Enviado por JNS
A poesia pode nos salvar

Ninguém sabe como é ser o homem mau
E ser o homem triste, por trás de olhos azuis

Permitam que a blasfêmia seja dita: a poesia pode salvar-nos,
não da maneira como um pescador iça para dentro do barco
o nadador que se afoga, não da maneira como Jesus, entre gritos,
promete vida eterna ao ladrão crucificado ao seu lado
no monte, mas ainda assim salvação.

Algures um condenado soluça sobre um livro de poemas
trazido da biblioteca da prisão, e eu conheço o motivo
pelo qual as suas mãos têm o cuidado de não quebrar as páginas tão frágeis.

Do “Poeta Latino da Sua Geração” & Música Incidental do The Who
jns
20 de fevereiro de 2015 4:41 pmAo Anarquista Quase Sério
Latin Night At The Pawnshop
Chelsea, Massachusetts, Natal, 1987
Aparição de uma reluzente banda de salsa
na janela da casa de penhores
Liberty Loan:
trombetas douradas,
trombones de prata,
congas, maracas, pandeiros,
todos com etiquetas de preços pendentes
como a identificação
no dedo do pé de um homem morto
no necrotério da cidade
Martin Espada, poeta, ensaista, editor e tradutor, escreveu “Latin Night At The Pawnshop” no Natal de 1987, ao caminahar pelas ruas de Chelsea e notar alguns instrumentos musicais pendurados em uma casa de penhores.
Espada imaginou que os instrumentos foram empenhados por algum motivo desconhecido, e, neste processo, os músicos também estavam vendendo e jogando fora todos os seus sonhos.
Chamado de “o poeta latino de sua geração”, Martín Espada, nascido no Brooklyn, New York, em 1957, é atualmente professor no Departamento de Inglês da Universidade de Massachusetts-Amherst.
altamiro souza
20 de fevereiro de 2015 4:46 pmlembrei de rimbaud no seu
lembrei de rimbaud no seu barco bebedo
singrando os mares da insensatez,
e a palavra que o redime do medo
dos rebocadores que desde cedo
nos pregavam nos postes multicores
das praças públicas ferozes e vorazes
danço como cortiça no atroz ódio dos caçadores
talvez vítima desse eterno redemoinho
endemoniado de interesses colusivos
que vomitam o caos e os catastrofismos
fermentando e fomentando vastos
e amargos martírios e gastos sofismas
vi manchas de golpismo no ar putrefato
e falaciosas palavras do circo midiático
de místicos horrores que inventa o fato
e o transforma em versão, agora aversão,
vozes histéricas ardem ódios e transgressão
mas de repente um homem tira o piolho
da cabeça e mata o giganrte leviatã
midiático e tudo vira enorme combustão
e o estreito maintream transforma-se
num amplo caminho utópico tecelão
da nova vida que se abre ao viajor
– pras cucuias todo o ódio e toda a dor.
imerso em sordidez não posso transcender
esse rastro de torpezas mas a palavra
surgiu para levar-me ao porto seguro do ser.
jns
20 de fevereiro de 2015 8:24 pmÉ Espada
Para o Chile
A República da Poesia
Na república da poesia
um comboio cheio de poetas
desliza para sul debaixo da chuva
tal como as ameixeiras balançam
e os cavalos escoiceiam o ar,
e as bandas filarmónicas
desfilam pelas ruas
com trompetes, com chapéus de coco,
seguidas pelo presidente
da república,
que aperta todas as mãos.
Na república da poesia
os monges imprimem versos sobre a noite
em caixas de chocolate conventual,
cozinhas em restaurantes
usam odes como receitas
de enguias ou alcachofras,
e os poetas comem à borla.
Na república da poesia
os poetas lêem para os babuínos
no jardim zoológico, e todos os primatas
– como poetas e babuínos – gritam de alegria.
Na república da poesia
os poetas alugam um helicóptero
para bombardearem o palácio nacional
com poemas impressos em marcadores de páginas
e toda a gente, cega pelas lágrimas,
se precipita no pátio
para apanhar um poema
que esvoaça caindo do céu.
Na república da poesia
a guarda do aeroporto
não autorizará a tua saída do país
até que lhe declames um poema
e ela diga Ah! Lindo.
ACCIÓN POÉTICA EN CHILE
lenita
21 de fevereiro de 2015 1:33 amChile
Foi o primeiro país que conheci ! Escolhido a dedo, pela poesia do Pablo e pelos muitos sofrimentos por que passou o povo do país.
Obrigado.
lenita
