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“Jumentinho italiano” e “Dona Anta”: quando as brigas de botequim chegam às colunas de economia
publicado em 24 de dezembro de 2015 às 00:44
Arnaldo Jabor da economia. Não solta análises: faz pregações. E com um estilo debochado que impressiona seus colegas, menos pelo conhecimento, mais pela falta de compostura em uma comunidade em geral menos disposta a brigas de botequim (Por Luis Nassif, em seu blog, ao repudiar ação movida pelo Banco Central contra Schwartsman, que foi arquivada)
Sem saída, os mercados implantam o terror. Contam para isso com a preciosa ajuda da grande mídia impressa e rádio-televisiva e dos doutos pensadores da universidade, onde a cartilha ortodoxa tem domínio quase absoluto. Seu poder de influência é efetivo, pois, em parte, eles podem “produzir” os resultados mentirosos que alardeiam e difundem. Já vimos esse filme em 2002 e vimos também que consequências danosas ele teve, pois o terrorismo econômico foi funcional mesmo após as eleições, levando um governo supostamente de esquerda a ser mais realista que o rei e a “beijar a cruz” do neoliberalismo. (Trecho de artigo de Leda Paulani, de outubro de 2014, em que fala sobre ‘terrorismo econômico
“…havia até uma Leitoa afirmando que era tudo ‘terrorismo econômico’” (Trecho de artigo de Schwartsman na Folha — em que ele se refere a Leda Paulani)
“Pedimos licença a Immanuel Kant para tomar de empréstimo, sem juros e nenhuma indexação, um excerto do celebrado O Que É o Iluminismo?: Dogmas e fórmulas, instrumentos mecânicos do uso racional, ou antes, do mau uso dos seus dons naturais são os grilhões de uma minoridade perpétua”. (Trecho da coluna Estratosférica Teimosia, em CartaCapital, co-autoria de Beluzzo, em que um relatório assinado por Schwartsman é criticado, sem menção nominal ao autor)
“Dado seu conhecido desrespeito à aritmética, não me espanta que a incompetência do Dr. Bellezza tenha conseguido mandar o Palmeiras para a Segundona. Difícil é entender como ainda permitem que ele insista em fazer o mesmo com o Brasil” (Schwartsman sobre Belluzo, em coluna na Folha
Ao jornal Folha de S. Paulo
da Plataforma Política Social
Nós, abaixo assinados, vimos a público protestar veementemente contra a vileza de Alexandre Schwartsman (“O Porco e o Cordeiro”, Folha de S. Paulo, 16/12/2015), que atinge de forma acintosa a professora Leda Paulani e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, com quem o colunista mantém divergências públicas no campo das ideias, aludidos covarde e indiretamente como “Leitoa” e “Porco”.
A agressão é duplamente vil, porque, cifrada, só pode ser compreendida pelas pessoas que tenham conhecimento de outras ofensas, igualmente violentas, perpetradas pelo mesmo colunista aos dois professores.
A falta de decência também se manifesta no chamar de “jumentinho italiano” e de “Dona Anta” duas autoridades legítimas de governo eleito e democrático.
Em geral, tal tipo de vilania merece ser desconsiderado, pois visa sempre a estampar manchetes, às quais não logra o agressor chegar por mérito, talento ou conhecimento. Mas há limites até para a sordidez!
Repudiamos o desrespeito no plano pessoal, a intolerância inadmissível no plano da disputa política democrática e a violação de todas as regras elementares do debate plural e civilizado de ideias.
Repudiamos também a conivência da Folha de S.Paulo e do respectivo editor na prática de tamanha torpeza, transgredindo o código de ética que o próprio jornal afirma seguir.
Assinaturas:
Ademir Aparecido Paschoa, produtor.
Adriana Nunes Ferreira, economista.
Adriano Biava, economista.
Airton Paschoa, escritor.
Alcides Goularti Filho, Unesc.
Alcides Silva de Miranda, Professor Associado – Cursos de Graduação, Pós-graduação e Laboratório de Apoio Integrado em Saúde Coletiva – UFRGS.
Amilton Jose Moretto, economista.
Ana Mesquita, economista.
Ana Rosa Ribeiro de Mendonça, professora do IE/Unicamp.
Ana Tereza da Silva Pereira Camargo, médica, Diretora Administrativa do CEBES.
Anderson Henrique dos Santos Araújo, professor, Universidade Federal de Alagoas.
Andre Lázaro, professor da UERJ e pesquisador da Flacso-Brasil.
André Martins Biancarelli, professor e diretor associado do Instituto de Economia (IE/Unicamp).
André Paulani Paschoa, Advogado.
Andrés Vivas Frontana, economista, professor de Economia da ESPM e da Fecap.
Anivaldo Padilha, presidente do Fórum 21.
Antônio do Amaral Rocha, jornalista e editor, São Paulo.
Antonio Prado, economista.
Antonio Tadeu Oliveira, demógrafo.
Barbara Fritz, director of the Institute for Latin American Studies (Freie Universität Berlin).
Bruno de Conti, economista.
Camila Gripp, pesquisadora, The New School for Social Research.
Carlos Alonso B. de Oliveira, economista.
Carlos Eduardo Silveira, economista.
Carlos Salas, economista.
Ceci Vieira Jurua, economista.
Celso Amorim, diplomata.
Christy Ganzert Pato, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul.
Cilaine Alves Cunha, professora de literatura brasileira (FFLCH/USP).
Claudio Castelo Branco Puty, professor UFPA e secretário executivo do Ministério do Trabalho e Previdência.
Cornelis Johannes van Stralen, psicologo social e cientista político, professor aposentado da UFMG.
Dainis Karepovs, historiador.
Daniel Brazil, roteirista e diretor de TV.
Daniela Magalhães Prates, economista, professora associada do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisadora do CNPq.
Danilo Araujo Fernandes, professor da Universidade Federal do Pará.
Denis Maracci Gimenez, professor do Instituto de Economia da Unicamp.
Domingos Leite Lima Filho, Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Eduardo Fagnani, economista (IE/Unicamp).
Eleutério F. S. Prado, professor titular da USP.
Eli Iola Gurgel Andrade, professora associada da Faculdade de Medicina da UFMG.
Elias Jabbour, professor adjunto da FCE-UERJ.
Elizabeth Harkot de La Taille, professora associada, Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Departamento de Letras Modernas (FFLCH/USP).
Elizete Mitestaines, jornalista.
Emilio Chernavsky, doutor em Economia (FEA/USP).
Erminia Maricato, professora titular aposentada da USP.
Fabrício de Oliveira, economista.
Fernando Caldas, historiador, mestre pela USP.
Fernando Ferrari Filho, professor de Economia da UFRGS.
Fernando Nogueira da Costa, professor titular do IE-UNICAMP.
Fernando Rugitsky, professor da FEA/USP.
Francisco Alambert, professor de História (FFFLCH/USP). istóriaHist´roia
Francisco Luiz C. Lopreato, economista e professor do IE/Unicamp.
Francisco Menezes, economista.
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti, professor.
Frederico Gonzaga Jayme Jr., professor Economics Department, Cedeplar (UFMG).
Frederico Mazzucchelli, economista.
Gaudencio Frigotto, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Gema Martins, advogada.
Giorgio de Marchis, Università degli Studi Roma Tre, Dipartimento di Lingue, Letterature e Culture Straniere.
Guilherme Leite Gonçalves, professor de Sociologia do Direito da UERJ.
Guilherme Mello, economista.
Heloísa Fernandes, socióloga, USP.
Iná Camargo Costa, professora aposentada da USP.
Isabel Frontana, historiadora, mestre pela USP.
Isabel Loureiro, professora de Filosofia (UNESP).
Isabela Soares Santos, cientista social.
João Policarpo R. Lima, Departamento de Economia da UFPE/Pesquisador do CNPq
João Sayad, economista, professor da FEA/USP.
João Whitaker, professor livre-docente (FAU/USP) e secretário municipal de Habitação de São Paulo.
José Carlos Braga, economista.
Jose Dari Krein, economista.
José Esteban Castro, Newcastle University, Reino Unido.
Juan Pablo Painceira, economista, Banco Central do Brasil.
Julia Braga, professora associada da Faculdade de Economia da UFF.
Jurema Alves Pereira, assistente social, doutoranda (UERJ).
Laura Carvalho, professora da FEA/USP.
Laura Tavares, economista.
Lauro Mattei, professor de Economia da UFSC.
Lena Lavinas, professora titular do Instituto de Economia da UFRJ.
Lenina Pomeranz, professor da FEA/USP.
