POR NILSON LAGE, COLABORAÇÃO PARA O TIJOLAÇO · 27/11/2015
A propósito dessa fotografia(*) do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quero formular um comentário dirigido particularmente aos velhinhos do Clube Militar e congêneres, alguns dos quais, os mais antigos, podem ou devem ter sido meus colegas de Colégio Militar.
A perseguição que movem a esse homem, à sua esposa, a seus filhos e amigos não se deve ao fato e ele ser incompetente como político ou como gestor; se tal acontecera, o julgariam irrelevante. É porque importa que se importam com ele.
Nem se deve ao fato de, em seu governo, terem ocorrido graves episódios de corrupção. Qualquer um de vocês que tenha tido comando sabe que a corrupção é endêmica, perpassa a administração desde muito tempo antes e contamina todas as estruturas até agora criadas para controlá-la. Pode-se dizer que a corrupção, que havia, cresceu com o país nos últimos 12 anos, não mais que ele. Talvez bem menos.
Pesa, é certo, a origem modesta e nordestina do personagem, sua escolaridade escassa, sua fala comum e sincera que, no entanto, encanta os estrangeiros. O bom discurso, no Brasil, é hipócrita e a universidade pública pensada como cínica socialização para os mais ricos.
Comandando um país massacrado por crise econômica de vinte anos, propiciada por erros políticos estratégicos dos governos militares e prolongada pela pressão constante em favor da desnacionalização, Sua Excelência cometeu, decerto, muitos erros, falhou por ingenuidade ou esperteza ao negociar com a picaretagem bancária e jurídica, relutou diante dos desvios e exageros da cultura globalizada e ouviu demais maus conselheiros no empenho de obter objetivos imediatos que julgou relevantes.
Mas o que move o atual processo político são outros interesses.
O que os motiva é que, no exercício de seu mandato, o Presidente Lula da Silva promoveu o renascimento da indústria pesada e de defesa, a multiplicação dos centros de pesquisa científica e tecnológica, a reafirmação da política de soberania, paz e segurança em nosso espaço estratégico e criou condições para se reafirmarem os conceitos basilares de Amazônia Verde e Amazônia Azul.
São fatores de dignidade nacional.
É o que, no momento, está sendo posto em xeque.
(*)A foto, reproduzida ao alto, está na capa da Folha de hoje, é de Jorge Araujo e tema do blog de Mário Magalhães, no UOL.
Nota da Tijolaço: Nilson Lage, 79, é jornalista desde os anos 50, com passagem por várias grandes redações e uma careira universitária, na UFRJ e UFSC em que foi – e continua sendo – referência para milhares de seus ex-alunos, um deles o autor deste blog.
Mal a imprensa anunciara, na quarta (25), a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, na 20ª fase da Operação Lava Jato, a piada pronta já se espalhava pelas redes sociais:
-Hoje é um dia histórico para o país… finalmente, um tucano foi preso!
-Verdade? Não acredito… o que ele fez?
-Um monte de coisas que não devia… mas, principalmente, se filiou ao PT!
A piada serviu para o regozijo para boa parte da militância petista, que jamais enxergou em Delcídio “um dos seus”. Mas não reflete toda a verdade. Como também não o fazem as manchetes dos jornalões que estamparam a prisão do “senador petista”.
Delcídio não é exatamente petista. Nem tão pouco tucano. É uma espécie de ser híbrido – meio petista, meio tucano – cuja prisão escancara que a corrupção na Petrobras não começou com a chegada do PT e nem respeita siglas partidárias, embora a justiça pareça não querer enxergar isso.
Natural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Delcídio é aquele tipo de político que tem bom trânsito entre partidos diversos. No início da carreira, atuou na Eletrosul, na Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia e foi presidente do Conselho de Administração da Companhia Vale do Rio Doce, que viria a ser privatizada mais tarde pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Em 1994, foi nomeado ministro de Minas e Energia pelo então presidente Itamar Franco, que tinha Fernando Henrique Cardoso à frente da Fazenda. Durante o governo do tucano de FHC, se filiou ao PSDB e acabou assumindo a diretoria de Gás e Energia da Petrobrás. Foi lá que ele conheceu Nestor Cerveró, que atuava como seu sub-diretor, e hoje o acusa de pressioná-lo a se calar na delação premiada.
Também foi nesta época que ele começou a se relacionar com Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como um dos principais operadores do esquema da Petrobrás, que, em delação premiada, afirmou que foi Delcídio quem indicou Cerveró para a diretoria da estatal, já em tempos de governo petista.
Em 2001, quando o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso caminhava para o fim, aceitou o cargo de secretário de Estado de Infraestrutura e Habitação no governo do Zeca do PT. Em 2002, candidato ao Senado, já pelo PT, e foi eleito com cerca de 500 mil votos.
Amigos de ontem
No parlamento, Delcídio manteve os amigos que trazia do passado tucano. Sempre foi muito próximo do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual e apontado pela Forbes como a 13ª maior fortuna do país. Esteves, que também foi preso nesta quarta, é aquele amigo do peito do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Amigo ao ponto de pagar as despesas da lua de mel do tucano, em 2013.
Esteves também é sócio de Pérsio Arida, eleito presidente interino do BTG nesta quinta (26). Arida é um dos economistas gurus de Fernando Henrique Cardoso, sócio do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Oportunity, e ex-marido de Elena Laudau, a ex-diretora do BNDES que ajudou FHC a promover as privatizações que até hoje escandalizam o país.
Inclusive, foi com financiamento do BNDES que, em 1997, o Banco Oportunity comprou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), apontada como uma das principais financiadoras do “mensalão tucano” – aquele mensalão anterior ao petista, mas que nunca vai à julgamento. Em 2005, na presidência da CPI dos Correios, o senador pelo PT Delcídio Amaral ajudou o PSDB a silenciar as denúncias sobre o caso.
Amigos de hoje
Mas se Delcídio tem boas relações com os tucanos, também as têm com muitos petistas. Não por acaso é o líder do governo no Senado, o que, pelo menos teoricamente, o qualifica como parlamentar em fina sintonia com linha política adotada pela presidenta Dilma Rousseff no momento, além de dotado de grande capacidade de articulação em outros ninhos.
E ele é, de fato, figura influente no parlamento. Preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais importantes do parlamento. E é membro efetivo das Comissões de Serviços de Infraestrutura, Agricultura e Reforma Agrária, Ciência e Tecnologia, Ambiente e Defesa do Consumidor e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido não irá tratar Delcídio com a mesma solidariedade que prestou ao ex-tesoureiro João Vaccari, outro petista preso pela Lava Jato. Segundo ele, são casos diferentes, porque Delcídio agiu por conta própria, em atividades não partidárias.
Por que não Cunha?
Delcídio é o primeiro senador da república a ser preso no exercício da função desde a redemocratização do país, em 1985. Conforme o Ministério Público, ele ofereceu R$ 50 mil e uma rota de fuga para que o comparsa Cerveró não apontasse sua participação no esquema da Petrobrás na delação premiada que acertou com a justiça.
Uma gravação feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, durante uma reunião realizada em um hotel em Brasília para discutir a fuga, há cerca de 15 dias, atesta a participação inequívoca de Delcídio no planejamento da fuga, que o Ministério Público classificou como crime de obstrução à Justiça.
Dúvida de fato, nas instâncias dos poderes em Brasília, é só mesmo acerca da legitimidade ou não da sua prisão, já que a lei diz que um senador em cumprimento de mandato só pode ser preso em flagrante. Mas o próprio Senado reconheceu, já na noite desta quarta, por 59 votos a 13, a validade da polêmica decisão tomada antes pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos corredores do Congresso, não falta quem associe o precedente aberto ao caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investigado pela mesma Lava Jato. Não se tem notícia de que Cunha oferecera rota de fuga a nenhum dos condenados pela operação, mas é praticamente consenso que ele tem empreendido uma manobra após a outra para evitar que ele próprio seja investigado.
Para muito além da base do PT
Eduardo Cunha não é o único preocupado com os desdobramentos da prisão de Delcídio. A tal gravação que comprova que o senador tentara obstruir o trabalho da Justiça expõe vários outros ditos “homens importantes” da república. E para muito além das esferas do PT. Entre eles, o espanhol Gregório Marin Preciado, um velho parceiro do senador José Serra (PSDB-SP), casado com uma prima do tucano e ex-sócio dele em negócios imobiliários.
Na gravação, Delcídio atesta que Preciato é o espanhol que participou das negociações do pagamento de propina de R$ 15 milhões pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobrás. Um Espanhol que, ainda segundo ele, a justiça brasileira não teria conseguido identificar.
Aliás, conforme Delcídio, Preciato é muito mais do que um operador do esquema, mas sim a verdadeira cabeça. “O Fernando [Baiano] está na frente das coisas e atrás quem organiza é o Gregório Marin [Preciato]”, afirma. Na gravação, Delcídio também registra a preocupação de Serra de que as denúncias cheguem até o amigo-parente.
“O Serra me convidou para almoçar outro dia, ele rodeando no almoço, rodeando, rodeando, porque ele é cunhado do Serra”, disse Delcídio, acusando o tucano de tentar extrair dele informações sobre as investigações.
Preciado é próximo a Serra desde que foi membro do Conselho de Administração do Banespa, de 1983 a 1987, enquanto o tucano era o secretário de Planejamento de São Paulo. Na campanha de 1994, quando Serra concorreu ao Senado, Preciado chegou a fazer doações eleitorais para ele.
Ele caiu em desgraça quando o governo tucano chegou ao fim. Como aponta o livro Privataria Tucana, de Amauri Ribeiro Junior, foi um dos alvos da CPI do Banespa, por conta de supostas operações irregulares no banco. Também foi acusado de se beneficiar da amizade com o ex-tesoureiro do PSDB e então diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, que lhe conseguira um abatimento de R$ 73 milhões em uma dívida.
1. O Supremo Tribunal Federal determinou a prisão preventiva do Senador Delcídio Amaral (PT-MS), basicamente sob a acusação de tentativa de obstrução da Justiça, configurando flagrante delito.
2. O Supremo Tribunal Federal tomou esta decisão com base em gravações de diálogos mantidos pelo Senador com outras pessoas, algumas das quais também foram presas. Não se conhece ninguém que questione a autenticidade e legalidade das referidas gravações, nem tampouco a gravidade do que ali é dito.
3. O Senado Federal decidiu, em votação realizada depois da prisão, validar a prisão. A maior parte da bancada do PT votou contra, argumentando que não estaria sendo respeitado aquilo que a Constituição prevê como condição para a prisão de um mandatário popular.
4. Não se trata de um tema simples, envolvendo desde interpretações da Constituição até a análise do significado político da prisão do líder do governo Dilma no Senado Federal.
5. Isto posto e por isto mesmo, somos de opinião que a maioria da bancada do PT no Senado Federal errou. Ao Partido dos Trabalhadores e ao Governo Dilma interessa separar o joio do trigo. E o fato é que o Senador Delcídio Amaral traiu a confiança do governo, traiu a confiança do PT, traiu a confiança do eleitorado popular.
6. É verdade que o STF aplica, contra petistas e filiados ao PT, um rigor que não adota quando se trata de filiados a partidos de centro-direita. Exemplo disto é o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), que até este momento segue solto. Entretanto, não é de esquerda a tese segundo a qual enquanto não restaura-se a moralidade, locupletar-se é permitido. Está provado que o Senador usava o cargo para tentar cometer um crime, em benefício próprio e em prejuízo dos interesses do Brasil, do governo e do próprio PT, que seriam inevitavelmente acusados de estarem por trás da eventual fuga do criminoso que Delcídio Amaral queria impedir de colaborar com a Justiça.
7. Por tudo isto, a bancada do PT no Senado deveria ter votado a favor de chancelar a prisão preventiva determinada pelo STF. E com muito mais motivos — pois neste caso não está em jogo uma interpretação da Constituição, mas sim o estatuto e o código de ética do Partido– , a Comissão Executiva Nacional do PT deve abrir imediatamente um processo disciplinar contra o senador, reafirmando o caráter pessoal e anti-partidário de suas ações e sinalizando explicitamente a disposição de expulsá-lo do Partido.
8. O presidente nacional do PT, companheiro Rui Falcão, divulgou uma nota na qual declara perplexidade com a atitude do Senador. Apoiamos o presidente do Partido em sua atitude de não prestar solidariedade a Delcídio Amaral, mas não compartilhamos de sua perplexidade.
9. Registre-se que quando Delcídio Amaral pediu filiação ao PT, nós da tendência petista Articulação de Esquerda votamos contra no seu diretório municipal. Derrotados, impugnamos a filiação no Diretório estadual do PT-MS. Derrotados, questionamos a filiação junto ao Diretório Nacional. Nós sabíamos quem ele era, acompanhamos sua trajetória pública desde então e por isto não estamos perplexos.
10. Não é necessário lembrar agora, quem patrocinou, apoiou, deu os votos necessários ou simplesmente lavou as mãos, permitindo por ação ou omissão a filiação de Delcídio Amaral.
11.Mas aquele erro está na origem do que ocorre agora, quando o conjunto do Partido sofre os efeitos da filiação de alguém que nunca teve qualquer passado de esquerda. E que em diversas oportunidades — por exemplo na CPI dos Correios, no processo do chamado mensalão, na discussão do regime de partilha do petróleo, nos temas indígenas etc.– demonstrou ter uma mentalidade empresarial e tucana, traindo inclusive aqueles que estimularam sua filiação ao PT.
12. O caso de Delcídio Amaral, assim como os de André Vargas e Candido Vaccarezza, são sintomáticos da falta de critério, da falta de vigilância, da falta de limites, do oportunismo e do pragmatismo que predominam em certos setores do Partido.
13. Se quiser sobreviver ao cerco da direita, o PT não precisa apenas mudar de política, precisa também mudar de comportamento. O que significa, em casos como este, que precisamos depurar. Por tudo isto, o PT deve expulsar Delcídio Amaral.
PS do Viomundo: Líder do governo no Senado, gravado numa “capangagem” de quinta categoria, coisa de envergonhar o PCC… E tem gente que acha que foi “injustiçado”.
