15 de junho de 2026

O poder de José Hawilla no futebol brasileiro

J. Háwilla é o dono do nosso futebol

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“Mesmo se você trabalha com honestidade, com transparência e dignidade, como sempre fiz, eles falam. Eu acho que é ciúme.” – J. Háwilla

Financial Times | Joe Leahy | 27/05/2015

A confissão de culpa de José Hawilla, o proprietário e fundador da Traffic, a empresa de mídia esportiva que virtualmente controla o negócio do esporte no país, atinge o cerne da hierarquia do futebol brasileiro.

O jornal O Globo descreveu o empresário, agora com 71 anos, ele próprio um ex-jornalista e apresentador de TV, como “O proprietário do nosso futebol” em uma entrevista de 2010.

Autoridades dos EUA informaram que o J. Hawilla se declarou culpado de acusações de extorsão, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros e, como parte de um acordo de confissão, concordou em devolver US $ 151m.

Em um documento apresentado por um tribunal distrital dos EUA em Nova York, procuradores alegaram que o J. Hawilla, através da Traffic ao longo dos últimos 20-25 anos, pagou subornos a vários dirigentes da federação de futebol para garantir os direitos de TV nos torneios.

Eles incluem a Copa América, a competição sul-americana, e a Copa América Centenário, que marcará o aniversário de 100 anos do torneio e será realizada no próximo ano.

Hawilla também teria pago subornos para garantir os direitos para a Taça de Ouro, realizada pela Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe – Concacaf, e da Copa do Brasil.

Em 1996, ele negociou um esquema de patrocínio para a confederação de futebol do Brasil, a CBF, com uma grande empresa de material esportivo dos EUA, que o documento não identifica. Ele teria pago a metade de seus lucros do negócio a um funcionário de alto escalão da CBF, que também não foi identificado.

O valor dos subornos aumentou de forma constante ao longo dos anos, passando da casa dos seis dígitos em dólares, pelos direitos da Copa América no início de 1990, para US $ 100 milhões que J. Hawilla, através de uma joint venture chamada Datisa, supostamente concordou em pagar aos comandantes da Conmebol, a confederação de futebol sul-americano organizadora da Copa América, para um contrato de 10 anos assinado em 2013.

A antiga empresa de publicidade Traffic foi comprada em 1980 por J. Hawilla que queria introduzir-se na publicidade nos estádios de futebol. 

Em 1987, ele assumiu direitos sobre a Copa América, com a Traffic ostentando que elevou o torneio para o “mesmo nível em termos de qualidade dos campeonatos europeus”.

Mas uma de suas realizações de grande vulto veio em 1996, quando ele afirmou ter intermediado um acordo entre a Nike e a CBF, tornando a empresa a principal patrocinadora da seleção brasileira.

Ele expandiu os negócios para os EUA e a Europa no início dos anos 2000, através da criação de sucursais antes de entrar no negócio de investir em jogadores em 2008, através da criação de fundos de investimento que adquirem os direitos econômicos de jogadores profissionais.

Ele envolveu-se com os mais altos escalões do poder no Brasil, e contou com o governador da potência econômica do Brasil, o estado de São Paulo, entre outros políticos, em uma festa para comemorar o 30º aniversário de sua empresa em 2010.

O jornal O Globo informou que a receita do grupo foi estimada em US $ 500 milhões, embora o J. Hawilla nunca tenha revelado o número real, queixando-se, então, que ele era o alvo de rumores sobre negócios espúrios.

– “Mesmo se você trabalha com honestidade, com transparência e dignidade, como sempre fiz, eles falam. Eu acho que é ciúme.” – J. Háwila em O Globo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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10 Comentários
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  1. Arthemísia

    30 de maio de 2015 12:18 pm

    Será que Marin vai para a

    Será que Marin vai para a Rede, junto com Feldman?

  2. Geraldo de Carvalho Jr

    30 de maio de 2015 1:18 pm

    CBF, Traffic, Marin, Ricardo

    CBF, Traffic, Marin, Ricardo Teixeira e Rede Globo…  Negociatas que poderão expor o calcanhar de Aquiles da “poderosa” que subjuga o falido futebol brasileiro.

  3. Cunha

    30 de maio de 2015 1:43 pm

    Um ciúme que custou 151

    Um ciúme que custou 151 milhões de dólares,  o ciúme mais caro da história.

  4. Marco Antocio

    30 de maio de 2015 2:50 pm

    J. Hawilla “concordou em

    J. Hawilla “concordou em devolver US $ 151m”. Pra quem?

  5. Evaldo

    30 de maio de 2015 3:41 pm

    Esclarecimentos

    Uma vez que ele comprava os direitos de TV de inúmeros campeonatos. Como ele consegue que a Rede Globo transmita?

    Como é esse negócio?

    A globo pelo que sei distribui direitos de imagens milionária. Proncipalmente para seus favorítos Flamengo e Timão.

    A globo está isenta neste caso?

    1. Jose mestre Carpina

      30 de maio de 2015 11:07 pm

      é claro….

      que não !!!  O caso do DARF  é só a  ponta do iceberg….. Vc ainda duvida disto ???

  6. MarFig

    30 de maio de 2015 4:44 pm

    Tudo bem. Mas o que é que os

    Tudo bem. Mas o que é que os EUA tem a ver com isso?

    1. José Acácio de Almeida

      31 de maio de 2015 11:39 am

      Os russos, sempre os russos.

      Há quem veja no episódio mais uma tentativa americana de desestabilizar os russos,  a próxima copa será disputada lá … assim ficaria por conta da geopolítica a resposta à sua questão. 

  7. Jose mestre Carpina

    30 de maio de 2015 11:04 pm

    Fala agora Feldmann..

    Vc é um peixe fora d´água  nesta seara  do futebol…

    A  não ser no modus surrupiandis operandis dos neo-verdes (verde do dólar )..

    Sabe de nada , inocente !!   O Juca Kfouri pos  vc no bolso !!!

  8. José Acácio de Almeida

    31 de maio de 2015 11:32 am

    E o homem do charuto já tinha dito isso 17 anos atrás …

    E não é que o inimigo número um dos ditos apreciadores do bom futebol, o mais perseguido, o mais combatido nome do futebol brasileiro,  disse isso tudo a dezessete anos atrás. Então não é sem razão que a mídia esportiva, principalmente a ligada a Globo, faz uma perseguição unânime ao homem do charuto.  Eu sempre disse que Eurico Miranda tem todos os defeitos passiveis, mas que ele não é pior que a média dos dirigentes esportivos brasileiros. Unanimidades são sempre mentirosas,  ou como diria Nelson Rodrigues: Burras!

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