Léo Heller, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz.
Leonardo Boff, teólogo, professor emérito de ética da UERJ e membro da Iniciativa Internacional Carta da Terra.
Ligia Giovanella, médica, pesquisadora Fiocruz.
Luciana Vieira, economista.
Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira, psicanalista.
Luiz Eduardo Simões de Souza, Universidade Federal do Maranhão – PPGDSE.
Luiz Fernando de Paula, economista (UERJ).
Luiz Filgueiras, professor de Economia da UFBA.
Magda Biavaschi, desembargadora aposentada e pesquisadora CESIT
Manuela Lavinas Picq, Universidade San Francisco de Quito.
Marcelo de Carvalho, docente do Curso de Ciências Econômicas (Unifesp).
Marcelo Miterhof, economista.
Marcelo Weishaupt Proni, economista.
Márcio Lupatini, professor da UFVJM.
Marcio Pochmann, economista.
Marcio Sotelo Felippe, advogado.
Maria Augusta Bernardes Fonseca, professora universitária.
Maria Ciavatta, PPG-Educação Universidade Federal Fluminense.
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, professora do Departamento de Economia da Universidade de Brasília.
Maria Elisa Cevasco, professora (FFLCH/USP).
Maria Noemi de Araujo, psicanalista.
Maria Rita Kehl, psicanalista.
Marildo Menegat, professor (UFRJ).
Marina Macambyra, bibliotecária.
Mário da Costa Campos Neto, professor titular em Geologia Estrutural e Geotectônica do Instituto de Geociências (USP).
Maryse Farhi, economista.
Maurílio Maldonado, advogado.
Miguel Bruno, economista.
Nazareno Affonso- Urbanista e artista Plástico
Nelson Fernando de Freitas Pereira, médico.
Niemeyer Almeida Filho, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia e presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política.
Paula Motagner, economista.
Paulo Daniel e Silva, economista.
Paulo Sérgio Fracalanza, diretor do IE/Unicamp.
Paulo Henrique Furtado de Araujo, economista, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP).
Pedro Cezar Dutra Fonseca, professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS.
Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor associado (livre-docente) do Instituto de Economia/Unicamp.
Pedro Rafael Lapa, economista.
Pedro Rossi, economista.
Pierre Salama, Professor emeritus, economia, Universidade de Paris XIII
Potyara Pereira, professora da Universidade de Brasília.
Ramón García Fernández, professor (UFABC).
Raquel Raichelis, assistente social, professora da PUC/SP.
Remi Castioni, Faculdade de Educação (UnB).
Rennan Martins, jornalista e editor do Blog dos Desenvolvimentistas.
Ricardo Antônio de Souza Karam, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED/UFRJ).
Ricardo Musse, professor de Sociologia (FFLCF/USP).
Ricardo Oliveira Lacerda de Melo, professor associado da Universidade Federal de Sergipe/ Departamento de Economia.
Roberto Schwarz, professor de Literatura, Unicamp.
Rodrigo Pimentel Ferreira Leão, mestre em Desenvolvimento Econômico.
Ronaldo Coutinho Garcia, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Rosana Icassatti Corazza, economista, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.
Rosangela Ballini, Professora – IE/Unicamp
Rubem Murilo Leão Rego, professor (Unicamp).
Rubens Luis Ribeiro Machado Jr., professor da ECA/USP.
Rubens Sawaya, economista.
Salete de Almeida Cara, professora (FFLCH-USP).
Sandra Regina Alouche, professora universitária.
Sebastiao Velasco, IFCH/Unicamp.
Sérgio Alcides Pereira do Amaral, professor da Faculdade de Letras da UFMG.
Sérgio Rosa, bancário.
Silvio Antônio Ferraz Cario, economista e professor da UFSC (Campus Florianópolis).
Simone Deos, economista.
Solange Puntel Mostafa, professora da USP.
Tania Bacelar de Araujo, doutora em economia e professora aposentada da UFPE.
Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul.
Tiago Oliveira, economista, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp.
Vanessa Petrelli Corrêa, professora titular, IE/UFU.
Wagner Nabuco, editor da Caros Amigos.
Waldir Quadros, professor.
Walquiria Domingues Leão Rego, professora universitária, Unicamp.
Walter Belik, economista.
Wilson Cano, economista.
Wladimir Pomar, economista.
Mário Magalhães: O silêncio sobre o comportamento primitivo é conivente
publicado em 24 de dezembro de 2015 às 11:53
Usineiro milionário cobrou Chico por apartamento em Paris
Bronca com apê de Chico Buarque em Paris expõe intolerância e ressentimento
Mário Magalhães, em seu blog
23/12/2015 12:09
Pingos nos is: na essência, o que houve no Leblon na noite da segunda-feira não foi bate-boca.
E sim intimidação e provocação de um grupo de jovens adultos contra Chico Buarque, 71, e amigos com quem o artista passeava, depois de jantar.
Chico estava na dele.
O ato hostil decorre do que na cachola de intolerantes constitui delito de opinião.
A, B ou C? É o de menos. Poderia ser qualquer uma. O crime é ter e expressar opinião diversa.
“Você gravou um vídeo apoiando a Dilma”, disse em tom acusatório um dos participantes do cerco.
Diante da agressividade, Chico tentou esgrimir ideias. Pode-se concordar ou divergir dele. O inaceitável é levar uma dura por acreditar nisso ou naquilo.
O compositor que criou uma canção falando “no tempo da delicadeza” escreveu sobre um porvir que parece cada vez mais alucinação utópica.
“Você é um merda”, berrou um sujeito para ele.
A desqualificação do interlocutor é característica autoritária. O mal não é apenas o que o outro pensa, mas o outro. No fundo, trai a indigência de argumentos.
“Vai correr daqui já?”, urrou um valentão de ópera-bufa.
Como Chico é Chico, enquanto rostos vincados pelo ódio o miravam, ele reagia com sorrisos. Para quem odeia, o que dói mais é o sorriso.
Retrato do Brasil, os insultos no Leblon são herança de nossas raízes.
Não somos a terra de gente cordial, mas onde a escravidão foi mais longeva, onde a desigualdade obscena campeia, onde depois de vencidos adversários são decapitados (de Canudos ao Araguaia, passando pelo cangaço).
Os intolerantes de anteontem aparentemente não querem cortar a cabeça de ninguém.
Talvez somente arrancar as cordas vocais. Pensar até pode. Falar seria prerrogativa de quem pensa igual.
O surto na noite do Rio têm outras ascendências. Na Alemanha da década de 1930, os nazistas perseguiam também quem ousava dizer não.
Os intolerantes da segunda-feira formam no que um protagonista do Brasil republicano ironizava como “a turma do Jockey”. Núcleos de grã-finos que pretendem impor a qualquer preço ideias e interesses.
Outro traço distintivo é a vulgaridade de certa elite, como contemplado no vídeo que nasceu como documento histórico e antropológico (para assisti-lo, é só clicar aqui).
Já de início a abordagem a Chico Buarque foi vulgar, tomando árvores pela floresta: “Todo mundo era seu fã, Chico”.
Um dos intolerantes, Alvaro Garnero Filho, é rebento do empresário Alvaro Garnero. O pai “confirmou a presença do filho no episódio” e “disse que teve de explicar a Alvarinho quem era Chico Buarque“.
Quer vulgaridade e ignorância maiores que um marmanjo com acesso à educação e à cultura precisar de explicação, no século 21, sobre quem é Chico Buarque?
O milionário Alvaro Garnero é um dos herdeiros do grupo Monteiro Aranha.
A nau da intolerância guarda lugar para os ressentidos.
O mesmo indivíduo que chamou Chico Buarque de “merda” falou: “Para quem mora em Paris, é fácil”.
Vacilou: “Você mora em Paris, não mora?”
Chico mora ali pertinho, no Leblon.
Logo outro provocador emendou “Tem um apartamento lá em Paris. É gostoso Paris, né?”
A bronca com o apê de Chico em Paris é o vômito dos ressentidos.
No Marais ou na Île Saint-Louis, o autor de “Vai trabalhar, vagabundo” o comprou com dinheiro ganho honestamente.
Ao contrário de alguns brasileiros donos de imóveis na Europa, não recebeu de herança seu apartamento. E se tivesse?
Adquiriu-o com a grana suada do seu trabalho.
Qual o problema? Os fascistoides agora viraram partidários da propriedade coletiva?
De uma parte deles, Chico é alvo do ressentimento comum a determinada classe média que abomina pobre e inveja rico.
