
Os grupos por trás dos movimentos de massa
Por André B.
Toda análise política que insiste na pura ‘espontaneidade’ para explicar movimentos persistentes de massa é falha. Movimentos de massa não persistem e não crescem sem a vontade de algum(uns) grupo(s), sem organização que lhe forneça recursos políticos, ideológicos e materiais e sem lideranças que se dediquem a essa organização.
Pode se estar na pior das situações mas sem um grupo ou grupos que organizem a insatisfação da massa o resultado pode ser simplesmente a apatia, a indiferença, movimentos fragmentados e sem continuidade e a busca por saídas individuais.
O puro espontaneismo é o mito reverso da teoria abrangente da conspiração. Nada é totalmente planejado, mas nada que persista e cresça é totalmente espontâneo. Mesmo que as lideranças e a organização tenham surgido inicialmente de forma espontânea só se sustentam no longo prazo se contarem com algum tipo de apoio.
A noite dos cristais quando uma ‘massa’ de forma supostamente ‘espontânea’ saiu quebrando lojas e batendo em judeus na Alemanha foi um teatro de horror muito bem planejado pelo partido nazista de Hitler para incentivar o anti-semitismo com o argumento de que ‘a massa’ ‘espontaneamente’ odiava os judeus e com isso oficializar a perseguição.
Em muitos casos o apelo a ‘espontaneidade’ das massas é um meio de deixar suas lideranças invisíveis de forma a alcançar seu objetivo com o argumento de que ‘é a vontade do povo’.
O espontaneismo é um mito revivido na era da internet onde tudo é dito como ‘surgindo nas redes’ e ‘convocado pelo Facebook’. Nesse último caso a ‘vanguarda’ seria o Facebook, o que obviamente é errado, pois o Facebook não convoca ninguém, são pessoas e grupos que convocam por meio do Facebook. E esses são lideranças não são ‘massa’.
Fabio SP
1 de março de 2015 6:26 pmEu me lembro das passeatas em
Eu me lembro das passeatas em 1967 e 1968…
Como o autor as classificaria?
Quais grupos estavam por trás daquilo?
Quais seriam seus interesses?
J. Alberto
1 de março de 2015 9:52 pmQuanta mordeção de fronha
Foram os comunistas ué, eles também são seres humanos de carne e osso, diferente do que diz a propaganda do “raio privatizador”.
Os militares (e civis que os apoiaram) também, nas Marchas da Famíla em 1964.
É tudo gente como a gente, independente da gente quere-los na cadeia ou não.
Vamos pensar além do “nós” contra “eles”.
Andre B
1 de março de 2015 11:05 pmClassificaria do mesmo modo
Classificaria do mesmo modo que este. Todo movimento contínuo conta com organização e com espontaneidade, seja qual for o objetivo ou organização do movimento, de direita ou de esquerda. Em geral, embora nem sempre, a esquerda mostra a cara (em determinadas situações não pode, porque paga com a vida).
Quem organizou a resistência a ditadura todo mundo sabe – comunistas, ‘nova esquerda’ e liberais, muitos deles arrependidos de terem apoiado a ditadura no primeiro momento. A passeata se deu na ditadura, mas ante do AI-5; a convocação foi feita pelo movimento estudantil, não foi clandestina e não havia ‘convocação pelo facebook’ na época! É só ir no wikepdia e dar uma lida, não precisa ter vivido ou ter estudado história:
Quais grupos estavam por trás daquilo? Não por trás estavam na frente mesmo de cara limpa; não estavam no facebook.
“A repressão policial atingiu seu apogeu no final de março de 1968, com a invasão do restaurante universitário “Calabouço”, onde os estudantes protestavam contra a elevação do preço das refeições. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, matou o secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos,nota 1 com um tiro à queima roupa no peito.
O fato, que comoveu todo o país, serviu para acirrar os ânimos. Durante o velório do estudante, o confronto com policiais ocorreu em várias partes do Rio de Janeiro. Nos dias seguintes, manifestações sucederam-se no centro da cidade, todas reprimidas com violência, até culminar na missa da Candelária (4 de abril), quando soldados a cavalo investiram contra estudantes, padres, repórteres e populares.nota 2
No início de junho de 1968, o movimento estudantil começou a organizar um número cada vez maior de manifestações públicas. No dia 18, uma passeata, que terminou no Palácio da Cultura, resultou na prisão do líder estudantil, Jean Marc van der Weid.
No dia seguinte, o movimento se reuniu na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para organizar novos protestos e pedir a libertação de Jean e de outros alunos presos. Mas o resultado foi a detenção de 300 estudantes, ao final da assembleia.
