14 de junho de 2026

Para Bandeira de Mello, há um abuso da delação premiada

  "A imprensa tem feito um grande escândalo, como se a corrupção tivesse começado no governo do PT. Não é verdade"

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Enviado por Webster Franklin

Do Jornal do Brasil

“Estamos a caminho de um verdadeiro fascismo”, alerta Bandeira de Mello

Jurista critica força conservadora e diz que nunca se combateu corrupção como agora

Ninguém gosta de corrupção, destaca o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello. O escândalo criado com esta prática, contudo, travestida de novidade, é preocupante. Para Bandeira de Mello, estamos a caminho do verdadeiro fascismo, impulsionado pela chamada grande imprensa. Em conversa com o JB por telefone nesta segunda-feira (29), ele lembra que a corrupção nunca foi tão combatida neste país como agora, e que foi durante o governo de Fernando Henrique Cardoso que as estatais ganharam uma “autonomia sem sentido”, como um “alô aos corruptos e corruptores”. Em 1997, o governo editou a Lei n° 9.478/1997, que autorizou a Petrobras a se submeter ao regime de licitação simplificado.

“Está havendo um abuso em matéria de delação premiada, estão achando que isso é a salvação do mundo. Não é. Ninguém gosta de corrupção, não há quem goste. Eu detesto a corrupção”, comentou Bandeira de Mello, resgatando a ocasião em que apontou que estavam “entregando o galinheiro aos cuidados da raposa”, com a flexibilização da lei das licitações, durante o governo FHC.

Celso Bandeira de Mello:  “A imprensa tem feito um grande escândalo, como se a corrupção tivesse começado no governo do PT. Não é verdade”

De acordo com o jurista, o fato da corrupção estar sendo tratado como uma novidade escandalosa decorre do momento político. “A presidenta [Dilma Rousseff] ganhou as eleições e desgostou um segmento da sociedade grande, que são as forças conservadoras, e essas forças conservadoras controlam a imprensa. Então, a imprensa tem feito um grande escândalo, como se a corrupção tivesse começado no governo do PT. Não é verdade. Corrupção sempre teve, e nunca se combateu tanto a corrupção como agora.”

Em matéria publicada nesta segunda-feira na Folha de S. Paulo, Bandeira de Mello critica a Operação Lava Jato. “Eu critiquei (a Operação Lava Jato) a maneira de prender [os investigados] sem mais nem menos, vai prendendo. O que é isso?, Não é assim. Delação premiada não é isso”, explicou ao JB. 

Eu digo isso com grande desgosto, mas é verdade

“Nós estamos, eu disse isso na entrevista que eu dei para a Folha, a caminho do verdadeiro fascismo, impulsionado pela imprensa, pela chamada grande imprensa, que é meia dúzia de proprietários dos meios de comunicação. Infelizmente, isso é verdade, eu digo isso com grande desgosto, mas é verdade.”

Para o jurista, esse fascismo se revela no desconhecimento do direito de garantias fundamentais que a humanidade levou séculos para obter. “E agora, a pessoa acha que prender corrupto ou supostamente corrupto é bom, pode fazer do jeito que quiser. Esse juiz gosta muito de mandar prender”, disse, completando que isto alimenta a demanda pelo espetáculo midiático. “O que agrada é pão e circo.”

Bandeira de Mello também reforçou sua análise de que, colocada a Olimpíada de 2016 no Rio em evidência, essa tendência à espetacularização deve esfriar. “A imprensa, esse segmento da imprensa, ela aproveita tudo aquilo que provoca o escândalo. (…) Quando alguém diz ‘olha, não é assim’, ela diz ‘mas não fui eu que inventei, isso aconteceu, eu estou só noticiando’. Se nós formos adotar como uma desculpa para todo tipo de notícia isso, a humanidade não teria progredido”, analisou Bandeira, completando que alguns poderiam responder a sua análise o acusando de ser a favor da corrupção ou de ter petista: “Mas eu também não me incomodo, eu não espero outro comportamento.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. joão adalberto

    1 de julho de 2015 11:48 am

    Destaque

    O destaque para este post é sintomático e retrata o modelo da imprensa tradicional.Para as elites de qualquer natureza ideológica ainda está válido o que disseram Maquiavel e Lampedusa, entre outros.

    Publique-se.

  2. Luiza

    1 de julho de 2015 12:20 pm

    A redençao do povo seria “cazuzar” abertamente

    Quanto custa a conciencia e a reputaçao de um juiz, que deveria representar unicamente os interesses da justiça??

