
Jornal GGN – A mineradora Vale encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 5,144 bilhões, revertendo um prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões apurado durante os primeiros três meses do ano. Segundo dados divulgados pela companhia, a melhora de R$ 14,682 bilhões no lucro líquido deveu-se, principalmente, “ao efeito não-caixa nos resultados financeiros de apreciação de 3% do real contra o dólar no segundo trimestre em comparação à depreciação de 21% do real contra o dólar no primeiro trimestre”. Este foi o primeiro lucro registrado pela mineradora após 3 trimestres consecutivos de perdas. Na comparação com o 2º trimestre do ano passado, o lucro líquido cresceu 61%.
De acordo com os dados divulgados, a receita bruta totalizou R$ 21,808 bilhões no segundo trimestre, um aumento de R$ 3,444 bilhões em relação aos primeiros três meses do ano, como resultado de maiores volumes de vendas e melhor realização de preço, apesar dos menores preços de referência de minério de ferro e de níquel.
A mineradora destacou ainda que, de abril a junho, alcançou produção de 85,3 milhões de toneladas de minério de ferro, a melhor performance para um segundo trimestre na história da companhia, com a produção de Carajás atingindo 31,6 milhões de toneladas, o que também representou um recorde para um segundo trimestre.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 6,817 bilhões, ficando 47,1% acima do visto no primeiro trimestre, principalmente como resultado da melhor realização de preço de minério de ferro e dos maiores volumes de vendas na maioria dos segmentos de negócios.
Nos primeiros seis meses do ano, a companhia fez investimentos de US$ 4,329 bilhões, uma queda de US$ 727 milhões se comparados aos investimentos feitos no primeiro semestre de 2014. Os investimentos na execução de projetos totalizaram US$ 1,434 bilhão no trimestre, enquanto os investimentos na manutenção das operações existentes totalizaram US$ 685 milhões.
Para o analista Lenon Borges, da Ativa Corretora, os dados da Vale foram considerados neutros, embora tenham apresentado linhas um pouco acima do esperado pelo mercado. “Adicionalmente, a empresa anunciou a venda de navios VLOCS para China Merchantes e também deixou em aberto novas negociações sobre venda de ativos que podem influenciar no nível de caixa da empresa, sendo afirmado pela direção da empresa que a venda de ativos não financiará os dividendos nos próximos anos, sendo dependente da geração de caixa via operações”, diz o analista.
Redução de custos foi um dos pontos no trimestre
Em comunicado divulgado ao mercado, a Vale informou que o segundo trimestre de 2015 foi caracterizado “por uma redução substancial em custos, especialmente do Minério de Ferro, e por progresso na execução da nossa carteira de projetos, estabelecendo as bases de uma empresa ainda mais competitiva e lucrativa no futuro”.
A Vale destacou que o preço dos finos de minério de ferro foi de US$ 50,6 por tonelada no segundo trimestre, ante US$ 46 no primeiro trimestre, em contraste com uma queda nos preços médios verificados no mercado. Mesmo assim, a mineradora foi influenciada pela queda acentuada do mercado global de minério de ferro no último ano, em meio a uma crescente oferta e desaceleração na demanda chinesa. O preço médio realizado pela companhia um ano atrás era de US$ 84,6.
Os desinvestimentos somaram US$ 445 milhões, com a conclusão da venda de quatro navios VLOCs (very large ore carriers) para a China Ocean Shipping Company (Cosco).
A dívida bruta totalizou US$ 29,773 bilhões em 30 de junho de 2015, um aumento de US$ 1,286 bilhão da posição de dívida em 31 de março de 2015. A dívida líquida totalizou US$ 26,509 bilhões com posição de caixa de US$ 3,264 bilhões. A média do prazo da dívida foi de 8,4 anos com um custo médio de 4,43% por ano.
Ao mesmo tempo, a Vale também anunciou a venda de fatia minoritária da subsidiária Minerações Brasileiras Reunidas (MBR) para um fundo de investimentos do Bradesco BBI por R$ 4 bilhões. O montante negociado representa 36,4% do capital social da MBR. A operação está sujeita à aprovação das autoridades regulatórias do Brasil.
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