Três dias depois, uma manifestação estudantil, em frente à embaixada norte-americana, gerou um conflito que terminou com 28 mortos, centenas de feridos, mil presos e 15 viaturas da polícia incendiadas. Aquele dia ficou conhecido como “Sexta-Feira Sangrenta”.
Diante da repercussão negativa do episódio, o comando militar acabou permitindo uma manifestação estudantil, marcada para o dia 26 de junho.”
Quais seriam seus interesses?
“Depois do evento, o então presidente Costa e Silva marcou uma reunião com líderes da sociedade civil – entre eles os universitários Franklin Martins e Marcos Medeiros – ocasião em que lhe foi pedida a libertação de estudantes presos, o fim da censura e a restauração das liberdades democráticas. Nenhuma dessas reivindicações foi aceita. “
Monier.,.,.,.
2 de março de 2015 2:49 amPois é. A conclusão é que a
Pois é. A conclusão é que a conclusão do texto, apesar de bem iniciado, é nenhuma.
Obviamente que sempre vai haver um pensamento articulado em qualquer movimento, uma vez que até a galinha tem que ter um fundamento para atravessar a rua, quanto mais 10 mil pessoas indo até a av. Paulista encontrar a tropa de choque com suas bombas nada juninas.
O que não impede de haver adesão espontânea da massa a algum movimento articulado. Em 06/2013, o movimento articulado era claramente o MPL, com uma pauta à esquerda do PT. A adesão espontânea se deu após a violência policial, na minha cabeça; na cabeça da mídia, por estarem “contra tudo que está aí”; e na cabeça do PSDB e da Dilma, contra o governo federal e a corrupção que “nasceu agora”.
Pela incapacidade de manobrar ou aglutinar permanentemente a tal da massa e as razões da sua adesão espontânea, a pauta de esquerda esvaziou após a conquista dos 20 centavos, o movimento se reduziu, e a turma toda, inclusive de esquerda, deu uma forcinha para a direita tentar capitalizar politicamente aquela sobra que restou.
De todo modo, a discussão se deu sobre o fundamento do movimento espontâneo de milhões de pessoas, o que é inegável, não sobre a necessidade óbvia de um movimento que queira ser de longo prazo precisar de articulação, de formulação de idéias, e de gente que tenha capacidade e conhecimento para manter a coerência da movimentação. Não há dúvidas que uma multidão aderiu espontaneamente ao chamado dos 20 centavos no Facebook. E tanto a articulação em torno da pauta central era fraca, que esvaziou.
Nos rolezinhos de 2013 a articulação era mais forte, em torno da idéia do lazer pelo lazer, sem outra grande elocubração política, e muito mais simples de vingar. Durou mais, e só esvaziou com o uso da força da polícia, das liminares judiciais, e da segurança privada dos shoppings.
A pergunta que fica é: qual o problema de haver uma articulação? Quando é um sindicato articulando, está errado? A gigante articulação marxista em cima do livro de um único economista do século retrasado é equivocada? Somente a esquerda pode articular? Não.
Enquanto as bandeiras são claras, como o direito ao transporte, a vedação ao uso da força excessiva pelo estado, a boa administração do Estado, ou qualquer outro valor permitido pela nossa Constituição, qualquer articulação para manifestar-se é legítima. O que obviamente não inclui pedidos de impeachment feitos de modo leviano e com fundamentação jurídica pobre, aproveitando uma formalidade jurídica procedimental, gravíssima, para realizar o que, materialmente, é um golpe de estado vedado pela mesma Constituição.
Schell
1 de março de 2015 6:32 pmAliás, por onde anda a Abin?
Aliás, por onde anda a Abin? Pobre Dilma sempre e sempre cercada pela incompetência (fruto de sua teimosia, talvez). Quer dizer que o serviço de inteligência da presidência da república não sabia que alguém e alguns estavam em plena ação de sabotagem, pegando os inocentes úteis para massa de manobra? Como o movimento de paralisação dos caminhoneiros esteve desde o começo restrito aos estados do sul, não seria interessante verificar como estão as unidades militares da região? Não seria surpresa encontrar “militares e para-militares” infiltrados como agentes provocadores? Alô, ministrinho da (in)justiça, esperará quanto tempo para colocar a PF (a boa, a boa) em campo? Como escrevem alguns, o aparato militar-de-segurança da Dilma e um fiapo de linha se equivalem.
sergio m pinto
1 de março de 2015 6:56 pmtipo movimento de
tipo movimento de caminhoneiros dirigido desde o RN?
