16 de julho de 2026

Odair José reinventado, por Aquiles Rique Reis

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Odair José reinventado

Odair José lançou Dia 16 (Saravá Discos), seu 35º disco de músicas inéditas. Lá estão 12 faixas que ele criou para trilhar o caminho do rock’n’roll, deixando aflorar a sua porção roqueira.

Decisão corajosa de um artista que aturou a pejorativa alcunha de “terror das empregadas”, nos anos 1970. À época, alguns de seus sucessos foram avassaladores, caso de “Vou Tirar Você Deste Lugar” e “Pare de Tomar a Pílula”. Foi quando ele sentiu a mão pesada da censura, que proibiu suas execuções em todo o território nacional. Quem acha que a censura era “apenas” política, há de reconsiderar tal opinião, pois ela também “protegia”, e como, “a moral e os bons costumes”.

A capa do disco chama a atenção, pelo fato de que em suas faces internas e externas, são lembrados fatos ocorridos em dias 16 –, dia em que Odair nasceu, no mês de agosto de 1948. Acontecimentos em profusão, alguns de pouco relevo, como o que dá conta de que o dia 16 de janeiro de 1978 foi o dia em que Sid Vicious teve uma overdose de drogas, despencou da janela de um hotel em San Francisco e foi levado às pressas para um hospital; outros, relevantes, como o 16 de agosto de 1984, dia do último comício pelas Diretas Já, em São Paulo. Só que é em meio a essa miscelânea, meio que escondidos, já que o álbum não traz encarte, estão os nomes dos músicos que gravaram, bem como os títulos das músicas.

Com Odair estão Junior Freitas (baixo, guitarra e teclados), Caio Mancini (bateria) e Alexandre  Fontanetti (produção, guitarra e vocais). O som predominante é o da guitarra, embalada por pedais de distorções e efeitos múltiplos, somado ao vigor quase juvenil da bateria e ao caminho construído pelo baixo, por onde desfila o cantar de Odair José.

Dia 16 é como o diário de um adolescente com fascinação pelo dia 16. Cada rock composto e gravado por Odair José, de alguma forma simboliza a vida cotidiana, com suas ilusões e dúvidas. Assim, não foi à toa que a formulação estética e existencial do CD como que “pediu” instrumentistas que compactuassem o desejo de Odair José de trazer a saudável “sujeira” do som roqueiro para os arranjos – um coletivo que tocasse sem afetações, como se estivesse num jovial quarto de dormir, ou numa garagem.

Em doze faixas, ele se sai melhor quando cai dentro do velho e bom roquenrrol. A força do gênero é o alimento para que ele rejuvenesça. E assim é também em duas suaves canções que fecham o CD. Todavia, algumas baladas, sem a força roqueira que reflete a obsessão em continuar vivo no tempo, destoam do conceito pré-estabelecido para Dia 16.

Talvez, sonhando com o tempo em que suas músicas pintavam no topo das paradas de sucesso, ele considera que este álbum tem “apelo popular e radiofônico”. Popular, sim, radiofônico? Sei não… mas assim é se lhe parece. Mas, como de bobo ele não tem nada, Odair sabe das atuais dificuldades para uma música ser tocada nas rádios que decretam um sucesso.

Salve a reinvenção de Odair José.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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3 Comentários
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  1. Gilson AS

    2 de abril de 2015 4:31 pm

    Segundo o própio Odair José,

    Segundo o própio Odair José, quando chegou ao RJ, não tendo onde morar, dormiu muitas noites no Aeroporto Santos Dumont no centro do RJ.

  2. Jair Fonseca

    2 de abril de 2015 4:51 pm

    Valeu, Aquiles!

    Um dos grandes artistas da música popular brasileira, tratado como “brega” por tanta gente. Entre tantas ousadias, relembro de Odair José o álbum “O filho de José e Maria”, ópera-rock genial, incompreendida na época e que ele levou ao Teatro Municipal de SP, numa recente Virada Cultural.

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    [video:https://www.youtube.com/watch?v=IRfEGur-dE0%5D

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  3. Zuraya

    2 de abril de 2015 9:27 pm

    ODAIR JOSÉ – CADÊ VOCÊ?

    [video:https://youtu.be/ykX7Jych0HE%5D

     

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