4 de junho de 2026

A carta de Jobim, por Maria Cristina Fernandes

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Jornal GGN – Em sua coluna semanal no Valor, Maria Cristina Fernandes fala sobre o depoimento de Nelson Jobim, ministro dos governos Lula e FHC e também ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que deu origem ao novo livro da série “História Oral do Supremo”, da Fundação Getúlio Vargas. Em um dos casos contados por Jobim, está a discussão sobre o salário da magistratura e do auxílio-moradia, quando o então ministro do STF conseguiu aval dos outros juízes para negociar a remuneração com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Leia mais abaixo:

Do Valor

A carta de Jobim

Por Maria Cristina Fernandes

Nelson Jobim era o mais novo dos ministros do Supremo quando chegou às suas mãos mandado de segurança pela incorporação, ao salário da magistratura, do auxílio­-moradia. Na condição de constituinte negociador do capítulo do Judiciário, o ministro entrou no debate sem inibição. A disputa judicial já se arrastava por seis meses e o Supremo, titular do teto do funcionalismo, hesitava em agir como chefe do sindicato. Jobim liberou o mandado contra a vontade do presidente da Corte, Carlos Velloso. “Só existe uma possibilidade de eu retirar de pauta. Quero carta branca para negociar com o Executivo a remuneração dos juízes”.

Emparedados pelo calouro, os ministros deram o aval e Jobim partiu para a negociação com o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Acertadas as cifras com Casa Civil e Fazenda, negociou um projeto de lei sobre o tema com o Congresso ­ “Levei para eles, toparam. Aprovei a lei, correndo, negociei com lideranças e tal, aprovamos a lei; resolveu o tal negócio da remuneração da magistratura”.

Entrevistado pelos pesquisadores Fernando Fontainha, Christiane de Paula, Fabrícia Guimarães e Leonardo Sato, o ministro cuida para não passar à história como integrante da longa lista de coveiros de Montesquieu: “Minha função normal sempre foi de tentar resolver problema. É a minha característica”.

A entrevista se transformou no nono livro da série “História Oral do Supremo”, da Fundação Getúlio Vargas, que lançará a segunda leva de cinco volumes amanhã. Aos 69 anos, o ministro que emerge da entrevista, feita em três dias, entre julho e novembro de 2012, não apenas inicia e conclui sua carreira na advocacia como parece ter continuado a exercê­-la como parlamentar, ministro de dois governos ­- Justiça (FHC) e Defesa (Lula) -­ e juiz do Supremo.

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A íntegra do depoimento estará aberta amanhã em historiaoraldosupremo.fgv.br.

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6 Comentários
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  1. Taubateano

    12 de novembro de 2015 2:14 pm

    Auxílio moradia incorporado?

    Quer dizer que o tal auxílio moradia já houvera sido incorporado ao salário dos juízes?

    E têm o displante de pleitearem novamente o indecente auxílio?

    Alguém explique isto, por favor!

     

    1. Athos

      12 de novembro de 2015 3:25 pm

      E desde quando fatos precisam
      E desde quando fatos precisam ser explicados?

      O fato é que a OAB é uma ameaça ao Brasil.

      1. Alan Souza

        12 de novembro de 2015 11:01 pm

        E o que a OAB tem a ver com juízes?

        O que a OAB tem a ver com juízes? Onde você leu OAB na nota acima, ou viu a atuação da OAB em favor do pagamento de auxílio-moradia a juízes?

        A representação da OAB no CNJ votou contra a concessão de auxílio-moradia para juízes:

        http://www.oabes.org.br/noticias/representantes-da-oab-no-cnj-votam-contra-auxilio-moradia-556086.html

        1. Athos

          13 de novembro de 2015 1:48 pm

          Não tem problema até vc
          Não tem problema até vc acreditar no voto.

          Aí vc passou a ser enganado, e este É O PROBLEMA!

          1. Alan Souza

            13 de novembro de 2015 1:51 pm

            Mistificação e achismo

            Voto é voto. O voto foi contrário e pronto. É desonesto intelectualmente, da sua parte, insinuar que a OAB votou contra e por baixo dos panos fez algo a favor. A decisão do auxílio-moradia coube ao Judiciário, e a OAB e os advogados nada ganham com isso.

  2. alfredo sternheim

    12 de novembro de 2015 10:16 pm

    dúvidas

    O texto acima deixa dúvidas. Afinal, Jobin trabalhou a favor ou não do auxilio moradia e de outras mordomias que, hoje, agregam altos (e ofensivos) valores aos ganhos de muita gente no poder judiciário. E perguntar não ofende: por que muita gente que, por coerência com a ética, deveriam ser contra esses ganhos, não se manifestam publicamente?  

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