Leo V
1 de março de 2015 7:09 pmIsso é verdadeiro de
Isso é verdadeiro de fato.
Não sei é por que colocou Hitler no meio.
De que movimentos de massa persistentes ele está falando?
Andre B
1 de março de 2015 11:58 pmLeo
Originalmente postei como
Leo
Originalmente postei como resposta a um outro comentário sobre a greve dos caminhoneiros. Mas não me referia a greve dos caminhoneiros especificamente. O movimento persistente que me refiro é o movimento “anticomunista” que na verdade é antiesquerda, contra qualquer posição, atitude, grupo ou até simbolos de esquerda. Não me refiro a movimentos de oposição de esquerda ao governo, até porque esses mostram a cara, os nomes e as bandeiras.
O Hitler aparece aqui:
1) para fazer um contraponto ao outro comentário que citava ‘a operação articulada pelo Estado Maior do Império Alemão’ para levar Lenin até a fronteira da Finlandia com a Russia ‘cheio de dinheiro’ na revolução de 1917. Sem entrar na discussão sobre a informação quis mostrar que a ultradireita também faz ‘operações’;
2) o comentário que respondi dizia que ‘toda teoria da conspiração é falha’; coloquei o exemplo para mostra que a história já comprovou que em determinadas situações as massas podem ser manipuladas em movimentos que tem a aparencia de ‘espontaneos’. Nesse caso citado, como em vários outros, a teoria da conspiração não é completamente falsa.
3) Cabe lembrar das referencias dos grupos ‘antiesquerda’ e como eles fizeram manipulação de massas; claro que não foram só os nazistas que o fizeram. Mas é só dar uma rodada por aí que se encontram referencias explicitas ou subliminares a esses grupos.
Meire
1 de março de 2015 7:39 pmPor Melhor Que Seja Alguém, Só Deus é Santo!
Papa Pio XII, l’ultimo Papa:
“Somente a Alemanha e o Vaticano podem salvar a civilização. A primeira, militarmente, e a segunda espiritualmente. A Alemanha tem lutado por seus amigos e inimigos, e tão somente a ela é que se reserva o destino do Ocidente”.
http://inacreditavel.com.br/wp/as-consideracoes-de-jung-sobre-hitler/
Andre B
1 de março de 2015 11:11 pmInacreditavel.com é um site
Inacreditavel.com é um site que faz apologia ao nazismo. Prega o ‘nacionalismo espiritualista’ (socialista tá fora de moda) e a ‘democracia orgânica’ (emprestada dos velhos integralistas). O site já foi processado por defender teses que negam o holocausto, mas uma juiza(!!!) acabou dando ganho de causa ao site.Se o site estivesse na Alemanha seria fechado e seus administradores iriam para a cadeia.
Meire
1 de março de 2015 8:21 pmVerdade, simples assim!
Mas, se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, tomem cuidado! Vocês vão acabar destruindo-se mutuamente. (Gálatas 5,15)
Rpv
1 de março de 2015 8:37 pmÉ, volta o junho de
É, volta o junho de 2013.
Imagino como Lenin daria uma boa gargalhada desta história de espontaneiadde das massas.
Seria uma boa risada, como aquela que o Putin deu ao reporter alemão quando confrontado com a tese de que “A OTAN reclama que o escudo antimíssil não foi construído contra você mas contra o Irã?”
https://www.youtube.com/watch?v=8ux3oiWELIQ
Ah, mas tem os novos tempos, o zeitgeist, etc.
Sim claro, tudo muda sempre.
E a esquerda, o PT e cia, não souberam ler os sinais da mundança.
Sim, claro. Tudo também fica velho.
A pergunta que não quer calar é: a quem interessou fomentar o movimento de julho de 2013?
Ou seja, ele tomou a dimensão que tomou por que alguém o alimentou com determinados objetivos.
Talvez sejam os mesmos objetivos que fazem o movimento de Curitiba, no Paraná não ser notado. Vai ver que isso ocorre porque essa ação de massa não traz consigo o zeitgeist. Deve ser um movimento de origem italiana e não alemã. Quem sabe?
Feita esta consideração, vem logo a outra pergunta: seriam aqueles que alimentaram o movimento de junho de 2013 os portadores da mensagem dos novos tempos?
O mundo sempre muda e está a espera de quem o interprete, como tentou Hegel quando avistou as tropas de Napoleão.
O que não podemos fazer é, na esperança de ver nascer o novo, ajudar a renascer das cinzas o velho. Assim, o que estaríamos fazendo na prática é adiar o futuro de um novo Brasil (menos desigual) que nunca chega.