Nesse caso, merda é a inveja.
Para os ricos-ricos, Chico é um traidor. Traidor de classe.
Como pode um cidadão que vive no Leblon e tem apê na França não votar como a esmagadora maioria dos endinheirados?
Soa como exigência de fidelidade de classe. A diferença equivale a traição.
O silêncio sobre o comportamento primitivo e intolerante é conivente.
Vale o clichê: quem cala consente.
Não está em jogo, enfatizo, o mérito das opiniões de Chico Buarque, mas o direito democrático de manifestação dele e de todos os brasileiros.
Muita gente ralou para que opinar não resultasse mais em cana e castigo.
Só o que faltava era um bando furioso de intolerantes e ressentidos levar a melhor em sua cruzada obscurantista, rancorosa e vulgar.
Deus e o diabo na terra do sol Deus e o Diabo na terra do sol
22/12/2015 Lia Bianchini
Enquanto isso, na Tijuca … Ali, do lado de casa.
Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho
Esta é uma história sobre direitos. Ou, melhor: sobre a falta deles.
As ações aqui narradas se passaram na Tijuca, tradicional bairro do Rio de Janeiro, mas talvez tenham acontecido também perto de você, no bairro onde você mora ou trabalha.
É semana de Natal, as ruas cheias de gente, as lojas com filas gigantes, as pessoas atrás dos objetos que simbolizem o tão falado “espírito natalino”.
Na porta de um shopping do bairro, seis meninos, com idades entre oito e treze anos, são parados por dois policiais. Todos negros. Alguns dos meninos sem camisa, outros sem chinelos.
Pessoas se aglomeram em volta dos meninos e dos policiais, fazendo parecer que um terrível crime houvesse sido cometido ali, no entanto, ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo.
A alegação dos policiais para deter os meninos: denúncia de furto.
Nenhum flagrante. Nenhuma testemunha.
A palavra dos meninos: “ninguém roubou nada, não”.
A resposta policial: “eles estão sem documento e sem dinheiro. Vão para o abrigo”.
Tudo ocorre em longos minutos, talvez horas. Pessoas vem e vão, curiosas. Algumas param e xingam os garotos. “Tem que prender! Se deixar soltos vão assaltar!”
Todos são culpados, até que se prove o contrário.
Exceto quando não tem ninguém para provar o contrário. Então são apenas culpados.
Qualquer pessoa que para em frente a eles logo diz que viu um ou outro “furtando alguém na Saens Peña”. Quando tais pessoas são solicitadas a depor formalmente, o discurso muda: “ele estava tentando roubar. Mas, se deixar solto, daqui a pouco rouba mesmo”.
Se eu não estivesse presenciando tudo com meus próprios olhos, diria que era ficção. Cena de filme, bem roteirizada. Os heróis e os vilões para o senso comum da sociedade atual.
Busquei testemunhas.
Uma mulher, por volta de 30 anos, dizia ter presenciado tudo desde o começo: “eles estavam andando normalmente, só correram quando a polícia foi atrás deles. Mas não vi tentarem roubar ninguém, não”.
Não duvidei que ela estivesse falando a verdade.
O conselheiro tutelar, que chegou quase uma hora depois da denúncia, para resolver qual seria o destino dos meninos: “eles disseram que não estavam fazendo nada de mais. Acredito que não mesmo, mas é complicado. Já acompanhei pelo menos dois deles em casos de furto”.
Não duvidei que ele estivesse falando a verdade.
O conselheiro conversa com os meninos. Com os policiais. Decisão tomada: nada de abrigo, os meninos devem voltar para suas casas.
Quais casas?
Segundo o conselheiro tutelar, um deles mora na Comunidade do Metrô, na Mangueira; outro, no bairro do Castelo; outros, no Morro do Salgueiro.
As famílias de pelo menos dois deles (os mais novos, de oito e dez anos) já é conhecida pelo conselho tutelar. Um mora com a mãe e mais onze irmãos; outro seria levado para a tia, que sofre com um marido alcoólatra.
Essa parece ser uma cena qualquer, que acontece todos os dias nas grandes metrópoles. Ela apenas torna-se mais evidente e repetitiva nessas épocas onde a sanha consumista aparece mais forte, como natal e ano novo.
Como um dos meninos detidos disse, “ninguém vai comprar presente pra mim”.
O fato é que, por mais corriqueira ou surreal que a cena tenha parecido, ela evidencia detalhes da sociedade que talvez estejamos deixando passar despercebidos.
É muito fácil e cômodo tomarmos o caso com viés maniqueísta, escolhendo entre o lado bom ou o mau. Ou você acredita nos meninos, que dizem não ter feito absolutamente nada, ou acredita nas pessoas que dizem tê-los visto tentar furtar outras pessoas no caminho até o shopping.
Absolvição ou condenação.
Mas o que existe entre essas duas possibilidades?
É minimamente humano negar a falta de assistência às famílias dessas crianças, a falta de incentivo à educação, a falta de políticas públicas que excluam esses meninos das margens da sociedade e os incluam no convívio social?
Como o próprio conselheiro tutelar que acompanhava o caso disse, “o problema é muito maior do que parece. O abrigo não dá conta, a cadeia não dá conta. Enquanto a gente não entender como e por quê essas crianças estão na rua, nada vai mudar”.
A história esquecida
Quando as manchetes estampam como sujeitos da frases menores, parece que sempre há uma personagem esquecida na história.
Até agora, sequer foi mencionado como os meninos reagiram às ações de que foram alvos.
Bom, tudo que vi da parte deles foi indignação e medo.
Indignação com as pessoas que por ali passavam e paravam para destilar todo seu ódio. E eles não ouviam calados, obviamente.
Medo do abrigo, do que os policiais poderiam fazer com eles dentro do carro que os tiraria dali.
O mais novo dos detidos, de oito anos, chegou a urinar nas próprias calças quando, antes de o conselheiro tutelar chegar, foi informado de que seria levado para o abrigo. Segundo ele, lá eles passam fome e apanham.
Durante o longo período entre a abordagem policial e a decisão do conselheiro tutelar, foi como presenciar o estado mais vil que a natureza humana pode chegar. Eram farpas trocadas. Deus e o diabo na terra do sol.
E, certamente, enquanto não entendermos quem, de fato, é o inimigo, nada vai mudar. Vamos continuar temendo e criminalizando crianças por serem pobres e negras, por andarem livremente nas “nossas” ruas.
Como bem indagou Renato Russo, na música “Soldados”: “quem é o inimigo? Quem é você?”.
Depois de nomear por decreto dois ministros para a Suprema Corte argentina, sem aprovação do Senado, como manda a Constituição, o presidente argentino, Maurício Macri, seguiu o caminho de suas medidas de força.
Ontem, extinguiu por decreto o mandato dos dirigentes das agências que controlam a aplicação das leis antimonopolistas na comunicação – a Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual (AFSCA) e a Autoridad Federal de Tecnologías de la Información y las Comunicaciones (AFTIC), esta voltada para a Internet – e colocou os dois órgão sob intervenção por seis meses.
O ministro das Comunicações, Oscar Aguad, disse que “havia uma rebeldia” dos dirigentes dos órgãos contra a decisão de Macri de derrubar a “Ley de Meios”.
O “probleminha” é que a “Ley de Medios” é, como o nome indica, uma lei.
Foi aprovada na Câmara dos Deputados por 146 votos a 3 e no Senado por 44 a 24.
Macri não se inibe e vai lançando seis “Decretos de Necessidade e Urgência”, espécie de Medidas Provisórias de lá.
A direita não se inibe.
A quem se lembra do vídeo “Além do Cidadão Kane” lembra da frase de Roberto Marinho:
As fotos aí de cima foram tiradas na noite passada, em Latakia, na Síria, nas comemorações da noite de Natal. Há muitas mais que você pode ver no twitter de uma moça síria, Lina Arabi,aqui.
Não é outra Síria. É a Síria de verdade, que agora nos acostumamos a ver apenas nas multidões de refugiados e nas atrocidades do “Exército Islâmico”.
Um país multirreligioso, que sempre soube conviver com suas diferenças e do qual temos aqui tantos descendentes, como dos seus irmãos do Líbano, quase um povo só no nome que lhes damos e eles, de bom grado, aceitam: sírio-libaneses.
Mas o Ocidente, para derrubar o que chama de ditadura de Bashar Al-Assad fomentou, financiou e armou a Síria sanguinária, tão próxima da barbárie dos fanáticos do Isis.
Mas há mais humanidade na Síria do que imaginam os tolos, os que discriminam os muçulmanos e árabes como fossem selvagens.