Agora, carta aberta ao ministro Gilmar Mendes, do STF
Por Dom Orvandil
Prezado ministro Gilmar Mendes
Certamente o senhor conhece a enorme repercussão social da infeliz e classista manifestação da ministra Carmen Lúcia na 2ª turma do STF ao justificar seu voto na decisão do ministro Teori Zavascki ao ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral, cujo discurso foi objeto de uma carta aberta minha (o senhor pode relê-la aqui).
Nesta sexta feira o senhor completou o colorido sombrio de casa grande sobre o País da senzala.
Numa associação de advogados em São Paulo no dia 27 de novembro deste ano o senhor afirmou, para meu estarrecimento e o de milhões de irmãos brasileiros, porque fora de qualquer exercício da magistratura e do juízo de qualquer processo, algo de impressionar pelo caráter de seu compromisso ideológico, costumeiramente negado, como é de praxe entre pessoas de sua tez política: “Nessa campanha, a presidente Dilma disse, como candidata: nós fazemos o diabo para ganhar a eleição. O presidente Lula disse, em algum momento, na presença da candidata Dilma: eles não sabem o que nós somos capazes de fazer para ganhar a eleição. Agora a gente sabe o que eles podem fazer para ganhar a eleição, mas não na urna, em outro campo”.
Ora ministro, o senhor é um homem culto (no sentido de sua qualificação acadêmica com um curso de graduação em direito, dois mestrados e um doutorado) e sabe muito bem que até numa roda de cerveja com amigos as falas das pessoas são contextuais e pertencem a um universo amplo. O que o senhor citou de uma fala do ex-presidente Lula e outra da Presidenta Dilma, candidata a reeleição em 2014, fora dos devidos contextos, onde se encontram o sentido do que disseram, o senhor não as refere.
Ao não contextualizar o discurso alheio o senhor dá novo significado, que diversam extremamente do que as duas personalidades disseram. Isso em metodologia científica e do ensino superior é chamado de desonestidade intelectual.
A partir daí o senhor infere, para mim movido de extraordinária má-fé, que os dois – um fazendo o diabo para ganhar a eleição, a outra de que os inimigos do povo, a direita, os fascistas, não sabem de que somos capazes para ganhar a eleição – de que os tais candidatos compraram de votos e que suas respectivas eleições são produtos da corrupção praticada por eles.
É o que senhor diz ao afirmar: “A gente fica imaginando (o senhor realmente é dotado de fantástica imaginação) a captação do sufrágio como a compra do eleitor via distribuição de telha, saco de cimento, tijolo. Na verdade, em termos gerais, dispõe-se da possibilidade de fazer políticas públicas para aquela finalidade. Aumentar Bolsa Família em ano eleitoral, aumentar o número de pescadores que recebem a Bolsa Defeso. Em suma, fazer este tipo de política de difícil impugnação inclusive por parte dos adversários. A Justiça Eleitoral será que estaria preparada para este tipo de debate? O que resulta disto é um déficit de R$ 50 bilhões estimado pelo TCU (Tribunal de Contas da União)” (veja mais aqui).
Quer dizer, ministro Gilmar, para o senhor o Estado assumir a responsabilidade, com projetos aprovados e amparados pelo Congresso Nacional, pelas mazelas que durante anos e séculos a classe dominante, pelo senhor defendida e aplaudida, jogando famílias brasileiras aos milhões na miséria e na pobreza, é compra de votos?
Para o senhor retirar seres humanos da extrema desumanidade numa sociedade que se acostumou e até acha normal passar por filas de desempregados, por crianças, mulheres e homens mendigando nos semáforos, é comprar eleitores?
Para o senhor acolher os direitos à cidadania por parte de negros, negras e indígenas jogados ao lixo como seres de terceira classe, é comprar votos?
Dar direito ao voto aos pobres e abraçá-los nas eleições para que ajudem a redesenhar a democracia, antes somente privilégio de brancos, de ricos e de proprietários mandantes dos famosos votos a cabresto, é compra de sufrágios e corrupção?
O senhor “imagina” que o direito de votar dos pobres não é conquista assegurada pela Constituição Federal, mas invenção de Lula – fazedor de diabos – e de Dilma – que, segundo o seu discurso, “faz qualquer coisa” para vencer pleitos – e não do povo composto por trabalhadores, pobres, jovens sem oportunidade de estudar e de crescer, que nem pensavam em quem votar?
O senhor, com sua afirmação sobre a Bolsa Família, respeitada mundialmente, inclusive pela ONU, e da proteção dos direitos dos pescadores, sempre abandonados às intempéries depois de fartas pescarias entregues aos restaurantes frequentados por quem se quer se lembra de seu sofrimento, considera que tudo foi feito pelo Estado brasileiro como política pública para arrebatar votos?
O senhor avalia que os pobres, os miseráveis, os esquecidos não merecem solidariedade, dr. Gilmar Mendes? Pelo contrário, que eles devem ser, como sempre o foram desde que se vota neste País, apenas sufrágios cabresteados e manipulados com dinheiro e esmolas em vésperas de eleições?
Sinceramente juiz Gilmar, sua postura gera muitas tristezas, instabilidade política no País e no acirramento dos ânimos, jogando irmãos contra irmãos.
Sou professor do ensino superior e todas as semanas me deparo com alunos e alunas que somente comem do pão cultura graças ao Pró Uni e até ao Bolsa Família. Talvez se o senhor imaginasse menos e convivesse mais com o povo, com os pobres e com os trabalhadores acabaria por entender da mesma maneira que eu.
Mas o entendo, dr. Mendes. Aliás, muita gente entende o senhor e o que faz neste País para desgraçar nossa paz.
Nosso povo na sua imensa sabedoria define bem a biografia do senhor, quando afirma: “dize-me com quem andas e te direi quem és”.
O noticiário deste ano é farto em fatos ruins e de pessoas indecentes. Pois o senhor se reuniu com algumas destas, notórios golpistas, e elas sim fisiológicas, fichas sujas e mau caráter. Reuniu-se para fazer o que o povo diz no seu ditado para dizerem o que são. Cito a notícia literalmente: “O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tratou com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e com o deputado Paulinho da Força (SD-SP) a crise política e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff” (aqui).
As pessoas que o acompanham são realmente ativas no poder e nos desfrutes da casa grande, adoradas também por Eduardo Cunha e Paulinho da Força, manifesto pelego que envergonha a classe trabalhadora. Aqui mais um exemplo: “Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso”. Como o Brasil e o mundo sabem, o seu amigo presidente, a respeito de quem o senhor “não fica a imaginar” nada como no caso do ex-presidente Lula e da Presidenta Dilma, de quem o senhor sofre urticantes instintivos, é exuberante privatista e neoliberal, regime moderno dos que, na casa grande, usufruem do trabalho, que o senhor consideraria indignos de votar, dos que votam sem pensar porque as políticas públicas funcionariam como meio de comprar suas “debilitadas” consciências.
Em 2008 o senhor, depois de empossado na presidência do STF tomou atitude que estarreceu o País em defesa de um amigo, daqueles que nosso povo apelida de “amigo da onça”. “À frente do Supremo, gerou enorme polêmica ao conceder um habeas corpus para o banqueiro Daniel Dantas preso pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, que investigava o desvio de recursos públicos, entre outros delitos.” (Mais aqui).
Os integrantes do regime da casa grande não têm preconceito na escolha de suas amizades, desde que não sejam trabalhadores, pobres, negros e indígenas. O senhor também não se limita a essas coisas de não dar tempo e investir em amizades poderosas, como revela o site Pragmatismo: “Escutas interceptadas pela PF e divulgadas nesta segunda-feira levantam a suspeita de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido por Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres” (ex-DEM-GO).
Nessa mesma linha o senhor não titubeou em aprovar as candidaturas dos fichas sujas José Roberto Arruda e Paulo Maluf, homens que desbotam e desonram a política brasileira.
Os efeitos da amizade dos da casa grande, como o senhor e os seus amigos, atuam danosamente com forças destrutiva, desalojante e desorganizativamente desproporcionais da vida dos da senzala, dos mais extremamente desprotegidos dos campos, das matas e das cidades. A repórter da Agência Brasil, Ana Luiza Zenker, escreveu sobre isso no dia 06/03/2009, quando informa da nota da CPT “que o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges, acusou o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de ser parcial no tratamento da questão dos conflitos agrários.” “O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra em Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras” (aqui).
Dom Xavier denunciou que o senhor considerava que recursos públicos investidos em instituições que defendem o povo, como os Sem Terra, são ilícitos.
Coerente com seu pensamento e com o das elites, que acham lícito privatizar, entregar os bens públicos para particulares e para estrangeiros lucrarem com nossas estatais do que vê-las produzindo para o bem de nosso povo.
O jornalista Maurício Dias assegura que o senhor é homem frio, tipo calculista, que não se inibe em ligar para ministros de Estado e chefes importantes para pedir vagas e privilégios para seus amigos.
Discordo de Maurício. Penso que o senhor não é homem frio. Pelo contrário, o senhor é tremendamente emotivo e demonstra isso na sua voz e tons controlados, até para ameaçar e tentar inibir.
Quando o vejo falar no tribunal do STF ou em entrevistas pela TV percebo um homem intenso de ódio e de rancor. Seus olhos parecem faiscar e sua boca espuma de raiva dessa gente que sufraga presidente operário e Presidenta ex-guerrilheira, que sua gente adora apelidar de bolivarianos e de ideologia cubana.
O grande jornalista Luis Nassif, que o senhor ardorosamente odeia, confirma a intensidade de sua personalidade de homem da elite dominante, que aqui, tomando emprestado o simbolismo do antropólogo Gilberto Freyre, chamo de casa grande, lugar dos senhores escravocratas, que nadavam nas riquezas produzidas pelos escravos, que eles odiavam.
Num artigo publicado pela Carta Capital Nassif conta sobre as ironias rancorosas numa seção plenária do STF que, segundo ele, o senhor fez contra aquele competente jornalista: “Certamente quem lucrou foram os blogs sujos (esse é nome dado aos blogs críticos e diferentes da mídia tradicional por seu companheiro de partido, José Serra), que ficaram prestando um tamanho desserviço. Há um caso que foi demitido da Folha de S. Paulo, em um caso conhecido porque era esperto demais, que criou uma coluna ‘dinheiro vivo’, certamente movida a dinheiro (…) Profissional da chantagem, da locupletação financiado por dinheiro público, meu, seu e nosso! Precisa ser contado isso para que se envergonhe. Um blog criado para atacar adversários e inimigos políticos! Mereceria do Ministério Público uma ação de improbidade, não solidariedade”.
Como se demonstra aí, o senhor, além de odiar quem trabalha, não gosta da crítica democrática, saudável e que ajuda a crescer.
De modo que, ministro Gilmar Mendes, o senhor consegue uma unanimidade considerável em relação ao seu ódio e arrogância contra os pobres, que o senhor ofendeu profundamente ao considerá-los imbecis que trocam votos por telhas, sacos de cimentos e de tijolos.
Tem razão Dom Xavier ao afirmar que o senhor causou a matança de pequenos agricultores, de indígenas e de posseiros com suas decisões em favor dos grandes proprietários.
Com sua palestra em São Paulo certamente o senhor alimenta o fundamentalismo irracional, os preconceitos contra negros e pobres e ameaça a democracia.
• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais. • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
Dr. Moro não conhece o significado da palavra prevaricação
É um crime funcional, isto é, praticado por funcionário público contra a Administração Pública em geral, que se configura quando o sujeito ativo retarda ou deixa de praticar ato de ofício, indevidamente, ou quando o pratica de maneira diversa da prevista no dispositivo legal, a fim de satisfazer interesse pessoal. A pena prevista para essa conduta é de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
No momento em que se levantam, novamente, as vozes do neoliberalismo tupiniquim, exigindo uma rápida abertura comercial do Brasil para o exterior, e o PMDB inclui, em seu documento Uma Ponte para o Futuro, a necessidade do Brasil estabelecer acordos comerciais com a Europa e os EUA, lembrando a iminência e a imposição “histórica” do Acordo Transpacífico, e em que mídia tradicional segue com sua insistência em defender como modelo a ridícula Aliança do Pacífico, a União Européia – depois de enrolar, durante anos, nas negociações com o Mercosul – parece que vai simplesmente “congelar” as negociações entre os dois blocos nesta sexta-feira.
A razão é clara.
Por mais que se esforcem os vira-latas tupiniquins, fazendo tudo que os gringos querem, oferecendo quase 90% de liberação de produtos, os protecionistas europeus simplesmente se recusam a concorrer com o Mercosul na área agrícola – justamente onde somos mais competitivos.
E, além disso, como se não bastasse, a UE como um todo, para dificultar, hipocritamente, ainda mais o fechamento de um acordo, exige o equivalente a uma rendição total da nossa parte:
A liberação de quase 100% dos produtos e livre acesso, para suas empresas, como se nacionais fossem, a setores como serviços de engenharia e advocacia e ao gigantesco mercado de compras governamentais brasileiro, de dezenas de bilhões de dólares.
O recado é óbvio:
Não adianta ficar ganindo e mendigando com olhar pidão, para ter atenção ou uma migalha, porque não vamos ceder um centímetro, e, mesmo que vocês façam tudo, tudo o que queremos, poderão não ganhar nada em troca, está claro?
Como lembramos outro dia, grandes potências impõem acordos comerciais, e os pequenos países os assinam.
Nações que não tem uma indústria tão desenvolvida como a nossa, como a Argentina, ou outras, que, com salários miseráveis, se transformaram em mera linha de maquila, tendo prejuízos no comércio exterior, apesar de trabalharem como burros de carga montando produtos destinados a terceiros mercados, como o México (vide O México e a América do Sul), não tem outra saída a não ser se associar a outros países (esse é o projeto do Brasil para a América do Sul, por meio do Mercosul e da UNASUL) ou assinar acordos comerciais desvantajosos, para se integrar, subalternamente, à economia mundial.
