9 de julho de 2026

O ódio e a análise de discurso, por Vitor Carvalho

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Por Vitor Carvalho

Vim trabalhar para economizar e estudar no Reino Unido em 2003. Sempre sonhei em voltar ao Brasil, escolhi não desenvolver minha carreira por aqui pois estou planjando voltar assim que terminar o meu doutorado no começo de 2017. Já não penso mais em voltar pois sou social democrata que tem consciencia dos limites e contradições do sistema no qual vivemos. Quando recebi em minha casa muitos jovens formados ou estudando por tempo limitado, fiquei assustado por ser tachado de petista (não sou, mas senti na pele o ódio contra o PT) e percebi que eles acreditam num discurso sem base factual (método da minha tese é análise de discurso). Com discursos extremos que estão nos vídeos acimas, imagens pedindo pelo fim da democracia e do estado de direito contra líderes políticos brasileiros reconhecidos internacionalmente (não se enganem: pessoas muuuuuito simples tanto da Africa quanto até mesmo de Bangladesh sabem quem é o barbudo), não sei se poderei voltar por um simples e único motivo: não tenho certeza que terei liberdade suficiente para dialogar com alunos. 

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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34 Comentários
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  1. marcos nunes

    17 de março de 2015 2:43 pm

    Meu ódio será tua herança

    Discussão sobre o tema rola em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/admita-voce-foi-para-a-rua-para-odiar/

    Mas parece que fica difícil o pessoal entender que o discurso do ódio se coloca não ao avesso da vcorrupção, mas a qualquer ação de governo ou não que incida na busca da igualdade, da verdadeira democracia, da equiparação dos direitos e deveres.

    No texto acima assinalaram que o ódio do autor é compatível ao ódio daqueles a quem ele descreve.

    Mas não: ele só rasga o véu da hipocrisia daquele que diz querer algo e na verdade só tem um sentimento de ódio nutrido pelo ressentimento. Não conheço muitos eleitores de Aécio Neves que não guardem esse sentimento sob o glacê de suas supostas razões políticas e econômicas, e nem se fala nisso de combate à corrupção pois, como está bem expresso no texto, quem votou em Aécio contra a corrupção ou o fez inocentemente (e burramente) ou por simples hipocrisia, compromisso de classe (ainda que rico não seja, mas apenas um sabujo). As expressões de ódio furibundo nessas manifestações foram bem expostas mesmo pela mídia que tinha todo interesse em reportá-los como “cidadãos preocupados”. Moderação demais também é doença.

  2. Marcos Antônio

    17 de março de 2015 2:47 pm

    Mandela ficou preso 27

    Mandela ficou preso 27 anos!

    Os ricos e poderosos buscam prender o LULA livre, interditando sua compreensão!

    Ainda que esteja livre, será rejeitado!

    Devem estar investindo milhões neste objetivo!

    Maldizer o Lula!

  3. Lucinei

    17 de março de 2015 2:47 pm

    Eh, tá brabo mesmo.
    A

    Eh, tá brabo mesmo.

    A desinformação e o ódio que caracterizam a estupidez fascista está em níveis alarmantes. Daí do Reino Unido você percebeu. O impressionante é que daqui nossa “comunidade academica” simplesmente se alienou, se cegou enquanto esse cogumelo fascista crescia. Agora ele está aí. O que os doutores vão propor? Mais uma vez nada. Vão ficar assitindo como se fosse uma partida de tênis…

    É pra isso que serve o dinheiro do CNPq, CAPES, etc.?

    Só escapa o Manchetômetro.

    1. José C Lima

      17 de março de 2015 3:30 pm

      Ah tá, há dias que estou

      Ah tá, há dias que estou tentando lembrar desse nome para acompanhar..eles tem uma pagina no face, achei agora

      https://pt-br.facebook.com/manchetometro

      O site do machetômetro ta bem lento, a zelite tupiniquim tem pavor de pesquisador se metendo nestas coisas, nada de estudante de direito fazendo monografia sob a submissão dos mundo juridico a midia, nada dizer que quem é entrevistado na Globo se sair da linha perde espaço e que por isso entoam o mesmo discurso piguista…

      http://www.manchetometro.com.br/

       

       

    2. walter araujo

      17 de março de 2015 3:52 pm

      Lucinei,
      Esses, ou pelo

      Lucinei,

      Esses, ou pelo menos, boa parte desses, que se servem de verbas

      públicas do CNPq, CAPES, etc.  não estão interessados em política.