A Al Jazzera noticiou que o Governo sírio permitiu que grupos rebeldes, entre eles muitos do “Exército Islâmico” se retirassem do bairro de Yarmouk, nos subúrbios da capital, Damasco, onde estavam sitiados há tempos. Deram-lhes um salvo-conduto, extensivo às suas famílias para viajarem para onde desejarem, inclusive para as áreas ainda controladas pelo Isis.
De Yarmouk e arredores, certamente, saíram muitos dos refugiados que vimos nos jornais. Da população de 160 mil pessoas, restavam apenas 18 mil sob o controle do Isis e de outros grupos.
E que, quem sabe, quando entenderem que é preciso acabar com o fruto sangrento da intervenção do Ocidente no mundo árabe, possa estar reunida em festas, cristãs ou muçulmanas, outra vez.
Parece incrível, mas a única coisa que tem de legitimamente brasileira no Natal é a farofa. As outras “tradições” natalinas foram todas importadas e reforçadas pelo comércio para ganhar dinheiro. Como seria um Natal brasileiro de verdade, se não fôssemos tão colonizados?
1. Papai Noel poderia até ser branquelo, afinal vivemos num país multirracial, mas nunca usaria roupas tão quentes em pleno verão! Só aceito Papai Noel se for de regatinha e bermuda. E o mais patético é que o coitado, além de vestido dos pés à cabeça, ainda entra pelas casas por uma… chaminé! No Brasil! Hahahaha. Pobres criancinhas, é um insulto à inteligência delas acreditar nisso.
2. Esqueça tudo envolvendo neve, trenó, cachecóis, gorros, luvas… Nem pensem em pinguins!!! A visão de Natal de muitas pessoas aqui parece ser a cópia exata de um filme de Hollywood, sendo que, nos Estados Unidos, isso se justifica porque é inverno. Num país tropical como o nosso, é simplesmente ridículo ficar macaqueando tradições de países onde, agora, é frio. Neve de pipoca e de algodão é o cúmulo da cafonice e do complexo de colonizado. Apenas parem.
3. Pra que pinheiros, gente, com tantas árvores muito mais lindas na flora brasileira para enfeitar o Natal? Por que não uma jabuticabeira, que já tem até as bolinhas? Jaqueiras, pitangueiras, amoreiras, cajueiros… Um coqueiro com seus cocos! Imaginem uma árvore de Natal dessas, que linda. Não precisaria nem ser de plástico, como 99% dos pinheiros são. Aliás, que festa mais artificial, hein? É tudo falso, até o amor de alguns pelo aniversariante do dia, Jesus…
4. Os frutos secos também não têm nada a ver. Acorda, deslumbrado! Você sabia que em muitos países da Europa tem frutas tropicais na ceia de Natal? Que mané nozes e avelãs! Dezembro é época de abacate, abacaxi, ameixa, manga, jabuticaba, umbu, cajá, siriguela, melancia… Lichia, que já virou brasileira e só dá nessa época do ano! A mesa ficaria muito mais linda e ainda daria para fazer umas caipiroscas. Nada contra champanhe, mas tem tudo a ver com o calor.
5. Em vez de peru ou chester, por que não um delicioso frango caipira? Além de mais suculento e apetitoso, ainda evita maltratar os animais. Vejam como os perus são criados neste frigorífico, um dos maiores do mundo, no Canadá. Você acha que no Brasil é diferente?
6. No lugar do tender, carne de fumeiro da Bahia! Já provaram? É uma carne de porco defumada, muito mais deliciosa e macia do que o tender. Pode ser preparado da mesma maneira que o presunto, com abacaxi ou fios de ovos, mas fica bom mesmo é no escondidinho com mandioca…
7. E em vez de arroz com passas, por que não um goianíssimo arroz com pequi? Aromático, exótico, e amarelinho… Mais brasileiro impossível.
8. Confesso a vocês que a melhor parte do Natal para mim é o panetone. Além disso, a origem italiana do acepipe também é a mesma de muitos brasileiros. Portanto, ao invés de substituí-lo, nossa ceia brasileira seria apenas acrescentada de um magnífico bolo de fubá com goiabada. Feito em casa, o que já lhe dá uma vantagem diante do panetone.
9. Para terminar, podíamos substituir essas músicas gringas de Natal. Já deu de Noite Feliz e de Simone! As letras também poderiam ser mais honestas. Nada mais falso, por exemplo, do que “como é que papai Noel/ não se esquece de ninguém/ seja rico ou seja pobre/ o velhinho sempre tem”. Papo furado! Muito mais verdadeira é Boas Festas, de Assis Valente, a canção natalina que é a cara do Brasil e suas desigualdades. Confira a letra:
Anoiteceu, o sino gemeu E a gente ficou feliz a rezar Papai Noel, vê se você tem A felicidade pra você me dar Eu pensei que todo mundo Fosse filho de Papai Noel E assim felicidade Eu pensei que fosse uma Brincadeira de papel Já faz tempo que eu pedi Mas o meu Papai Noel não vem Com certeza já morreu Ou então felicidade É brinquedo que não tem…
10. Ah, os presentes? Tudo bem, dar e receber presentes é sempre bacana, simpático, independente da época. Agora, não precisa pirar e entrar na onda consumista importada dos EUA. Dê presente para as crianças, para quem precisa, para quem você ama. E pronto.
***
Que tal? Na minha opinião, só seremos uma nação respeitável de verdade quando pararmos de copiar o Natal dos outros. Feliz Natal para todos.
Essa história da chaminé parece–me que é mal contada:
Conta a “lenda” (?) que durante a idade média em um país europeu quando em uma casa morria o varão/patriarca e o individuo não tinha filhos homens e não deixou riqueza suficiente para “pagar o dote” ao pretenso marido o destino que a sociedade lhes reservava era a prostituição (inclusive encampada pela Igreja católica – tem documentário sobre as celebres casas de tolerância mantida pela “Santa Sé” )
Morrendo o dito e deixou viúva e mais três filhas um “senhor bondoso” sabendo–lhes o destino resolveu “dar um adjutório” e não podendo aparecer subiu ao telhado da casa e jogou três sacos contendo importância suficiente para que as donzelas “conseguissem” os pretendentes pela chaminé e escapassem do destino cruel da prostituição. O nome desse individuo era Saint-Clauss que chegou até nós com indefectível titulo de Papai–Noel.
Pelo menos essa é a minha versão…quem quiser que conta outra!
Esquemas na Petrobrás e Odebrecht e relação de políticos com o narcotráfico foram citados em relatório americano de 1992
Datado em 27 de maio de 1992, período de crise do governo de Fernando Collor de Melo, o relatório americano How corrupt is Brazil tenta compreender o quão corrupto era o Brasil. Com 16 páginas — e alguns trechos censurados — , o cable americano já citava suspeita de conduta ilícita na Odebrecht, esquemas na Petrobras e até a relação de políticos com o narcotráfico.
“A classe política é corrupta”, é uma afirmação comum”, expõe o cable americano.
Veto a embaixador expõe dependência da Defesa com Israel, diz Amorim
Se é verdade o que está escrito e apos ler a reportagem, tomei conhecimento do raciocinio capenga de nosso militar. Porque dependemos excessivamente, parece, não justifica que se aceite ordens de Israel. E o nosso militar acha normal que um país independente como o Brasil receba ordens de um país chifrin como Israel. Esse militar teria que passar rapidamente para a reserva ou participar de cursos intensivos para aprender como se deve agir quando um país qualquer tenta pressionar indevidamente o Brasil.
Anna Dutra
25 de dezembro de 2015 6:53 amVilania e Torpeza
http://www.viomundo.com.br/denuncias/jumentinho-italiano-e-dona-anta-quando-as-brigas-de-botequim-chegam-as-colunas-de-economia.html
No original, imagens e links.
Sugiro leitura através do link para acesso à navegação e consultas outras. Não consigo trazer imagens/hiperligações.
