco:

    “É preciso reconhecer que Dilma Roussef não fez um só gesto e nem emitiu uma única frase que enfraquecesse a democracia.”

    Isso é verdade e, convenhamos,  NÃO É POUCO.

     

  7. jns

    27 de dezembro de 2015 9:46 pm

    A violência continuada

    Turista alemã é vítima de violência sexual em Jericoacora, no Ceará

    A jovem contou que passeava com um amigo austríaco pelas dunas da praia na noite de Natal quando foi atacada por um homem que a estuprou e roubou

     Agência Estado | 27/12/2015

    Uma turista alemã de 24 anos registrou Boletim de Ocorrência por violência sexual na Delegacia de Sobral (CE), a 240 quilômetros de Fortaleza. A jovem contou que passeava com um amigo austríaco pelas dunas da praia na noite de Natal quando, por volta das 4h da madrugada, foi atacada por um homem que a estuprou e levou sua máquina fotográfica, telefone celular e R$ 400,00.

    Segundo a turista, o homem estava de bermuda, sem camisa e de mochila. Ele era moreno, cabelo curto e liso, com estatura mediana. Ela contou ainda que o amigo austríaco nada pôde fazer para evitar o estupro.

    A jovem está em Jericoacoara desde 22 de dezembro e pretende voltar para a Alemanha tão logo saia o laudo do exame. A Polícia aguarda o resultado para abrir o inquérito, mas já começou as buscas para prender o estuprador que, suspeita-se, seja um nativo de Jericoacoara.

    No Natal de 2014, também em Jericoacoara, a turista italiana Gaia Molinari morreu estrangulada perto de Pedra Furada, em Jeri. A principal suspeita da morte foi a professora brasileira Mirian França, que passou 16 dias presa, mas foi solta por falta de provas. Mesmo depois de um ano do ocorrido, a Polícia ainda não conseguiu esclarecer o caso.

    Também não foi encontrado o turista argentino Leonardo Ludicello, de 30 anos. Ele acampava em Jeri e o último contato feito com a família foi em 9 de julho passado, quando pediu a passagem de volta para Buenos Aires. No dia 14 de julho, sua barraca foi incendiada.

    Segundo a polícia, o argentino foi visto em um posto de combustível em Sobral em 7 de outubro, com destino a Lençóis Maranhenses (MA). Ele chegou ao Brasil em 17 de março, onde ficou por três meses na Praia da Pipa (RN). Depois seguiu para Jeri, onde desapareceu.

    Fonte:

    http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2015/12/27/internas_polbraeco,512129/turista-alema-e-vitima-de-violencia-sexual-em-jericoacora-no-ceara.shtml

  8. alfeu

    28 de dezembro de 2015 1:07 am

    *

    Carta Capital

     

    Uma cartada a favor dos bancos

    O BC quer impedir o Cade de apurar crimes cometidos pelo sistema financeiropor André Barrocal — publicado 27/12/2015 00p3Marcelo Camargo/ABrTombini

    Tombini, do Banco Central, contra Carvalho, do Cade

      

    O escândalo internacional do cartel do câmbio ressuscitou uma velha disputa brasileira. Desde julho na mira das autoridades antitruste locais, 15 instituições financeiras contam até aqui com um aliado no governo. Em debates a portas fechadas e com recados públicos sutis, o Banco Central às vezes parece atuar como advogado dos investigados.

    Contesta o direito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica de investigar a banca e afirma ser “praticamente impossível” manipular o dólar oficial. E tentou arrancar do Palácio do Planalto uma lei capaz de liquidar as apurações em curso no Cade.

    Há mais de dois anos estuda-se no governo a ideia de autorizar o BC a selar acordos de leniência com instituições financeiras flagradas em irregularidades.

    Nesses acordos, uma empresa confessa seus crimes, entrega os comparsas e em troca consegue benefícios penais e anistia de multas. O Cade pode aceitar delações premiadas graças a uma lei de 2011 e, por causa dela, nasceu a apuração do cartel do câmbio.

    Após essa investigação começar, as conversas sobre acordos de leniência do Banco Central foram apressadas na área econômica. No fim de setembro, uma proposta chegou ao Planalto, com o pedido para Dilma Rousseff decretar uma medida provisória.