      Aliás, acham a politica uma bobagem, uma canseira, uma perda de tempo.

       São filhos ou aparentados daqueles  que são”contra tudo isso que está aí”.

      Vivem no mundo da lua. São muitas as razões dessa insensatez.

      Nossos ares deve ser uma delas.

    3. Andre B

      17 de março de 2015 5:01 pm

      Para que serve o dinheiro da CAPES e do CNPq

      Acho que vocÊ deveria se informar melhor sobre os critérios de financiamento do CNPq e CAPES. Projetos dessa natureza contam com parcos financiamentos, os financiamentos não dependem da vontade do pesquisador ou da relevância social de sua pesquisa, mas de critérios absolutamente quantitativos e de uma suposta ‘objetividade técnica’. Pesquisadores que se dedicam a esse assunto existem varios mas são poucos os que contam com o financiamento das agências públicas. Remeta as agências governamentais de fomento a culpa por não ter notado a importância dessa questão, por se ater a critérios meramente quantitativos e privilegiar em seus financiamentos as ciências ditas ‘duras’ e a ‘inovação’ e as pesquisas de natureza econômica e técnica, em detrimento das ciências humanas, das questões sociais, culturais, éticas e polticas, do debate sobre o que é a ‘boa sociedade’. O programa ciência sem fronteiras, por exemplo, excluiu em sua formulação inicial as ciências humanas.

      Ademais, o antiitelectualismo é uma característica do fascismo: a vitoria ideológica deste é tão avassaladora que até aqueles que conscientemente  procuram o combater se contaminam sem perceber. Dado isso, só resta a quem ainda não foi contaminado ficar calado. Adeus.

      1. Lucinei

        17 de março de 2015 10:02 pm

        Eu sei bem que os recursos

        Eu sei bem que os recursos para as ciências humanas são muito pequenos. Mas o pior é o mau uso que se faz apostando em pesquisas anódinas ou até mesmo irrelevantes pra “dar giro” aos programas de posgraduação. Enquanto isso os “grandes temas” se tornam “monopólio” dos PHdeuses que ficam “chocando” o tema sem acrescentar quase nada.

        Repito: o cogumelo está crescendo a olhos vistos e ninguém do campo acadêmico enxergou nada.

  4. Astronauta

    17 de março de 2015 2:53 pm

    Curioso

    Ninguém pede a saída do Obama por ter contribuído para a destruição da Líbia, Iraque. Prejudicado a Ucrânia, Síria. Ninguém esculacha, odeia, diz que não volta mais para a Europa, Estados Unidos apesar da enorme contradição e limite que aquelas sociedades impõem aos seus cidadãos.

  5. José C Lima

    17 de março de 2015 2:53 pm

    Vitor, pois pense bem antes de voltar

    O que os pais da direita hidrófoba estão ensinado às suas crianças?

    Por Kiko Nogueira, no DCM

     

    criança com raiva

     

    No YouTube, o menino de 5 anos, risonho, está sentado à mesa conversando com a mãe, que o filma.

    Ele conta uma história. Não uma história infantil. Nada disso.

    Ele fala do Lula. “O Lula não faz parte do Brasil”, diz. A mãe ri.

    — Ele cortou esse dedo, ele prossegue, segurando o mindinho esquerdo.

    — Cortou só pra receber dinheiro?

    — Arrã. Ele comprou um monte de coisas pra ele. Recebeu avião, helicóptero…

    No final, ela pergunta:

    — E o Brasil, João?

    — Ferrou! O Lula pegou tudo!

    O garotinho está longe de ser uma exceção. No YouTube há centenas de vídeos de crianças fazendo graça com baixarias desse quilate.

    Foi-se o tempo em que papai e mamãe ficavam orgulhosos de exibir para os parentes no Natal o talento do rebento em cantar, imitar um personagem de Toy Story ou algo que o valha.

