
Do Justificando
Porque eu não comemoro a prisão de José Dirceu
Gustavo Badaró
Vejo, com decepção, que muitos estão comemorando a prisão preventiva do José Dirceu, em sei lá qual etapa da Operação Lava-Jato.
Não entendo qual a razão para regozijo.
Primeiro, esclareço meu lugar de fala, do ponto de vista político-ideológico. Não tenho nenhuma simpatia, muito ao contrário, pelo PT. Sou daqueles que acredita que os 12 anos de Lula e Dilma fizerem e a sua continuidade ainda poderá fazer muito mal para o Brasil. Portanto, não sou alguém que usa argumentos jurídicos para “defender os companheiros”.
A prisão é, sempre, digo e enfatizo, sempre, desumana. Não importa se o preso é culpado ou inocente; cometeu crime mais ou menos grave. A prisão brutaliza, animaliza, torna o homem um bicho.
Considerando as condições do cárcere brasileiro, não é possível ignorar a realidade e defender, dogmaticamente, qualquer função para a pena de prisão. Corretamente Zaffaroni se diz defensor de uma teoria “agnóstica” da pena.
Não estou confundido, “prisão pena”, com “prisão processual” (ou cautelar). Essa distinção, que tem importantes consequências jurídicas, para quem está preso não passa de uma falácia. Prisão é prisão, com tudo de cruel que ela acarreta. É retribuir o mal com o mal. E gerar sofrimentos, sem qualquer necessidade ou finalidade positiva. Não traz nada de bom, só danos.
Imagino que estes que comemoram a prisão de José Dirceu, ou de qualquer pessoal, também devem ter comemorado a morte por assassinato de Gaddafi, ou a execução da pena de Saddan Housen que morreu enforcado, ou, ainda, as execuções sumárias e linchamentos recentes no Brasil, feitos por uma sociedade que busca fazer (in)justiça com as próprias mão.
Nada disso me alegra. Sinto-me triste, e muito. A pena, mesmo quando justa, é motivo de tristeza, pois não há como deixar de trazer consigo , sofrimento. E não só para o preso, mas para seus familiares e para aqueles que dele gostam. Por outro lado,a pena, por mais severa que seja, não restaura a perda da vítima, restituído a vida ceifada. Prender não cura a lesão. A prisão não elimina a violação da mulher estuprada. E, no caso em discussão, não aumenta a riqueza do cofre público saqueado, sendo ao final comprovada a acusação. Não. Pena é mal, mais mal, e um pouco mais de sofrimento.
Não defendo a abolição da pena, não advogo a eliminação total da prisão. Mas nunca pensei em comemorar uma prisão. Como não comemoro morte e não fico alegre por saber que alguém está sofrendo.
Então, se você está contente; se acha que falta só um dedinho para abrir a Champagne que já está gelando, quando ocorrer – e se ocorrer – a prisão que falta para ser a cereja do bolo, pense nisso.
Não se comemora sofrimento.
Guarde a deliciosa bebida e estoure a rolha quando tiver algo algo bom para festejar. Descobrirá que o gosto das borbulhas de felicidade é bem melhor que o Brut de um sofrimento.
Gustavo Badaró é Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (2011), pela qual também é Doutor (2002) e Mestre (1999) e se graduou no ano de 1993. Advogado.
Francy Lisboa
4 de agosto de 2015 3:33 pmFizeram mal ao Brasil sobre
Fizeram mal ao Brasil sobre qual ponto de vista?
Eu tenho CERTEZA que o autor não poderá revelar para não fortalecer o discurso petista.
Ugo
4 de agosto de 2015 3:42 pmopinião se respeita, o resto oras…
Mais um querendo demonstrar isenção com dose cavalar de cinismo.
Gilberto Jorge
4 de agosto de 2015 3:50 pmLixo
O quê esse lixo tá fazendo aqui?
Athos
4 de agosto de 2015 4:10 pmDar lição de moral para os
Dar lição de moral para os Sem Noção!
João Luis
4 de agosto de 2015 4:11 pm“Sou daqueles que acredita
“Sou daqueles que acredita que os 12 anos de Lula e Dilma fizerem e a sua continuidade ainda poderá fazer muito mal para o Brasil.”
A qualidade do português já nas primeiras linhas basta para revelar as dificuldades cognitivas do autor.
Fernando L
4 de agosto de 2015 9:35 pm3 erros grotescos de concordância numa única frase!!