    Pelo texto, só o BC poderia abrir e comandar processos administrativos contra agentes do sistema financeiro, incluídos aí os casos de formação de cartel, como esse do câmbio. Se a MP vingasse agora e nesses termos, detonaria um imbróglio jurídico, com os bancos gratos por ganhar de Brasília uma arma para melar as apurações do Cade e negociar com quem, digamos, os compreende.

    Em reuniões na Casa Civil para discutir a MP, porta-vozes da autoridade monetária rejeitaram todas as sugestões de incluir no texto um dispositivo que liberasse o Cade para vigiar os bancos em parceria com o BC quando estivesse em jogo a livre concorrência.

    O órgão antitruste não foi menos inflexível. Consta que seu presidente, Vinicius Marques de Carvalho, ameaçou pedir demissão, se levasse a pior. Diante do impasse, o Planalto resolveu deixar a medida provisória de lado, ao menos por enquanto. Uma derrota para Alexandre Tombini e companhia.

    Disputa de competências à parte, o xerife da concorrência e a autoridade monetária não estão na mesma sintonia nem mesmo sobre a existência de um cartel mundial de câmbio com impactos no Brasil, outro exemplo de como a turma na mira do Cade está coberta de motivos para torcer pelo Banco Central.

     

    CarvalhoEm jogo, o acordo de leniência com instituições acusadas de manipular o real (Valter Campanato/ABr)

     

    O BC esforça-se por convencer a plateia, no governo e fora, de que é “praticamente impossível” manipular a taxa de câmbio oficial brasileira, a Ptax, calculada todos os dias pela instituição com base nas transações diárias com dólar comunicadas pelo “mercado”.

    Seu diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, defendeu essa posição no Senado em outubro. Segundo o Banco Central, há no máximo “indícios de tentativa de atuação em conluio” na fixação de spreads, porcentual de lucro obtido pelos negociantes com a diferença entre o valor de compra e o de venda de dólar.

    Posição curiosa, mais realista do que o rei. Das 15 instituições na mira do Cade por suspeita de cartel, cinco fecharam, em maio, um acordo com autoridades americanas para se livrar de processos criminais instaurados, entre outras razões, pela irregularidade investigada aqui, manipulação do câmbio.

    Barclays, Citigroup, JP Morgan, Royal Bank of Scotland e UBS confessaram a culpa e toparam pagar multas somadas de mais de 5 bilhões de dólares.

    A apuração no Brasil surgiu, inclusive, de um acordo de leniência do Cade com uma das instituições multadas nos EUA. Para merecer os benefícios da delação, o suíço UBS teve de admitir sua culpa.

    Entre os demais investigados, estima-se que quatro estão em fase de negociação de um Termo de Compromisso de Cessação, uma leniência menos atraente. O TCC garante redução de multas, não anistia e não os protege de ações penais.

    Se um dos termos for assinado, será mais fácil provar o cartel. E os bancos que preparem o bolso. As multas no Cade e as ações de indenização prometidas pelos exportadores devem ultrapassar a casa do bilhão de reais.

    A briga entre o Cade e o BC pela vigilância do sistema financeiro vem de longe. Historicamente, o Banco Central considera o setor como de sua alçada. Se há banco envolvido com fusão, aquisição e conduta contrária à livre concorrência, quer a primazia total para investigar. O órgão antitruste rebelou-se contra isso no governo Fernando Henrique Cardoso e não se aquietou mais.  Procurado, o BC não se pronunciou.

    O pontapé do conflito foi a compra do antigo Banco de Crédito Nacional pelo Bradesco, em dezembro de 1997, aquisição aprovada pelo BC, que não viu riscos para o funcionamento do sistema financeiro, embora não tenha sido examinada pelo Cade em seus aspectos concorrenciais.

    Em 2001, o então advogado-geral da União, Gilmar Mendes, assinou um parecer ao gosto da equipe econômica comandada à época por Pedro Malan. Na briga com o Cade, o BC tinha razão, segundo Mendes. Mesmo ratificado por FHC, o parecer não acalmou o órgão antitruste.