Sérgio Rodrigues
1 de março de 2015 9:27 pmGrande Lênin!….
” O mundo é como construído, não como ele é!”
Mariano S Silva
1 de março de 2015 10:57 pmHá décadas venho dizendo que
Há décadas venho dizendo que não existe essa ficção de “movimento espontâneo de massas”. Sempre existe uma semente e uma ressonância (um problema real e comum a muita gente) na sociedade que é explorada na forma de “uma engenharia social”. A massa humana guarda uma intrigante semelhança com um sistema bosônico (um conjunto de partículas que se condensam em um estado único), talvez fruto de uma presença da mecânica quântica (processos não-locais) no funcionamento da mente humana, como aliás Roger Penrose e David Bohm especulam em alguns de seus livros. A condensação bosônica, no caso do laser, começa com a criação (bombeamento) de um estado metaestável (nem estável, nem tão instável que desapareça rapidamente), e quando um único átomo retorna à estabilidade ele emite um fóton, e este, sendo um bóson, induz a emissão dos átomos restantes, criando a cascata de fótons que é o efeito laser.
A curiosa semelhança de fenômenos pode ser observada no porque de a “iluminação” instantânea da mídia a milhões de telespectadores ter o poder de criar a “mentira perfeita” que é repetida pela população. Existe um filme interessante que se intitula: A Rede (The Network) que merece ser visto pelos que querem entender melhor este fenômeno. Paralelamente, a construção da resposta pela população esclarecida é um processo muitíssimo mais lento, porque envolve os processos locais de ruído na transmissão da informação: quem conta um conto acrescenta um ponto.
A formação de movimentos de massa de baixo para cima é penosa (mesmo havendo a ressonância na sociedade: eles que comam brioches…) e além de levar muito tempo para a formação de consenso, podem ser detetados durante a formação e esvasiados. Exemplo de movimento sem “semente” que deu errado: A comuna de Paris. Já a “iluminação” da mídia é virtualmente instantânea (jornal nacional, etc) levando a um “consenso” muito mais rapidamente. Esta é precisamente a forma pela qual a presença de uma mídia cartelizada solapa a democracia pelo mundo afora.
É claro que a forma de comunicação em rede, que foi inventada pelo poder para possibilitar a sobrevivência do mesmo em caso de conflagação nuclear, conspira contra esses objetivos de seu fundador. É de se esperar alguma forma de repressão futura a essa liberdade adquirida pela sociedade civil. Teremos sempre que estar atentos!
Há décadas que também repito: poder é escamoteamento de informação à população! TUDO É INFORMAÇÃO, INCLUSIVE O DINHEIRO!
patinho medroso
1 de março de 2015 11:06 pma direita empre se aproveita
a direita empre se aproveita desses movimentos para
tentar evitar o avanço social….
é preciso politizar a questão para pereber então o que
defendem os que estão por trás desses movimentos….
só assim eles são desmascarados….
wendel
2 de março de 2015 1:04 amSempre eles ……………………….
Alguns até se lembrem do que foi a derrubada no chile do Governo Salvador Allende!!!
Se não lembram, por favor pesquisem e verão o quanto de semelhança pode haver no atual movimento de caminhoneiros no Brasil.
Fico até com receio em dizer, pois quando se supõe algo, com clareza de argumentos, vêm logo os Trolls, para desacreditar esta possivel verdade.
Àquela época, foi aquele movimento financiado e monitorado pela Cia, e hoje todas as provas estão confirmadas.
No nosso caso, é bem provável que elementos externos e internos, estejam fomentando a desestabilização do governo, e possivelmente estas alianças estejam bem entrelaçadas.
Como disseram – ” onde anda a ABIM, a PF leal, As FAs nacionalistas, e os órgãos de desfesa do País” ?
Só espero que não seja tarde demais para que o governo, seus alidados, e os nacionalistas verdadeiros abram os olhos, e vejam o quanto estão querendo nos dividir.
E o propósito, sem dúvidas é – ” DIVIDIR PARA DESESTABILIZAR, DESCONSTRUIR, TOMAR O PODER, DERRUBAR, PRIVATIZAR, SAQUEAR E TORNAR NOSSO PAIS, COLONIA DO IMPÉRIO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Tony
2 de março de 2015 1:34 amEspontânea é meuzovo
Concordo e assino embaixo, André.
Esses movimentos são tão de “espontâneos” como a bisbilhotagem “controlada e não intrusiva” da NSA.