5 de junho de 2026

Para Delfim, troca de ministros não resolve crise política

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Jornal GGN – Para o ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto, a troca de ministros na pasta é irrelevante e não fasta a impressão de que o país está “indo para o buraco”. Para ele, o problema não é econômico, e sim político, e não é possível aplicar um ajuste fiscal sem reconstruir a expectativa de crescimento.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Delfim também afirmou que “estamos em uma roleta-russa, e não em um jogo político”, ao explicar a dificuldade da administração política. Sobre as desconfianças do mercado como no novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, Delfim diz que “o mercado sabe muito pouco”. Ele também acredita que o ex-ministro Joaquim Levy não teve poder para fazer o que “precisava ser feito”. ” Levy nunca viu seu plano adotado, não tem culpa de nada”, conclui.

Da Folha

Troca de ministro é irrelevante nesta roleta-russa política, diz Delfim Netto

troca de ministros da Fazenda é irrelevante e não afasta a impressão de que o país está “indo para o buraco”, diz o ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto.

Um dos economistas mais respeitados do país, Delfim foi ministro na ditadura militar e interlocutor dos governos Lula e Dilma, no início do primeiro mandato.

O afastamento começou no final de 2012, quando a presidente insistia numa política econômica que desequilibrou os preços no país e enfraqueceu o setor industrial.

Embora contrário ao impeachment —”seria preciso haver prova de que Dilma foi desonesta”—, ele diz que a administração política da presidente “desintegrou-se”.

“Estamos numa roleta-russa, não num jogo político.”

*

Folha – A troca de ministros da Fazenda faz diferença?

Antonio Delfim Netto – Não. Os dois [Joaquim Levy e seu substituto, Nelson Barbosa] são muito competentes. O problema não é econômico. É político. Não há possibilidade de terminar um ajuste fiscal sem reconstruir primeiro —ou junto com ele, pelo menos– a expectativa de crescimento.

Como se recupera o crescimento agora?

O crescimento é um estado de espírito. O que existe hoje é um desânimo muito grande, produzido pelas dificuldades da economia, que, por sua vez, desintegraram a administração política.

O Brasil é um país hoje em que a administração política está anulada. Um governo que tem dez partidos com 320 deputados, e nenhum partido tem fidelidade ao governo, nenhum deputado tem fidelidade ao partido.

Estamos numa roleta-russa, não num jogo político.

Sem definição do conflito político, então, não há saída?

 

É mais que isso. Não é só que a situação presente é difícil. É muito pior, a perspectiva é que estamos caminhando para o buraco. O que precisa eliminar é essa perspectiva, e ela só será eliminada se fizermos as reformas necessárias.

Quais são?

Enfrentar o problema da Previdência, das vinculações. Vinculação é um ato maluco, é a mesma coisa que estar num avião, ligar o piloto automático e esperar acabar o querosene. Ela tira o poder do Congresso e do Executivo.

Precisamos restabelecer certa flexibilidade no mercado de trabalho, o que não quer dizer reduzir direitos constitucionais do trabalhador, mas harmonizar as relações entre trabalhadores e empresários, sob vigilância dos sindicatos, para que se organizem melhor.

Precisa enfrentar também o problema fiscal. A tributação é muito alta, muito injusta. Não vai resolver tudo de uma vez, mas é preciso que alguém apresente ao Congresso essas reformas. Isso obriga o Congresso a enfrentar os assuntos. Hoje se imagina que o Congresso não vai aprovar e não se manda nada.

Há clima político para aprovar alguma reforma agora?

Não. É preciso organizar a política. Temos um sistema sem credibilidade. A troca de ministros é irrelevante. O que é relevante é o Poder Executivo recuperar o seu protagonismo, apresentar ao Congresso as reformas constitucionais necessárias e ir para a rua —conclamar a sociedade a pôr em xeque o Congresso para aprová-las.

A presidente Dilma tem condições para isso?

Espero que sim. Ela diz, pelo menos, que é guerreira. Não há solução tranquila para o país a não ser a retomada do protagonismo do Executivo.

