
Por André Araújo
O desemprego na Alemanha em 1932 chegou a 40% e criou as condições para que os nazistas ganhassem o poder nas eleições de Janeiro de 1933. Na mesma Alemanha, em 1923, a inflação chegou a muito mais que 1.000% ao dia e não causou quebra das instituições da República de Weimar e nem agitação de rua. No ano seguinte, o economista Hjalmar Schacht, com um plano simples acabou com a hiperinflação, mas para acabar com o desemprego foi muito mais difícil em 1933, só a preparação bélica da Segunda Guerra é que fez a taxa baixar a zero.
A inflação é tolerável, o desemprego não. Programas dirigidos ao emprego precisam ser implantados com urgência, nenhum governo pode ficar impassível com o desemprego porque este é combustível de crise social e desta para a crise política que inevitavelmente leva à convulsão social e desta se segue um governo autoritário de salvação, que pode ser rotulado como DITADURA. A inflação ao contrário é curável por métodos relativamente simples, todos modelados em torno do Plano Schacht de 1923, copiado literalmente pelo Plano Real de 1994.
Como fazer um programa urgente contra o desemprego? Não havendo apelo ao consumo porque não há base real, não sendo possível rapidamente incrementar as exportações de manufaturados, sobra como única alternativa um programa de obras de infraestrutura em grande escala. Como financiá-lo?
O Brasil é um dos países mais financiáveis do momento, desde que se trabalhe nessa direção. É o maior país ligado ao mundo ocidental entre os grandes emergentes, em segundo lugar o México, os principais países do G-20 estão dispostos a financiar o Brasil desde que saibam para quê. Um programa de obras de saneamento, água, meio ambiente e energia renovável é amplamente financiável, DESDE que: 1. Existem projetos prontos para PPP 2. Não existam problemas complicados de licenciamento 3. Exista no Brasil uma plataforma ÚNICA E COM PODER dentro do Governo para coordenar esses projetos.
Não será difícil levantar 200 bilhões de dólares em fundos soberanos, nos bancos de fomento do Japão, Coreia do Sul, EUA, Canadá, União Europeia, países árabes, desde que o Brasil se apresente devidamente organizado para essa tarefa. Um programa desses empregaria direta e indiretamente 2 milhões de pessoas e seria um freio no desemprego.
O Brasil NUNCA fez um esforço real de captação de investimentos, com poucas exceções. Durante o Governo militar o empresário Mario Garnero fez um seminário em Salzburgo para atrair investidores estrangeiros novos para o Brasil.
Foi um sucesso absoluto, mais de 100 empresas vieram para o Brasil por causa desse seminário. Foi um seminário privado mas com total apoio do Governo. Nunca mais se fez coisa igual.
Em 1981 o Brasil estava à beira da quebra, precisava desesperadamente de dinheiro novo. O Ministro da Fazenda Ernane Galveas fez um giro pelo Oriente Médio com uma comitiva de empresários, levantou em 20 dias US$ 3,2 bilhões mas foi no esforço pessoal e na capacidade de convencimento, Galveas fala perfeitamente inglês e francês e era bom vendedor, foi uma viahem muito bem planejada, com encontros agendados com as pessoas certas, a receptividade aos brasileiros foi excepcional, dou meu testemunho porque estava junto.
O Brasil nunca mais fez esses “road shows”, provavelmente nem sabe como fazer, mas esse é um caminho para relançar a economia parada, alguém do Governo precisa ter esse papel de caixeiro viajante, há enorme interesse pelo Brasil mesmo na crise mas o comando econômico hoje liga-se exclusivamente ao mercado financeiro de curto prazo, NÃO É DAÍ QUE VIRÁ DINHEIRO PARA DINAMIZAR A ECONOMIA. O BC tem diretores exclusivamente ligados ao curto prazo internacional, não tem ninguém, absolutamente ninguém que tenha uma percepção para ir atrás da enorme liquidez mundial de US$75 trilhões em fundos que não estão interessados em apostas cambiais, derivativos de índices e produtos típicos de curtíssimo prazo baseados em apostos e ganhos de spreads de um dia para outro. Esses fundos procuram países viáveis que tenham projetos de longo prazo a serem financiados. O diretor internacional do BC na última reunião do COPOM votou pela alta da Selic, esse cidadão mora ou morou muito tempo fora do Brasil, suas ligações são com o Canadá, para ele quanto mais altos os juros melhor, é claro que com desse tipo de cabeça não se destrava a economia mas é essa a cabeça hoje do comando econômico do País, com foco em agências de rating, carry trade, swaps cambiais e ponto.
Não há nenhum grupo de pessoas no Governo preocupadas com crescimento sem o que não se ataca o desemprego.
Para fomentar o crescimento há um longo caminho, a base são bons projetos, algo que o Brasil ainda pode fazer apesar da devastação da Lava Jato nos escritórios de projetos, o crescimento começa nos bons projetos e depois na venda deles a quem possa financiar porque modelo seja. Isso exige engenho e arte, não contadores e tesoureiros.