Países maiores, com grandes mercados consumidores reais ou potenciais, como a China, preferem fechar suas economias durante anos, dedicando-se a desenvolver seu mercado interno, a indústria e a tecnologia, abrindo seletivamente seu território a empresas estrangeiras e cobrando um alto preço para quem quisesse ter acesso a ele, para depois se impor, comercialmente, ao mundo.
A pergunta é a seguinte:
Vamos nos atrelar, como um mero vagão de commodities, ao trem puxado pela Europa e os Estados Unidos, onde sempre seremos tratados, apesar de nossos eventuais progressos, como um povo de segunda classe, ou, em nossa condição de oitava economia do planeta, vamos tentar estabelecer um projeto próprio e soberano, de longo prazo, como fazem outras potências intermediárias do nosso tipo, como a China, a Rússia e a Índia, que, aliás, não têm – nenhuma delas – acordos de livre comércio com a Europa ou os EUA?
Tentar emular, abjetamente os outros, e lamber o sapato alheio é fácil.
Difícil é trabalhar para erguer – assumindo a missão e o sacrifício – no quinto maior território do mundo – uma nação justa, forte, e independente, e legá-la, como fizeram em outros países que muitos no Brasil admiram e “copiam”, como um estandarte de honra e de prosperidade, para os nossos filhos.
‘Estudantes e comunidades nunca mais serão os mesmos’Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de São Paulo já podem ser projetados, acreditam educadores.
Gisele Brito – Observatório da Sociedade Civil (via Rede Brasil Atual)
Menos de 20 dias depois do início da primeira ocupação de uma escola estadual, em Diadema, o movimento de estudantes que tentam impedir o fechamento de 94 unidades de ensino segue forte em várias cidades de São Paulo. A ação obrigou o governo do estado a cancelar o Saresp nas escolas tomadas, mudar locais de provas da Fuvest e enfrentar uma contundente derrota no Judiciário, que entendeu que, de fato, faltou diálogo com estudantes e professores que sofreriam os impactos da medida e, por isso, as reintegrações de posse não seriam adequadas.
O governo ainda resiste em dar aos estudantes o que eles querem e insiste na “reorganização”, inclusive gastando R$ 9 milhões para tentar encucá-la na população por meio de publicidade.
Dado o histórico pouco afeito ao diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB), talvez, as escolas realmente sejam fechadas. Mas para educadores ouvidos pelo Observatório, as lições que ficam do movimento já são perenes.
Nas escolas ocupadas, os estudantes têm manifestado satisfação em aprender novos conteúdos a partir da experiência política, cultural e colaborativa. Eles assumem várias facetas do protagonismo. Além de terem de cuidar da rotina, o que inclui se reunir, deliberar e cuidar da segurança, alimentação, limpeza, programação, comunicação e solução de conflitos internos, ainda assumiram papel político de peso na atual conjuntura.
“É uma mobilização ímpar. Ultrapassa tudo que poderíamos pensar em planos de ensino”, avalia a pedagoga e doutoranda em educação Crislei de Oliveira Custódio. “Mais que qualquer proposta construtivista, é uma experiência política de fato. Nas escolas construtivistas, há toda uma programação para o protagonismo, mas que acaba sendo um simulacro do que seria uma experiência democrática em um espaço público. Nesse caso, é mais interessante porque partiu dos alunos, eles estão se organizando nessas coisas cotidianas. Nas escolas construtivistas, ainda é preciso uma permissão do adulto, que decide o que será democratizado”, pondera.
Para o educador Ruivo Lopes, da Ação Educativa, o movimento deixa claro que não se deve subestimar nenhuma criança ou adolescente ao se pensar em políticas públicas, especialmente na educação. “A mensagem que fica é que esses estudantes têm projeção de vida, desejos próprios e condições de intervir na sua própria realidade. Eles já venceram todo o aparato de subestimação”, argumenta.
Os dois educadores ainda ressaltam como a iniciativa dos secundaristas é carregada de valorização das escolas, em um momento em que há um discurso deliberado contra as coisas públicas. A explicitação de um senso de pertencimento fortalece as unidades mobilizadas como equipamento público, fincado no coração das comunidades, que vão além da sala de aula. São locais de encontro, de troca, de lazer. Educativas em sentido muito mais amplo.
Além disso, o movimento conseguiu realizar um dos grandes objetivos de currículos escolares: trazer a comunidade para dentro da escola. Isso fica explícito na mobilização de pessoas para colaborar com aulas e oficinas, que têm mantido efervescente o ambiente das escolas ocupadas, mesmo nos finais de semana.
“Tanto já se falou em trazer as pessoas para a escola, usando festas, criação de conselhos e outros mecanismos. Sempre foi muito difícil, porque em geral a gente identifica como instituição do Estado e não como coisa pública, nossa. Um milhão de pessoas já escreveram sobre isso. E aí, numa coisa super de uma hora para outra, que não era um projeto do governo, se consegue”, ressalta Crislei. “Fico pensando como serão essas escolas depois da ocupação. Certamente é um divisor de águas”, aponta a pedagoga.
“Eles não voltam a ser os mesmos. E se as escolas derem espaço, elas serão transformadas para aquilo que sempre desejamos nos processos educativos”, acredita Ruivo.
O senador Ferraço (PSDB, PTB, PPS, PMDB), o prefeito Paes (PSDB, PMDB), o senador Delcidio (PSDB, PT), o senador Romário e o espancador de mulheres Pedro Paulo; Marcelo Odebrechet deixa a van sob o olhar do “japonês bonzinho”. Processado por contrabando, ele tem a confiança da direção da Polícia Federal e é suspeito de vender informações a revistas e ao banqueiro Esteves
por Luiz Carlos Azenha
Imaginem, por um momento, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, recolhido ao seu apartamento na Trump Tower, em Manhattan.
A prisão domiciliar deve ter um impacto devastador para quem estava acostumado à badalação da vida de cartola no “país do futebol”.
Porém, aos 83 anos de idade, Marin sabe que poderia ser pior, bem pior. A essa altura, ele não tem nada a perder. Quanto mais contar, quanto mais colaborar com os investigadores, menor a pena.
Vamos combinar que, tirando o dinheiro, não há nenhum cimento ideológico que una Marin a Ricardo Teixeira ou Marcelo Campos Pinto, recentemente defenestrado pela Globo.
Ou seja, Marin vai abrir o bico mirando numa aposentadoria não muito distante no Brasil, preservada parte da fortuna que amealhou.
Para os que serão delatados por Marin, resta a certeza de que não poderão influenciar o FBI ou a promotoria dos Estados Unidos.
No Brasil, é diferente.
Imaginem agora o senador Delcídio do Amaral na cadeia, longe das filhas, da família. Um homem que transitou do PSDB para o PT em 2001, às vésperas de Lula se eleger presidente da República, lhes parece ideologicamente sólido?
Delcídio ocupou uma das diretorias mais importantes da Petrobras, a de Gás e Petróleo, no final do governo FHC. Conheceu então Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, os diretores da estatal agora convertidos em delatores. Todos, portanto, antecedem Lula no Planalto.
Delcídio é pluripartidário. O que o levaria a celebrar em seu gabinete um acordo entre Eduardo Paes (PMDB) e Romário (PSB) de olho nas eleições municipais do Rio em 2016? Seria a manutenção do status quo benéfica a seus próprios interesses pessoais?
Ou ele agia ali como preposto do governo Dilma ou do PT? A ver.
À Polícia Federal, o petista já fez declarações suficientemente comprometedoras para enredar o banqueiro, mas não duvido que Esteves passe alguns dias na carceragem — para efeito didático junto aos eleitores — e seja libertado.
Um banqueiro comendo as quentinhas de Bangu sempre pega bem no Jornal Nacional, vende a ideia de uma Justiça “justa”.
Além de não se enquadrar no perfil dos três Ps, Esteves pagou a lua-de-mel do tucano Aécio Neves — informação significativamente omitida por toda a grande mídia.
Independentemente de Esteves, o ex-líder do governo Dilma no Senado tem muito a dizer. Agora, diante da gravação que tem grande impacto junto à opinião pública, tudo indica que Delcídio ficará tempo suficiente na cadeia para ser convencido a “cantar”.
Foi assim, com a dureza da cadeia, que o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, teve a sua resistência “quebrada”. Segundo informações do Estadão, ele está pronto para “entregar” dois senadores, além de revelar esquemas na construção de estádios da Copa.
A empreiteira que Otávio dirigia teve uma parceria inusitada, por exemplo, na reforma do Maracanã: além da Odebrecht, associou-se à minúscula Delta, de Fernando Cavendish, o grande amigo do ex-governador Sergio Cabral, que por sua vez é aliado do prefeito Eduardo Paes. Paes quer eleger Pedro Paulo em 2016 e se candidatar ao Planalto em 2018 pelo PMDB. Romário seria o candidato ao governo do Estado.
O PMDB do Rio, lembrem-se, é aquele que emplacou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. É aquele que enriqueceu graças ao pré-sal e a obras bilionárias feitas para a Copa e as Olimpíadas.
A seção carioca do PMDB é a única que pode financiar uma campanha presidencial competitiva, assim como a do PSDB paulista.
A dedução óbvia é que Delcídio provavelmente trabalhava por um futuro glorioso… no PMDB.
Ou, a mando de alguém, subordinava o PT ao PMDB nas eleições de 2018.
A delação do presidente da Andrade Gutierrez, agora acertada, tem potencial explosivo: pode jogar luz, por exemplo, sobre a obra do Maracanã.
A Andrade, registre-se, é parceira da Odebrecht e da Carvalho Hosken na obra do Parque Olímpico.
Mais de 500 mil metros quadrados de terreno público, transferidos às empreiteiras, agora contam com toda a infraestrutura. Valor? 720 reais o metro quadrado, multiplicados por 22 — já que as empresas poderão construir neles edifícios de 22 andares.
Foi por isso que Eduardo Paes sacrificou a Vila Autódromo, embora os moradores tivessem recebido títulos de posse provisórios (por 99 anos) do governador Brizola: para fazer, às margens da lagoa de Jacarepaguá, o jardim dos ricos que vão comprar imóveis das três empreiteiras!
Mas, voltando à Lava Jato, temos como um dos últimos resistentes Marcelo Odebrecht. Quanto tempo ele vai resistir? Provavelmente, os advogados da empreiteira já se movimentam nos bastidores para obter um acerto parecido com a da “concorrente”.
Delcídio, Otávio e Marcelo estão em posição para por abaixo o sistema político brasileiro, se resolverem realmente contar tudo.
Porém, se houver uma inclinação de delegados e promotores a ouvir apenas parte da História, por que motivo eles se arriscariam a delatar mais que o necessário?
Portanto, o PT está à mercê desta cascata de delações.
Consequências do 25 de novembro?
Para todos os efeitos, um governo Dilma dono de seu próprio nariz acabou. Um fato novo pode levá-lo ao impeachment, mas considerando as delações por vir é pouco provável que haja alguém mais confiável que Dilma para se arrastar, feito Sarney, até o fim do mandato. Um governo fraco, dominado pelo pensamento econômico neoliberal, vai produzir austeridade via desemprego — eliminando, assim, qualquer chance de sobrevivência eleitoral.
A candidatura de Lula, em consequência, murcha. Para o ex-presidente, escapar da prisão nestas circunstâncias será em si uma vitória.
A direita dispõe, portanto, não só dos instrumentos para recapturar o Planalto em 2018, como da legislação antiterrorista que sobreviverá às Olimpíadas e servirá, como o Patriot Act, para conter qualquer explosão social fora da institucionalidade. Não é pouco, para quem pretende retomar, num quadro de crise econômica mundial, a política do arrocho da ditadura.
Ironicamente, a legislação que permitirá à direita fazer isso foi produzida pelo governo Dilma e “aperfeiçoada” pelos tucanos, com intermediação de… Delcídio do Amaral.
Ah, Woody Allen, não chegou a hora de produzir um filme inspirado no Brasil, tendo o “japonês bonzinho” no papel principal?
PS do Viomundo: Pergunta que não quer calar diz respeito ao filho do Cerveró, Bernardo. Ele gravou por conta própria? Ou foi agente de alguém?
Segundo ouvi ontem, foram logo perguntando ao senador Delcídio se a presidente Dilma sabia de tudo. O originalidade deles me deixa atônita ! Será que usaram o mesmo roteiro do Moro ? É impressionante !!!!!!!! Já nem conseguem disfarçar mais s/ a finalidade da operação Lava Jato, ou já não estão nem aí. Quanto à presidente, uma bolinha de papel (como a do Serra), já consegue derrubá-la.
O jogo está armado, A Andrade Gutierrez consegue a prisão do ex presidente; o Delcídio, o esperado “impitim” da presidente.
Quanto ao STF, Moro, tucanos, etc : A República está salva e viva a República dos de sempre e como diria o poeta, ou os EUA “Tudo está no seu lugar, graças à Deus” ! Mas, lágrimas de sangue ainda escorrerão dos olhos de muitos. Assim espero.
Credo ! hoje acordei com a macaca!, coisa que jamais seria dito pela minha estimada conterrânea, a Egregia Ministra do STF, do tribunal que tb chuta o balde, com muita classe, e dentro da lei.
Tido como morto, Rio Doce ‘ressuscitará’ em 5 meses, diz pesquisador
Jefferson Puff – @_jeffersonpuffDa BBC Brasil no Rio de JaneiroHá 2 horasCompartilharImage copyrightReutersImage captionVista aérea do Rio Doce desaguando no mar de Regência, no Espírito Santo
Embora esteja considerado atualmente “morto”, o rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), “vai ressuscitar” em até cinco meses, no final da época de chuvas, em abril do próximo ano.
A afirmação é de Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, ocorrida no último domingo e que afeta a costa do Espírito Santo.
Embora especialistas tenham divulgado previsões de danos catastróficos, que incluiriam danos à reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por até 10 mil m², Rosman afirma que os efeitos no mar serão “desprezíveis”, que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.
Para ele, há três diferentes cenários de gravidade do desastre e de velocidade de recuperação. No alto, onde a barragem se rompeu, próximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e dependerá de operações de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento. Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo “insignificante” para as empresas.
Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida – até janeiro do próximo ano.
