4 de junho de 2026

1 a cada 4 mortos pela polícia em SP é adolescente

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Jornal GGN – De acordo com estudo da Prefeitura de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), uma a cada quatro pessoas mortas pelas polícias Civil e Militar no ano passado em São Paulo tinha entre 13 a 17 anos. Além disso, duas em cada três vítimas são negras.

A pesquisa Juventude e Violência no Município de São Paulo traça um perfil com informações como cor, idade e local da morte utilizando dados do Programa Municipal de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AIM), com números da Secretaria da Segurança Pública e do IBGE.

Ainda segundo o estudo, 44% das pessoas mortas em decorrência de ação policial têm menos de 19 anos. O governo paulista diz que os números não batem com registros oficiais e que tem adotado medidas para reduzir a letalidade policial.

Do Estadão

1 em cada 4 mortos por policiais em SP tem entre 13 e 17 anos

Estudo da Prefeitura e da UFSCar, com dados de 2014, mostra que 2 em cada 3 vítimas são negras e a letalidade é maior na periferia
 
SÃO PAULO – Estudo inédito da Prefeitura de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) aponta que, a cada quatro pessoas mortas pelas polícias Civil e Militar no ano passado na capital paulista, uma era adolescente (13 a 17 anos). E duas em cada três vítimas são negras – a incidência de morte (64%) é 2,75 vezes maior do que entre brancos. O governo paulista alega que os números não batem com registros oficiais e trabalha para reduzir a letalidade.

A pesquisa Juventude e Violência no Município de São Paulo será apresentada nesta sexta-feira, 11, no Festival de Direitos Humanos. O levantamento traz informações como cor, idade e local da morte, que são informados em declarações de óbito. A base de dados é o Programa Municipal de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AIM). São usados ainda números da Secretaria da Segurança Pública (SSP), da Fundação Seade e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo, ao qual o Estado teve acesso, mostra ainda que 44% das pessoas mortas em decorrência de ação policial têm menos de 19 anos. Caso de um rapaz de 15 anos, morto em suposto confronto com a Polícia Militar, em 8 de maio de 2014, na Avenida Sapopemba, na zona leste da capital. De acordo com o boletim de ocorrência, ele teria fugido depois que o carro, onde estava com mais duas pessoas, bateu em outro veículo durante perseguição policial.

Em 13 de janeiro de 2014, um jovem de 17 anos foi morto por um policial militar de folga na Avenida General Edgar Facó, na Freguesia do Ó, zona norte. Ele teria, ao lado de outro adolescente de 16 anos, tentado roubar a motocicleta de um PM.

Em fevereiro do mesmo ano, outra vítima, descrita como “jovem, de cor parda”, foi encontrada morta na Travessa do Triunfo, no Tatuapé, zona leste. O autor dos disparos foi um policial militar, que alegou que dirigia seu carro quando foi abordado pelo adolescente, com uma arma. A mãe, em choque, relatou que o filho tinha 17 anos. Os relatos se concentram sobretudo na periferia.

 

 

Surpresa. “Esperávamos que o perfil da vítima fosse jovem, negro e morador da periferia. O que nos impressionou bastante na análise do perfil das vítimas foi o recorte etário. É bastante preocupante que as vítimas da polícia estejam sendo mortas cada vez mais cedo”, disse a socióloga e coordenadora do estudo, Giane Silvestre, do Grupo de Estudos Sobre Violência e Administração de Conflitos (Gevac), da UFSCar.

Para ela, a explicação para o perfil de vítima da letalidade está na imagem do suspeito estabelecida pela polícia. “A PM constrói a ideia de que existe um tipo com determinada cor e idade que transita por determinados territórios e é sempre suspeito. Isso faz com que a ação policial seja direcionada.”

É o que relatam moradores da periferia. João Santos (nome fictício), de 19 anos, diz que já teve de responder mais de dez vezes se tinha antecedentes criminais para policiais militares. “Já fui ‘enquadrado’ inúmeras vezes. Você se sente com medo e sabe que vai ser agredido e sofrer abuso de autoridade”, diz. “O jovem da periferia não precisa criar suas ‘saídas’. Não há show, não tem lazer. Mas, quando vai para a rua, precisa tomar cuidado com os policiais.

O secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, destacou a relevância da letalidade policial em relação à população negra e pobre da capital. “Em São Paulo, a população negra é da ordem de 37% e a proporção de jovens negros (mortos pela polícia) de 15 até 29 anos é de 64%”, afirmou. Ele disse que aguarda nesta sexta a participação de representantes da Secretaria da Segurança Pública na apresentação dos dados. O secretário disse que convidou o titular da pasta, Alexandre de Moraes, para conhecer a pesquisa.