    Para as famílias coxas de hoje, a moda é ensinar os filhos a odiar desde pequenos.

    Meu caçula, por exemplo, me indagou na sexta-feira passada: “Pai, a Dilma é puta e fuma maconha?” Dois colegas da classe passaram a semana dando essa notícia aos amigos. Eles têm 10 anos. A escola está pensando em como agir em casos assim.

    Essa mensagem de ódio é internalizada por essas crianças todos os dias através de adultos corrompidos pretensamente chocados com escândalos de corrupção, com “tudo isso que está aí”, com comunistas, bolivarianos etc.

    Está-se criando uma nova geração alimentada por uma dieta retórica que inclui a calúnia, o enxovalhamento, a demonização e a intolerância.

    A mãe acha feio o moleque mandar alguém tomar no cu — a não ser que seja aquela velha nojenta que aparece na televisão ou o barbudo safado. Nesse caso, vamos rir todos juntos. Você não precisa ser um pedagogo para saber que isso não é lá muito saudável. Você não precisa ser muito esperto para saber no que isso vai dar.

    A doutrinação não é apenas tolerada, mas estimulada. Ninguém deve se surpreender se, daqui a pouco, aparecer um boneco do dinossauro Barney dizendo “Vamos matar petralhas” se você apertar sua barriga.

     (Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

    Sobre o Autor

    Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

     

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-os-pais-hidrofobos-estao-ensinado-as-suas-criancas/

     

    1. DanielQuireza

      17 de março de 2015 5:03 pm

      Rapaz, eu vi o video,

      Rapaz, eu vi o video, realmente algo repugnante.

      O MP tem que ir atrás desssa mãe aonde quer que ela esteja, tem que ser punida exemplarmente.

      Nâo é possível fazer um negócio baixo desses com uma criança.

      1. Malú

        17 de março de 2015 5:46 pm

        Qual MP, aquele que só

        Qual MP, aquele que só persegue o PT? Se fosse uma mãe petista, pode estar certo que ele iria atrás, não sem antes passar na Folha e almoçar e depois chamar a a Globo para cobrir.

  6. José C Lima

    17 de março de 2015 2:57 pm

    Admita que vc foi prá rua odiar, por Leandro Fortes

    Admita que vc foi prá rua odiar, por Leandro Fortes

    http://www.jornalggn.com.br/blog/anna-dutra/chovendo-no-molhado-por-anna-dutra

  7. José C Lima

    17 de março de 2015 3:04 pm

    E por falar em ódio, alguém sabe kd o Jânio de Freitas

    E por falar em ódio, alguém sabe kd o Jânio de Freitas, ótimo jornalista da Folha, ele foi demitido, está doente, o que aconteceu, é que não tenho mais visto as ótimas análises dele. Toda vez que falam nessa onda de ódio me lembro que o Jânio tempos atrás relatou que convivia diariamente com Getúlio Vargas e que no dia do seu suicidio pode presenciar o povo espumando de raiva pq insluflado pela imprensa. Ódio que se voltou contra a imprensa quando o povo ficou sabendo do suidio do seu mandatário.

     

    Ao relembrar o suicídio de Getúlio Vargas, que completa 60 anos neste domingo, o jornalista Janio de Freitas destaca o papel dos meios de comunicação na tragédia; “monolíticos, a imprensa, a incipiente TV e o rádio, mais do que se aliarem à irracionalidade, foram seus porta-vozes sem considerar as previsíveis consequências para o Estado de Direito”

    24 DE AGOSTO DE 2014 ÀS 08:57
    247 – Repórter que cobriu a morte de Getúlio Vargas há exatos 60 anos, o jornalista Janio de Freitas relembra, neste domingo, o papel dos meios de comunicação na tragédia que culminou com o suicídio do político que fundou as bases do trabalhismo no Brasil.

    “Getúlio ficou indefeso, objeto de um ódio coletivo que se propagava sem limites: monolíticos, a imprensa, a incipiente TV e o rádio, mais do que se aliarem à irracionalidade, foram seus porta-vozes sem considerar as previsíveis consequências para o Estado de Direito”, rememora .