Ao mesmo tempo, o especialista considera “inaceitável” que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria “criminoso” não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.
BBC Brasil – Nos últimos dias, especialistas, ativistas, moradores, pescadores e indígenas têm repetido que o rio Doce “está morto”. O senhor diz que ele “vai ressuscitar”. Como isto deve acontecer?
Paulo Rosman – Eu vou repetir um chavão muito conhecido: o tempo é o senhor da razão. Há a visão quantitativa e fria do pesquisador, do cientista, e a visão emocional e por vezes desesperada do morador, do pescador e do índio. Os dois estão expressando as suas razões. Nenhum dos dois está certo ou errado.
Image copyrightReutersImage captionPara especialista, chuvas ajudarão a dissipar lama do rio Doce
No caso da ciência as coisas são mais factuais, quantitativas, mais numéricas. No caso do indígena, ele constata e sofre com a “morte” do rio. A diferença é que o rio está morto neste momento, é verdade, mas ressuscitará muito rapidamente, e eles vão poder comprovar isso.
Há muitos exemplos de acidentes muito mais graves e mais sérios do que este da barragem de Mariana. Veja a erupção vulcânica do monte Santa Helena, nos Estados Unidos (em 1980). Foi tudo devastado e destruído, numa área imensamente maior. Você vai lá hoje e vê que os animais voltaram e a mata voltou.
Para fazer a conta, você tem que pegar o peso da lama e dividir pela massa específica dessa lama. Se neste momento eu tenho 4 kg/m³ de água e for dividir pela massa da lama, dá mais ou menos 1,3 mm. Então isso significa que se esses sedimentos todos se depositassem no fundo do rio formariam um tapete de 1 mm de espessura, o que nem vai acontecer, porque a correnteza vai levar.
As fortes chuvas entre novembro e abril “lavarão” o rio Doce, num processo natural.
Digo isso baseado em quantidades de sedimentos, em conhecimentos de processos sedimentológicos, na dinâmica de transporte desses sedimentos pelas correntes dos rios, dos estuários, das zonas costeiras. Então essas coisas são relativamente rápidas, a natureza se adapta, se reconstrói, se modifica.
BBC Brasil – Como o senhor avalia a mortandade e o retorno de peixes ao rio, posteriormente? E como responde a especialistas que avaliam que a recuperação da área e do rio pode levar mais de dez anos?
Image copyrightCOPPE UFRJImage captionPaulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ
Rosman – A onda de lama matou os peixes, mas o volume, pelo que eu vi publicado nos jornais, representa uma quantidade muito baixa. A não ser que tenha havido algum erro de cálculo, foi divulgado que morreram 8 mil kg de peixes no rio Doce. Veja, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: quando há uma baixa mortandade, estamos falando em 70 mil peixes, mas este número pode chegar a 200 mil, e depois sempre há o retorno. A gente sabe que não demora muito para que a Lagoa encha de peixe de novo.
Quanto aos comentários de especialistas citados, eu diria apenas que eu espero que eles estejam enganados. Não vou entrar em discussão. Mas basta olhar coisas que já aconteceram. Por exemplo, a quantidade de sedimentos que desceu dentro do rio Itajaí-Açu (SC), no final de 2008, quando caíram inúmeras encostas no vale do Itajaí, na região de Itajaí e Blumenau. Houve um desmoronamento do cais do porto, um mega-assoreamento do canal do porto de Itajaí, sem contar diversas mortes na tragédia. Foi um evento natural, e em quantitativos ele é extremamente maior do que esse do rio Doce.
E o porto de Itajaí está lá, o rio Itajaí-Açú está lá, Blumenau está lá. O rio voltou ao normal. Sinceramente eu acho que essas pessoas estão sendo movidas pelo impacto humano da tragédia, pela emoção. As mortes e os prejuízos são dores e perdas eternas. Mas temos que separar. Para voltar para o plano racional, só deixando o tempo passar.
BBC Brasil – É possível mensurar a quantidade de sedimentos que chegou ao mar do Espírito Santo e o impacto ambiental disso? Dias atrás cientistas cogitaram impactos catastróficos nos ecossistemas marinhos da região.
Rosman – Sim. De acordo com os últimos números, a concentração a 10 km de distância da foz do rio Doce, onde a lama teve contato com o mar, está entre 50 e 20 mg/l de sedimentos em suspensão. Isto é muito insignificante para ser considerado um risco ambiental. É absolutamente desprezível.
Para se ter uma ideia, a água transparente do mar, costeira, tem tipicamente 5 mg/l de sedimentos em suspensão. A água dentro de uma baía tem tipicamente entre 50 mg/l a 100 mg/l de sedimentos em suspensão. A água de um rio com cor barrenta tem em torno de 500 mg/l de sedimentos de suspensão, são todos dados naturais.
Rios muito barrentos, como o Amazonas, têm entre 1.500 e 2.000 mg/l de sedimentos em suspensão na época de cheia.
Então se a 10 km da foz do rio Doce você vai ter concentrações de no máximo 50 mg/l no mar, embora você veja a coloração diferente por mais algumas semanas, é óbvio que não estamos falando de danos ambientais. Diferentemente de um vazamento de petróleo, que você usa bactérias para decompor e limpar – e leva tempo e gera mortalidade de vida marinha muito maior -, no caso atual você não tem como “limpar” a lama no mar. Ela se dilui naturalmente, sozinha.
Mesmo que você tenha um padrão de ventos que gere correntes fora do usual, a distância é tão grande e a diluição é de tal ordem que não causaria efeitos danosos em Abrolhos.
BBC Brasil – E quanto à composição destes sedimentos que compõem a lama? É possível que seja descoberto que têm uma toxicidade muito maior do que se imagina e que possa causar danos futuros?
Rosman – Risco sempre há, mas não tenho razões para acreditar nisso. Já ouvi pessoas que não são da área darem prognósticos devastadores quanto à toxicidade desse material. E já ouvi pessoas que são especializadas, da área de geologia, e que conhecem muito bem isso, dizerem o oposto, que se trata de um material de baixa toxicidade.
Então não tem grandes impactos persistentes no longo prazo. As pessoas podem tirar da cabeça essa ideia de que se trata de algo radioativo, de um veneno ambiental que vai matar tudo e nunca vai sair do chão. Não é nada disso.
Para você ter uma ideia, a doutora Marilene Ramos, que é a presidente do Ibama, tem doutorado em mecânicas do solo. Ela fala inclusive com um conhecimento específico de solo muito maior do que o meu. Ela me disse que esse material não é de alta toxicidade e que é basicamente areia fina, argila e óxido de ferro. Claro que tem traços de outras substâncias, mas em concentrações muito baixas, que não oferecem risco.
Image copyrightAFPImage captionTsunami marrom devastou distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana (MG)
BBC Brasil – Na sua opinião o que deveria ser feito no distrito de Bento Rodrigues (MG), o vilarejo mais devastado pela avalanche de lama? Como limpar ou recuperar o local? E quanto isto pode custar?
Rosman – Primeiramente o governo de Minas Gerais precisará avaliar o que retirar de escombros, de estruturas danificadas, e ver se deixa algo como marco simbólico da tragédia. É um absurdo permitir o retorno das pessoas para aquele local.
Se eu fosse o governo de Minas Gerais obrigaria a Samarco a fazer um parque memorial ali. Fazer um projeto bonito, fazer um paisagismo, uma correção de solo, um jardim, e ficaria como memória, com homenagem às pessoas que sofreram essa desgraça toda. Ninguém vai poder voltar a morar ali.
BBC Brasil – O senhor orientaria o governo mineiro a retirar os outros povoados que estão na linha de avalanche de outras barragens de rejeito de mineração?
Rosman – Com certeza. Muitas vezes os povoados se formam próximo às barragens porque atraem empregos e comércio. Mas o poder público não poderia permitir a instalação de povoados em áreas de passagem de eventos como esse que ocorreu. Hoje não faltam ferramentas computacionais que nos permitem simular um rompimento de uma barragem e mostrar qual é a trilha de percurso da avalanche. Atualmente é inaceitável e injustificável ter povoados em rotas de avalanche de barragens, ninguém poderia morar nestes locais.
BBC Brasil – O senhor considera que isto foi uma irresponsabilidade dos atores envolvidos?
Rosman – Olha, irresponsabilidade é quando você tem consciência do fato e não faz nada. Tudo é óbvio depois que você já sabe o que aconteceu. Ou seja, a partir de agora, deste exemplo dramático e catastrófico, se o governo não tomar medidas para realocar pessoas em áreas de alto risco, em outros locais onde se sabe que poderia ocorrer algo semelhante a Mariana ou até pior, eu diria que estaríamos falando de uma atitude mais do que irresponsável, mas sim criminosa.
Há duas opções. Você pode remover o povoado para outro local, ou se o povoado for grande demais, você embarga o negócio lá em cima. Para de usar a barragem, estabiliza, deixa secar, e pronto. Transfere a atividade para outro lugar. Tem que ver o que é mais viável.
Para prender o Lula, a PF do Zezinho faz qualquer negócio
A PF do zé é o centro da sedição!
Só o colonista do Globo teve o vazamento do Delcidio-2 ! Um mínimo de equidade! publicado 28/11/2015 no Conversa Afiada
Um investigador da Polícia Federal do zé contou ao Delcidio, durante seu depoimento, que o Lula tinha dito que foi “uma grande burrada” a tentativa de impedir que o Cerveró o dedurasse.
Por que, então, um funcionário público – por nós remunerado – da Polícia (sic) Federal (sic) diria ao Delcídio que o Lula o chamou de burro ?
Com que intenção ?
Para o Delcidio se vingar do Lula, dedurar o Lula e a Policia (sic) Federal( sic) realizar o sonho da Casa Grande e do Juiz de Guantanamo: prender o Lula !
O Lula, essa “anta”, segundo um policial (sic) do zé.
E o que tem a frase do Lula com um depoimento do Delcidio ?
Nada !
Para que mostrar ?
Informa The Globe que Delcidio ficou “contrariado”, “mas não concordou em esticar (sic) seu depoimento por mais meia hora, como sugeriram os procuradores”.
Trata-se, portanto, de uma armadilha.
Um Golpe baixo.
Um dos investigadores joga uma informação falsa na cadeira do dragão do depoente para persuadi-lo a falar mais meia hora – e incriminar o Lula !
O amigo navegante já ouviu falar disso, não ?
No regime militar quando, com a ajuda de uma manchete falsa da Fel-lha, se dizia que o pai do depoente estava morto e que, portanto, era melhor ele falar !
É disso o que se trata, nessa Polícia (sic) do zé do Governo trabalhista, que apanhou do e lutou contra o regime militar !
O governo de uma Presidenta que foi física e barbaramente torturada !
(Depois, quando se diz que o zé fez da PF uma Policia pior que a do FHC …)
O funcionario da PF que vende informaçoes ao Andre Esteves e a revistas ?
(Será o detrito solido de maré baixa o beneficiário ? Talvez não. Porque a Veja nao tem dinheiro nem para pagar a conta de luz … E o japa bonzinho deve cobrar caro…)
E o colonista (sic) da Globo que teve exclusivo acesso à integra do depoimento-2 do Delcidio ?
Que esculhambação é essa ?
Por que o colonista do Globo recebe e o da Fel-lha não recebe ?
Por que o os vigilantes do Estadão não recebem ?
Isso é uma grossa esculhambação !
A ilustre colonista da Fel-lha talvez nunca mais noticie as sessoes de piano do zé, se, no Delcidio-3, não for ela a beneficiada !
Onde é que nós estamos!
Vazamento !
Tem que haver um minimo de equidade na distribuição.
romério rômulo
28 de novembro de 2015 2:10 ama “dignidade do cargo” de Gilmar Mendes
http://tijolaco.com.br/blog/numa-democracia-gilmar-mendes-nao-poderia-estar-num-tribunal/
romério
Anna Dutra
28 de novembro de 2015 4:37 amLULA: porque odiá-lo ?
http://tijolaco.com.br/blog/31764-2/
O que faz odiarem Lula
não consigo trazer a foto
POR NILSON LAGE, COLABORAÇÃO PARA O TIJOLAÇO · 27/11/2015
A propósito dessa fotografia(*) do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quero formular um comentário dirigido particularmente aos velhinhos do Clube Militar e congêneres, alguns dos quais, os mais antigos, podem ou devem ter sido meus colegas de Colégio Militar.
A perseguição que movem a esse homem, à sua esposa, a seus filhos e amigos não se deve ao fato e ele ser incompetente como político ou como gestor; se tal acontecera, o julgariam irrelevante. É porque importa que se importam com ele.
Nem se deve ao fato de, em seu governo, terem ocorrido graves episódios de corrupção. Qualquer um de vocês que tenha tido comando sabe que a corrupção é endêmica, perpassa a administração desde muito tempo antes e contamina todas as estruturas até agora criadas para controlá-la. Pode-se dizer que a corrupção, que havia, cresceu com o país nos últimos 12 anos, não mais que ele. Talvez bem menos.
Pesa, é certo, a origem modesta e nordestina do personagem, sua escolaridade escassa, sua fala comum e sincera que, no entanto, encanta os estrangeiros. O bom discurso, no Brasil, é hipócrita e a universidade pública pensada como cínica socialização para os mais ricos.
Comandando um país massacrado por crise econômica de vinte anos, propiciada por erros políticos estratégicos dos governos militares e prolongada pela pressão constante em favor da desnacionalização, Sua Excelência cometeu, decerto, muitos erros, falhou por ingenuidade ou esperteza ao negociar com a picaretagem bancária e jurídica, relutou diante dos desvios e exageros da cultura globalizada e ouviu demais maus conselheiros no empenho de obter objetivos imediatos que julgou relevantes.
Mas o que move o atual processo político são outros interesses.
O que os motiva é que, no exercício de seu mandato, o Presidente Lula da Silva promoveu o renascimento da indústria pesada e de defesa, a multiplicação dos centros de pesquisa científica e tecnológica, a reafirmação da política de soberania, paz e segurança em nosso espaço estratégico e criou condições para se reafirmarem os conceitos basilares de Amazônia Verde e Amazônia Azul.