“Jumentinho italiano” e “Dona Anta”: quando as brigas de botequim chegam às colunas de economia
publicado em 24 de dezembro de 2015 às 00:44
Arnaldo Jabor da economia. Não solta análises: faz pregações. E com um estilo debochado que impressiona seus colegas, menos pelo conhecimento, mais pela falta de compostura em uma comunidade em geral menos disposta a brigas de botequim (Por Luis Nassif, em seu blog, ao repudiar ação movida pelo Banco Central contra Schwartsman, que foi arquivada)
Sem saída, os mercados implantam o terror. Contam para isso com a preciosa ajuda da grande mídia impressa e rádio-televisiva e dos doutos pensadores da universidade, onde a cartilha ortodoxa tem domínio quase absoluto. Seu poder de influência é efetivo, pois, em parte, eles podem “produzir” os resultados mentirosos que alardeiam e difundem. Já vimos esse filme em 2002 e vimos também que consequências danosas ele teve, pois o terrorismo econômico foi funcional mesmo após as eleições, levando um governo supostamente de esquerda a ser mais realista que o rei e a “beijar a cruz” do neoliberalismo. (Trecho de artigo de Leda Paulani, de outubro de 2014, em que fala sobre ‘terrorismo econômico
“…havia até uma Leitoa afirmando que era tudo ‘terrorismo econômico’” (Trecho de artigo de Schwartsman na Folha — em que ele se refere a Leda Paulani)
“Pedimos licença a Immanuel Kant para tomar de empréstimo, sem juros e nenhuma indexação, um excerto do celebrado O Que É o Iluminismo?: Dogmas e fórmulas, instrumentos mecânicos do uso racional, ou antes, do mau uso dos seus dons naturais são os grilhões de uma minoridade perpétua”. (Trecho da coluna Estratosférica Teimosia, em CartaCapital, co-autoria de Beluzzo, em que um relatório assinado por Schwartsman é criticado, sem menção nominal ao autor)
“Dado seu conhecido desrespeito à aritmética, não me espanta que a incompetência do Dr. Bellezza tenha conseguido mandar o Palmeiras para a Segundona. Difícil é entender como ainda permitem que ele insista em fazer o mesmo com o Brasil” (Schwartsman sobre Belluzo, em coluna na Folha
Ao jornal Folha de S. Paulo
da Plataforma Política Social
Nós, abaixo assinados, vimos a público protestar veementemente contra a vileza de Alexandre Schwartsman (“O Porco e o Cordeiro”, Folha de S. Paulo, 16/12/2015), que atinge de forma acintosa a professora Leda Paulani e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, com quem o colunista mantém divergências públicas no campo das ideias, aludidos covarde e indiretamente como “Leitoa” e “Porco”.
A agressão é duplamente vil, porque, cifrada, só pode ser compreendida pelas pessoas que tenham conhecimento de outras ofensas, igualmente violentas, perpetradas pelo mesmo colunista aos dois professores.
A falta de decência também se manifesta no chamar de “jumentinho italiano” e de “Dona Anta” duas autoridades legítimas de governo eleito e democrático.
Em geral, tal tipo de vilania merece ser desconsiderado, pois visa sempre a estampar manchetes, às quais não logra o agressor chegar por mérito, talento ou conhecimento. Mas há limites até para a sordidez!
Repudiamos o desrespeito no plano pessoal, a intolerância inadmissível no plano da disputa política democrática e a violação de todas as regras elementares do debate plural e civilizado de ideias.
Repudiamos também a conivência da Folha de S.Paulo e do respectivo editor na prática de tamanha torpeza, transgredindo o código de ética que o próprio jornal afirma seguir.
Assinaturas:
Ademir Aparecido Paschoa, produtor.
Adriana Nunes Ferreira, economista.
Adriano Biava, economista.
Airton Paschoa, escritor.
Alcides Goularti Filho, Unesc.
Alcides Silva de Miranda, Professor Associado – Cursos de Graduação, Pós-graduação e Laboratório de Apoio Integrado em Saúde Coletiva – UFRGS.
Amilton Jose Moretto, economista.
Ana Mesquita, economista.
Ana Rosa Ribeiro de Mendonça, professora do IE/Unicamp.
Ana Tereza da Silva Pereira Camargo, médica, Diretora Administrativa do CEBES.
Anderson Henrique dos Santos Araújo, professor, Universidade Federal de Alagoas.
Andre Lázaro, professor da UERJ e pesquisador da Flacso-Brasil.
André Martins Biancarelli, professor e diretor associado do Instituto de Economia (IE/Unicamp).
André Paulani Paschoa, Advogado.
Andrés Vivas Frontana, economista, professor de Economia da ESPM e da Fecap.
Anivaldo Padilha, presidente do Fórum 21.
Antônio do Amaral Rocha, jornalista e editor, São Paulo.
Antonio Prado, economista.
Antonio Tadeu Oliveira, demógrafo.
Barbara Fritz, director of the Institute for Latin American Studies (Freie Universität Berlin).
Bruno de Conti, economista.
Camila Gripp, pesquisadora, The New School for Social Research.
Carlos Alonso B. de Oliveira, economista.
Carlos Eduardo Silveira, economista.
Carlos Salas, economista.
Ceci Vieira Jurua, economista.
Celso Amorim, diplomata.
Christy Ganzert Pato, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul.
Cilaine Alves Cunha, professora de literatura brasileira (FFLCH/USP).
Claudio Castelo Branco Puty, professor UFPA e secretário executivo do Ministério do Trabalho e Previdência.
Cornelis Johannes van Stralen, psicologo social e cientista político, professor aposentado da UFMG.
Dainis Karepovs, historiador.
Daniel Brazil, roteirista e diretor de TV.
Daniela Magalhães Prates, economista, professora associada do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisadora do CNPq.
Danilo Araujo Fernandes, professor da Universidade Federal do Pará.
Denis Maracci Gimenez, professor do Instituto de Economia da Unicamp.
Domingos Leite Lima Filho, Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Eduardo Fagnani, economista (IE/Unicamp).
Eleutério F. S. Prado, professor titular da USP.
Eli Iola Gurgel Andrade, professora associada da Faculdade de Medicina da UFMG.
Elias Jabbour, professor adjunto da FCE-UERJ.
Elizabeth Harkot de La Taille, professora associada, Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Departamento de Letras Modernas (FFLCH/USP).
Elizete Mitestaines, jornalista.
Emilio Chernavsky, doutor em Economia (FEA/USP).
Erminia Maricato, professora titular aposentada da USP.
Fabrício de Oliveira, economista.
Fernando Caldas, historiador, mestre pela USP.
Fernando Ferrari Filho, professor de Economia da UFRGS.
Fernando Nogueira da Costa, professor titular do IE-UNICAMP.
Fernando Rugitsky, professor da FEA/USP.
Francisco Alambert, professor de História (FFFLCH/USP). istóriaHist´roia
Francisco Luiz C. Lopreato, economista e professor do IE/Unicamp.
Francisco Menezes, economista.
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti, professor.
Frederico Gonzaga Jayme Jr., professor Economics Department, Cedeplar (UFMG).
Frederico Mazzucchelli, economista.
Gaudencio Frigotto, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Gema Martins, advogada.
Giorgio de Marchis, Università degli Studi Roma Tre, Dipartimento di Lingue, Letterature e Culture Straniere.
Guilherme Leite Gonçalves, professor de Sociologia do Direito da UERJ.
Guilherme Mello, economista.
Heloísa Fernandes, socióloga, USP.
Iná Camargo Costa, professora aposentada da USP.
Isabel Frontana, historiadora, mestre pela USP.
Isabel Loureiro, professora de Filosofia (UNESP).
Isabela Soares Santos, cientista social.
João Policarpo R. Lima, Departamento de Economia da UFPE/Pesquisador do CNPq
João Sayad, economista, professor da FEA/USP.
João Whitaker, professor livre-docente (FAU/USP) e secretário municipal de Habitação de São Paulo.
José Carlos Braga, economista.
Jose Dari Krein, economista.
José Esteban Castro, Newcastle University, Reino Unido.
Juan Pablo Painceira, economista, Banco Central do Brasil.
Julia Braga, professora associada da Faculdade de Economia da UFF.
Jurema Alves Pereira, assistente social, doutoranda (UERJ).
Laura Carvalho, professora da FEA/USP.
Laura Tavares, economista.
Lauro Mattei, professor de Economia da UFSC.
Lena Lavinas, professora titular do Instituto de Economia da UFRJ.
Lenina Pomeranz, professor da FEA/USP.
Léo Heller, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz.
Leonardo Boff, teólogo, professor emérito de ética da UERJ e membro da Iniciativa Internacional Carta da Terra.
Ligia Giovanella, médica, pesquisadora Fiocruz.
Luciana Vieira, economista.
Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira, psicanalista.
Luiz Eduardo Simões de Souza, Universidade Federal do Maranhão – PPGDSE.
Luiz Fernando de Paula, economista (UERJ).
Luiz Filgueiras, professor de Economia da UFBA.