    Qual o valor de “mercado” da economia de um país, no caso a do Brasil, e de uma empresa da importancia da Petrobras nesse contexto? E da estabilidade social e emocional de uma Naçao inteira envolvida nesse espetáculo jurídico e mediático proporcionado pela Operaçao lava jato, que , na verdade, é uma Operaçao Política, sem medo de errar na afirmaçao??

    Quanto custa esses “interesses inconfessáveis”, nacionais e internacionais, disfarçados em combate à corrupçao em nome do Brasil e dos brasileiros, para que nos deixem em paz para vivermos os nossos dias??

    Quanto custa a isençao da justiça para que se faça justiça??

    Seria a redençao se o povo “cazuzasse” um pouco e perguntasse a si mesmo e aos que estao participando desse circo: 

    Não me convidaram
    Pra essa festa pobre
    Que os homens armaram pra me convencer
    A pagar sem ver
    Toda essa droga
    Que já vem malhada antes de eu nascer
    […..]
    Brasil
    Mostra tua cara
    Quero ver quem paga
    Pra gente ficar assim
    Brasil
    Qual é o teu negócio?
    O nome do teu sócio?
    Confia em mim
    [,,,…]
    Não me subornaram
    Será que é o meu fim?
    Ver TV a cores
    Na taba de um índio
    Programada pra só dizer “sim, sim”
    […..] 

    Grande pátria desimportante
    Em nenhum instante
    Eu vou te trair
    (Não vou te trair)

    * letra completa – http://musica.com.br/artistas/cazuza/m/brasil/letra.html

     

  3. Allex

    1 de julho de 2015 12:37 pm

    Muito bom. Um sopro de

    Muito bom. Um sopro de sensatez ante a tanta tolice que estamos lendo e ouvindo à exaustão ultimamente. O Bandeira de Mello bem poderia explicar essa questão óbvia ao Joaquim Barbosa, que anda tuitando bobagens por aí. Não se trata de querer desmoralizar a lei que validou o instituto da delação premiada no Brasil, mas de questionar o fato de esta lei está sendo usada de modo tendencioso, distorcido, político e, por que não dizer a verdade, fascista. É tão obscenamente claro que dá até raiva precisar se manifestar. Mas é necessário.

  4. Spin GGNauta

    1 de julho de 2015 12:42 pm

    Delação forçada

     

     

     

     

     

     

    A delação forçada premiada a serviço do fascista Direito Penal do Inimigo.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Espaço Público entrevista o advogado Nélio Machado

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=rX8l6JJKl7s%5D

     

     

    1. Gilson.Raslan

      1 de julho de 2015 8:53 pm

      Sobre a INCOMPETÊNCIA

      Sobre a INCOMPETÊNCIA RACIONAE LOCI do Juiz Sérgio Moro, como observou o Dr. Nélio Machado, por diversas vezes já me manifestei neste blog, argumentando que os pretensos crimes da Operação Lava Jato nenhum deles ocorreu no Estado do Paraná.

      Nos meus comentários, afirmei que o Juiz Sérgio Moro e os Procuradores da República que atual no caso sabem da incompetência da Justiça Paranaense para atual nos processos da tal operação, mas insistem em manter o caso sob a jurisdição paranaense por dois motivos: permanecer na mídia, ou esperar uma anulação dos processos, como ocorreu nas Operações Satiagraha e Castelo de Areia, para beneficiar os ricaços, que são os verdadeiros donos do Brasil.

  5. Severino Januário

    1 de julho de 2015 1:12 pm

    Bandeira de Mello tem sido um

    Bandeira de Mello tem sido um combatente intransigente da barbárie que se instalou no judiciário brasileiro e que faz coro com o avanço do fascismo em todas as esferas da vida da nação. Enquanto ele fala, outras milhares de figuras estão caladas. Figuras que, por sua lucidez e consciência deveriam estar todas com um pé-de-cabra na mão, a arrombarem as portas das televisões e dos jornais e a exigirem o espaço que por sua relevância têm direito, para se pronunciarem e combaterem o perigo que se acerca do país, essencialmente nascido da desinformação e da malinformação. Quanto a nós, se faz necessário que saiamos por aí arrancando uma por uma as cabeças dos avestruzes que estão escondidas nos buracos.

  6. Juliano Santos

    1 de julho de 2015 1:14 pm

    Não li, mas pelo que entendi

    Não li, mas pelo que entendi a Folha deturpou a fala do Bandeira de Mello, até ao ponto de parecer que o grande jurista e humanista não passa de um “petista que defende corruptos”.

    Mais um a ir para a lista negra dos coxinhas, elaborada pelos estilionatários online

  7. Negrão

    1 de julho de 2015 1:18 pm

    O Bandeira de Melo não vai

    O Bandeira de Melo não vai muito bem da cabeça.