São fatores de dignidade nacional.
É o que, no momento, está sendo posto em xeque.
(*)A foto, reproduzida ao alto, está na capa da Folha de hoje, é de Jorge Araujo e tema do blog de Mário Magalhães, no UOL.
Nota da Tijolaço: Nilson Lage, 79, é jornalista desde os anos 50, com passagem por várias grandes redações e uma careira universitária, na UFRJ e UFSC em que foi – e continua sendo – referência para milhares de seus ex-alunos, um deles o autor deste blog.
Maria Carvalho
28 de novembro de 2015 4:48 amEnfim, um tucano preso. Motivo? Se filiou ao PT!
Por Najla Passos
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Enfim-um-tucano-preso-Motivo-Se-filiou-ao-PT-/4/35063
Mal a imprensa anunciara, na quarta (25), a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, na 20ª fase da Operação Lava Jato, a piada pronta já se espalhava pelas redes sociais:
-Hoje é um dia histórico para o país… finalmente, um tucano foi preso!
-Verdade? Não acredito… o que ele fez?
-Um monte de coisas que não devia… mas, principalmente, se filiou ao PT!
A piada serviu para o regozijo para boa parte da militância petista, que jamais enxergou em Delcídio “um dos seus”. Mas não reflete toda a verdade. Como também não o fazem as manchetes dos jornalões que estamparam a prisão do “senador petista”.
Delcídio não é exatamente petista. Nem tão pouco tucano. É uma espécie de ser híbrido – meio petista, meio tucano – cuja prisão escancara que a corrupção na Petrobras não começou com a chegada do PT e nem respeita siglas partidárias, embora a justiça pareça não querer enxergar isso.
Natural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Delcídio é aquele tipo de político que tem bom trânsito entre partidos diversos. No início da carreira, atuou na Eletrosul, na Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia e foi presidente do Conselho de Administração da Companhia Vale do Rio Doce, que viria a ser privatizada mais tarde pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Em 1994, foi nomeado ministro de Minas e Energia pelo então presidente Itamar Franco, que tinha Fernando Henrique Cardoso à frente da Fazenda. Durante o governo do tucano de FHC, se filiou ao PSDB e acabou assumindo a diretoria de Gás e Energia da Petrobrás. Foi lá que ele conheceu Nestor Cerveró, que atuava como seu sub-diretor, e hoje o acusa de pressioná-lo a se calar na delação premiada.
Também foi nesta época que ele começou a se relacionar com Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como um dos principais operadores do esquema da Petrobrás, que, em delação premiada, afirmou que foi Delcídio quem indicou Cerveró para a diretoria da estatal, já em tempos de governo petista.
Em 2001, quando o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso caminhava para o fim, aceitou o cargo de secretário de Estado de Infraestrutura e Habitação no governo do Zeca do PT. Em 2002, candidato ao Senado, já pelo PT, e foi eleito com cerca de 500 mil votos.
Amigos de ontem
No parlamento, Delcídio manteve os amigos que trazia do passado tucano. Sempre foi muito próximo do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual e apontado pela Forbes como a 13ª maior fortuna do país. Esteves, que também foi preso nesta quarta, é aquele amigo do peito do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Amigo ao ponto de pagar as despesas da lua de mel do tucano, em 2013.
Esteves também é sócio de Pérsio Arida, eleito presidente interino do BTG nesta quinta (26). Arida é um dos economistas gurus de Fernando Henrique Cardoso, sócio do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Oportunity, e ex-marido de Elena Laudau, a ex-diretora do BNDES que ajudou FHC a promover as privatizações que até hoje escandalizam o país.
Inclusive, foi com financiamento do BNDES que, em 1997, o Banco Oportunity comprou a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), apontada como uma das principais financiadoras do “mensalão tucano” – aquele mensalão anterior ao petista, mas que nunca vai à julgamento. Em 2005, na presidência da CPI dos Correios, o senador pelo PT Delcídio Amaral ajudou o PSDB a silenciar as denúncias sobre o caso.
Amigos de hoje
Mas se Delcídio tem boas relações com os tucanos, também as têm com muitos petistas. Não por acaso é o líder do governo no Senado, o que, pelo menos teoricamente, o qualifica como parlamentar em fina sintonia com linha política adotada pela presidenta Dilma Rousseff no momento, além de dotado de grande capacidade de articulação em outros ninhos.
E ele é, de fato, figura influente no parlamento. Preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais importantes do parlamento. E é membro efetivo das Comissões de Serviços de Infraestrutura, Agricultura e Reforma Agrária, Ciência e Tecnologia, Ambiente e Defesa do Consumidor e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido não irá tratar Delcídio com a mesma solidariedade que prestou ao ex-tesoureiro João Vaccari, outro petista preso pela Lava Jato. Segundo ele, são casos diferentes, porque Delcídio agiu por conta própria, em atividades não partidárias.
Por que não Cunha?
Delcídio é o primeiro senador da república a ser preso no exercício da função desde a redemocratização do país, em 1985. Conforme o Ministério Público, ele ofereceu R$ 50 mil e uma rota de fuga para que o comparsa Cerveró não apontasse sua participação no esquema da Petrobrás na delação premiada que acertou com a justiça.
Uma gravação feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, durante uma reunião realizada em um hotel em Brasília para discutir a fuga, há cerca de 15 dias, atesta a participação inequívoca de Delcídio no planejamento da fuga, que o Ministério Público classificou como crime de obstrução à Justiça.
Dúvida de fato, nas instâncias dos poderes em Brasília, é só mesmo acerca da legitimidade ou não da sua prisão, já que a lei diz que um senador em cumprimento de mandato só pode ser preso em flagrante. Mas o próprio Senado reconheceu, já na noite desta quarta, por 59 votos a 13, a validade da polêmica decisão tomada antes pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos corredores do Congresso, não falta quem associe o precedente aberto ao caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investigado pela mesma Lava Jato. Não se tem notícia de que Cunha oferecera rota de fuga a nenhum dos condenados pela operação, mas é praticamente consenso que ele tem empreendido uma manobra após a outra para evitar que ele próprio seja investigado.
Para muito além da base do PT
Eduardo Cunha não é o único preocupado com os desdobramentos da prisão de Delcídio. A tal gravação que comprova que o senador tentara obstruir o trabalho da Justiça expõe vários outros ditos “homens importantes” da república. E para muito além das esferas do PT. Entre eles, o espanhol Gregório Marin Preciado, um velho parceiro do senador José Serra (PSDB-SP), casado com uma prima do tucano e ex-sócio dele em negócios imobiliários.
Na gravação, Delcídio atesta que Preciato é o espanhol que participou das negociações do pagamento de propina de R$ 15 milhões pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobrás. Um Espanhol que, ainda segundo ele, a justiça brasileira não teria conseguido identificar.
Aliás, conforme Delcídio, Preciato é muito mais do que um operador do esquema, mas sim a verdadeira cabeça. “O Fernando [Baiano] está na frente das coisas e atrás quem organiza é o Gregório Marin [Preciato]”, afirma. Na gravação, Delcídio também registra a preocupação de Serra de que as denúncias cheguem até o amigo-parente.
“O Serra me convidou para almoçar outro dia, ele rodeando no almoço, rodeando, rodeando, porque ele é cunhado do Serra”, disse Delcídio, acusando o tucano de tentar extrair dele informações sobre as investigações.
Preciado é próximo a Serra desde que foi membro do Conselho de Administração do Banespa, de 1983 a 1987, enquanto o tucano era o secretário de Planejamento de São Paulo. Na campanha de 1994, quando Serra concorreu ao Senado, Preciado chegou a fazer doações eleitorais para ele.
Ele caiu em desgraça quando o governo tucano chegou ao fim. Como aponta o livro Privataria Tucana, de Amauri Ribeiro Junior, foi um dos alvos da CPI do Banespa, por conta de supostas operações irregulares no banco. Também foi acusado de se beneficiar da amizade com o ex-tesoureiro do PSDB e então diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, que lhe conseguira um abatimento de R$ 73 milhões em uma dívida.
Anna Dutra
28 de novembro de 2015 5:04 amArticulação de Esquerda
Articulação de Esquerda tentou barrar filiação de Delcídio: “Nós sabíamos quem ele era, por isso não estamos perplexos”
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/articulacao-de-esquerda-tentou-barrar-filiacao-de-delcidio-amaral-em-tres-instancias-do-pt-nos-sabiamos-quem-ele-era-por-isso-nao-estamos-perplexos.html
publicado em 26 de novembro de 2015 às 21:38
O PT deve expulsar Delcídio Amaral?
por Valter Pomar, em seu blog
1. O Supremo Tribunal Federal determinou a prisão preventiva do Senador Delcídio Amaral (PT-MS), basicamente sob a acusação de tentativa de obstrução da Justiça, configurando flagrante delito.
2. O Supremo Tribunal Federal tomou esta decisão com base em gravações de diálogos mantidos pelo Senador com outras pessoas, algumas das quais também foram presas. Não se conhece ninguém que questione a autenticidade e legalidade das referidas gravações, nem tampouco a gravidade do que ali é dito.
3. O Senado Federal decidiu, em votação realizada depois da prisão, validar a prisão. A maior parte da bancada do PT votou contra, argumentando que não estaria sendo respeitado aquilo que a Constituição prevê como condição para a prisão de um mandatário popular.
4. Não se trata de um tema simples, envolvendo desde interpretações da Constituição até a análise do significado político da prisão do líder do governo Dilma no Senado Federal.
5. Isto posto e por isto mesmo, somos de opinião que a maioria da bancada do PT no Senado Federal errou. Ao Partido dos Trabalhadores e ao Governo Dilma interessa separar o joio do trigo. E o fato é que o Senador Delcídio Amaral traiu a confiança do governo, traiu a confiança do PT, traiu a confiança do eleitorado popular.
6. É verdade que o STF aplica, contra petistas e filiados ao PT, um rigor que não adota quando se trata de filiados a partidos de centro-direita. Exemplo disto é o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), que até este momento segue solto. Entretanto, não é de esquerda a tese segundo a qual enquanto não restaura-se a moralidade, locupletar-se é permitido. Está provado que o Senador usava o cargo para tentar cometer um crime, em benefício próprio e em prejuízo dos interesses do Brasil, do governo e do próprio PT, que seriam inevitavelmente acusados de estarem por trás da eventual fuga do criminoso que Delcídio Amaral queria impedir de colaborar com a Justiça.
7. Por tudo isto, a bancada do PT no Senado deveria ter votado a favor de chancelar a prisão preventiva determinada pelo STF. E com muito mais motivos — pois neste caso não está em jogo uma interpretação da Constituição, mas sim o estatuto e o código de ética do Partido– , a Comissão Executiva Nacional do PT deve abrir imediatamente um processo disciplinar contra o senador, reafirmando o caráter pessoal e anti-partidário de suas ações e sinalizando explicitamente a disposição de expulsá-lo do Partido.
8. O presidente nacional do PT, companheiro Rui Falcão, divulgou uma nota na qual declara perplexidade com a atitude do Senador. Apoiamos o presidente do Partido em sua atitude de não prestar solidariedade a Delcídio Amaral, mas não compartilhamos de sua perplexidade.
9. Registre-se que quando Delcídio Amaral pediu filiação ao PT, nós da tendência petista Articulação de Esquerda votamos contra no seu diretório municipal. Derrotados, impugnamos a filiação no Diretório estadual do PT-MS. Derrotados, questionamos a filiação junto ao Diretório Nacional. Nós sabíamos quem ele era, acompanhamos sua trajetória pública desde então e por isto não estamos perplexos.
10. Não é necessário lembrar agora, quem patrocinou, apoiou, deu os votos necessários ou simplesmente lavou as mãos, permitindo por ação ou omissão a filiação de Delcídio Amaral.
11.Mas aquele erro está na origem do que ocorre agora, quando o conjunto do Partido sofre os efeitos da filiação de alguém que nunca teve qualquer passado de esquerda. E que em diversas oportunidades — por exemplo na CPI dos Correios, no processo do chamado mensalão, na discussão do regime de partilha do petróleo, nos temas indígenas etc.– demonstrou ter uma mentalidade empresarial e tucana, traindo inclusive aqueles que estimularam sua filiação ao PT.
12. O caso de Delcídio Amaral, assim como os de André Vargas e Candido Vaccarezza, são sintomáticos da falta de critério, da falta de vigilância, da falta de limites, do oportunismo e do pragmatismo que predominam em certos setores do Partido.
13. Se quiser sobreviver ao cerco da direita, o PT não precisa apenas mudar de política, precisa também mudar de comportamento. O que significa, em casos como este, que precisamos depurar. Por tudo isto, o PT deve expulsar Delcídio Amaral.
PS do Viomundo: Líder do governo no Senado, gravado numa “capangagem” de quinta categoria, coisa de envergonhar o PCC… E tem gente que acha que foi “injustiçado”.
Adir Tavares
28 de novembro de 2015 7:16 amAgora, carta aberta ao ministro Gilmar Mendes, do STF
Por Dom Orvandil
Prezado ministro Gilmar Mendes
Certamente o senhor conhece a enorme repercussão social da infeliz e classista manifestação da ministra Carmen Lúcia na 2ª turma do STF ao justificar seu voto na decisão do ministro Teori Zavascki ao ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral, cujo discurso foi objeto de uma carta aberta minha (o senhor pode relê-la aqui).
Nesta sexta feira o senhor completou o colorido sombrio de casa grande sobre o País da senzala.
Numa associação de advogados em São Paulo no dia 27 de novembro deste ano o senhor afirmou, para meu estarrecimento e o de milhões de irmãos brasileiros, porque fora de qualquer exercício da magistratura e do juízo de qualquer processo, algo de impressionar pelo caráter de seu compromisso ideológico, costumeiramente negado, como é de praxe entre pessoas de sua tez política: “Nessa campanha, a presidente Dilma disse, como candidata: nós fazemos o diabo para ganhar a eleição. O presidente Lula disse, em algum momento, na presença da candidata Dilma: eles não sabem o que nós somos capazes de fazer para ganhar a eleição. Agora a gente sabe o que eles podem fazer para ganhar a eleição, mas não na urna, em outro campo”.
