19 de junho de 2026

Bolsonaro e a Fake Freedom of the Press, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Tudo o que está ocorrendo e o que eventualmente ocorrer pode ser creditado ao mal uso da liberdade de imprensa

Bolsonaro e a Fake Freedom of the Press

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A ferocidade do ataque presidencial à jornalista do Estadão que o criticou produziu uma avalanche de reprovação. A liberdade de imprensa está ameaçada. Uma nova ditadura está sendo construída. Se a máquina de linchamento de Bolsonaro não for interrompida tragédias ocorrerão. A Justiça precisa fazer alguma coisa antes que seja tarde. O presidente não pode censurar o trabalho dos jornalistas. Estes foram alguns dos bordões repetidos à exaustão nas redes sociais pelos principais protagonistas da mídia.

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Além de espalhar Fake News pelo Twitter, Bolsonaro acusa os jornalistas de fazerem isso. Vetor de uma ideologia totalitária adquirida quando ele era cadete do Exército durante a ditadura militar, o novo presidente brasileiro não entende e não faz questão alguma de respeitar o trabalho da imprensa. Todavia, ele não está sozinho.

Desde o linchamento jornalístico diário de Dilma Rousseff, que começou com a derrota eleitoral de Aécio Neves e culminou no golpe “com o Supremo com tudo”, é difícil dizer se os próprios jornalistas entendem e respeitam seu trabalho. Tudo o que está ocorrendo e o que eventualmente ocorrer pode ser creditado ao mal uso da liberdade de imprensa.

A difusão permanente do ódio irracional ao PT, a construção metódica e deliberada da onda anti-petista que amplificou o potencial eleitoral de Jair Bolsonaro, o apoio incondicional à perseguição implacável e ilegal dos principais líderes petistas são apenas alguns dos principais desvios da atividade jornalística no Brasil. O nascimento da Fake Freedom of the Press pode, portanto, ser creditado à campanha de Fake News elaborada e distribuída pela imprensa para derrubar Dilma Rousseff por causa das famosas pedaladas fiscais.

O Impeachment mediante fraude (todos os ex-presidentes vivos deram pedaladas fiscais e isso nunca foi considerado crime de responsabilidade), que fragilizou o sistema constitucional brasileiro, ficou ainda mais evidente depois da posse de Michel Temer. O usurpador foi autorizado pelo Congresso Nacional a fazer exatamente aquilo que havia fundamentado a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

A Justiça absolveu a presidenta deposta, confirmando assim que ela não havia cometido qualquer crime, mas o STF não foi capaz de interromper o golpe de estado. Reféns desta mácula, os ministros do Tribunal não estão em condições de garantir a liberdade de imprensa. As Fake News ajudaram a criar a Fake Freedom of the Press porque nós temos um Fake Supremo Tribunal Federal.

Se tudo é Fake, inclusive a justiça distribuída pelo Poder Judiciário (Lula é um exemplo encarcerado desse fenômeno), a única coisa real no Brasil é o exercício ilimitado do poder. A ambição da imprensa de exercer o poder de impor a agenda neoliberal ao país à revelia da maioria eleitoral que elegeu Dilma Rousseff resultou na censura e na perseguição de jornalistas. As tragédias que certamente ocorrerão nos próximos meses deveriam levar a imprensa a fazer um mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

Todavia, não creio que isso seja possível. A imprensa brasileira nunca desejou existir como um fenômeno histórico capaz de se vincular à sua própria história. No mais, espero sinceramente que os inimigos de Dilma Rousseff na imprensa apreciem a Fake Freedom of the Press que eles ajudaram a criar. Bolsonaro é a serpente que saiu do ovo que eles mesmos chocaram. Portanto, os jornais não devem ficar chocados quando os jornalistas começarem a desaparecer das redações e a reaparecer despedaçados num aterro sanitário qualquer com marcas das sevícias que Bolsonaro faz questão de defender em público.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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