    Dias após o parecer, chegou à análise do Cade uma proposta para desfazer a joint ventureBCN Alliance, na qual o Bradesco entrara ao adquirir o Banco de Crédito Nacional. O Cade aproveitou a chance e aplicou uma multa de 127 mil reais no Bradesco por este não tê-lo acionado quando da aquisição do concorrente.

    A multa desencadeou uma batalha judicial sem fim, cujo pano de fundo é a definição sobre qual órgão federal tem a competência para examinar práticas anticoncorrenciais no sistema financeiro. O caso está no Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro José Dias Toffoli.

     http://www.cartacapital.com.br/revista/881/uma-cartada-a-favor-dos-bancos    

  9. alfeu

    28 de dezembro de 2015 1:24 am

    *

    Esquerda.net

     

     

    Como é que 19 grandes multinacionais planeiam ganhar dinheiro com a crise climática

     De acordo com algumas das maiores empresas do mundo, futuros desastres também podem apresentar oportunidades de negócios lucrativos. Artigo de Jeremy Schulman, publicado em Mother Jones.26 de Dezembro, 2015 – 23:52h 

    As alterações climáticas terão consequências aterradoras. Os peritos já previram de tudo, desde ondas de calor mortais e inundações devastadoras à queda da produção agrícola e até mesmo aumento da instabilidade política e violência. Mas, de acordo com algumas das maiores empresas do mundo, esses desastres futuros podem também apresentar oportunidades de negócios lucrativos.

    Numa notável compilação de documentosentregues a uma organização sem fins lucrativos com sede em Londres chamada CDP, grandes empresas descrevem o aquecimento global como uma oportunidade para vender mais armamento para as forças armadas, mais aparelhos de ar condicionado para os civis em sufoco, e mais medicamentos para as pessoas atingidas por doenças tropicais. A CDP, que significa “Carbon Disclosure Project”, pede às empresas de todo o mundo que divulguem informações sobre as suas emissões de gases de efeito estufa e sobre como a mudança climática terá impacto nas suas operações. A cada ano, milhares de empresas enviam as suas respostas. Abaixo, compilamos uma lista de alguns dos mais marcantes e, em alguns casos, perturbadores, cenários colocados por essas empresas.

    É importante ter em conta que estas empresas não anseiam pelo aquecimento catastrófico. Nos mesmos documentos, assinalam enormes riscos que a mudança climática representa para a humanidade – e para os seus lucros. Muitas também tomaram medidas significativas para reduzir as suas próprias emissões de carbono. Ainda assim, o facto de as empresas terem passado muito tempo a pensar sobre as oportunidades de negócios que podem surgir com o aquecimento globalressalta o quão colossal será o efeito de uma mudança climática nas nossas vidas.

    Defesa e vigilância das fronteiras

    Os republicanos recentemente ridicularizaram o presidente Barack Obama e o senador Bernie Sanders por estes dizerem que a mudança climática representa uma ameaça à segurança nacional. Mas os políticos democratas não são os únicos que fazem esta ligação. Em 2014, a CNA Military Advisory Board, um grupo de generais e almirantes norte-americanos aposentados, advertiu que o impacto do aquecimento global “vai servir como catalisador de instabilidade e conflito”. Saab, uma empresa de defesa sueca (e ex-empresa mãe da fabricante de automóveis em dificuldade), concorda. No documento enviado à CDP, a empresa cita o relatório do CNA e acrescenta que a mudança climática pode “induzir mudanças nos recursos naturais como a água, petróleo, etc, que podem resultar em conflitos no interior dos países já instáveis”, bem como a desflorestação e pesca ilegal e tráfico de droga. A Saab vê esses perigos como uma oportunidade de negócio que irá resultar num “aumento do mercado de soluções de segurança civil e militar.” Como exemplo, a empresa aponta o seu Sistema de Radar Erieye, que “trabalha num ambiente denso de guerra eletrónica hostil” e é “capaz de identificar amigos ou inimigos”.