Magda Biavaschi, desembargadora aposentada e pesquisadora CESIT
Manuela Lavinas Picq, Universidade San Francisco de Quito.
Marcelo de Carvalho, docente do Curso de Ciências Econômicas (Unifesp).
Marcelo Miterhof, economista.
Marcelo Weishaupt Proni, economista.
Márcio Lupatini, professor da UFVJM.
Marcio Pochmann, economista.
Marcio Sotelo Felippe, advogado.
Maria Augusta Bernardes Fonseca, professora universitária.
Maria Ciavatta, PPG-Educação Universidade Federal Fluminense.
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, professora do Departamento de Economia da Universidade de Brasília.
Maria Elisa Cevasco, professora (FFLCH/USP).
Maria Noemi de Araujo, psicanalista.
Maria Rita Kehl, psicanalista.
Marildo Menegat, professor (UFRJ).
Marina Macambyra, bibliotecária.
Mário da Costa Campos Neto, professor titular em Geologia Estrutural e Geotectônica do Instituto de Geociências (USP).
Maryse Farhi, economista.
Maurílio Maldonado, advogado.
Miguel Bruno, economista.
Nazareno Affonso- Urbanista e artista Plástico
Nelson Fernando de Freitas Pereira, médico.
Niemeyer Almeida Filho, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia e presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política.
Paula Motagner, economista.
Paulo Daniel e Silva, economista.
Paulo Sérgio Fracalanza, diretor do IE/Unicamp.
Paulo Henrique Furtado de Araujo, economista, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP).
Pedro Cezar Dutra Fonseca, professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS.
Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor associado (livre-docente) do Instituto de Economia/Unicamp.
Pedro Rafael Lapa, economista.
Pedro Rossi, economista.
Pierre Salama, Professor emeritus, economia, Universidade de Paris XIII
Potyara Pereira, professora da Universidade de Brasília.
Ramón García Fernández, professor (UFABC).
Raquel Raichelis, assistente social, professora da PUC/SP.
Remi Castioni, Faculdade de Educação (UnB).
Rennan Martins, jornalista e editor do Blog dos Desenvolvimentistas.
Ricardo Antônio de Souza Karam, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED/UFRJ).
Ricardo Musse, professor de Sociologia (FFLCF/USP).
Ricardo Oliveira Lacerda de Melo, professor associado da Universidade Federal de Sergipe/ Departamento de Economia.
Roberto Schwarz, professor de Literatura, Unicamp.
Rodrigo Pimentel Ferreira Leão, mestre em Desenvolvimento Econômico.
Ronaldo Coutinho Garcia, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Rosana Icassatti Corazza, economista, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.
Rosangela Ballini, Professora – IE/Unicamp
Rubem Murilo Leão Rego, professor (Unicamp).
Rubens Luis Ribeiro Machado Jr., professor da ECA/USP.
Rubens Sawaya, economista.
Salete de Almeida Cara, professora (FFLCH-USP).
Sandra Regina Alouche, professora universitária.
Sebastiao Velasco, IFCH/Unicamp.
Sérgio Alcides Pereira do Amaral, professor da Faculdade de Letras da UFMG.
Sérgio Rosa, bancário.
Silvio Antônio Ferraz Cario, economista e professor da UFSC (Campus Florianópolis).
Simone Deos, economista.
Solange Puntel Mostafa, professora da USP.
Tania Bacelar de Araujo, doutora em economia e professora aposentada da UFPE.
Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul.
Tiago Oliveira, economista, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp.
Vanessa Petrelli Corrêa, professora titular, IE/UFU.
Wagner Nabuco, editor da Caros Amigos.
Waldir Quadros, professor.
Walquiria Domingues Leão Rego, professora universitária, Unicamp.
Walter Belik, economista.
Wilson Cano, economista.
Wladimir Pomar, economista.
Anna Dutra
25 de dezembro de 2015 7:12 amPara quem odeia, o que dói mais é o sorriso.. Merda é a inveja.
http://www.viomundo.com.br/denuncias/mario-magalhaes-o-silencio-sobre-o-comportamento-primitivo-e-conivente.html
grifos meus
Mário Magalhães: O silêncio sobre o comportamento primitivo é conivente
publicado em 24 de dezembro de 2015 às 11:53
Usineiro milionário cobrou Chico por apartamento em Paris
Bronca com apê de Chico Buarque em Paris expõe intolerância e ressentimento
Mário Magalhães, em seu blog
23/12/2015 12:09
Pingos nos is: na essência, o que houve no Leblon na noite da segunda-feira não foi bate-boca.
E sim intimidação e provocação de um grupo de jovens adultos contra Chico Buarque, 71, e amigos com quem o artista passeava, depois de jantar.
Chico estava na dele.
O ato hostil decorre do que na cachola de intolerantes constitui delito de opinião.
A, B ou C? É o de menos. Poderia ser qualquer uma. O crime é ter e expressar opinião diversa.
“Você gravou um vídeo apoiando a Dilma”, disse em tom acusatório um dos participantes do cerco.
Diante da agressividade, Chico tentou esgrimir ideias. Pode-se concordar ou divergir dele. O inaceitável é levar uma dura por acreditar nisso ou naquilo.
O compositor que criou uma canção falando “no tempo da delicadeza” escreveu sobre um porvir que parece cada vez mais alucinação utópica.
“Você é um merda”, berrou um sujeito para ele.
A desqualificação do interlocutor é característica autoritária. O mal não é apenas o que o outro pensa, mas o outro. No fundo, trai a indigência de argumentos.
“Vai correr daqui já?”, urrou um valentão de ópera-bufa.
Como Chico é Chico, enquanto rostos vincados pelo ódio o miravam, ele reagia com sorrisos. Para quem odeia, o que dói mais é o sorriso.
Retrato do Brasil, os insultos no Leblon são herança de nossas raízes.
Não somos a terra de gente cordial, mas onde a escravidão foi mais longeva, onde a desigualdade obscena campeia, onde depois de vencidos adversários são decapitados (de Canudos ao Araguaia, passando pelo cangaço).
Os intolerantes de anteontem aparentemente não querem cortar a cabeça de ninguém.
Talvez somente arrancar as cordas vocais. Pensar até pode. Falar seria prerrogativa de quem pensa igual.
O surto na noite do Rio têm outras ascendências. Na Alemanha da década de 1930, os nazistas perseguiam também quem ousava dizer não.
Os intolerantes da segunda-feira formam no que um protagonista do Brasil republicano ironizava como “a turma do Jockey”. Núcleos de grã-finos que pretendem impor a qualquer preço ideias e interesses.
Outro traço distintivo é a vulgaridade de certa elite, como contemplado no vídeo que nasceu como documento histórico e antropológico (para assisti-lo, é só clicar aqui).
Já de início a abordagem a Chico Buarque foi vulgar, tomando árvores pela floresta: “Todo mundo era seu fã, Chico”.
Um dos intolerantes, Alvaro Garnero Filho, é rebento do empresário Alvaro Garnero. O pai “confirmou a presença do filho no episódio” e “disse que teve de explicar a Alvarinho quem era Chico Buarque“.
Quer vulgaridade e ignorância maiores que um marmanjo com acesso à educação e à cultura precisar de explicação, no século 21, sobre quem é Chico Buarque?
O milionário Alvaro Garnero é um dos herdeiros do grupo Monteiro Aranha.
A nau da intolerância guarda lugar para os ressentidos.
O mesmo indivíduo que chamou Chico Buarque de “merda” falou: “Para quem mora em Paris, é fácil”.
Vacilou: “Você mora em Paris, não mora?”
Chico mora ali pertinho, no Leblon.
Logo outro provocador emendou “Tem um apartamento lá em Paris. É gostoso Paris, né?”
A bronca com o apê de Chico em Paris é o vômito dos ressentidos.
No Marais ou na Île Saint-Louis, o autor de “Vai trabalhar, vagabundo” o comprou com dinheiro ganho honestamente.
Ao contrário de alguns brasileiros donos de imóveis na Europa, não recebeu de herança seu apartamento. E se tivesse?
Adquiriu-o com a grana suada do seu trabalho.
Qual o problema? Os fascistoides agora viraram partidários da propriedade coletiva?
De uma parte deles, Chico é alvo do ressentimento comum a determinada classe média que abomina pobre e inveja rico.
Nesse caso, merda é a inveja.
Para os ricos-ricos, Chico é um traidor. Traidor de classe.
Como pode um cidadão que vive no Leblon e tem apê na França não votar como a esmagadora maioria dos endinheirados?
Soa como exigência de fidelidade de classe. A diferença equivale a traição.