É preciso a qualquer custo evitar que o desemprego suba além dos 10 milhões dos demitidos de hoje, todo foco do Governo precisa estar nessa direção, o resto é detalhe.
Na História o desemprego crescente e sem perspectivas sempre acaba muito mal para a politica.
Eugenio L. da Costa
2 de dezembro de 2015 10:26 amEm vez de gerar emprego
Em vez de gerar emprego produzindo mais caros porque vão poluir mais, precisa de mais estradas, por exemplo, gerar emprego nas industrias e setores que produzem bens essenciais como geladeira, fogões etc. Que tal criar emprego para despoluição da agua, dos campos etc.
jasantos
2 de dezembro de 2015 11:04 amuma questão apropriada
Bem apropriada sua preocupação sobre o desemprego e o investimento produtivo.
Onde estão aqueles na academia, nas associações empresariasi e sindicais que se importam com o assunto?
Já é altura de se falar menos de delações- lava jato e falamos do que realmente interessa.
Infelizmente fora os blogs e Carta Capital não me parece que seja assunto que envolva a grande imprensa. Colocar manchetes alarmistas é mais comodo.
Sobre o inicio do post recomento a leitura dos livros “A republica de Weimar” e “Keynes and after” (em ingles).
Comprei-os há muito anos. Não sei se ainda existem.
aliancaliberal
2 de dezembro de 2015 11:45 amAndré emprego sem gerar
André emprego sem gerar utilidade é furada.
O que você descreve no texto já foi e esta sendo feito pelos governos brasileiros desde Jucelino passando pelos governos militares e na era petista.
Gerar emprego no Brasil com uma legislação que engesa as relações de trabalho como?
O resultado é que em cada 10 brasileiros em idade para trabalhar apenas 4,5 estão trabalhando, o resto esta parado ou ma criminalidade.
E quantos empregados você tem?
Quantas pessoas em empregos domésticos foram colocadas para a rua por causa da nova legislação?
atenir
2 de dezembro de 2015 11:59 amSinceramente essa mulher está
Sinceramente essa mulher está mais perdida que cego em tiroteio. Não é só no Banco Central que a politica dela está errada, mas também e principalmente no campo político. A nomeação por duas vezes do gurgel e do janot para ferrar com o governo e poupar tucano é coisa de outro mundo.
Não há dúvida de que a instabilidade economica e politica atual é em grande parte culpa dela. O resto é detalhe…
É um governo suicida.
expertexx
2 de dezembro de 2015 1:31 pmcaro mota araujo,
sinto
caro mota araujo,
sinto dizer, mas infelizmente o desemprego é a arma do bc para conter a inflação.. este governo foi avisado à exaustão que a política econômica estava errada, e agora não tem jeito, vamos sofrer duramente, depressão mesmo.. não é que os “tecos” da vida comemorem o desemprego, mas é assim que funciona.
só mais uma nota, hiperinflação é muito, muito mais fácil de resolver do que inflação crônica alta como a brasileira.. o problema é que para chegar até a hiper o custo é altíssimo, não compensa.. a presidenta não chega a março..
Daniel Klein
2 de dezembro de 2015 2:58 pmPerfeito, o desemprego sempre
Perfeito, o desemprego sempre foi o problema econômico mais grave. grandes investimentos em setores como os listados pelo André seriam eficazes para aumentar o emprego. Masvejo dificuldades em captar recursos estrangeiros abundantes em PPP. O mudo tem boa memória sobre ocomportamento dos diversos países. Em set/2010, a Petobras capitalizou US$70 bilhões llançando ações no mecado internacional. Como Petrobras é uma S.A., controlada pelo governo, a operação foi uma PPP. Mas em vez de respeitar os interesses dos parceiros e lutar pela lucratidade da Petrobras, o governo usou a empresa para realizar políticas diversas, principlmente para controlar a inflação. Os parceiros, antes atraídos com discursos mentirosos, perderam mais da metade do que aplicaram. A resposta não tardou. Ao leilão de campos do pré-sal em 2013, pelo sistema de partilha, novamente tipicamente uma PPP, não compareceu sequer uma pretolífera relevante. Ninguém quis ficar à mercê das políticas do nosso governo.
Para captar grandes investimentos no país, o governo terá primeiro de abrir mão do a manobrar o jogo a posteriori segundo suas cnveniências. As regras do jogo têm de ser claramente enunciadas na formulação dos programas e registradas em contratss irreversíveis. PPP, esqueça, o capital não está nas mãos de bobos.
