
Jornal GGN – Em um dia marcado pelas incertezas no exterior e no Brasil, a bolsa de valores brasileira sentiu o impacto da instabilidade e fechou as operações em baixa. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou as operações em queda de 1,79%, aos 53.629 pontos e com um volume negociado de R$ 6,626 bilhões. Com isso, o índice atinge seu menor nível em quase dois meses. As negociações do dia foram marcadas pelas ameaças de calote da dívida, na Grécia, e pelas votações das medidas de ajuste fiscal que alteram benefícios trabalhistas e previdenciários no Brasil.
Em termos setoriais, as ações do setor de energia foram os destaques de queda, uma vez que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou a abertura de uma audiência pública para discutir a questão do rombo bilionário nas contas das hidrelétricas. Os papéis ordinários da Eletrobras (ELET3) caíram 5,27%, a R$ 6,65, ao passo que as ações preferenciais (ELET6) perderam 3,78%, a R$ 9,41. As ações da Petrobras também fecharam em baixa: as preferenciais (PETR4) caíram 3,2%, a R$ 12,39, e as ordinárias (PETR3) perderam 3,4%, a R$ 13,36.
No câmbio, a cotação do dólar disparou e fechou no maior valor em quase dois meses: o dólar comercial encerrou vendido a R$ 3,15, com alta de R$ 0,052 (1,68%). A cotação é a mais alta desde 1º de abril, quando a divisa havia fechado a R$ 3,172.
Segundo informações da Agência Brasil, a cotação começou o dia em torno de R$ 3,12. Após as 11h, no entanto, começou a subir fortemente. Na máxima do dia, por volta das 16h20, o dólar atingiu R$ 3,153. Em maio, a moeda norte-americana subiu 4,54%. No ano, a alta acumula 18,5%.
Indicadores divulgados hoje mostram o aumento dos investimentos privados nos Estados Unidos pelo segundo mês seguido. O dado reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, aumente os juros da maior economia do planeta neste ano. Juros mais altos nos países desenvolvidos diminuem o fluxo de capitais para países emergentes, como o Brasil, pressionando para cima a cotação do dólar.
A perspectiva de que a Grécia não consiga pagar as parcelas do resgate econômico ao Fundo Monetário Internacional (FMI) contribuiu para a instabilidade. No próximo dia 5, o país terá de pagar uma parcela de 300 milhões de euros aos credores. Ao longo de junho vencem mais 1,3 bilhão de euros do pacote de ajuda.
No Brasil, o dólar subiu no dia em que o Senado começa a votar as medidas provisórias 664 e 665, que restringem o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial e às pensões por morte. Inicialmente, o governo estimava economizar R$ 16 bilhões apenas com o seguro-desemprego e o abono, mas a economia caiu para R$ 5 bilhões após as negociações com os senadores.
Para quarta-feira, os agentes aguardam a publicação dos dados de crédito (empréstimos pendentes, total em aberto e taxa de inadimplência de empréstimos pessoais) e os números de confiança do consumidor elaborados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), além dos dados de confiança do consumidor na Alemanha e na França.
(Com Reuters e Agência Brasil)
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