Ora ministro, o senhor é um homem culto (no sentido de sua qualificação acadêmica com um curso de graduação em direito, dois mestrados e um doutorado) e sabe muito bem que até numa roda de cerveja com amigos as falas das pessoas são contextuais e pertencem a um universo amplo. O que o senhor citou de uma fala do ex-presidente Lula e outra da Presidenta Dilma, candidata a reeleição em 2014, fora dos devidos contextos, onde se encontram o sentido do que disseram, o senhor não as refere.
Ao não contextualizar o discurso alheio o senhor dá novo significado, que diversam extremamente do que as duas personalidades disseram. Isso em metodologia científica e do ensino superior é chamado de desonestidade intelectual.
A partir daí o senhor infere, para mim movido de extraordinária má-fé, que os dois – um fazendo o diabo para ganhar a eleição, a outra de que os inimigos do povo, a direita, os fascistas, não sabem de que somos capazes para ganhar a eleição – de que os tais candidatos compraram de votos e que suas respectivas eleições são produtos da corrupção praticada por eles.
É o que senhor diz ao afirmar: “A gente fica imaginando (o senhor realmente é dotado de fantástica imaginação) a captação do sufrágio como a compra do eleitor via distribuição de telha, saco de cimento, tijolo. Na verdade, em termos gerais, dispõe-se da possibilidade de fazer políticas públicas para aquela finalidade. Aumentar Bolsa Família em ano eleitoral, aumentar o número de pescadores que recebem a Bolsa Defeso. Em suma, fazer este tipo de política de difícil impugnação inclusive por parte dos adversários. A Justiça Eleitoral será que estaria preparada para este tipo de debate? O que resulta disto é um déficit de R$ 50 bilhões estimado pelo TCU (Tribunal de Contas da União)” (veja mais aqui).
Quer dizer, ministro Gilmar, para o senhor o Estado assumir a responsabilidade, com projetos aprovados e amparados pelo Congresso Nacional, pelas mazelas que durante anos e séculos a classe dominante, pelo senhor defendida e aplaudida, jogando famílias brasileiras aos milhões na miséria e na pobreza, é compra de votos?
Para o senhor retirar seres humanos da extrema desumanidade numa sociedade que se acostumou e até acha normal passar por filas de desempregados, por crianças, mulheres e homens mendigando nos semáforos, é comprar eleitores?
Para o senhor acolher os direitos à cidadania por parte de negros, negras e indígenas jogados ao lixo como seres de terceira classe, é comprar votos?
Dar direito ao voto aos pobres e abraçá-los nas eleições para que ajudem a redesenhar a democracia, antes somente privilégio de brancos, de ricos e de proprietários mandantes dos famosos votos a cabresto, é compra de sufrágios e corrupção?
O senhor “imagina” que o direito de votar dos pobres não é conquista assegurada pela Constituição Federal, mas invenção de Lula – fazedor de diabos – e de Dilma – que, segundo o seu discurso, “faz qualquer coisa” para vencer pleitos – e não do povo composto por trabalhadores, pobres, jovens sem oportunidade de estudar e de crescer, que nem pensavam em quem votar?
O senhor, com sua afirmação sobre a Bolsa Família, respeitada mundialmente, inclusive pela ONU, e da proteção dos direitos dos pescadores, sempre abandonados às intempéries depois de fartas pescarias entregues aos restaurantes frequentados por quem se quer se lembra de seu sofrimento, considera que tudo foi feito pelo Estado brasileiro como política pública para arrebatar votos?
O senhor avalia que os pobres, os miseráveis, os esquecidos não merecem solidariedade, dr. Gilmar Mendes? Pelo contrário, que eles devem ser, como sempre o foram desde que se vota neste País, apenas sufrágios cabresteados e manipulados com dinheiro e esmolas em vésperas de eleições?
Sinceramente juiz Gilmar, sua postura gera muitas tristezas, instabilidade política no País e no acirramento dos ânimos, jogando irmãos contra irmãos.
Sou professor do ensino superior e todas as semanas me deparo com alunos e alunas que somente comem do pão cultura graças ao Pró Uni e até ao Bolsa Família. Talvez se o senhor imaginasse menos e convivesse mais com o povo, com os pobres e com os trabalhadores acabaria por entender da mesma maneira que eu.
Mas o entendo, dr. Mendes. Aliás, muita gente entende o senhor e o que faz neste País para desgraçar nossa paz.
Nosso povo na sua imensa sabedoria define bem a biografia do senhor, quando afirma: “dize-me com quem andas e te direi quem és”.
O noticiário deste ano é farto em fatos ruins e de pessoas indecentes. Pois o senhor se reuniu com algumas destas, notórios golpistas, e elas sim fisiológicas, fichas sujas e mau caráter. Reuniu-se para fazer o que o povo diz no seu ditado para dizerem o que são. Cito a notícia literalmente: “O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tratou com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e com o deputado Paulinho da Força (SD-SP) a crise política e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff” (aqui).
As pessoas que o acompanham são realmente ativas no poder e nos desfrutes da casa grande, adoradas também por Eduardo Cunha e Paulinho da Força, manifesto pelego que envergonha a classe trabalhadora. Aqui mais um exemplo: “Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso”. Como o Brasil e o mundo sabem, o seu amigo presidente, a respeito de quem o senhor “não fica a imaginar” nada como no caso do ex-presidente Lula e da Presidenta Dilma, de quem o senhor sofre urticantes instintivos, é exuberante privatista e neoliberal, regime moderno dos que, na casa grande, usufruem do trabalho, que o senhor consideraria indignos de votar, dos que votam sem pensar porque as políticas públicas funcionariam como meio de comprar suas “debilitadas” consciências.
Em 2008 o senhor, depois de empossado na presidência do STF tomou atitude que estarreceu o País em defesa de um amigo, daqueles que nosso povo apelida de “amigo da onça”. “À frente do Supremo, gerou enorme polêmica ao conceder um habeas corpus para o banqueiro Daniel Dantas preso pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, que investigava o desvio de recursos públicos, entre outros delitos.” (Mais aqui).
Os integrantes do regime da casa grande não têm preconceito na escolha de suas amizades, desde que não sejam trabalhadores, pobres, negros e indígenas. O senhor também não se limita a essas coisas de não dar tempo e investir em amizades poderosas, como revela o site Pragmatismo: “Escutas interceptadas pela PF e divulgadas nesta segunda-feira levantam a suspeita de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido por Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres” (ex-DEM-GO).
Nessa mesma linha o senhor não titubeou em aprovar as candidaturas dos fichas sujas José Roberto Arruda e Paulo Maluf, homens que desbotam e desonram a política brasileira.
Os efeitos da amizade dos da casa grande, como o senhor e os seus amigos, atuam danosamente com forças destrutiva, desalojante e desorganizativamente desproporcionais da vida dos da senzala, dos mais extremamente desprotegidos dos campos, das matas e das cidades. A repórter da Agência Brasil, Ana Luiza Zenker, escreveu sobre isso no dia 06/03/2009, quando informa da nota da CPT “que o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges, acusou o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de ser parcial no tratamento da questão dos conflitos agrários.” “O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra em Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras” (aqui).
Dom Xavier denunciou que o senhor considerava que recursos públicos investidos em instituições que defendem o povo, como os Sem Terra, são ilícitos.
Coerente com seu pensamento e com o das elites, que acham lícito privatizar, entregar os bens públicos para particulares e para estrangeiros lucrarem com nossas estatais do que vê-las produzindo para o bem de nosso povo.
O jornalista Maurício Dias assegura que o senhor é homem frio, tipo calculista, que não se inibe em ligar para ministros de Estado e chefes importantes para pedir vagas e privilégios para seus amigos.
Discordo de Maurício. Penso que o senhor não é homem frio. Pelo contrário, o senhor é tremendamente emotivo e demonstra isso na sua voz e tons controlados, até para ameaçar e tentar inibir.
Quando o vejo falar no tribunal do STF ou em entrevistas pela TV percebo um homem intenso de ódio e de rancor. Seus olhos parecem faiscar e sua boca espuma de raiva dessa gente que sufraga presidente operário e Presidenta ex-guerrilheira, que sua gente adora apelidar de bolivarianos e de ideologia cubana.
O grande jornalista Luis Nassif, que o senhor ardorosamente odeia, confirma a intensidade de sua personalidade de homem da elite dominante, que aqui, tomando emprestado o simbolismo do antropólogo Gilberto Freyre, chamo de casa grande, lugar dos senhores escravocratas, que nadavam nas riquezas produzidas pelos escravos, que eles odiavam.
Num artigo publicado pela Carta Capital Nassif conta sobre as ironias rancorosas numa seção plenária do STF que, segundo ele, o senhor fez contra aquele competente jornalista: “Certamente quem lucrou foram os blogs sujos (esse é nome dado aos blogs críticos e diferentes da mídia tradicional por seu companheiro de partido, José Serra), que ficaram prestando um tamanho desserviço. Há um caso que foi demitido da Folha de S. Paulo, em um caso conhecido porque era esperto demais, que criou uma coluna ‘dinheiro vivo’, certamente movida a dinheiro (…) Profissional da chantagem, da locupletação financiado por dinheiro público, meu, seu e nosso! Precisa ser contado isso para que se envergonhe. Um blog criado para atacar adversários e inimigos políticos! Mereceria do Ministério Público uma ação de improbidade, não solidariedade”.
Como se demonstra aí, o senhor, além de odiar quem trabalha, não gosta da crítica democrática, saudável e que ajuda a crescer.
De modo que, ministro Gilmar Mendes, o senhor consegue uma unanimidade considerável em relação ao seu ódio e arrogância contra os pobres, que o senhor ofendeu profundamente ao considerá-los imbecis que trocam votos por telhas, sacos de cimentos e de tijolos.
Tem razão Dom Xavier ao afirmar que o senhor causou a matança de pequenos agricultores, de indígenas e de posseiros com suas decisões em favor dos grandes proprietários.
Com sua palestra em São Paulo certamente o senhor alimenta o fundamentalismo irracional, os preconceitos contra negros e pobres e ameaça a democracia.
• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
http://cartasprofeticas.org/2015/11/28/agora-carta-aberta-ao-ministro-gilmar-mendes-do-stf/
Anna Dutra
28 de novembro de 2015 8:45 amBravo!
Maravilhoso.
Bravo. Do coração esta carta, assim como aquela dirigida à Ministra.
lenita
28 de novembro de 2015 12:31 pmAnna
É preciso mais, muito mais. Será que a OAB não poderia colaborar tb ? E o presidente do Supremo, nada? Sumiu ? ou ninguém o procura mais ?
Abração, querida
Umberto Oce
28 de novembro de 2015 8:43 amDr. Moro não conhece o significado da palavra prevaricação
É um crime funcional, isto é, praticado por funcionário público contra a Administração Pública em geral, que se configura quando o sujeito ativo retarda ou deixa de praticar ato de ofício, indevidamente, ou quando o pratica de maneira diversa da prevista no dispositivo legal, a fim de satisfazer interesse pessoal. A pena prevista para essa conduta é de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
[video:https://youtu.be/wpALC45DR0%5D
Vital
28 de novembro de 2015 9:32 amQue porra querem as elites para este país?
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
O porrete e o vira-lata
No momento em que se levantam, novamente, as vozes do neoliberalismo tupiniquim, exigindo uma rápida abertura comercial do Brasil para o exterior, e o PMDB inclui, em seu documento Uma Ponte para o Futuro, a necessidade do Brasil estabelecer acordos comerciais com a Europa e os EUA, lembrando a iminência e a imposição “histórica” do Acordo Transpacífico, e em que mídia tradicional segue com sua insistência em defender como modelo a ridícula Aliança do Pacífico, a União Européia – depois de enrolar, durante anos, nas negociações com o Mercosul – parece que vai simplesmente “congelar” as negociações entre os dois blocos nesta sexta-feira.
A razão é clara.
Por mais que se esforcem os vira-latas tupiniquins, fazendo tudo que os gringos querem, oferecendo quase 90% de liberação de produtos, os protecionistas europeus simplesmente se recusam a concorrer com o Mercosul na área agrícola – justamente onde somos mais competitivos.
E, além disso, como se não bastasse, a UE como um todo, para dificultar, hipocritamente, ainda mais o fechamento de um acordo, exige o equivalente a uma rendição total da nossa parte:
A liberação de quase 100% dos produtos e livre acesso, para suas empresas, como se nacionais fossem, a setores como serviços de engenharia e advocacia e ao gigantesco mercado de compras governamentais brasileiro, de dezenas de bilhões de dólares.
O recado é óbvio:
Não adianta ficar ganindo e mendigando com olhar pidão, para ter atenção ou uma migalha, porque não vamos ceder um centímetro, e, mesmo que vocês façam tudo, tudo o que queremos, poderão não ganhar nada em troca, está claro?
Como lembramos outro dia, grandes potências impõem acordos comerciais, e os pequenos países os assinam.
Nações que não tem uma indústria tão desenvolvida como a nossa, como a Argentina, ou outras, que, com salários miseráveis, se transformaram em mera linha de maquila, tendo prejuízos no comércio exterior, apesar de trabalharem como burros de carga montando produtos destinados a terceiros mercados, como o México (vide O México e a América do Sul), não tem outra saída a não ser se associar a outros países (esse é o projeto do Brasil para a América do Sul, por meio do Mercosul e da UNASUL) ou assinar acordos comerciais desvantajosos, para se integrar, subalternamente, à economia mundial.
Países maiores, com grandes mercados consumidores reais ou potenciais, como a China, preferem fechar suas economias durante anos, dedicando-se a desenvolver seu mercado interno, a indústria e a tecnologia, abrindo seletivamente seu território a empresas estrangeiras e cobrando um alto preço para quem quisesse ter acesso a ele, para depois se impor, comercialmente, ao mundo.