“Sou daqueles que acredita que os 12 anos de Lula e Dilma fizerem e a sua continuidade ainda poderá fazer muito mal para o Brasil.”
Gustavo Badaró é Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (2011), pela qual também é Doutor (2002) e Mestre (1999) e se graduou no ano de 1993. Advogado.
Mas tiraria zero na prova do ENEM… Doutor e mestre de que ???
Flavio Martins e Nascimento
4 de agosto de 2015 4:34 pmResta saber quem é mais
Resta saber quem é mais irônico: o blog ou o texto?
will
4 de agosto de 2015 4:34 pmdiscurso de quem não tem
discurso de quem não tem consciência. Sóciopata.
mauro silva1
4 de agosto de 2015 4:35 pmque fique agendado o dia da legalidade
o quê diz o editor do uol neste momento (13:33hs)?
“dirceu DIZIA que delação não condiz com sua vida”.
o quê DISSE dirceu?
“não tenho o quê delatar”.
diante disso, do golpe que se avizinha, convém às forças de esquerda marcarem para o dia em que for decretada a prisão de lula, o dia agendado do golpe branco, a tomada das ruas pelos simpatizantes do ex-presidente e também da LEGALIDADE.
mauro silva1
4 de agosto de 2015 4:42 pmde vermelho …
de camisas vermelhas!
ruyacquaviva
4 de agosto de 2015 4:41 pmUm amontoado de asneiras
Um monturo de esterco tem mais utilidade (e cheira melhor).
Pelo menos o esterco um dia vira adubo, essas asneiras nem para isso servem.
A comparção de Zé Dirceu com Gaddafi e Saddam Houssein é a demonstração cabal da absoluta e completa falta de noção do autor deste infame texto.
JB Costa
4 de agosto de 2015 4:53 pmNão entendeste ainda,
Não entendeste ainda, ruyacquaviva? Essa é a maneira dele comemorar o ocaso do José Dirceu.
Fosse o ex-ministro ou qualquer familar dele mandaria esse cidadão meter na…………essa ode ao cinismo.
Álvaro Noites
4 de agosto de 2015 7:23 pmSão as palavras de pesar
São as palavras de pesar proferidas por quem possui um semblante de uma já indisfarçável felicidade.
Adriano Marcio S.C de New York
4 de agosto de 2015 5:01 pmImpressiona a intolerância
Impressiona a intolerância que nos abateu!!!
O autor expressa a ideia que sob o ponto de vista social, toda prisão deve emoldurar uma ideia triste, por consagrar um desvio do convívio social desejado. Nesse ponto, concordo.
Por outro lado, a sua ausência consagra a ideia de impunidade, o que também, até em uma escala maior, poderá trazer maiores consequencias.
Vejam que a prisão foi decretada por um juiz de primeiro grau, mas que será alvo de análise por outras instâncias judiciais, que poderão analisar se a tristeza causada com essa ação tinha Necessidade de acontecer.
João de Paiva
4 de agosto de 2015 5:31 pmAté na forma de comentar o
Até na forma de comentar o sujeito deixa marcas, ou melhor, penas espalhadas, dando-nos a certeza de que lado ele está. Por que o articulista não sai de cima do muro? Ele afirma que a prisão é um mal, que não repara o dano porventura causado pelo apenado e que apenas gera sofrimento. Se assim ele pensa, por que ele não tem coragem de se colocar frontalmente contra esse “instituto”, que apenas alimenta os instintos primitivos, como a vingança e a crueldade? Transcrevo o parágrafo que sintetiza a covardia do articulista, que parece desejar ficar bem com todos (mas que no fundo não fica bem com ninguém) “Não defendo a abolição da pena, não advogo a eliminação total da prisão. Mas nunca pensei em comemorar uma prisão. Como não comemoro morte e não fico alegre por saber que alguém está sofrendo.” Mas o que esperar de um sujeito que mesmo não tendo a coragem de assumir que é tucano (afinal a covardia impede que os tucanos falem ou escrevam com sinceridade o que pensam) abre o artigo com este trecho “…Não tenho nenhuma simpatia, muito ao contrário, pelo PT. Sou daqueles que acredita que os 12 anos de Lula e Dilma fizerem e a sua continuidade ainda poderá fazer muito mal para o Brasil. Portanto, não sou alguém que usa argumentos jurídicos para “defender os companheiros”.” Além de covarde o articulista se mostra um oportunista.