A reação de desconfiança do mercado financeiro após o anúncio de Barbosa indica que o custo do ajuste será mais alto?

O mercado sabe muito pouco. Basta ver o que pensava no início deste ano e o que pensa hoje.

E a proposta aventada por Barbosa de colocar bandas na meta fiscal?

Não inventa nada, meu Deus! Todos os países desenvolvidos hoje, por tentativa e erro, chegaram à mesma política. Vamos copiar em vez de inventar.

Qual o principal erro do ministro Levy?

O ministro Levy não cometeu erro nenhum. Ele não teve poder para fazer o que precisava ser feito. Confundiu-se o Levy como um fanático do equilíbrio fiscal, que era só uma ponte para ver aprovadas as reformas constitucionais. O Levy nunca viu seu plano adotado, não tem culpa de nada. Tudo o que se atribui a ele vem das medidas tomadas antes. É o pensamento mágico da esquerda infantil, de achar que o efeito vem antes da causa.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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16 Comentários
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  1. maria rodrigues

    20 de dezembro de 2015 12:33 pm

    Para quem tem tanta ogeriza

    Para quem tem tanta ogeriza aos filhotes da ditadura, como eu, ver Delfin Neto considerado demais, elogiado demais num governo democrático, faz-me mal. Imagine-se, por exemplo, se ele teria honradez suficiente para detonar contra Eduardo Cunha por ter dinheiro na Suíça, não declarado no Brasil, se lá atrás, em comum acordo com os pilantras da ditadura, foi u dos que salvavam suas contas exatamente aonde? Na verdade, ele é um baita safado, embora inteligente, sem dúvida, até porque não saiu de cena nessas décadas todas. O Brasil tem nomes na Economia tão ou mais capazes do que esse miserável, com toda certeza. Nome honrado.

    1. João d'CUia

      21 de dezembro de 2015 8:20 am

      ingrata!!!   se Delfim

      ingrata!!!   se Delfim quisesse poderia com uma canetada acabar com o imposto sindical , o que o faria  com hoje não houvesses qualquer rasto de petismolulismo , além de que seria mais aclamado que a Princiesa Isabel por ter livrado o trabalho brasileiro dessa chaga de trabalhar para sustentar um bando de vagabundos  asquerosos

  2. MarcoPOA

    20 de dezembro de 2015 12:55 pm

    Alguns aprendem professor!

    Outros só enxergam quando a bomba cai no colo deles, familiares ou amigos!

    Levy foi o boi de piranha…viu tivemos um ministro (ex-banqueiro) neoliberal e afinado com o mercado e não deu certo!

    Joaquim Levy simplesmente embarcou numa canoa furada!

    Vamos rezar que a condutora da politica economica desta vez acerte (a paciencia dos incautos brasileiro que pagam impostos está ficando cada vez menor, sem contar as tentativas que a presidenta desperdiçou)!

    Concordo 100%….o nome do ministro da fazenda é irrelevante!

  3. Rui Daher

    20 de dezembro de 2015 1:12 pm

    É Nassif,

    agora entendo quando você disse que “esse entrou de cabeça no Temer”. 

  4. droubi

    20 de dezembro de 2015 1:20 pm

    Deplorável este comentário
    Deplorável este comentário vira-latistico que reproduzo abaixo:

    E a proposta aventada por Barbosa de colocar bandas na meta fiscal?

    Não inventa nada, meu Deus! Todos os países desenvolvidos hoje, por tentativa e erro, chegaram à mesma política. Vamos copiar em vez de inventar.

    Então quer dizer que se o mundo desenvolvido inteiro está indo para o buraco por causa destas políticas econômicas insanas, o Brasil deve copiar e ir junto para o buraco?

    Incrível. Sensacional.

    Este eh o primor do vira-latistico brasileiro.

    Enquanto o mundo aplaude várias inovações brasileiras nos planos políticos, econômicos, diplomáticos e sociais, vem sempre um velhaco pra dizer que está tudo errado e devemos enterrar tudo e copiar os países falidos da europa!?