O silêncio sobre o comportamento primitivo e intolerante é conivente.
Vale o clichê: quem cala consente.
Não está em jogo, enfatizo, o mérito das opiniões de Chico Buarque, mas o direito democrático de manifestação dele e de todos os brasileiros.
Muita gente ralou para que opinar não resultasse mais em cana e castigo.
Só o que faltava era um bando furioso de intolerantes e ressentidos levar a melhor em sua cruzada obscurantista, rancorosa e vulgar.
Anna Dutra
25 de dezembro de 2015 7:28 amDeus e o diabo na terra do sol
Deus e o Diabo na terra do sol
22/12/2015 Lia Bianchini
Enquanto isso, na Tijuca … Ali, do lado de casa.
Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho
Esta é uma história sobre direitos. Ou, melhor: sobre a falta deles.
As ações aqui narradas se passaram na Tijuca, tradicional bairro do Rio de Janeiro, mas talvez tenham acontecido também perto de você, no bairro onde você mora ou trabalha.
É semana de Natal, as ruas cheias de gente, as lojas com filas gigantes, as pessoas atrás dos objetos que simbolizem o tão falado “espírito natalino”.
Na porta de um shopping do bairro, seis meninos, com idades entre oito e treze anos, são parados por dois policiais. Todos negros. Alguns dos meninos sem camisa, outros sem chinelos.
Pessoas se aglomeram em volta dos meninos e dos policiais, fazendo parecer que um terrível crime houvesse sido cometido ali, no entanto, ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo.
A alegação dos policiais para deter os meninos: denúncia de furto.
Nenhum flagrante. Nenhuma testemunha.
A palavra dos meninos: “ninguém roubou nada, não”.
A resposta policial: “eles estão sem documento e sem dinheiro. Vão para o abrigo”.
Tudo ocorre em longos minutos, talvez horas. Pessoas vem e vão, curiosas. Algumas param e xingam os garotos. “Tem que prender! Se deixar soltos vão assaltar!”
Todos são culpados, até que se prove o contrário.
Exceto quando não tem ninguém para provar o contrário. Então são apenas culpados.
Qualquer pessoa que para em frente a eles logo diz que viu um ou outro “furtando alguém na Saens Peña”. Quando tais pessoas são solicitadas a depor formalmente, o discurso muda: “ele estava tentando roubar. Mas, se deixar solto, daqui a pouco rouba mesmo”.
Se eu não estivesse presenciando tudo com meus próprios olhos, diria que era ficção. Cena de filme, bem roteirizada. Os heróis e os vilões para o senso comum da sociedade atual.
Busquei testemunhas.
Uma mulher, por volta de 30 anos, dizia ter presenciado tudo desde o começo: “eles estavam andando normalmente, só correram quando a polícia foi atrás deles. Mas não vi tentarem roubar ninguém, não”.
Não duvidei que ela estivesse falando a verdade.
O conselheiro tutelar, que chegou quase uma hora depois da denúncia, para resolver qual seria o destino dos meninos: “eles disseram que não estavam fazendo nada de mais. Acredito que não mesmo, mas é complicado. Já acompanhei pelo menos dois deles em casos de furto”.
Não duvidei que ele estivesse falando a verdade.
O conselheiro conversa com os meninos. Com os policiais. Decisão tomada: nada de abrigo, os meninos devem voltar para suas casas.
Quais casas?
Segundo o conselheiro tutelar, um deles mora na Comunidade do Metrô, na Mangueira; outro, no bairro do Castelo; outros, no Morro do Salgueiro.
As famílias de pelo menos dois deles (os mais novos, de oito e dez anos) já é conhecida pelo conselho tutelar. Um mora com a mãe e mais onze irmãos; outro seria levado para a tia, que sofre com um marido alcoólatra.
Essa parece ser uma cena qualquer, que acontece todos os dias nas grandes metrópoles. Ela apenas torna-se mais evidente e repetitiva nessas épocas onde a sanha consumista aparece mais forte, como natal e ano novo.
Como um dos meninos detidos disse, “ninguém vai comprar presente pra mim”.
O fato é que, por mais corriqueira ou surreal que a cena tenha parecido, ela evidencia detalhes da sociedade que talvez estejamos deixando passar despercebidos.
É muito fácil e cômodo tomarmos o caso com viés maniqueísta, escolhendo entre o lado bom ou o mau. Ou você acredita nos meninos, que dizem não ter feito absolutamente nada, ou acredita nas pessoas que dizem tê-los visto tentar furtar outras pessoas no caminho até o shopping.
Absolvição ou condenação.
Mas o que existe entre essas duas possibilidades?
É minimamente humano negar a falta de assistência às famílias dessas crianças, a falta de incentivo à educação, a falta de políticas públicas que excluam esses meninos das margens da sociedade e os incluam no convívio social?
Como o próprio conselheiro tutelar que acompanhava o caso disse, “o problema é muito maior do que parece. O abrigo não dá conta, a cadeia não dá conta. Enquanto a gente não entender como e por quê essas crianças estão na rua, nada vai mudar”.
A história esquecida
Quando as manchetes estampam como sujeitos da frases menores, parece que sempre há uma personagem esquecida na história.
Até agora, sequer foi mencionado como os meninos reagiram às ações de que foram alvos.
Bom, tudo que vi da parte deles foi indignação e medo.
Indignação com as pessoas que por ali passavam e paravam para destilar todo seu ódio. E eles não ouviam calados, obviamente.
Medo do abrigo, do que os policiais poderiam fazer com eles dentro do carro que os tiraria dali.
O mais novo dos detidos, de oito anos, chegou a urinar nas próprias calças quando, antes de o conselheiro tutelar chegar, foi informado de que seria levado para o abrigo. Segundo ele, lá eles passam fome e apanham.
Durante o longo período entre a abordagem policial e a decisão do conselheiro tutelar, foi como presenciar o estado mais vil que a natureza humana pode chegar. Eram farpas trocadas. Deus e o diabo na terra do sol.
E, certamente, enquanto não entendermos quem, de fato, é o inimigo, nada vai mudar. Vamos continuar temendo e criminalizando crianças por serem pobres e negras, por andarem livremente nas “nossas” ruas.
Como bem indagou Renato Russo, na música “Soldados”: “quem é o inimigo? Quem é você?”.
Webster Franklin
25 de dezembro de 2015 7:53 amMacri intervém em agências da “Ley de Medios”. A direita exerce
Do Tijolaço
Macri intervém em agências da “Ley de Medios”. A direita exerce o poder…
Por Fernando Brito · 24/12/201
Depois de nomear por decreto dois ministros para a Suprema Corte argentina, sem aprovação do Senado, como manda a Constituição, o presidente argentino, Maurício Macri, seguiu o caminho de suas medidas de força.
Ontem, extinguiu por decreto o mandato dos dirigentes das agências que controlam a aplicação das leis antimonopolistas na comunicação – a Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual (AFSCA) e a Autoridad Federal de Tecnologías de la Información y las Comunicaciones (AFTIC), esta voltada para a Internet – e colocou os dois órgão sob intervenção por seis meses.
O ministro das Comunicações, Oscar Aguad, disse que “havia uma rebeldia” dos dirigentes dos órgãos contra a decisão de Macri de derrubar a “Ley de Meios”.
O “probleminha” é que a “Ley de Medios” é, como o nome indica, uma lei.
Foi aprovada na Câmara dos Deputados por 146 votos a 3 e no Senado por 44 a 24.
Macri não se inibe e vai lançando seis “Decretos de Necessidade e Urgência”, espécie de Medidas Provisórias de lá.
A direita não se inibe.
A quem se lembra do vídeo “Além do Cidadão Kane” lembra da frase de Roberto Marinho:
-Sim, eu uso o poder
http://tijolaco.com.br/blog/macri-intervem-em-agencia-da-ley-de-medios-a-direita-exerce-o-poder/
anarquista sério
25 de dezembro de 2015 2:14 pmVc não tem direito a férias
Vc não tem direito a férias ?
Nenhum petista tem.
Nem o ”Luleco”.
Amaro Doce
25 de dezembro de 2015 11:49 amEmocionante!
Há Natal na Síria
POR FERNANDO BRITO · 25/12/2015, no tijolaço
As fotos aí de cima foram tiradas na noite passada, em Latakia, na Síria, nas comemorações da noite de Natal. Há muitas mais que você pode ver no twitter de uma moça síria, Lina Arabi,aqui.
Não é outra Síria. É a Síria de verdade, que agora nos acostumamos a ver apenas nas multidões de refugiados e nas atrocidades do “Exército Islâmico”.