Maria Silva
4 de agosto de 2015 6:00 pmNunca vi tanta baboseira …
Poderia ter passado a semana sem isso. O que esta acontecendo com esse blog? No que, esse monte de besteira, contribui para a discussão politica? O que é isso ???
Jossimar
4 de agosto de 2015 6:09 pm“Guarde a deliciosa bebida e
“Guarde a deliciosa bebida e estoure a rolha quando tiver algo algo bom para festejar. Descobrirá que o gosto das borbulhas de felicidade é bem melhor que o Brut de um sofriment”
Estou guardando. e os fogos de artif[icio também.
Um dia este porcaria FHC morre.
Antonio Terra
4 de agosto de 2015 6:10 pmDecepção
Sr. Nassif , tenho imenso respeito por sua pessoa como tenho pelo Sr. José Dirceu, mas esperava que nesse dia de aberração jurídica e midíatica , esse seu espaço pudesse colacar algo que valesse a pena ler . O que esse Sr. Gustavo postou é de uma aberração e um desrespeito que só comparado com a própria ação da prisão . Mas se a opinião dele for a mesma que a sua , retiro o que disse , pois tem o direito de ter a sua própria. Mas vou dar a minha : Este jornal já teve dias melhores………..muito melhores.
lenita
4 de agosto de 2015 6:25 pmÉ cada bobagem que lemos
É cada bobagem que lemos !!!!!!!
Cris Kelvin
4 de agosto de 2015 6:26 pm“Doutor das leis”, mestre…
… Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo?
maria rodrigues
4 de agosto de 2015 7:25 pmO problema do Livre Docente
O problema do Livre Docente da USP é que ele escreve muito mal. Não consegue passar suas ideias, sua posições. Afora esclarecer os males de uma prisão para qualquer ser humano, e que não se regozija com a prisão ou desgraça de qualquer outro, o mais ficou meio confuso.
Cintra Beutler
4 de agosto de 2015 7:36 pmFoi mal…
Dei-me ao trabalho de ler tamanha pérola.
Se o autor fosse por uma linha de raciocínio que condenasse a forma como Dirceu foi preso, se mensionasse o circo que é essa Operação Lava Jato e como demais figuras de outros partidos que não o PT nunca são tratados com a mesma isonomia, então teria alguma valia.
Chega a parecer que o autor usa de ironia. Até começou de um modo relevante, mas terminou de modo pífio, com uma liçãozinha de bem-estar, típico de livros de auto-ajuda, do tipo: “não deixe o ódio tomar conta de você”.
Nassif, por favor, selecione com mais acurácia os artigos que são publicados.
evandro condé de lima
4 de agosto de 2015 11:50 pmTeria um senão
Seria mais um post falando a mesma coisa. Será que precisava? Ou achas prroblemático um ponto de vista diferente?
Helenice
5 de agosto de 2015 6:58 amProcurei, procurei…
Pois é. Li o texto inteiro procurando o fio argumentativo seguido pelo autor, um grau mínimo de informatividade que, se não surpreendesse, pelo menos justificasse a relevância do discurso. Tudo em vão. Se ele lamenta a prisão de qualquer pessoa, como acredito que muita gente o faz, por que deixou para dizer isso somente agora, tomando o Dirceu como mote? Acho que o nome José Dirceu está virando marca para jornalistas, comentaristas e muitos mais venderem “textos”.
Arnaldo Costa
4 de agosto de 2015 11:04 pmPrenderam Dirceu. E agora o que irão provar?
Um gangster tucano picareta da Camargo Correa disse ter depositado um dinheiro para Dirceu e ele não prestou o serviço. Tudo isso, mas para o satisfazer o juiz tucano Moro e ver se diminuir a pena. Caso o serviço não tenha sido entregue, trata-se de um problema de quebra de contrato entre duas empresas, com as multas previstas em contrato. Agora, vamos um pouco mais longe, Dirceu fez lobby para essas empresas e recebeu para isso. E daí? Dirceu não faz parte do governo e poderia utilizar sim sua consultoria para facilitar a entrada de empresas no governo. Vamos mais longe ainda: essas empresas ganharam licitações com o governo. Ah sei. Terão que provar que o processo de licitação foi ilegal, favorecendo as empresas que Dirceu prestou consultoria. E mais, que esse favorecimento partiu dos contatos de Dirceu. O mentecapto do juiz cooptado pela máfia demotucana atropelou tudo isso e, em mais uma espetacularização para agradar midiotas, mandou prender o mais um membro perseguido no Estado de exceção em que vivemos. Parabéns canalhas e corruptos, vocês venceram mais uma vez!