    Raytheon, o fornecedor de serviços de defesa com sede em Massachusetts, advertiu num documento enviado à CDP em 2012 que a mudança climática pode “causar desastres humanitários, contribuir para a violência política, e minar governos fracos”. A empresa escreveu que espera assistir ao aumento da “procura pelos seus produtos e serviços militares à medida que vão surjindo problemas de segurança na sequência das secas, inundações e tempestades que resultam da mudança climática”. A United Technologies Corporation, com sede em Connecticut, cita argumentos que assinalam que uma seca devastadora contribuiu para a instabilidade na Síria. A multinacional refere que helicópteros fabricados pela sua empresa Sikorsky (que já foi vendida à Lockheed Martin) foram “mobilizados durante deslocamentos populacionais e crises humanitárias”, e que, no ano passado, apoiou os esforços militares dos EUA para “mitigar deslocamentos populacionais na Síria”. Cobham, uma empresa britânica que fabrica sistemas de vigilância, afirmou num documento da CDP de 2013 que “as mudanças nos recursos e habitabilidade dos países [sic] poderiam aumentar a necessidade de vigilância das fronteiras, devido à migração da população”.

    Segurança face a “conflitos sociais”

    Empresas de segurança privada também veem oportunidades nas alterações climáticas. A G4S, uma empresa com sede em Londres, que opera em todo o mundo, disse que à CDP que o clima extremo é uma fonte potencial de negócios. A empresa implantou centenas de agentes de segurança para proteger os seus clientes após o furacão Katrina, e enviou representantes para o Nordeste na sequência da super tempestade Sandy. A G4S também vê oportunidades financeiras na resposta a desastres humanitários, tais como secas e fome no mundo em desenvolvimento. Atualmente, a empresa fornece serviços de segurança nos campos de refugiados no Quénia, que são o lar de centenas de milhares de pessoas, incluindo muitos que fugiram de conflitos e à seca. A G4S diz as Nações Unidas “estimam que o planeta terá 50 milhões de refugiados ambientais”. (Aparentemente, as Nações Unidas recuaram nesta previsão particular; de acordo com o seu Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas [PDF], “não há estimativas globais consistentes de deslocamento futuro”).

    Monitorização, resposta, e reconstrução face a eventos climáticos extremos

    De acordo com a Raytheon, os possíveis impactos da mudança climática, incluindo furacões, tornados, tempestades severas, e elevação dos mares – poderiam apresentar oportunidades para vender os seus “serviços de satélites meteorológicos, radares e tecnologias de detecção, resposta a desastres, segurança interna, e comunicações de emergência, bem como tecnologias de energia alternativa”. Cobham antecipa oportunidades de fornecimento de câmaras para monitorizar inundações repentinas, “grandes antenas” para condições climáticas extremas, e sistemas de comunicação de emergência para “áreas onde as tempestades severas destruíram infraestruturas de comunicações”. A 3M, empresa com base no Minnesota, diz que vende uma série de produtos que podem ser usados para proteger edifícios durante condições meteorológicas extremas e para reconstruir depois de uma tempestade.

    Vias de navegação e viagens

    Um dos desenvolvimentos climáticos mais marcantes nos últimos anos tem sido a abertura de rotas de navegação do Árticoque já estiveram obstruídas pelo gelo do mar durante todo o ano. A Hanjin, uma grande empresa de transporte sul-coreana, reconheceu num documento da CDP de 2014 que uma nova rota polar seria uma “consequência trágica” da mudança climática. Mas a empresa acrescentou que o derretimento do Ártico também traria benefícios ambientais e financeiros: permitiria ao setor marítimo “reduzir drasticamente as emissões de CO2 e reduzir o tempo de viagem em 1/3”.

    O aquecimento global pode ter alguns benefícios para as empresas que se especializam no transporte de turistas, também. De acordo com a Carnival, “a mudança na temperatura média poderia abrir novas rotas e portos” para os seus navios de cruzeiro, enquanto que “alterações na precipitação [podem] tornar alguns portos mais atraente”.