    Acusado de envolvimento, ainda que indireto, no polêmico atentado da rua Toneleros contra Carlos Lacerda, no Rio de Janeiro, Getúlio foi cassado sem trégua pelos meios de comunicação.
    No entanto, após o suicídio de Getúlio, os veículos de imprensa, artífices do golpe foram também golpeados pela população ensandecida.

    A “Tribuna da Imprensa” de Lacerda foi empastelada. A redação de ‘O Globo’ foi atacada, carros do jornal foram destruídos, o ‘Jornal do Commercio’ teve sua oficina invadida, vários dos 17 jornais foram alvos da massa”, diz Janio de Freitas.

    A atuação da imprensa como força política no Brasil vem de longe. 

    MAIS
    LULA, SECRETÁRIO GERAL DA ONU? 

    11 PERGUNTAS QUE QUEM VOTOU NA DILMA JÁ ESTÁ CANSADO DE OUVIR 

    12 MENTIRAS SOBRE O PT QUE CIRCULAM NAS REDES SOCIAIS! FIQUE ATENTO!

    675 visitas – Fonte: Tijolaço

     

    http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=80956http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=80956

    1. José C Lima

      17 de março de 2015 3:08 pm

      O artigo de Jânio de Freitas teve grande repercussão

      O artigo de Jânio de Freitas teve grande repercussão

       

      JANIO CONTA COMO GETÚLIO FOI MORTO PELA MÍDIA

      :

       

      Ao relembrar o suicídio de Getúlio Vargas, que completa 60 anos neste domingo, o jornalista Janio de Freitas destaca o papel dos meios de comunicação na tragédia; “monolíticos, a imprensa, a incipiente TV e o rádio, mais do que se aliarem à irracionalidade, foram seus porta-vozes sem considerar as previsíveis consequências para o Estado de Direito”

       

      24 DE AGOSTO DE 2014 ÀS 08:57

       

      247 – Repórter que cobriu a morte de Getúlio Vargas há exatos 60 anos, o jornalista Janio de Freitas relembra, neste domingo, o papel dos meios de comunicação na tragédia que culminou com o suicídio do político que fundou as bases do trabalhismo no Brasil.

      http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/151113/Janio-conta-como-Get%C3%BAlio-foi-morto-pela-m%C3%ADdia.htm

       

       

       

       

      1. André W.

        18 de março de 2015 1:26 am

        Que charutaço o Gaúcho está

        Que charutaço o Gaúcho está degustando, queima perfeita! Esse viveu bem, pegou a Virgínia Lane e mais um pessoal do Cassino da Urca, escurraçou a República Velha, fez a CSN, a CLT, amigo do Villa Lobos implantou ensino de música nas escolas, propiciou apresentações de corais de milhares de crianças regidos pelo Villa no campo do Fluminense, o cara deixou sua marca.

    2. maria cecília p binder

      17 de março de 2015 3:12 pm

      José: o Jânio de Freitas está

      José: o Jânio de Freitas está de férias. Na última coluna que escreveu, informou que ficaria ausente por algum tempo. Acho que a Folha não cometeria a asneira de demitir seu mais qualificado jornalista. Só se o tal “Otavinho” fosse muito burro!

  8. Zazof

    17 de março de 2015 3:05 pm

    Brasil

    Caro Vitor,

    também fiz minha pós-graduação na Europa e minha tese de doutorado também foi em análise de discurso. Terminei em 2012 e voltei para o Brasil, onde hoje sou professor adjunto. Como já passei por algo muito parecido com o que você está passando, digo que esse discurso apocalíptico é midiático e, de fato, tem contaminado os setores mais abastados da sociedade brasileira, que o repetem sem profundidade crítica. Mas em sala de aula, essas vozes são de minorias que se recusam a aceitar o argumento contrário e acabam por se tornar motivo de chacota. Esse discurso parece forte pois não é combatido na mídia nativa, mas é fraco e sobe em cima dos erros que o governo não cometeu. A preocupação maior é que  os erros que o governo, de fato, comete (política ambiental, crescimento econômico a qualquer preço, política externa, política de educação), que não sofrem crítica por parte da oposição. Lidar com os estudantes brasileiros, em vez de aprofundar essa visão apocalíptica, é bastante revigorante e nos dá esperança. E, a propósito, é bom que tenhamos mais professores com postura crítica por aqui. 