Um país multirreligioso, que sempre soube conviver com suas diferenças e do qual temos aqui tantos descendentes, como dos seus irmãos do Líbano, quase um povo só no nome que lhes damos e eles, de bom grado, aceitam: sírio-libaneses.
Mas o Ocidente, para derrubar o que chama de ditadura de Bashar Al-Assad fomentou, financiou e armou a Síria sanguinária, tão próxima da barbárie dos fanáticos do Isis.
Mas há mais humanidade na Síria do que imaginam os tolos, os que discriminam os muçulmanos e árabes como fossem selvagens.
A Al Jazzera noticiou que o Governo sírio permitiu que grupos rebeldes, entre eles muitos do “Exército Islâmico” se retirassem do bairro de Yarmouk, nos subúrbios da capital, Damasco, onde estavam sitiados há tempos. Deram-lhes um salvo-conduto, extensivo às suas famílias para viajarem para onde desejarem, inclusive para as áreas ainda controladas pelo Isis.
De Yarmouk e arredores, certamente, saíram muitos dos refugiados que vimos nos jornais. Da população de 160 mil pessoas, restavam apenas 18 mil sob o controle do Isis e de outros grupos.
E que, quem sabe, quando entenderem que é preciso acabar com o fruto sangrento da intervenção do Ocidente no mundo árabe, possa estar reunida em festas, cristãs ou muçulmanas, outra vez.
Como era na Síria.
LACosta
25 de dezembro de 2015 12:06 pmEntão, é Natal?
Como seria o Natal brasileiro se não fôssemos tão colonizados
Por Cynara Menezes
Parece incrível, mas a única coisa que tem de legitimamente brasileira no Natal é a farofa. As outras “tradições” natalinas foram todas importadas e reforçadas pelo comércio para ganhar dinheiro. Como seria um Natal brasileiro de verdade, se não fôssemos tão colonizados?
1. Papai Noel poderia até ser branquelo, afinal vivemos num país multirracial, mas nunca usaria roupas tão quentes em pleno verão! Só aceito Papai Noel se for de regatinha e bermuda. E o mais patético é que o coitado, além de vestido dos pés à cabeça, ainda entra pelas casas por uma… chaminé! No Brasil! Hahahaha. Pobres criancinhas, é um insulto à inteligência delas acreditar nisso.
2. Esqueça tudo envolvendo neve, trenó, cachecóis, gorros, luvas… Nem pensem em pinguins!!! A visão de Natal de muitas pessoas aqui parece ser a cópia exata de um filme de Hollywood, sendo que, nos Estados Unidos, isso se justifica porque é inverno. Num país tropical como o nosso, é simplesmente ridículo ficar macaqueando tradições de países onde, agora, é frio. Neve de pipoca e de algodão é o cúmulo da cafonice e do complexo de colonizado. Apenas parem.
3. Pra que pinheiros, gente, com tantas árvores muito mais lindas na flora brasileira para enfeitar o Natal? Por que não uma jabuticabeira, que já tem até as bolinhas? Jaqueiras, pitangueiras, amoreiras, cajueiros… Um coqueiro com seus cocos! Imaginem uma árvore de Natal dessas, que linda. Não precisaria nem ser de plástico, como 99% dos pinheiros são. Aliás, que festa mais artificial, hein? É tudo falso, até o amor de alguns pelo aniversariante do dia, Jesus…
4. Os frutos secos também não têm nada a ver. Acorda, deslumbrado! Você sabia que em muitos países da Europa tem frutas tropicais na ceia de Natal? Que mané nozes e avelãs! Dezembro é época de abacate, abacaxi, ameixa, manga, jabuticaba, umbu, cajá, siriguela, melancia… Lichia, que já virou brasileira e só dá nessa época do ano! A mesa ficaria muito mais linda e ainda daria para fazer umas caipiroscas. Nada contra champanhe, mas tem tudo a ver com o calor.
5. Em vez de peru ou chester, por que não um delicioso frango caipira? Além de mais suculento e apetitoso, ainda evita maltratar os animais. Vejam como os perus são criados neste frigorífico, um dos maiores do mundo, no Canadá. Você acha que no Brasil é diferente?
6. No lugar do tender, carne de fumeiro da Bahia! Já provaram? É uma carne de porco defumada, muito mais deliciosa e macia do que o tender. Pode ser preparado da mesma maneira que o presunto, com abacaxi ou fios de ovos, mas fica bom mesmo é no escondidinho com mandioca…
7. E em vez de arroz com passas, por que não um goianíssimo arroz com pequi? Aromático, exótico, e amarelinho… Mais brasileiro impossível.
8. Confesso a vocês que a melhor parte do Natal para mim é o panetone. Além disso, a origem italiana do acepipe também é a mesma de muitos brasileiros. Portanto, ao invés de substituí-lo, nossa ceia brasileira seria apenas acrescentada de um magnífico bolo de fubá com goiabada. Feito em casa, o que já lhe dá uma vantagem diante do panetone.
9. Para terminar, podíamos substituir essas músicas gringas de Natal. Já deu de Noite Feliz e de Simone! As letras também poderiam ser mais honestas. Nada mais falso, por exemplo, do que “como é que papai Noel/ não se esquece de ninguém/ seja rico ou seja pobre/ o velhinho sempre tem”. Papo furado! Muito mais verdadeira é Boas Festas, de Assis Valente, a canção natalina que é a cara do Brasil e suas desigualdades. Confira a letra:
Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem…
10. Ah, os presentes? Tudo bem, dar e receber presentes é sempre bacana, simpático, independente da época. Agora, não precisa pirar e entrar na onda consumista importada dos EUA. Dê presente para as crianças, para quem precisa, para quem você ama. E pronto.
***
Que tal? Na minha opinião, só seremos uma nação respeitável de verdade quando pararmos de copiar o Natal dos outros. Feliz Natal para todos.
LACosta
25 de dezembro de 2015 12:23 pmOutra versão
Essa história da chaminé parece–me que é mal contada:
Conta a “lenda” (?) que durante a idade média em um país europeu quando em uma casa morria o varão/patriarca e o individuo não tinha filhos homens e não deixou riqueza suficiente para “pagar o dote” ao pretenso marido o destino que a sociedade lhes reservava era a prostituição (inclusive encampada pela Igreja católica – tem documentário sobre as celebres casas de tolerância mantida pela “Santa Sé” )
Morrendo o dito e deixou viúva e mais três filhas um “senhor bondoso” sabendo–lhes o destino resolveu “dar um adjutório” e não podendo aparecer subiu ao telhado da casa e jogou três sacos contendo importância suficiente para que as donzelas “conseguissem” os pretendentes pela chaminé e escapassem do destino cruel da prostituição. O nome desse individuo era Saint-Clauss que chegou até nós com indefectível titulo de Papai–Noel.
Pelo menos essa é a minha versão…quem quiser que conta outra!
antonio francisco
25 de dezembro de 2015 12:13 pm“Quão corrupto é o Brasil?”, por Alex Bessas
“Quão corrupto é o Brasil?”
Por: Alex Bessas, Medium
Esquemas na Petrobrás e Odebrecht e relação de políticos com o narcotráfico foram citados em relatório americano de 1992
Datado em 27 de maio de 1992, período de crise do governo de Fernando Collor de Melo, o relatório americano How corrupt is Brazil tenta compreender o quão corrupto era o Brasil. Com 16 páginas — e alguns trechos censurados — , o cable americano já citava suspeita de conduta ilícita na Odebrecht, esquemas na Petrobras e até a relação de políticos com o narcotráfico.
“A classe política é corrupta”, é uma afirmação comum”, expõe o cable americano.
http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2015/12/23/alex-bessas-esquemas-na-petrobras-e-odebrecht-e-relacao-de-politicos-com-o-narcotrafico-sao-citados-em-relatorio-dos-eua-de-1992/
Flavio Martinho
25 de dezembro de 2015 1:00 pmVeto a embaixador expõe
Veto a embaixador expõe dependência da Defesa com Israel, diz Amorim
Se é verdade o que está escrito e apos ler a reportagem, tomei conhecimento do raciocinio capenga de nosso militar. Porque dependemos excessivamente, parece, não justifica que se aceite ordens de Israel. E o nosso militar acha normal que um país independente como o Brasil receba ordens de um país chifrin como Israel. Esse militar teria que passar rapidamente para a reserva ou participar de cursos intensivos para aprender como se deve agir quando um país qualquer tenta pressionar indevidamente o Brasil.