20 de fevereiro de 2015 5:55 pmJNS
E… de repente fez-se de alegre o que era triste …… E não é que pode nos salvar mesmo ! E um querido amigo deu-me a alegria de ser lembrada por ele. Nada mais interessa ! E que músicas ele me fez presente !
O que poderia lhe dizer ? não sei . As palavras sumiram, não mais que de repente.
Um grande abraço e muito obrigado pela gentileza, que só poderia partir de uma alma como a sua, mostrada através de suas postagens.
Obrigado amigo .
jns
20 de fevereiro de 2015 7:06 pmPoços
O poema é do Martín Espada
Nós estávamos presos no trânsito
na ponte do Brooklyn
Então implorei ao poeta,
sentado na parte de trás do meu táxi,
para escrever um poema para você
Ele perguntou
se você era como a lua
ou as árvores
Eu disse: – Não,
a Lenita é como a ponte,
com muito tráfego,
quando eu tenho tempo
para ver os barcos
navegando no rio
licenciosidades
jns
21 de fevereiro de 2015 3:57 pmO show tem que continuar
A Piano House, sede da Universidade de Música na província An Hui, na China, foi construída em forma de piano e violino de vidro que abriga uma escada interligada ao prédio-piano. O edifício foi projetado por alunos de arquitetura da Universidade de Tecnologia Hefei, capital da província, e pela empresa Huainan Fangkai Decoration Project Co.
[video:http://youtu.be/wTeRQ16O798 width:600 height:450]
lucianohortencio
20 de fevereiro de 2015 5:55 pmO bom humor também pode!!!
Ai, ai, pega a minha cobra!
Oi, oi, vem pra minha cobra!
Que ela vai te pegar!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=YjjcxfkQ_W8%5D
lenita
20 de fevereiro de 2015 6:00 pmEsse é o Luciano Hortêncio !
Esse é o Luciano Hortêncio ! Aquele que batizei de nosso “Oásis” e que forma com o JNS um par adorável purdimais, sô !
jns
20 de fevereiro de 2015 8:56 pmUai?, enquanto tiver bambú tem flecha, uai!
Toda poesia salva Axolotis da extinção
Não é blasfêmia,
Mas tome cuidado com o “Espada”.
Se o sujeito estiver moiado – bem moiadão –
Por uma pingaiada da mió qualidade,
Ele ultrapassa a cúpula celestial
E desaparece acima do Divino;
Deixando pra trás a salvação
KHAWAJAH NASR AL-DIN HORTENCIU
COMO NASRUDIM CRIOU A VERDADE
As leis não fazem com que as pessoas fiquem melhores – disse Nasrudin ao Rei -, elas precisam, antes, praticar certas coisas de maneira a entrar em sintonia com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.
O Rei, no entanto, decidiu que ele poderia, sim, fazer com que as pessoas observassem a verdade, que poderia fazê-las observar a autenticidade – e assim o faria.
O acesso a sua cidade dava-se através de uma ponte.
Sobre ela, o Rei ordenou que fosse construída uma forca.
Quando os portões foram abertos, na alvorada do dia seguinte, o Chefe da Guarda estava a postos em frente de um pelotão para testar todos os que po rali passassem.
Um edital foi imediatamente publicado:
“Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso na cidade permitido. Caso mentir, será enforcado.”
Nasrudin, na ponte entre alguns populares, deu um passo à frente e começou a cruzar a ponte.
– “Onde o senhor pensa que vai?” – perguntou o Chefe da Guarda.
– “Estou a caminho da forca” – respondeu Nasrudin, calmamente.
– “Não acredito no que está dizendo!”
– “Muito bem, se eu estiver mentindo, pode me enforcar.”
– “Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!”
– “Isso mesmo” – respondeu Nasrudin, sentindo-se vitorioso.
– “Agora vocês já sabem o que é a verdade: é apenas a sua verdade” disse o enfezado Nasrudin, para fechar o pano e atravessar a ponte.
Como é que faz pra sair da ponte?
[video:http://youtu.be/DDguYDlqEZw width:600 height:450]
jns
20 de fevereiro de 2015 7:17 pmBelo
Não preso no trânsito
Atravesso espantopontes
Mergulho concreto aldeia norte
Viajam canoas botes Horizontes
jns
20 de fevereiro de 2015 9:52 pmNicoletta Ceccoli
Equilíbrio instável entre o angelical e perturbador mundo surreal
do conto de fadas da narrativa sombria vislumbrada abaixo da superfície.
https://stephenkellycreative.wordpress.com/2012/07/26/beautiful-nightmares-the-angelic-art-of-nicoletta-ceccoli/