  9. Ronaldo Souza

    17 de março de 2015 3:08 pm

    Elucubrações de uma terça ensolarada de final de verão

    Como identificar algo que não se conhece?

    Como um idiota que não se percebe idiota poderá saber a dimensão do que diz ou faz?

    Algum dia terá Ronaldo Caiado a capacidade de se perceber idiota e como tal reconhecer-se fascista?

    O que se torna ele quando comete uma violência dessa magnitude sobre o defeito físico de alguém que julga inferior?

    Quando Caiado agride o “nove dedos” atinge o nove dedos ou a raça humana?

    Quando se ataca o nove dedos o que se faz na verdade é uma confissão?

    1. oneide

      17 de março de 2015 5:37 pm

      Agora vai ter que explicar

      Agora vai ter que explicar onde esta o fascismo de Ronaldo Caiado?

      Parem de acusar os outros de fascista sem base alguma, só denuncia a sua própria estupidez.

      1. yoshimassa okada

        18 de março de 2015 2:22 am

        estupido e a mae!!!!

        estupido e a mae!!!!

  10. José C Lima

    17 de março de 2015 3:17 pm

    A morte de Getulio pela mídia, uma história a ser contada

    O povo brasileiro precisa saber desse fato histórico, isso que aconteceu num dia ensolarado qualquer mas que mudou nossso rumo, o dia em que Getúlio foi morto pela mídia, que isso seja contado pelo cinema, livros…só assim para entendermos o momento presente e evitarmos que a história se repita como farsa.

    Um dia, um país
    Por Janio de Freitas em 26/08/2014 na edição 813
    Reproduzido da Folha de S.Paulo, 24/8/2014; 

     

    Era um agosto assim, quase todo de inertítulo do OIdias luminosos, porém mais quentes no Rio. Exausto, mal começava a dormir no início da manhã, quando ouvi a clarinada de um “Repórter Esso” fora de hora. Foi só o tempo de tatear o botão do rádio para ouvir a frase dura e aguda como um punhal: “O presidente Getúlio Vargas cometeu suicídio com um tiro no peito”. Em minutos, era o telefonema de Pompeu de Souza: “Vai para a Redação o mais rápido possível”. Começava o dia mais inesperadamente espantoso de que me lembre: 24, claro que de agosto.

     

    Do final da véspera à alta madrugada, Armando Nogueira e eu andáramos, ida e volta, ida e volta, na calçada paralela à fachada do Palácio do Catete, do outro lado da rua alargada naquele trecho. Foi a maneira de observarmos os ocupantes de carros que entravam e saíam do palácio, valendo-nos de que a Polícia do Exército proibira a parada de curiosos, mas permitia a passagem na faixa isolada.

    Esse andar incessante se confundia com meus primeiros passos no jornalismo, há pouco registrado como jornalista profissional no “Diário Carioca” e sem pensar em sê-lo de fato. O futuro imaginado ainda combinava asas e motores –para sempre inesquecidos. Já era quase dia quando vimos que o portão do palácio ficou meio aberto, e arriscamos uma arrancada para entrar. Deu certo. Só na sala de estar bem interior vimos, afinal, uma pessoa. Sentado em uma das poltronas avermelhadas, uma perna sobre o braço da poltrona, a testa apoiada em alguns dedos e voltada para o chão. Sozinho.

    Ministro da Justiça, o mais moço do ministério, Tancredo Neves nos mostrava muito mais do que nos dizia: a situação continuava muito difícil, a reunião do presidente com os generais não foi conclusiva (eles propunham a licença de Getúlio, que a recusava na certeza de que não o deixariam reassumir), hoje será um dia de muita tensão. Deixamos Tancredo, cansado e triste, um dos poucos a não desertar da lealdade ao presidente.

    Minha primeira tarefa, cedo ainda, foi ver o que se passava na Base Aérea do Galeão. Tornara-se a República do Galeão, assim chamada a exacerbação de poder militar adotada por coronéis e majores da FAB, na represália ao atentado a Carlos Lacerda em que morreu um major dos que lhe davam proteção. Desde 6 de agosto, dia seguinte ao atentado, o país passou a viver em torno da exaltação concentrada na República do Galeão, e em crescendo permanente sob a agitação furiosa feita por Lacerda.