O estudo reconhece também que a violência urbana atinge muitos policiais, mas pontua que a proporção entre policiais e civis mortos por ação policial “evidencia um padrão de uso excessivo da força policial, em especial da PM”. Em 2014, foram 353 vítimas de ação policial, ante 11 policiais mortos.

Secretaria diz ter realizado ações contra letalidade

Questionada sobre a pesquisa, a SSP afirma que os números apresentados “não correspondem aos registros oficiais” e que não podem ser analisados porque a metodologia do estudo não foi explicada. A pasta também diz que desenvolveu ações para reduzir a letalidade policial. Entre elas, está determinação para que as Corregedorias e os comandantes da região compareçam ao local onde houver vítima de confronto com policiais. Segundo a SSP, a resolução “reduziu mais de 30% a letalidade policial militar, em serviço, no último mês de outubro”.

“Vale ressaltar que a taxa de homicídios atualmente é de 8,94 casos por grupo de 100 mil habitantes, menor do que a taxa brasileira e abaixo da taxa considerada endêmica pela ONU.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. rdmaestri

    11 de dezembro de 2015 12:28 pm

    É só assistir os programas de terror explícito da ação da PM-SP.

    Não é preciso muita pesquisa para detectar o que é considerado suspeito pela Polícia Militar de São Paulo, é só assistir um dos programas que acompanha as viaturas desta polícia na rua. Mesmo sabendo que estão sendo filmados que deve corresponder a menos de 1% das viaturas da PM-SP, fica explícito o que são considerados suspeitos por ela.

    Assisti um dia em que um automóvel com três rapazes dentro, que não era roubado, que não havia nenhuma advertência de suspeitos com o perfil do automóvel ou dos seus ocupantes, foi simplesmente parado e todos revistados. O automóvel era de propriedade legal de um dos condutores, todos tinham identidade a mão e nenhum tinha passagem pela polícia, não foi encontrado nada de ilegal no automóvel, ninguém tinha aparência de embriagues, em resumo eram cidadãos trabalhadores andando a noite num automóvel de sua propriedade.

    Terminado a abordagem, tendo sido revistado cada um, tendo o automóvel sido examinado com cuidado, não havendo nenhum pedido de desculpas formal do comandante da patrulha eles são liberados e o mesmo comandante relata em palavras textuais.

    – Tendo verificado que indivíduos num automóvel em atitude suspeita, não ….

    A pergunta que se impõe é porque os indivíduos estavam “em atitude suspeita”, pois durante o programa fica claro que foram parados a partir de nada.

    O suspeito no Brasil, são pessoas pobres, negras que durante a noite não ficam dentro de suas casas e desejam sair para fazer qualquer coisa LEGAL.

    Em resumo, pobres e negros só não são suspeitos quando estão trabalhando!

    REALMENTE, ESTAMOS NUMA SOCIEDADE ESCRAVOCRATA.

  2. rdmaestri

    11 de dezembro de 2015 1:20 pm

    Eu perguntaria a polícia de São Paulo.

    Qual será a aparência de algum chefão do trafego que vende para os chefinhos nas favelas? Não seria de alguém, branco, bem vestido, num carro de sua propriedade e talvez até com motorista?

    Pois bem, este tipo nunca é parado pela polícia por “atitudes suspeitas”.

  3. altamiro souza

    11 de dezembro de 2015 1:36 pm

    num  capitalismo meio

    num  capitalismo meio selvagem, o resultado sobra sempre para os mais pobres e negros, os periféricos..

  4. Marcela Rodrigues

    11 de dezembro de 2015 3:24 pm

    Uma observação: essas

    Uma observação: essas constatações só ganham ou deixam de ganhar sentido se comparadas à distribuição total por idade e cor do conjunto da população na qual esses eventos ocorrem. Se a maioria da população for ‘negra e parda’, ou ‘jovem’, o dado passa a refletir apenas a distribuição normal desses grupos no conjunto. Estudos estatísticos têm que ser sérios e ter metodologia precisa, ou caem em algum tipo de afirmação a priori ou voluntária. Se ocorrem acima da média da distribuição populacional, em que percentual isso ocorre? E quais as causas possíveis – sem induzir as hipóteses. Ciência social tem que ser muito séria e criteriosa para ser confiável e útil. 

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