    Extração de mais petróleo

    As empresas de energia há muito tempo que encaram o degelo no Ártico como uma oportunidade para extrair petróleo e gás anteriormente inacessíveis. Isso não tem funcionado bem até agora. Em setembro, a Royal Dutch Shell anunciou que estava a terminar o seu dispendioso projeto de exploração no Ártico. Mas a Chevron ainda está otimista. “Se a tendência atual de aquecimento global for sustentada, o acesso e a economia da produção de petróleo e gás da Chevron no ártico poderá melhorar”, afirma a companhia petrolífera com sede na Califórnia, no seu documento da CPD. “Os maiores efeitos estarão associados a uma extensão para o período de funcionamento de verão, que tendem inicialmente a favorecer o acesso e os custos das operações de exploração em muitas bacias árticas”.

    Proteção face a ondas de calor mortais

    Num relatório do ano passado, um painel copresidido pelo ex-autarca de Nova York Michael Bloomberg, o bilionário ambientalista Tom Steyer, e o ex-secretário das Finanças Henry Paulson advertiram sobre os riscos colocados por temperaturas mais elevadas:

    Em meados deste século, o americano médio provavelmente vai ter mais 27 a 50 dias com temperaturas de mais de 35°C a cada ano – duas ou três vezes mais do que aquilo que tem sido registado nos últimos trinta anos. Até o final deste século, esse número provavelmente vai chegar a mais 45 a 96 dias com temperaturas acima dos 35°C a cada ano, em média.

    Essa é uma oportunidade para a United Technologies, que, além dos produtos de defesa, fabrica ar condicionado, refrigeração e sistemas de eficiência energética. “Anualmente, os eventos de calor extremo matam mais americanos do que quaisquer outros eventos relacionados com o meio ambiente, e um aumento dos eventos climáticos extremos, como resultado da mudança climática, está previsto para muitas partes do mundo”, afirma a empresa. “A UTC acredita que mudanças em temperaturas extremas irá resultar numa necessidade de edifícios e outras estruturas energeticamente mais eficientes, especialmente refrigeradores e unidades de refrigeração … Prevemos que essa procura seja global, com fortes aumentos em zonas tropicais e algumas zonas temperadas”. De acordo com a UTC, “as vendas de ar condicionado aumentaram mais de 20% por década no mundo em desenvolvimento entre 1990-2010, em resposta ao aumento das temperaturas e aumento da riqueza”. A UTC acredita que essas tendências podem levar a 5 mil milhões de dólares face a um novo aumento da procura nas próximas duas décadas. A Halliburton também vê oportunidades relacionadas. A empresa de serviços petrolíferos afirma que poderá registar um aumento das receitas face ao aumento da necessidade de recursos energéticos para “aumentar a refrigeração e/ou o aquecimento”.

    Combater a queda da produção agrícola e a fome

    Os especialistas alertaram que o aumento das temperaturas e mudanças nos padrões das chuvas podem reduzir o rendimento das colheitas em partes vulneráveis do mundo, tornando difícil alimentar uma população em crescimento. As empresas de biotecnologia estão a concorrer para desenvolver produtos que resolvam este problema. A Monsanto, por exemplo, diz que os seus produtos poderiam ajudar os agricultores a “responder ao aumento das necessidades alimentares à medida que os recursos naturais disponíveis tornam-se mais limitados”. A Bayer observa que a sua divisão de ciências da colheita está a usar “abordagens químicas e modernas de aperfeiçoamento de plantas” para resolver os danos agrícolas que se prevê serem causados por “um aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos, como inundações, secas, calor, frio e tempestades”.

    Do lado dos consumidores, a Campbell Soup Company identifica “crescentes necessidades humanitárias” relacionadas com o clima como uma oportunidade significativa – que vai permitir à empresa “alavancar os seus ativos principais para proporcionar resposta a essas necessidades”. Além de doar dinheiro e comida diretamente às causas humanitárias, a Campbell destaca um programa atual, em que uma das suas marcas doa um batido para uma criança carente por cada quatro smoothies que vende. Segundo a Campbell, este tipo de promoções “pode render milhões de dólares à empresa”.

