12 de junho de 2026

A capelinha de melão

Enviado por Mara L. Baraúna

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“Capelinha de Melão, é de São João, É de cravo é de rosa é de manjericão. São João está dormindo não acorda não, acordai, acordai, acordai, João” (de Braguinha, em parceria com Alberto Ribeiro, para que Emilinha Borba cantasse em 1949).

Capelinha de melão não é o diminutivo de capela, tampouco é feito com melão. Segundo Câmara Cascudo, o termo capelinha de melão designa um “grupo de foliões dos festejos populares sanjoanenses, ornados de capelas de folhagens, marchando em grupos em demanda do milagroso banho, e de volta em animadoras passeatas”. É portanto, um folguedo popular em um pequeno povoado. Em Portugal “capela” pode ser uma coroa de flores ou folhas. Como na canção a coroa pode ser de cravo, de rosa ou de manjericão. Em Caraúbas, Rio Grande do Norte, a “capela” é uma pequena coroa de flores feitas com flores do melão-são-caetano, que eram usados como ornamento nesses folguedos.

Na praia de Caraúbas,  a “Capelinha” é um folguedo junino realizado na noite de São João, com cânticos pastoris e danças. Acompanhado por orquestra de violão, rabeca e clarineta solista (atualmente incluem-se sanfona e pandeiro), um grupo de moças, em número par, exibe-se num tablado ao ar livre, com roupas e sapatos brancos, tendo à cabeça uma capelinha de flores de melão-de-são-caetano, em torno de um diadema enfeitado com papel crepom. A coreografia imita a Lapinha, na disposição das pastoras em cordões e no elenco das jornadas. Enquanto na Lapinha  se homenageia Jesus Cristo, na Capelinha a homenagem é para São João.

Cada dançarina possui uma tira larga de cetim ou papel crepom, vermelho ou azul, que, partindo do ombro esquerdo, termina por um grande laço na cintura direita. Estão elas divididas em duas alas, entre as quais caminha a Diana, figura clássica, com faixas azul e vermelha entrecruzadas no busto.

As participantes cantam e dançam, tendo à mão uma lanterninha com vela acesa e uma bandeirola com a efígie do santo. Depois que sobem ao palco-tablado, deixam as lanternas, mas continuam segurando as bandeirinhas. O bailado tem de oito a dez partes, com coreografia e cantos próprios, terminando todas com o estribilho: “Capelinha de melão / é de São João, / é de cravo, é de rosa, / é de manjericão” — que também é canto dos foliões da capela.

No fim da última parte, duas dançarinas retiram o diadema da cabeça e, substituindo-o por panos enfeitados com moedinhas de papelão dourado ou canutilhos, assumem aspecto de ciganas (hoje substituídas por baianas): com uma bandeja na mão, percorrem a plateia masculina pedindo esmolas. Enquanto colhem as esmolas cantam e esse canto é respondido pelo coro das jovens que ficaram no tablado. 

“São João está dormindo, não acorda não / Acordai, Acordai, Acordai João “

Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, conta essa lenda: “São João, estando deitado no colo de sua mãe, que o embalava, pergunta quando é o seu dia. Santa Isabel manda que ele durma. E São João dormiu na sua noite querida, porque, se estivesse acordado desceria à terra e tão alegre ficaria que todo o mundo seria destruído pelo fogo”. Talvez seja por isso e também pelo frio do mês de junho, que a festa se dê em torno da fogueira. Os fogos de artifício seriam para acordar São João.

“Se São João soubesse

Quando era o seu dia,

Descia do céu à terra

Com prazer e alegria.

Minha mãe quando é meu dia?

– Meu filho, já se passou!

– Numa festa tão bonita

Minha mãe não me acordou?

Acorda, João!

Acorda, João!

João está dormindo,

Não acorda, não!”

 Viva São João, santo católico, primo de Jesus Cristo, filho de Santa Isabel!!

Fontes:

Arte e  cultura da cidade de São Miguel do Gostoso 

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9 Comentários
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  1. lucianohortencio

    24 de junho de 2015 11:48 am

    As Três Marias

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=4pcoRJfkmHw%5D

    Com o abraço do luciano

  2. vera lucia venturini

    24 de junho de 2015 12:22 pm

    Adorei o post. Tem umas

    Adorei o post. Tem umas músicas do folclore brasileiro com umas letras enigmáticas cujo sentido e origem eu gostaria de saber: Sambalelê e Vem cá, Lulu, por exemplo, será que falam de escravos?

    1. Mara L. Baraúna

      24 de junho de 2015 4:20 pm

      Vem cá, Lulu

      Oi, Vera

      Como é Vem cá, Lulu? nunca ouvi falar. 

      Abraços

      1. vera lucia venturini

        24 de junho de 2015 7:59 pm

        Na minha região se canta

        Na minha região se canta assim:

        Vem cá, Lulu

        Vem cá, Lulu

        Vem cá, vem cá, vem cá

        Não vou lá

        Não vou lá

        Não vou lá

        tenho medo de apanhar

        A melodia foi usada por Villa Lobos acho que em Modinhas e Canções.

        1. lucianohortencio

          24 de junho de 2015 8:53 pm

          Cara Vera Venturini

          A letra é

          Vem cá Bitu…

          Aqui vai umtrecho com Ivon Curi. Há outras gravações, porém não estou achando!

          Abraço do luciano

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=d-yYQmbvN0E%5D

           

        2. Mara L. Baraúna

          24 de junho de 2015 9:10 pm

          Vem cá, Lulu?

          Vera

          Pesquisei e só achei isso:

          “Vem cá Bitu! Vem cá Bitu! Vem cá, vem cá, vem cá. . . – Não vou lá, não vou lá, não vou lá, Tenho medo de apanhar! – Cadê o teu camarada? – Água do Monte o levou. . . Não foi água, não foi nada, Foi cachaça que o matou. Registrada por Santa Ana Nery, a letra de “Vem cá Bitu!” deve ser acompanhada pela melodia da cantiga de roda “Cai, cai, balão” e Bitu, segundo conta Vieira Fazenda, parece ter existido mesmo. Teria sido um dos mortos entre as casas soterradas pelo morro do Castelo. Sua triste cantiga, pelo visto, ecoa até hoje entre os escombros desta cidade que não consegue absorver as tais intempéries da natureza”. 

          Revista Varal do Brasil n. 9 

        3. Mara L. Baraúna

          24 de junho de 2015 9:14 pm

          Vem cá, Bitu

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=Nl8x2NJY0Sk%5D

           

  3. Odonir Oliveira

    24 de junho de 2015 12:28 pm

    Aprender e cantar e dançar.

    Adorei poder conjugar os três verbos com esse post.

  4. Anna Dutra

    24 de junho de 2015 8:23 pm

    Delicado!

    Delicado, suave!

    Muito lindo!

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=gtWyRU-MsHc%5D

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