    Caminho aberto

    Logo acusado do crime por Lacerda, Getúlio ficou indefeso, objeto de um ódio coletivo que se propagava sem limites: monolíticos, a imprensa, a incipiente TV e o rádio, mais do que se aliarem à irracionalidade, foram seus porta-vozes sem considerar as previsíveis consequências para o Estado de Direito. Só a “Última Hora” diferenciava-se, com a desmoralizada voz de causadora inicial da crise, por seu recente e grandioso nascimento sob patrocínio do governo e com dinheiro do Banco do Brasil.

    Na caça vingativa à guarda pessoal de Getúlio, dada como autora do atentado, a República do Galeão ensandeceu o país. O getulismo, quase uma religião, evaporou. Os políticos governistas emudeceram ou sumiram. Até os sindicatos do trabalhismo voltaram-se contra o seu criador. Getúlio não tinha saída. Os majores e coronéis que vi chegarem ao Galeão, já sob enorme guarda, ornavam a sua arrogância com os ares de vitória proporcionados pelo suicídio.

    O jornal me mandou voltar depressa. A República do Galeão não interessava mais: a cidade enlouquecia. Manhã ainda, multidões vagavam pelo centro. As caras, ou encharcadas de lágrimas ou enrijecidas de raiva. A “Tribuna da Imprensa” de Lacerda foi empastelada. A redação de “O Globo” foi atacada, carros do jornal foram destruídos, o “Jornal do Commercio” teve sua oficina invadida, vários dos 17 jornais foram alvos da massa. Lojas, portarias, ônibus, bondes, automóveis, carros da polícia em fuga, a Câmara dos Deputados e o Senado, as cercanias dos guarnecidos ministérios do Exército e da Marinha, tudo devia pagar pelo abandono em que Getúlio fora deixado por todos, e pela própria massa.

    No dia 23, o Brasil estava endoidecido de ódio a Getúlio. No dia 24, enlouquecido de paixão e saudade. Uma reversão assim súbita, generalizada e radical da opinião coletiva, de um extremo ao seu exato oposto, por certo é um fenômeno que não merecia o descaso dos pagos para pesquisar e estudar o Brasil.

    Mais ainda porque são poucos a terem percebido, com o tempo, o que estava no substrato da convulsão. Sobretudo a Petrobras, mas também as muitas outras criações do governo, como o BNDE, contrapunham-se à situação de um país dócil ao capital estrangeiro das espoliações típicas da época, e seus associados nacionais. A campanha contrária, no meio militar até segregacionista, ainda hoje pode ser vista, por exemplo, no sentido acusatório dado a “nacionalista”. O embaixador Adolf Berle Jr., contra Getúlio, abriu o caminho para o embaixador Lincoln Gordon, contra Jango. E os militares iniciaram em 1954 a marcha para 1964.

    ***

    Janio de Freitas é colunista da Folha de S.Paulo http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed813_um_dia_um_paishttp://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed813_um_dia_um_pais

     

  11. José C Lima

    17 de março de 2015 3:24 pm

    O Muda Mais também publicou tratou do tema

    O Muda Mais também publicou tratou do tema

     

    http://mudamais.com/60-anos-da-morte-de-getulio-vargas-licoes-de-soberania-e-justica-social

  12. johnnygo

    17 de março de 2015 3:26 pm

    Gravei da BoboNews

    Domingo, 15/03/2015, quase meio dia. Na zona sul carioca, público “educado e cheiroso” repete as cenas constrangedoras vistas durante os protestos de 2013. Entre faixas que pedem o impeachment da presidenta e/ou golpe militar, manifestantes cheios de ódio mandam Dilma tomar naquele lugar. Rapidamente, a câmera da Globo muda de foco, para não mostrar suas vergonhas. Gente bonita, de óculos escuros e roupas nas cores brasileiras, exibe seu baixo nível de politização. O sistema Globo ajudou e fez o “esquenta” durante toda a semana, a mesma semana em que os barões da mídia foram pegos no escândalo Swissleaks (HSBC), suspeitos de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo a TV, o movimento é pacífico. São uns doces, meiguice pura. Gente fina é isso aí.

    https://www.youtube.com/watch?v=KnNx07NNe8M

     

  13. Álvaro Noites

    17 de março de 2015 3:27 pm

    O melhor que você faz.
    O

    O melhor que você faz.