    Combater doenças relacionadas com o clima

    As alterações climáticas representam uma série de graves riscos para a saúde pública, e a indústria farmacêutica deu, certamente, conta disso. A Walmart, por exemplo, acredita que poderá enfrentar uma procura crescente por medicamentos prescritos devido ao “aumento da exposição ao pólen ou problemas de saúde causados pelas alterações climáticas” (o grupo tem o cuidado de referir que vê sobretudo a mudança climática, que um porta-voz apelida de “desafio urgente e urgente”, como um risco).

    Várias empresas farmacêuticas acreditam que o aumento das temperaturas, a alteração dos padrões de precipitação, e a degradação das condições meteorológicas extremas poderão aumentar a propagação de doenças tropicais que são transmitidas por mosquitos, como a malária e o dengue. No seu documento da CDP, a Bayer cita uma estimativa que aponta que a mudança climática poderá resultar num aumento de 40 milhões a 60 milhões de pessoas que estão a ser expostas[PDF] a estas doenças. A empresa prevê o aumento da procura pelos seus mosquiteiros e outros produtos de controlo do mosquito, especialmente se a malária atingir o mundo desenvolvido. A GlaxoSmithKline também prevê que as alterações climáticas poderão afetar a procura pelos seus produtos anti-malária e observa que, se “as vendas da empresa subirem 1%, o seu volume de negócios crescerá cerca de £ 300 milhões [cerca de 446 mil dólares]”. Um porta-voz da GSK acrescentou, no entanto, que a empresa está a desenvolver uma vacina contra a malária que irá oferecer às crianças africanas a um “preço sem fins lucrativos”, e que, em algumas situações, as mudanças climáticas poderão, na verdade, reduzir a procura por produtos da empresa.

    A Novartis, que produz vários medicamentos para a malária e o dengue, aponta que forneceu milhões de doses para as autoridades de saúde de África a um preço sem fins lucrativos. Mas, como refere a empresa, “as empresas que vendem esses medicamentos vão tornar-se mais rentáveis se as doenças se espalharem para países mais desenvolvidos e mais ricos”. Um grupo de especialistas duvida que tal aconteça, pelo menos no caso da malária. Eles argumentam que fatores como o desenvolvimento económico e a infraestrutura de saúde pública são muito mais importantes do que o clima no controlo da malária. Ao ser confrontado com um pedido de esclarecimentos, um porta-voz da Novartis afirmou que temperaturas mais elevadas e o agravamento de fenómenos climáticos face à mudança do clima poderá “levar a grandes inundações, crises e desafios sociais, o que poderá permitir que doenças vetoriais se espalhem ainda mais”. Ainda assim, acrescentou, a Novartis concorda que é pouco provável que a malária se espalhe pelo mundo desenvolvido.

    As empresas farmacêuticas também enumeram outras ameaças para a saúde. A GSK adverte que a mudança dos padrões de precipitação e o aumento dos eventos climáticos extremos poderão “afetar a propagação de doenças transmitidas pela água” e respiratórias e doenças diarreicas, criando a necessidade de “uma maior prevenção de doenças e mais tratamentos de doentes”. Estes problemas poderão ser especialmente graves nos países mais pobres, de acordo com o porta-voz da GSK. No seu relatório à CDP, a Merck diz que está a investigar os impactos negativos que as temperaturas mais elevadas poderão ter sobre as vacinas.

    Gelados!

    O aumento das temperaturas não aumenta apenas a procura por unidades de ar condicionado e melhores vacinas. De acordo com a Nestlé, também pode impulsionar as vendas de “produtos refrescantes, como gelados e água engarrafada”. A Nestlé observa que, em 2014, a Terra experimentou o seu verão mais quente de que há registo (até 2015, pelo menos) e que uma série de concessionárias locais da empresa tiveram um bom desempenho nesse ano. Então, que impacto tem o calor? “O aumento da procura por água engarrafada e gelados, resultante do aumento da temperatura, pode traduzir-se em vendas adicionais de CHF 100 milhões por ano”, diz a Nestlé. No caso de não estar familiarizado com a taxa de câmbio para francos suíços, trata-se de cerca de 100 milhões de dólares.

     

    Artigo publicado em Mother Jones.
    Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net

     

    http://www.esquerda.net/artigo/como-e-que-19-grandes-multinacionais-planeiam-ganhar-dinheiro-com-crise-climatica/40311

     

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