
Folha de S.Paulo
O jornal não deu o destaque merecido à revelação das contas secretas do presidente da Câmara
O Ministério Público da Suíça informa: o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e seus familiares têm contas secretas naquele país. Avisa ainda que elas foram bloqueadas numa investigação local movida por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção. Em março, o peemedebista havia dito na CPI da Petrobras que não tinha conta nem dinheiro no exterior, a mesma declaração que deu à Receita Federal e à Justiça Eleitoral.
A notícia acachapante sobre o terceiro nome na linha de sucessores da Presidência da República é escândalo digno de manchetes bombásticas em qualquer democracia, mesmo numa acossada por escândalos em série, como a brasileira.
Na edição impressa de quinta-feira (1°), a revelação mereceu na Folha um título em uma coluna, uma tripa ao lado da portentosa manchete de cinco colunas sobre a queda de Aloizio Mercadante do Gabinete Civil–que sem dúvida era notícia, mas já estava no digital desde as 9h de quarta e em um site concorrente desde a noite de terça.
Em resposta à crítica interna da quinta-feira, a Secretaria de Redação concordou que a edição impressa não repercutiu, na capa e internamente, a gravidade da situação do presidente da Câmara e disse ter procurado melhorar a cobertura desde então. Na sexta (2), ela realmente melhorou, sobretudo no digital, mas o impresso ainda foi mais tímido do que a concorrência.
O assunto chegou à manchete em modestas três colunas, tamanho reservado a notícias menos flamejantes. Dividindo o alto da capa, chamadinhas leves (conhecidas na Redação como caramelos) para o centenário de Orlando Silva, o futebol e 30 opções para quem não come carne. Pode-se dizer que o prato principal cedeu espaço à sobremesa.
Não foi por falta de reconhecimento da gravidade do caso. Na mesma sexta, o principal editorial descrevia bem a escalada no grau de comprometimento de Cunha, embora ainda reservasse enorme dose de boa vontade ao aventar a possibilidade de que a informação da Suíça pudesse estar errada. Também pegou leve com a atitude imperial do deputado, que até então havia se recusado a falar do assunto, como se não devesse explicações.
O colunista Bernardo de Mello Franco (Brasília, na pág. A2) escreveu que Cunha “continua a confiar na covardia do governo e na cumplicidade da oposição, a quem se aliou na causa do impeachment”. Até a sexta à noite (quando entrego a coluna), essa confiança era merecida: o presidente da Câmara estava sendo convenientemente poupado de críticas. Um deputado (anônimo, como sói acontecer) resumiu a chave oportunista: “Resta rezar para que a conta [de Cunha] só apareça após o impeachment”.
É parte do jogo político essa complacência que atropela sem dó qualquer coerência e subordina valores republicanos a interesses de ocasião. E é a essa imagem de condescendência interessada que a Folha corre o risco de se ver associada com uma cobertura que parece não conferir o peso devido aos problemas de um dos principais personagens da crise política. Não é necessário pesquisar muito para comprovar que o jornal já fez muito mais barulho com histórias menos comprometedoras e figuras menos controversas.
sergio martins pinto
4 de outubro de 2015 3:16 pmPerdeu a noção de perigo.
Perdeu a noção de perigo.
J
4 de outubro de 2015 3:20 pmFalência múltipla de órgãos de imprensa
Houve um momento em que a Folha me enganou. O cinismo cafajeste com que tenta continuar nos enganar, dizendo-se progressista, e destilando facismo em suas desonestamente escritas páginas, é de revirar os estômagos mais fortes. Para mim ela é pó.
MarFig
4 de outubro de 2015 3:21 pmChega de lero lero e pede
Chega de lero lero e pede demissão de uma vez.
silvio de sousa
4 de outubro de 2015 3:23 pmPede a conta!
Se tiver vergonha na cara, pede a conta!
Ricardo JC
4 de outubro de 2015 3:47 pmNa boa Nassif…eu acho uma
Na boa Nassif…eu acho uma palhaçada dar espaço para este tipo de notícia no blog!!!
Não adianta nada isto. A Folha é um lixo e essa ombudsman está ali só para fazer figuração. Se dependesse de mim…espaço zero para isto
Gilson AS
4 de outubro de 2015 4:06 pmVai vendo !
Rpv
4 de outubro de 2015 4:20 pmO jornalismo da piada pronta.
O jornalismo da piada pronta.
Rpv
4 de outubro de 2015 4:12 pmA coluna da crítica pronta
“mesmo numa [democracia] acossada por escândalos em série, como a brasileira”
“o jornal já fez muito mais barulho com histórias menos comprometedoras e figuras menos controversas.”
Desenhando. Os “escandalos” em série são fabricados, assim como os escandalos enterrados.
Isto se chama campanha político-partidária, haja vista que o poder democrático numa república é exercido através de partidos políticos.
Quando há dois em disputa, como vem ocorrendo nas últimas seis eleições presidenciais, a mais de vinte anos, exagerar a pauta contra um e minimizar aquela contrária ao outro, é uma forma inteligente, para atingir os incautos, de se fazer campanha política partidária.
E os escrúpulos jornalísticos às favas.
Gilson AS
4 de outubro de 2015 4:21 pmVerdades !
JigSawJr
5 de outubro de 2015 3:01 amBacaninha.
Mas na parte ‘O
Bacaninha.
Mas na parte ‘O vermelho cresce’ a autora apelou né.
“Tá díficil defender o PT”, frase de amigos petistas da minha faculdade…
ricardoaraxa
4 de outubro de 2015 5:10 pmNao e atoa que faz mais de um
Nao e atoa que faz mais de um mes,que NAO leio mais a folha.
DE PAULA
4 de outubro de 2015 5:53 pmIMPRENSA VENDIDA
Eles querem direcionar a massa, com suas informações tendênciosa.
Adma Andrade Viegas
4 de outubro de 2015 8:16 pmDe que adiante ombudsman?
De que adianta a crítica dessa jornalista?
Não serve para nada. O jornal vai continuar com as mesmas práticas, todo mundo sabe disso. O leitor da Folha não se importa com isso e vai passar batido.
Se quer mesmo fazer um jornalismo crítico, pede o boné e faz um blog independente.
gvalenca
4 de outubro de 2015 9:13 pmOMBUNDAMAN
Esse posto para enganar trouxa. E o cara se presta a um papel (emprego) desses…
altamirosouza
5 de outubro de 2015 2:27 amombusdman, como a maioria dos
ombusdman, como a maioria dos que fazem parte dessa grande mídia. não passam de office-boys da infamia.
como dizem os portenhos, são meras “pandillas de delincuentes”!
Rodrigo Arantes Melo
5 de outubro de 2015 11:51 amConversão a esquerda…a 200
Conversão a esquerda…a 200 km do centro.