    O diálogo aqui não existe mais.

    Em redes sociais, estou começando a ser perseguido por um ex-colega dos tempos do colegial.

    Em outros ambientes, já nem converso mais sobre política.

    Família? Potencial altíssimo de cisão.

    1. Zarastro

      17 de março de 2015 5:15 pm

      Exatamente a minha situação.

      E olha que nem tenho FB. Por outro lado, tenho whats, e bem antes de um concerto lindíssimo do qual participaria, um (ex?) amigo (?) me manda um texto do Reinaldo Azevedo pelo celular.  Apaguei imediatamente a excrescência e fui cantar, decidido a não me deixar contaminar pelo ódio. E olha que essa pessoa se dizia de esquerda, partidária do PSTU. De qualquer maneira, o esforço mental é imenso para não ser tragado pela situação. Queria não ter que lidar com isso o tempo inteiro.

      De resto, estou brigado com meu irmão no momento por motivos que incluem isso o que você falou: a impossibilidade de conversar com ele.

       

      1. oneide

        17 de março de 2015 5:31 pm

        Os nazistas estavam na mesma

        Os nazistas estavam na mesma situação em 1946.

        1. Zeca Junior

          17 de março de 2015 6:49 pm

          Eu não costumo dar assunto

          Eu não costumo dar assunto para trolls, pois para mim eles devem ser tratados como aqueles loucos do ônibus: melhor nem olhar para eles. Mas essa aqui foi o fim da picada. Você é muita pessoa muito doente, criatura, muito doente mesmo.

        2. Zarastro

          17 de março de 2015 8:12 pm

          Com argumentos nesse nível, não dá pra conversar.

          .

  14. Ricardo S

    17 de março de 2015 3:50 pm

    Um site americano

    Um site americano influenciando diretamente à mente dos brasileiros, adultos, jovens e até crianças, sem nenhum tipo de restrição ou fiscalização por parte do Poder Público, disseminando o ódio ao PT, a nordestinos, etc. Isso é liberdade de imprensa?

    A mensagem “Vc tbm ta louco pra espancar uns NORDESTINOS dia 15?” foi veiculada pelo Yahoo.

     

    https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20150305101109AAgyw6a

  15. Eliane Ribeiro

    17 de março de 2015 4:39 pm

    Olha Vitor,estou alertando

    Olha Vitor,estou alertando isso a muito tempo .Esse negocio de achar que era tudo bobagem as baixarias de 2010,na internet.

    O comportamento animalesco dos jovens via twiter,que até apilidei o Bonner de plataforma de baixarias.comentei inclusive que era necessário atores publicos começarem a execrar,pois não fazia sentido chegar a 10% do PIB na educação sabendo que a midia ia tornar os cidadãos em animais com diplomas.

    Tai mora na periferia de São Paulo.por diversos motivos tem uma população com baixo acesso cultural.PT no poder via Marta e Lula elevou muito a nossa qualidade de vida e acesso.aqui onde só havia jovens usando drogas,existem diversos que estão fazendo o Fies.

    qual é o resultado?quando uso roupas vermelhas nas ruas meus vizinhos me olham torto,e riem de mim.agora sim eu me sinto  fazendo parte de uma verdadeira minoria oprimida.