Islandes
5 de agosto de 2015 1:43 amNão comemoro pois foi
Não comemoro pois foi injusta. Não existe justiça sem isonomia, enquanto a lei valer para uns e não para outros que se encontram na mesma condição, 98% dos politicos brasileiros, não haverá justiça.
Renato Lazzari
5 de agosto de 2015 2:06 amCaramba, eis uma variação
Caramba, eis uma variação criativa do “ex-petista-arrependido”, tão comum peloaí, Gustavo Badaró inventou o original “anti-petista-que-usa-da-prisão-flagrantemente-desnecessária-de-Dirceu-para-posar-de-democrata”.
E em se prendendo alguém da elite, “quando ocorrer – e se ocorrer” (essa, sim, seria a “cereja do bolo”), já tem até como os conservadores reclamarem, né?
– “Mas… mas… se a gente foi contra até a prisão de Dirceu, o inimigo público número um do Brasil?! Ah, solta o Aécinho, vai? Deixa o Perrela em paz, o Cunha, afinal, matou alguém?!”
Jofran Oliva
5 de agosto de 2015 3:20 amSou daqueles que acredita que os 12 anos de Lula e. . .
“Sou daqueles que acredita que os 12 anos de Lula e Dilma fizerem e a sua continuidade ainda poderá fazer muito mal para o Brasil.” Pode ser um mestre em direito, mas em economia em história é uma nulidade, será que não viu o Brasil crescer como nunca nesses doze anos? O salário mínimo dobrar? O povo financiar casas, carros? O povo encher os carrinhos de compras nos supermercados? O Brasil aparecer pela primeira vez no mapa da geopolítica mundial? É, tem gente que acha que isso foi um “mal” para o Brasil.
GG
5 de agosto de 2015 3:54 amQue nível tem essa faculdade,
Que nível tem essa faculdade, mestre e doutor, nossa, é de se lamentar. Lá na minha faculdade do subúrbio o nível é melhor.
O que eu gostaria de falar do camarada dirceu, e o seguinte, a história mostra que foi um cara que enfrentou um período da ditadura com bastante coragem, final da década de sessenta é toda a de setenta deve ter sido dureza.
ai veio a década de oitenta e noventa as décadas perdidas, o que de melhor eu vi foi o rock anos oitenta, de resto poderíamos dizer as transformações, tais como as diretas já, que pra mim seria inevitável, enfim, os cara pintadas da Globo, mas aí é ponto de vista.
bom, como vimos não sobrou muita coisa pra mim senão as histórias da ditadura, eram tristes, mas, eu via no pessoal, que lutava por democracia, eu os via como heróis, e me perguntava, se eu vivesse nesse período será que eu teria coragem para lutar por uma ideologia?
MV
5 de agosto de 2015 11:09 amMomento cinismo
Texto para leitor da caolha…
José Muladeiro
5 de agosto de 2015 12:08 pmTem USP em tudo..
Cada vez mais vemos excrescências vindo daquela que já foi vanguarda na defesa da Democracia no Brasil.
Renato Lazzari
5 de agosto de 2015 1:10 pmCarimbo de aprovação
Eduardo Cunha, Aécio Neves da Cunha, Cássio Cunha Lima, José Serra e Geraldo Alckmin aprovam as ideias desse comentário pelo seu conteúdo privatista e sucateador do que é público e pelo seu generalismo oportunista, como se a USP produzisse apenas pulhas como esse advogado.
Monier.,.,.,.,
6 de agosto de 2015 6:55 amIntolerância, a gente se vê
Intolerância, a gente se vê por aqui.
Depois de ler os comentários, não tem como não pensar na padronização de discurso e sotaque que a rede Goebbels implantou, e que o lado oposto copiou.
Paul Anderson de Lima
6 de agosto de 2015 8:49 pmExcelente reflexão do Dr.
Excelente reflexão do Dr. Gustavo. Respeito às garantias constitucionais e legais, sejam materiais e processuais, sem alardes despropositados nos levam às resoluções mais sólidas. O cárcere, por si só, pode extravasar a punição, sobretudo em condições de precariedade. A subtração da liberdade, mesmo nas exceções da dignidade, deve vir acompanhada de verdadeira possibilidade de correção, dentro das regras de civilidade, sob pena de retrocesso social.