    Me indigna muito tudo isto!

    Fora o resto do conteúdo da entrevista, que é desolador!

    Precisamos parar de ouvir estes dinossauros congelados no espaco-tempo social da ditadura militar e continuar a construir o novo.

    1. Caetano.

      20 de dezembro de 2015 4:43 pm

      Esse dinossauro congelado tem

      Esse dinossauro congelado tem mais conhecimento e prática  do que o Nassif e todos nós, leitores, juntos, meu caro.

  5. Arthemisia

    20 de dezembro de 2015 1:35 pm

    Esse é o mesmo cozinheiro que

    Esse é o mesmo cozinheiro que queria fazer o bolo crescer para depois dividi-lo? Ah, tá. De economia e cozinha todo mundo entende um pouco.

    1. João d'CUia

      21 de dezembro de 2015 6:23 am

      [   Esse é o mesmo cozinheiro

      [   Esse é o mesmo cozinheiro que queria fazer o bolo crescer para depois dividi-lo?   [ conte toda verdade, se troollouco.  A promessa sempre foi de  fazer o bolo crescer e apoiar com os recursos do imposto sindical uma nova esquerda mais amante do Brasil e que iria fazer a repartição social, mas com jusitça: tiraria milhões esfomélito das mãos da morte ao mesmo tempo que produzira a maior quanidade de bilionários de toda história mundial do mundo

  6. Alexandre Weber - Santos -SP

    20 de dezembro de 2015 1:53 pm

    Trocar ministros não adianta

    Nesta entrevista li um Delfim lúcido, como há muito tempo não lia.

    Têm toda a razão, não adianta simplesmente trocar ministros, a presidência da república têm de agir com espírito guerreiro e enfrentar os que não desejam ver o Brasil bem.

    Em vêz de trocar ministros a Dilma poderia trocar o modelo administrativo que usa, passando a um com 14 ministérios e 72 secretarias, com isto conseguiria dar Rumo, Norte e Estrela para o Brasil, pois estaria usando a Astrologia, o Tarot e a Geometria.

     

  7. Carioca

    20 de dezembro de 2015 2:08 pm

    Então, FERROU!
    “Não há

    Então, FERROU!

    “Não há solução tranquila para o país a não ser a retomada do protagonismo do Executivo.”

  8. JB Costa

    20 de dezembro de 2015 2:46 pm

    Apelando para o  linguajar

    Apelando para o  linguajar estrambólico-rocambolesco dos ministros do Supremo: com todas as vênias discordo do ex-ministro no tocante a quem reboca quem nesse contexto de crise. O político precede o econômico ou vice-versa? Sem 0,00000001% das credenciais dele ouso afirmar que o desate nó econômico precede o político se quisermos, A CURTÍSSIMO PRAZO, amenizarmos os problemas. 

    Delfim Netto fala em reformas como se tal “remédio” fosse fácil tanto de “fabricar” como de “administrar”. Ora, estamos aí na dimensão do estrutural, não do ocasional, do imediato, do emergencial, do funcional. Suspeito, apenas suspeito, que o ex-ministro tergiversou. Alias, fez pior: incidiu numa tremenda contradição. 

    Qualquer reforma de base. a exemplo das vinculações ou da Previdência, terá que passar pelo Legislativo, ou seja, dependerá dos humores e articulações políticas num processo demorado, complexo e de resultados incertos. Pelo prisma restrito aos diagnósticos faz sentido se afirmar que o problema de fundo é político. Mas isso é mais retórica se estamos nos referindo a medidas emergenciais, para destravar nós CONJUNTURAIS. 

    Não enrola, Delfim. 

     

  9. altamiro souza

    20 de dezembro de 2015 2:53 pm

    até o delfin diz que a dilma

    até o delfin diz que a dilma é guerreira e é contra o impeachment,

    não é pouco,

    dado o  histórico dele…..

    se dilma sair bem dessa crise atual, não tem pra ninguém,

    como diria o locutor esportivo…

    e essa de roleta-russa acho que é um exagero delfiniano….