  16. Renato Lages

    17 de março de 2015 6:26 pm

    Quer mudar isso?
    Não deixem
    Quer mudar isso?
    Não deixem essa gente odiosa e golpista falar sozinha nas redes sociais.
    Não precisa se irritar discutindo com ninguém. Basta entrar nessas paginas e deixar seu comentário, sua resposta e divulgar os links dos blogs progressistas.
    Temos que travar a luta da opinião, a luta politica.
    Temos que usar da mesma estrategia na internet que eles usam, fazendo imagens com textos e enviando pra todos.
    Vamos copiar o mesmo modo de operação deles, vamos mostrar o quanto a globo é corrupta, o quanto a oposição é corrupta, vamos usar de todas as armas de comunicação. Compartilhem os blogs os links para que eles tenham chance de conhecer outras opiniões que não são da mídia golpista.
    Façam contas no twitter no facebook, no YouTube, usem o Whatsapp. Mesmo que contas fakes, o importante é ocupar o espaço nas redes sociais. Os blogueiros precisa fazer videos , twitcams assim como faz a Veja , os Loboes da vida. Vamos desmascarar o discurso da direita, temos que aparecer para que as pessoas tenham conhecimento e não sejam massa de manobra na onda dos revoltados uteis.
    Nos temos condições de através da internet vencer o bloqueio da mídia.

  17. Mariano S Silva

    17 de março de 2015 8:20 pm

    Meu caro Vitor

    Meu caro Vitor Carvalho.
     

    Espero sinceramente que você retorne para usar sua energia jovem e a cultura adquirida a muito custo na luta pela construção de nossa pátria. Seu doutorado, ao envolver a análise do discurso, será de enorme utilidade, visto que a maioria dos textos que andam circulando por aqui estão eivados de incoerências. O estrago feito pela publicidade e TV foi realmente enorme! Parece que está em gestação uma raça de zumbis. Muita gente, até inteligente, aparenta ter desligado o aparelho racional da mente. Sei que isto soa inconcebível na Inglaterra, mas o processo está muito adiantado nos países periféricos que nunca conseguiram democratizar sua mídia. As conversas se produzem por aforismos de frases bem curtas. Nietzche está com a corda toda por estas paragens! Aliada a isto, a exaltação da exclusividade (como antônimo da inclusividade), que aliena o indivíduo do humano em prol do consumismo (e isto vale também para a Inglaterra) começa a gerar uma campanha de ódio aos recém incluídos. Os jovens, que não viveram os fatos de cinquenta ou mais anos atrás, são as maiores vítimas desta linha de produção de zumbis e é aí que jovens professores bem formados se fazem necessários.

    Quando você voltar nem tente procurar emprego em órgão de mídia, porque você até pode ganhar um bom dinheiro mas vai se violentar ao aceitar os absurdos emanados do patrão. Preste, daí mesmo, um concurso público para uma boa universidade brasileira e assuma seu cargo quando empossado.

    Bom trabalho e até logo!

     

  18. Severino Januário

    17 de março de 2015 8:51 pm

    O ódio foi elaborado em

    O ódio foi elaborado em laboratório tecnologicamente equipado com instrumental de ponta, não é coisa de alquimia. E demorou um bocado para pegar, pois foi implantado por etapas. Vou dar uma pista: O ódio político nasceu com o ódio do futebol. Primeiro inventaram o ódio entre torcidas de futebol, tanto aqui como em várias partes do mundo. Depois, fizeram uma metamorfose entre a polarização futebolística e a polarização política. Os comentaristas políticos da mídia de direita não passam de comentaristas de futebol, os mais famosos são fanáticos. Deram ao povo o orgulho de ser ignorante, convenceram-lhes de que na nova ordem mundial não havia mais lugar para a arte que não seja decorativa, nem ciência que não seja especializada em detalhes e jamais no geral. A História não merece mais ser levada em conta. Nada merece respeito, se não puder ser espetacularizado; e o maior “pódio” do mundo é apenas ser “celebridade”, não importa como. Assim, produziram uma massa sem conhecimento e sem respeito pelo conhecimento. E futebolizaram facilmente a política.

    1. Severino Januário

      17 de março de 2015 10:23 pm

      Quando se futeboliza a

      Quando se futeboliza a política, o time da direita não comete mais pecado algum. Qualquer corrupção será perdoada pelos torcedores, já que o que interessa é apenas acabar com o adversário. Por isso, mesmo que você prove que os líderes (jogadores) da direita estão envolvidos nos crimes mais cabeludos de corrupção, eles serão sempre tolerados e perdoados, ou sobre eles farão “vista grossa”, com a conivência da mídia que é toda de direita. Já sobre o adversário, nem o maior atestado de honestidade do mundo será suficiente para tirar dele a pecha de corrupto.

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