    Em poucos dias ele consegiu dizer que pobre pode ficar preso em presidio sujo porque já esta acostumado.

    Agora disse que a Olimpiada vai melhor a imagem do PT, porque a imprensa vai deixar de noticiar a corrupção.

    É uma pena que alguém com uma obra tão vasta esteja nesse nivel rasteiro ao fim da vida,

     

  8. Z.

    1 de julho de 2015 4:13 pm

    marmelada

    Qual a credibilidade destes bandidos que tanto roubaram do Estado?

    De que valem as suas tais delações, se ao cabo são nuas em provas — e nem “provas” são, como bem disse o Ministro Fachin?

    Dar-lhes sérios ouvidos tem o mesmo sentido que ouvir o que dizem estas casas de bingo chamadas “agências de riscos”, entidades que vivem de especular e ajudar a quebrar países e cidadãos.

    Ora, esta tal de “delação premiada” — hoje com grande vitrine no caso Lava-Jato, como no caso do grande empreiteiro picareta (cuidado com o pleonasmo) dono da UTC –, constitui uma esquizofrenia do direito processual penal, pois permite dar seriedade e notoriedade a um bando de crápulas cujas palavras não podem valer absolutamente nada.

    Pior ainda, este instituto fomenta um tiroteio sem sentido entre tantos acusados, deveras prejudicial às investigações, na medida em que enubla e distorce os caminhos naturais perseguidos pelas autoridades públicas, ludibriando e levando a erro juízes, promotores e policiais.

    Ainda, este negócio todo afronta à própria sociedade, pois permite que estes vagabundos acusem terceiros por reles questões de ódio ou má-fé, prejudicando inocentes, e contem histórias da carochinha com finais furta-cor a fim de ganhar “prêmio” pela funesta “colaboração” (sic).

    Agora, para tornar tudo ainda mais jocoso e bem ilustrar a ideia, um dos picaretas vai a juízo, desdiz a delação anterior e oferece uma nova — é a delação da desdelação.

    Ora, esta turma toda presa — canalhas de empreiteiras, do mercado e da Petrobras — está se lixando para a verdade, para as provas e para o esclarecimento dos crimes.

    Quer, sim, que tudo vire uma grande zona, seja tudo meio inexplicável e acabe logo.

    E assim esta chusma seguirá tranquila, pois parece que nada lhe custará ficar sabe-se lá quantos poucos anos presa para depois voltar às suas vidas, com todo o poder que as mentiras delatadas lhes confiaram e toda a grana escondida que guardam a sete chaves em colchões ou outros paraísos de sonos tranquilos.

    É um circo, isso.

    http://abuladabola.blogspot.com.br/2015/06/marmelada.html

     

  9. jc.pompeu

    1 de julho de 2015 4:16 pm

    … mais uma bandeira de

    … mais uma bandeira de proteção blindada sofística doutoral empunhada para salvar políticos-bandidos do crime organizado do traje gordo e mais uma apunhalada, dessa elite de mando e de pregação ideológica, nas costas do povo sofrido, que ainda acredita no discurso viciado dessa elite podre.

    uma delação premiada a serviço da verdade testemunhal, para o povo saber um pouquinho que seja da superfície desse iceberg de ilicitudes político-empresarial das engrenagens do patronato vale por mil autos da compadecida dessa jurisprudência aristarcoeana desse ateneu cartorial viciado da justiça brasileira.

  10. MAAR

    1 de julho de 2015 10:38 pm

    NOME AOS BOIS

    Congratulações ao professor Bandeira de Melo pela coragem de romper os véus da grande farsa promovida pela direita golpista, e dar nome aos bois.

    O triste espetáculo representado pela politização da justiça combinada com a judicialização da política constitui um flagrante processo de dilapidação dos direitos democráticos e de ameaçador avanço do fascismo.

    E a responsabilidade maior é das elites predatórias, que dirige a mercenária e criminosa farsa do golpismo midiático.

    Urge clamar pela resistência institucional organizada, para fazer frente ao tenebroso avanço do fundamentalismo obscurantista, patrocinado pela direita e seus plutocratas.

    É tempo de resgatar antigas práticas de legítima pressão política, através da manifestação enérgica e incessante de instituições representativas da sociedade civil, por meio de notas públicas e abaixo-assinados, bem como de campanhas populares de emails e telegramas dirigidos aos parlamentares e às lideranças políticas, além de outras formas pacíficas e criativas de repúdio às flagrantes ameaças de teor fascistóde.

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