A pergunta é a seguinte:
Vamos nos atrelar, como um mero vagão de commodities, ao trem puxado pela Europa e os Estados Unidos, onde sempre seremos tratados, apesar de nossos eventuais progressos, como um povo de segunda classe, ou, em nossa condição de oitava economia do planeta, vamos tentar estabelecer um projeto próprio e soberano, de longo prazo, como fazem outras potências intermediárias do nosso tipo, como a China, a Rússia e a Índia, que, aliás, não têm – nenhuma delas – acordos de livre comércio com a Europa ou os EUA?
Tentar emular, abjetamente os outros, e lamber o sapato alheio é fácil.
Difícil é trabalhar para erguer – assumindo a missão e o sacrifício – no quinto maior território do mundo – uma nação justa, forte, e independente, e legá-la, como fizeram em outros países que muitos no Brasil admiram e “copiam”, como um estandarte de honra e de prosperidade, para os nossos filhos.
Odonir Oliveira
28 de novembro de 2015 10:40 amOs jagunços cercam os guaranis Foram 138 mortes em 2014
Da Carta Maior
Os jagunços cercam os guaranis
Foram 138 mortes em 2014: Quem está matando os índios no Mato Grosso do Sul? Por que essas mortes se repetem?
Leia aqui: http://apublica.org/2015/11/cercados-pelos-jaguncos/
Anna Dutra
28 de novembro de 2015 10:51 amEstudantes e comunidades nunca mais serão os mesmos
Não consigo trazer as imagens
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Educacao/-Estudantes-e-comunidades-nunca-mais-serao-os-mesmos-/13/35065
27/11/15 – Copyleft
‘Estudantes e comunidades nunca mais serão os mesmos’Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de São Paulo já podem ser projetados, acreditam educadores.
Gisele Brito – Observatório da Sociedade Civil (via Rede Brasil Atual)
Menos de 20 dias depois do início da primeira ocupação de uma escola estadual, em Diadema, o movimento de estudantes que tentam impedir o fechamento de 94 unidades de ensino segue forte em várias cidades de São Paulo. A ação obrigou o governo do estado a cancelar o Saresp nas escolas tomadas, mudar locais de provas da Fuvest e enfrentar uma contundente derrota no Judiciário, que entendeu que, de fato, faltou diálogo com estudantes e professores que sofreriam os impactos da medida e, por isso, as reintegrações de posse não seriam adequadas.
O governo ainda resiste em dar aos estudantes o que eles querem e insiste na “reorganização”, inclusive gastando R$ 9 milhões para tentar encucá-la na população por meio de publicidade.
Dado o histórico pouco afeito ao diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB), talvez, as escolas realmente sejam fechadas. Mas para educadores ouvidos pelo Observatório, as lições que ficam do movimento já são perenes.
Nas escolas ocupadas, os estudantes têm manifestado satisfação em aprender novos conteúdos a partir da experiência política, cultural e colaborativa. Eles assumem várias facetas do protagonismo. Além de terem de cuidar da rotina, o que inclui se reunir, deliberar e cuidar da segurança, alimentação, limpeza, programação, comunicação e solução de conflitos internos, ainda assumiram papel político de peso na atual conjuntura.
“É uma mobilização ímpar. Ultrapassa tudo que poderíamos pensar em planos de ensino”, avalia a pedagoga e doutoranda em educação Crislei de Oliveira Custódio. “Mais que qualquer proposta construtivista, é uma experiência política de fato. Nas escolas construtivistas, há toda uma programação para o protagonismo, mas que acaba sendo um simulacro do que seria uma experiência democrática em um espaço público. Nesse caso, é mais interessante porque partiu dos alunos, eles estão se organizando nessas coisas cotidianas. Nas escolas construtivistas, ainda é preciso uma permissão do adulto, que decide o que será democratizado”, pondera.
Para o educador Ruivo Lopes, da Ação Educativa, o movimento deixa claro que não se deve subestimar nenhuma criança ou adolescente ao se pensar em políticas públicas, especialmente na educação. “A mensagem que fica é que esses estudantes têm projeção de vida, desejos próprios e condições de intervir na sua própria realidade. Eles já venceram todo o aparato de subestimação”, argumenta.
Os dois educadores ainda ressaltam como a iniciativa dos secundaristas é carregada de valorização das escolas, em um momento em que há um discurso deliberado contra as coisas públicas. A explicitação de um senso de pertencimento fortalece as unidades mobilizadas como equipamento público, fincado no coração das comunidades, que vão além da sala de aula. São locais de encontro, de troca, de lazer. Educativas em sentido muito mais amplo.
Além disso, o movimento conseguiu realizar um dos grandes objetivos de currículos escolares: trazer a comunidade para dentro da escola. Isso fica explícito na mobilização de pessoas para colaborar com aulas e oficinas, que têm mantido efervescente o ambiente das escolas ocupadas, mesmo nos finais de semana.
“Tanto já se falou em trazer as pessoas para a escola, usando festas, criação de conselhos e outros mecanismos. Sempre foi muito difícil, porque em geral a gente identifica como instituição do Estado e não como coisa pública, nossa. Um milhão de pessoas já escreveram sobre isso. E aí, numa coisa super de uma hora para outra, que não era um projeto do governo, se consegue”, ressalta Crislei. “Fico pensando como serão essas escolas depois da ocupação. Certamente é um divisor de águas”, aponta a pedagoga.
“Eles não voltam a ser os mesmos. E se as escolas derem espaço, elas serão transformadas para aquilo que sempre desejamos nos processos educativos”, acredita Ruivo.
Créditos da foto: DANILO RAMOS / RBA
Vital
28 de novembro de 2015 10:52 amEsteves pagou a lua de mel do tucano Aécio Neves. Coisa pouca
Convoquem urgentemente o Woody Allen: A Lava Jato começa com Delcídio do Amaral e a Andrade Gutierrez; termina com Marcelo Odebrecht
publicado em 27 de novembro de 2015 às 23:02 no Vi o Mundo
http://www.viomundo.com.br/politica/convoquem-urgentemente-o-woody-allen-a-lava-jato-comeca-com-delcidio-do-amaral-e-a-andrade-gutierrez-termina-com-marcelo-odebrecht.html
O senador Ferraço (PSDB, PTB, PPS, PMDB), o prefeito Paes (PSDB, PMDB), o senador Delcidio (PSDB, PT), o senador Romário e o espancador de mulheres Pedro Paulo; Marcelo Odebrechet deixa a van sob o olhar do “japonês bonzinho”. Processado por contrabando, ele tem a confiança da direção da Polícia Federal e é suspeito de vender informações a revistas e ao banqueiro Esteves
por Luiz Carlos Azenha
Imaginem, por um momento, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, recolhido ao seu apartamento na Trump Tower, em Manhattan.
A prisão domiciliar deve ter um impacto devastador para quem estava acostumado à badalação da vida de cartola no “país do futebol”.
Porém, aos 83 anos de idade, Marin sabe que poderia ser pior, bem pior. A essa altura, ele não tem nada a perder. Quanto mais contar, quanto mais colaborar com os investigadores, menor a pena.
Vamos combinar que, tirando o dinheiro, não há nenhum cimento ideológico que una Marin a Ricardo Teixeira ou Marcelo Campos Pinto, recentemente defenestrado pela Globo.
Ou seja, Marin vai abrir o bico mirando numa aposentadoria não muito distante no Brasil, preservada parte da fortuna que amealhou.
Para os que serão delatados por Marin, resta a certeza de que não poderão influenciar o FBI ou a promotoria dos Estados Unidos.
No Brasil, é diferente.
Imaginem agora o senador Delcídio do Amaral na cadeia, longe das filhas, da família. Um homem que transitou do PSDB para o PT em 2001, às vésperas de Lula se eleger presidente da República, lhes parece ideologicamente sólido?
Delcídio ocupou uma das diretorias mais importantes da Petrobras, a de Gás e Petróleo, no final do governo FHC. Conheceu então Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, os diretores da estatal agora convertidos em delatores. Todos, portanto, antecedem Lula no Planalto.
Delcídio é pluripartidário. O que o levaria a celebrar em seu gabinete um acordo entre Eduardo Paes (PMDB) e Romário (PSB) de olho nas eleições municipais do Rio em 2016? Seria a manutenção do status quo benéfica a seus próprios interesses pessoais?
Ou ele agia ali como preposto do governo Dilma ou do PT? A ver.
À Polícia Federal, o petista já fez declarações suficientemente comprometedoras para enredar o banqueiro, mas não duvido que Esteves passe alguns dias na carceragem — para efeito didático junto aos eleitores — e seja libertado.
Um banqueiro comendo as quentinhas de Bangu sempre pega bem no Jornal Nacional, vende a ideia de uma Justiça “justa”.
Além de não se enquadrar no perfil dos três Ps, Esteves pagou a lua-de-mel do tucano Aécio Neves — informação significativamente omitida por toda a grande mídia.
Independentemente de Esteves, o ex-líder do governo Dilma no Senado tem muito a dizer. Agora, diante da gravação que tem grande impacto junto à opinião pública, tudo indica que Delcídio ficará tempo suficiente na cadeia para ser convencido a “cantar”.
O Supremo Tribunal Federal, que atropelou a Constituição para prendê-lo, terá coragem de libertá-lo?
Foi assim, com a dureza da cadeia, que o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, teve a sua resistência “quebrada”. Segundo informações do Estadão, ele está pronto para “entregar” dois senadores, além de revelar esquemas na construção de estádios da Copa.
A empreiteira que Otávio dirigia teve uma parceria inusitada, por exemplo, na reforma do Maracanã: além da Odebrecht, associou-se à minúscula Delta, de Fernando Cavendish, o grande amigo do ex-governador Sergio Cabral, que por sua vez é aliado do prefeito Eduardo Paes. Paes quer eleger Pedro Paulo em 2016 e se candidatar ao Planalto em 2018 pelo PMDB. Romário seria o candidato ao governo do Estado.
O PMDB do Rio, lembrem-se, é aquele que emplacou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. É aquele que enriqueceu graças ao pré-sal e a obras bilionárias feitas para a Copa e as Olimpíadas.
A seção carioca do PMDB é a única que pode financiar uma campanha presidencial competitiva, assim como a do PSDB paulista.
A dedução óbvia é que Delcídio provavelmente trabalhava por um futuro glorioso… no PMDB.
Ou, a mando de alguém, subordinava o PT ao PMDB nas eleições de 2018.
A delação do presidente da Andrade Gutierrez, agora acertada, tem potencial explosivo: pode jogar luz, por exemplo, sobre a obra do Maracanã.
A Andrade, registre-se, é parceira da Odebrecht e da Carvalho Hosken na obra do Parque Olímpico.
Como brinquei no Facebook, foi o melhor negócio imobiliário do planeta o fechado pela PPP de Eduardo Paes (cliquem para o vídeo imperdível).
Mais de 500 mil metros quadrados de terreno público, transferidos às empreiteiras, agora contam com toda a infraestrutura. Valor? 720 reais o metro quadrado, multiplicados por 22 — já que as empresas poderão construir neles edifícios de 22 andares.
Foi por isso que Eduardo Paes sacrificou a Vila Autódromo, embora os moradores tivessem recebido títulos de posse provisórios (por 99 anos) do governador Brizola: para fazer, às margens da lagoa de Jacarepaguá, o jardim dos ricos que vão comprar imóveis das três empreiteiras!
Mas, voltando à Lava Jato, temos como um dos últimos resistentes Marcelo Odebrecht. Quanto tempo ele vai resistir? Provavelmente, os advogados da empreiteira já se movimentam nos bastidores para obter um acerto parecido com a da “concorrente”.
Odebrecht, lembrem-se, é aquele do “adiantar 15″ para JS, mensagem capturada em um de seus celulares. JS, tudo indica, como brincou um internauta, é Jula da Silva.
Delcídio, Otávio e Marcelo estão em posição para por abaixo o sistema político brasileiro, se resolverem realmente contar tudo.
Porém, se houver uma inclinação de delegados e promotores a ouvir apenas parte da História, por que motivo eles se arriscariam a delatar mais que o necessário?
Portanto, o PT está à mercê desta cascata de delações.
Consequências do 25 de novembro?
Para todos os efeitos, um governo Dilma dono de seu próprio nariz acabou. Um fato novo pode levá-lo ao impeachment, mas considerando as delações por vir é pouco provável que haja alguém mais confiável que Dilma para se arrastar, feito Sarney, até o fim do mandato. Um governo fraco, dominado pelo pensamento econômico neoliberal, vai produzir austeridade via desemprego — eliminando, assim, qualquer chance de sobrevivência eleitoral.
A candidatura de Lula, em consequência, murcha. Para o ex-presidente, escapar da prisão nestas circunstâncias será em si uma vitória.
A direita dispõe, portanto, não só dos instrumentos para recapturar o Planalto em 2018, como da legislação antiterrorista que sobreviverá às Olimpíadas e servirá, como o Patriot Act, para conter qualquer explosão social fora da institucionalidade. Não é pouco, para quem pretende retomar, num quadro de crise econômica mundial, a política do arrocho da ditadura.
Ironicamente, a legislação que permitirá à direita fazer isso foi produzida pelo governo Dilma e “aperfeiçoada” pelos tucanos, com intermediação de… Delcídio do Amaral.
Ah, Woody Allen, não chegou a hora de produzir um filme inspirado no Brasil, tendo o “japonês bonzinho” no papel principal?
PS do Viomundo: Pergunta que não quer calar diz respeito ao filho do Cerveró, Bernardo. Ele gravou por conta própria? Ou foi agente de alguém?
lenita
28 de novembro de 2015 12:20 pmA 1ª pergunta de sempre.
Segundo ouvi ontem, foram logo perguntando ao senador Delcídio se a presidente Dilma sabia de tudo. O originalidade deles me deixa atônita ! Será que usaram o mesmo roteiro do Moro ? É impressionante !!!!!!!! Já nem conseguem disfarçar mais s/ a finalidade da operação Lava Jato, ou já não estão nem aí. Quanto à presidente, uma bolinha de papel (como a do Serra), já consegue derrubá-la.
O jogo está armado, A Andrade Gutierrez consegue a prisão do ex presidente; o Delcídio, o esperado “impitim” da presidente.