     

  10. Bonna

    20 de dezembro de 2015 3:49 pm

    Levy foi boicotado

    Seu trabalho foi boicotado desde o primeiro dia pelo colega que estava de olho em seu posto. 

    Agora, aquele que promoveu o boicote diz que vai fazer tudo igual. Até porque, ele sempre soube que não há nada diferente a ser feito.

  11. Daniel Klein

    20 de dezembro de 2015 5:06 pm

    Vira-latismo e cultura

    “Todos os países desenvolvidos hoje, por tentativa e erro, chegaram à mesma política. Vamos copiar em vez de inventar.”

     

    Esta afirmação do Delfin gerou protestos, em geral definitivos como soem ser as opiniões dos tolos. Pelo menos uma vez, o protesto veio embrulhado na declaração de que o mundo desenvolvido caminha para o buraco e que copiar suas sluções é vira-latismo. Para retrucar duas teses, preciso de duas respostas:

    a)      Copiar soluções é vira-latismo

    Desde a origem das civilizações, há coisa de 10-12 mil anos, o progresso humano tem sido o acúmulo de cópias de soluções de soluções de problemas. Quem conheceu a eficácia da roda não tentou reinventá-la, muito menos trocá-la por um polígono com número finito de lados.  No campo das ideias, foram e ainda são frequentes as experiências de revisão das anteriores, mas no campo das soluções práticas de problemas a História tem sido singularmente unidirecional e irreversível. Isso se chama cultura, coisa que os vira-latas, ao contrário dos humanos, não foram capazes de criar. Vira-lata não copia, no máximo imita instintivamente.

    b)      O mundo desenvolvido caminha para o buraco.

    O Estado de bem estar social foi desafiado por um fato contundente e ainda não se definiu sobre como agir frente ele, a entrada de três bilhões de asiáticos no mercado globalizado. O impacto foi maior na UE, quase toda com cargas semanais de trabalho de 35 horas, salários altos e grandes benefícios oferecidos por toda a sociedade, principalmente por meio do Estado. O desafio é manter isso diante da concorrência de 1,5 trilhões de trabalhadores dispostos a trabalhar 50-60 horas semanais em troca de salários quatro vezes menores e quase nenhum benefício adicional. Voltar atrás no processo de globalização seria um retrocesso que condenaria o mundo a conviver por tempo muito longo com a desigualdade regional de renda. Mantida a globalização, que inclui o livre comércio, a emergência dos pobres impõe um alto custo aos ricos. Obviamente, esse custo deve ser melhor compartilhado pela população dos países ricos, mas esse passo não foi dado. Dramaticamente, os ricos dos países ricos têm sido capazes de se livrar de pagar seu ônus, o que não pode durar muito.  Salvo melhor juízo, essa é basicamente a questão a ser enfrentada pelos países ricos, mas com certeza eles não cairão em buraco algum, no final da crise ainda estarão muito bem.

     

  12. racs

    20 de dezembro de 2015 5:08 pm

    “Para Delfim, troca de

    “Para Delfim, troca de ministros não resolve crise política “.  Ó B V I O”   seu Delfim.  Para resolver a crise política, homens públicos como o sr, que tem muito espaço na mídia, deveria aproveitar desse espaço e ter honestidade intectual e falar o que sabe de verdade sobre a manipulação da grande mídia juntamente com essa oposição medíocre e sabotadora da nossa infantil e combalida democracia.

     

  13. Ze Guimarães

    20 de dezembro de 2015 11:22 pm

    Totalmente sem noção

    “conclamar a sociedade a pôr em xeque o Congresso para aprová-las.”

    “A presidente Dilma tem condições para isso?

    Espero que sim. Ela diz, pelo menos, que é guerreira. Não há solução tranquila para o país a não ser a retomada do protagonismo do Executivo.”

    Absurdo dos absurdos. Dilma, no alto dos seus 7% de aprovação, vai pedir apoio à população para forçar o congressoa obedecê-la? Com a Globo contra ela…

    Totalmente sem noção este Delfim Neto… Sem dúvida este é o artigo mais sem noção de 2015

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