Dependendo do tipo de programas a serem formulados, é essencial também que o governo reveja sua política de alianças no comércio internacional. Um país que se conforma a ficar amarrado ao mercosul não tem futuro. É preciso abertura para o grande mundo.
junior50
2 de dezembro de 2015 10:15 pmComércio internacional
Como vai explicar, para a “esquerda” , não sei – aliás nem dá para saber se sobrevive – mas já se estuda, ou melhor contempla-se uma maior abertura, tanto do Brasil como da Argentina, visando outras formas de acordos multilaterais, não só com a UE , mas tambem com a Aliança do Pacifico, através da Colombia e Perú.
junior50
2 de dezembro de 2015 10:07 pmInstabilidade + Ativismo midiatico e judiciário =
Desconfiança total.
AA, que exsite muita liquidez no mundo e busca por projetos interessantes é uma verdade, mas não concordo que dos “emergentes” ocidentalizados, o Brasil esteja atualmente, e não será mais por longo periodo, o mais financiavel, pois :
1. Instabilidade juridico institucional ( 2016 será apenas um debate sobre o possivel impedimento da Dona Dilma, e do Dudu Cunha )
2. Incompetencia do governo ( se é que ainda existe algum “governo” ).
3. As diversas legislações ambientais, etnicas, são um cipoal de arbitrariedades, as quais fundos internacionais querem ficar distantes – de 1 ano a 3 anos para receber uma autorização, é um custo imenso, é mais rentavel aplicar em titulos a 15% a/a, do que aturar Ibama, Funai, Procuradores de varias esferas, ONGs ……….
4. Projetos que poderiam ser montados não dependem apenas de condições técnicas – e detalhe, estamos sem empreiteiras que possam ser parceiras internacionais, conforme esta na atual legislação referente a PPPs, esta teria que ser mudada **, o que depende do Congresso – e a outra opção, de deixar para os financiadores externos o total comando do projeto, sofreria sérias resistencias do atual governo ( se este sobreviver ).
5. Desinteresse : Meu filho, como vc. escreve, ” road shows ” para captação de investimentos a longo prazo, não são os que estamos a anos realizando, “vender” Brasil para fundos em Nova York ( Wall Street ), é só negociar com especuladores, que no primeiro “baque”,até se for insignificante, saem vendendo o papel empresarial/infraestrutura *, para “recompor” o fundo com aplicações em titulos de divida, com arbitragem de cambio.
* debentures de infraestrutura: Uma boa forma de captação que dilui o risco do BNDES e Bancos emissores, só que nossa legislação faz exigências, que para colocar este tipo de “papel” no mercado, o investidor, se tiver sorte, ótimos advogados, projetos aprovados em todas as instancias ( o executivo ), demorá até um ano, na India não chega a 4 meses, na Africa do Sul em menos de 6 meses, no México/Panamá/Chile/Perú em até 45 dias dá para fazer.
** o Levy / Barbosa, querem altera-la, o projeto está parado, estacionado, no Congresso.
AA, não é a economia que está matando empregos, e pior, a geração futura de empregos, é a politicagem.
Waldyr Kopezky
3 de dezembro de 2015 12:33 pmTerror e incertezas?
AA, sempre “aéreo”… Esse post é puro delírio – pra não acusar ninguém de fomentar terror e incertezas!
Vamos aos fatos:
1. O desemprego é muitíssimo menor no Brasil, a partir de 2003 – links (https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-evolucao-da-taxa-de-desemprego) e imagem (https://www.google.com.br/url?sa=i&source=imgres&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwiDjqbE1r_JAhWDWpAKHbSSA_MQjRwICTAA&url=http%3A%2F%2Fjornalggn.com.br%2Fblog%2Fluisnassif%2Fa-evolucao-da-taxa-de-desemprego&psig=AFQjCNEnRckwRSjUVIlL27jcTavJ21CsOA&ust=1449231594437861).
2. O Brasil é o sexto maior destino de investimentos mundiais em 2015 – tudo bem, já foi o 4º e 3º, desde 2010. Mas nos anos 90 e até antes disso, era diferente (link: https://www.google.com.br/url?sa=i&source=imgres&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwismtXt17_JAhUJI5AKHSDEBvIQjRwICTAA&url=http%3A%2F%2Fwww.empiricus.com.br%2Fo-fim-do-brasil%2F&psig=AFQjCNFvcqG6n5TWq7D7HDBTc6KXIJqM7w&ust=1449231949643895).
3. Brasil já foi o nº 1 do mundo na redução de desemprego (link do Uol: http://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2013/04/25/brasil-e-o-pais-que-mais-reduziu-desemprego-desde-2008/)
4. Taxa de desemprego está estável (reportagem de setembro) – link (http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/09/taxa-de-desemprego-se-mantem-estavel-mas-com-tendencia-ascendente-9147.html)
Querem mais um gráfico esclarecedor? Taí: https://www.google.com.br/url?sa=i&source=imgres&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwi84-jp1r_JAhWEvJAKHTnBCBwQjRwICTAA&url=http%3A%2F%2Fguerrilheirodoanoitecer.blogspot.com%2F2015_09_01_archive.html&psig=AFQjCNGb_KZFp0rxTB7BRhrRi8w_raksdQ&ust=1449231673144838
O resto é o conhecido “Luar de Paquetá”. Abs.