Quanto ao STF, Moro, tucanos, etc : A República está salva e viva a República dos de sempre e como diria o poeta, ou os EUA “Tudo está no seu lugar, graças à Deus” ! Mas, lágrimas de sangue ainda escorrerão dos olhos de muitos. Assim espero.
Credo ! hoje acordei com a macaca!, coisa que jamais seria dito pela minha estimada conterrânea, a Egregia Ministra do STF, do tribunal que tb chuta o balde, com muita classe, e dentro da lei.
bfcosta
28 de novembro de 2015 11:53 amhttp://www.bbc.com/portugues
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151127_entrevista_coppe_jp
Tido como morto, Rio Doce ‘ressuscitará’ em 5 meses, diz pesquisador
Jefferson Puff – @_jeffersonpuffDa BBC Brasil no Rio de JaneiroHá 2 horasCompartilhar
Image copyrightReutersImage captionVista aérea do Rio Doce desaguando no mar de Regência, no Espírito Santo
Embora esteja considerado atualmente “morto”, o rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), “vai ressuscitar” em até cinco meses, no final da época de chuvas, em abril do próximo ano.
A afirmação é de Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, ocorrida no último domingo e que afeta a costa do Espírito Santo.
Embora especialistas tenham divulgado previsões de danos catastróficos, que incluiriam danos à reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por até 10 mil m², Rosman afirma que os efeitos no mar serão “desprezíveis”, que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.
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Para ele, há três diferentes cenários de gravidade do desastre e de velocidade de recuperação. No alto, onde a barragem se rompeu, próximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e dependerá de operações de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento. Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo “insignificante” para as empresas.
Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida – até janeiro do próximo ano.
Ao mesmo tempo, o especialista considera “inaceitável” que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria “criminoso” não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.
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Leia os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil – Nos últimos dias, especialistas, ativistas, moradores, pescadores e indígenas têm repetido que o rio Doce “está morto”. O senhor diz que ele “vai ressuscitar”. Como isto deve acontecer?
Paulo Rosman – Eu vou repetir um chavão muito conhecido: o tempo é o senhor da razão. Há a visão quantitativa e fria do pesquisador, do cientista, e a visão emocional e por vezes desesperada do morador, do pescador e do índio. Os dois estão expressando as suas razões. Nenhum dos dois está certo ou errado.
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No caso da ciência as coisas são mais factuais, quantitativas, mais numéricas. No caso do indígena, ele constata e sofre com a “morte” do rio. A diferença é que o rio está morto neste momento, é verdade, mas ressuscitará muito rapidamente, e eles vão poder comprovar isso.
Há muitos exemplos de acidentes muito mais graves e mais sérios do que este da barragem de Mariana. Veja a erupção vulcânica do monte Santa Helena, nos Estados Unidos (em 1980). Foi tudo devastado e destruído, numa área imensamente maior. Você vai lá hoje e vê que os animais voltaram e a mata voltou.
Para fazer a conta, você tem que pegar o peso da lama e dividir pela massa específica dessa lama. Se neste momento eu tenho 4 kg/m³ de água e for dividir pela massa da lama, dá mais ou menos 1,3 mm. Então isso significa que se esses sedimentos todos se depositassem no fundo do rio formariam um tapete de 1 mm de espessura, o que nem vai acontecer, porque a correnteza vai levar.
As fortes chuvas entre novembro e abril “lavarão” o rio Doce, num processo natural.
Digo isso baseado em quantidades de sedimentos, em conhecimentos de processos sedimentológicos, na dinâmica de transporte desses sedimentos pelas correntes dos rios, dos estuários, das zonas costeiras. Então essas coisas são relativamente rápidas, a natureza se adapta, se reconstrói, se modifica.
BBC Brasil – Como o senhor avalia a mortandade e o retorno de peixes ao rio, posteriormente? E como responde a especialistas que avaliam que a recuperação da área e do rio pode levar mais de dez anos?
Rosman – A onda de lama matou os peixes, mas o volume, pelo que eu vi publicado nos jornais, representa uma quantidade muito baixa. A não ser que tenha havido algum erro de cálculo, foi divulgado que morreram 8 mil kg de peixes no rio Doce. Veja, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: quando há uma baixa mortandade, estamos falando em 70 mil peixes, mas este número pode chegar a 200 mil, e depois sempre há o retorno. A gente sabe que não demora muito para que a Lagoa encha de peixe de novo.
Quanto aos comentários de especialistas citados, eu diria apenas que eu espero que eles estejam enganados. Não vou entrar em discussão. Mas basta olhar coisas que já aconteceram. Por exemplo, a quantidade de sedimentos que desceu dentro do rio Itajaí-Açu (SC), no final de 2008, quando caíram inúmeras encostas no vale do Itajaí, na região de Itajaí e Blumenau. Houve um desmoronamento do cais do porto, um mega-assoreamento do canal do porto de Itajaí, sem contar diversas mortes na tragédia. Foi um evento natural, e em quantitativos ele é extremamente maior do que esse do rio Doce.
E o porto de Itajaí está lá, o rio Itajaí-Açú está lá, Blumenau está lá. O rio voltou ao normal. Sinceramente eu acho que essas pessoas estão sendo movidas pelo impacto humano da tragédia, pela emoção. As mortes e os prejuízos são dores e perdas eternas. Mas temos que separar. Para voltar para o plano racional, só deixando o tempo passar.
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BBC Brasil – É possível mensurar a quantidade de sedimentos que chegou ao mar do Espírito Santo e o impacto ambiental disso? Dias atrás cientistas cogitaram impactos catastróficos nos ecossistemas marinhos da região.
Rosman – Sim. De acordo com os últimos números, a concentração a 10 km de distância da foz do rio Doce, onde a lama teve contato com o mar, está entre 50 e 20 mg/l de sedimentos em suspensão. Isto é muito insignificante para ser considerado um risco ambiental. É absolutamente desprezível.
Para se ter uma ideia, a água transparente do mar, costeira, tem tipicamente 5 mg/l de sedimentos em suspensão. A água dentro de uma baía tem tipicamente entre 50 mg/l a 100 mg/l de sedimentos em suspensão. A água de um rio com cor barrenta tem em torno de 500 mg/l de sedimentos de suspensão, são todos dados naturais.
Rios muito barrentos, como o Amazonas, têm entre 1.500 e 2.000 mg/l de sedimentos em suspensão na época de cheia.
Então se a 10 km da foz do rio Doce você vai ter concentrações de no máximo 50 mg/l no mar, embora você veja a coloração diferente por mais algumas semanas, é óbvio que não estamos falando de danos ambientais. Diferentemente de um vazamento de petróleo, que você usa bactérias para decompor e limpar – e leva tempo e gera mortalidade de vida marinha muito maior -, no caso atual você não tem como “limpar” a lama no mar. Ela se dilui naturalmente, sozinha.
Mesmo que você tenha um padrão de ventos que gere correntes fora do usual, a distância é tão grande e a diluição é de tal ordem que não causaria efeitos danosos em Abrolhos.
BBC Brasil – E quanto à composição destes sedimentos que compõem a lama? É possível que seja descoberto que têm uma toxicidade muito maior do que se imagina e que possa causar danos futuros?
Rosman – Risco sempre há, mas não tenho razões para acreditar nisso. Já ouvi pessoas que não são da área darem prognósticos devastadores quanto à toxicidade desse material. E já ouvi pessoas que são especializadas, da área de geologia, e que conhecem muito bem isso, dizerem o oposto, que se trata de um material de baixa toxicidade.
Então não tem grandes impactos persistentes no longo prazo. As pessoas podem tirar da cabeça essa ideia de que se trata de algo radioativo, de um veneno ambiental que vai matar tudo e nunca vai sair do chão. Não é nada disso.
Para você ter uma ideia, a doutora Marilene Ramos, que é a presidente do Ibama, tem doutorado em mecânicas do solo. Ela fala inclusive com um conhecimento específico de solo muito maior do que o meu. Ela me disse que esse material não é de alta toxicidade e que é basicamente areia fina, argila e óxido de ferro. Claro que tem traços de outras substâncias, mas em concentrações muito baixas, que não oferecem risco.
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BBC Brasil – Na sua opinião o que deveria ser feito no distrito de Bento Rodrigues (MG), o vilarejo mais devastado pela avalanche de lama? Como limpar ou recuperar o local? E quanto isto pode custar?
Rosman – Primeiramente o governo de Minas Gerais precisará avaliar o que retirar de escombros, de estruturas danificadas, e ver se deixa algo como marco simbólico da tragédia. É um absurdo permitir o retorno das pessoas para aquele local.
Se eu fosse o governo de Minas Gerais obrigaria a Samarco a fazer um parque memorial ali. Fazer um projeto bonito, fazer um paisagismo, uma correção de solo, um jardim, e ficaria como memória, com homenagem às pessoas que sofreram essa desgraça toda. Ninguém vai poder voltar a morar ali.
BBC Brasil – O senhor orientaria o governo mineiro a retirar os outros povoados que estão na linha de avalanche de outras barragens de rejeito de mineração?
Rosman – Com certeza. Muitas vezes os povoados se formam próximo às barragens porque atraem empregos e comércio. Mas o poder público não poderia permitir a instalação de povoados em áreas de passagem de eventos como esse que ocorreu. Hoje não faltam ferramentas computacionais que nos permitem simular um rompimento de uma barragem e mostrar qual é a trilha de percurso da avalanche. Atualmente é inaceitável e injustificável ter povoados em rotas de avalanche de barragens, ninguém poderia morar nestes locais.
BBC Brasil – O senhor considera que isto foi uma irresponsabilidade dos atores envolvidos?
Rosman – Olha, irresponsabilidade é quando você tem consciência do fato e não faz nada. Tudo é óbvio depois que você já sabe o que aconteceu. Ou seja, a partir de agora, deste exemplo dramático e catastrófico, se o governo não tomar medidas para realocar pessoas em áreas de alto risco, em outros locais onde se sabe que poderia ocorrer algo semelhante a Mariana ou até pior, eu diria que estaríamos falando de uma atitude mais do que irresponsável, mas sim criminosa.
Há duas opções. Você pode remover o povoado para outro local, ou se o povoado for grande demais, você embarga o negócio lá em cima. Para de usar a barragem, estabiliza, deixa secar, e pronto. Transfere a atividade para outro lugar. Tem que ver o que é mais viável.
José Carlos - Spin
28 de novembro de 2015 12:35 pmtecnica para combater a insonia
http://www.equilibrioemvida.com/2015/11/a-incrivel-tecnica-4-7-8%E2%80%B3-que-faz-dormir-em-um-minuto/
Vital
28 de novembro de 2015 12:39 pmPara prender o Lula, a PF do Zezinho faz qualquer negócio
A PF do zé é o centro da sedição!
Só o colonista do Globo teve o vazamento do Delcidio-2 ! Um mínimo de equidade!
publicado 28/11/2015 no Conversa Afiada
Um investigador da Polícia Federal do zé contou ao Delcidio, durante seu depoimento, que o Lula tinha dito que foi “uma grande burrada” a tentativa de impedir que o Cerveró o dedurasse.
“Uma grande burrada” – essa frase é uma fraude.
Lula desmentiu a Fel-lha: http://www.conversaafiada.com.br/pig/fel-lha-inventa-declaracoes-de-lula
Por que, então, um funcionário público – por nós remunerado – da Polícia (sic) Federal (sic) diria ao Delcídio que o Lula o chamou de burro ?
Com que intenção ?
Para o Delcidio se vingar do Lula, dedurar o Lula e a Policia (sic) Federal( sic) realizar o sonho da Casa Grande e do Juiz de Guantanamo: prender o Lula !
O Lula, essa “anta”, segundo um policial (sic) do zé.
E o que tem a frase do Lula com um depoimento do Delcidio ?
Nada !
Para que mostrar ?
Informa The Globe que Delcidio ficou “contrariado”, “mas não concordou em esticar (sic) seu depoimento por mais meia hora, como sugeriram os procuradores”.
Trata-se, portanto, de uma armadilha.
Um Golpe baixo.
Um dos investigadores joga uma informação falsa na cadeira do dragão do depoente para persuadi-lo a falar mais meia hora – e incriminar o Lula !
O amigo navegante já ouviu falar disso, não ?
No regime militar quando, com a ajuda de uma manchete falsa da Fel-lha, se dizia que o pai do depoente estava morto e que, portanto, era melhor ele falar !
É disso o que se trata, nessa Polícia (sic) do zé do Governo trabalhista, que apanhou do e lutou contra o regime militar !
O governo de uma Presidenta que foi física e barbaramente torturada !
(Depois, quando se diz que o zé fez da PF uma Policia pior que a do FHC …)
O coronel Ustra é o diretor-geral da PF !
E o japa bonzinho ?
O que vende informações ?
O funcionario da PF que vende informaçoes ao Andre Esteves e a revistas ?
(Será o detrito solido de maré baixa o beneficiário ? Talvez não. Porque a Veja nao tem dinheiro nem para pagar a conta de luz … E o japa bonzinho deve cobrar caro…)
E o colonista (sic) da Globo que teve exclusivo acesso à integra do depoimento-2 do Delcidio ?
Que esculhambação é essa ?
Por que o colonista do Globo recebe e o da Fel-lha não recebe ?
Por que o os vigilantes do Estadão não recebem ?
Isso é uma grossa esculhambação !
A ilustre colonista da Fel-lha talvez nunca mais noticie as sessoes de piano do zé, se, no Delcidio-3, não for ela a beneficiada !
Onde é que nós estamos!
Vazamento !
Tem que haver um minimo de equidade na distribuição.
A Fel-lha não pagaria?
Não tem problema !
O UOL banca !
Viva o Brasil !
alfeu
28 de novembro de 2015 6:18 pm*
Energia solar e eólica auxiliarão no desenvolvimento socioeconômico de agricultores rurais e assentados da reforma agrária
http://tinyurl.com/qpa633
OBS
28 de novembro de 2015 6:51 pmPrestem atenção..no
Prestem atenção..no absurdo.
Na transcrição disponibizada pelo “jota” está. No audio está?
EDSON: fica confirmada a minha tese. A pessoa quando vai pra delação sendo torturada
fala a verdade