
A visão musical de um craque, por Aquiles Rique Reis
O baterista Marcio Bahia também esteve no Festival Choro Jazz, realizado em Jericoacoara entre os dias 2 e 7 de dezembro do ano passado. Para acompanhá-lo, arregimentou três bons músicos: Gustavo Figueiredo (teclado), Frederico Eleodoro (baixo) e Daniela Rennó (percussão).
Foi em Jeri que ele lançou Quebrando Tudo (independente), seu primeiro CD. Trata-se de álbum que saúda o jazz que é americano, mas que também já é brasileiro, e que mostra variações de sotaques musicais exibidos em ritmos que se multiplicam. Assim é o CD de Marcio Bahia, um disco bem gravado, bem mixado, bom de se ouvir.
Feito a miscigenação que caracteriza nosso povo, a música feita no Brasil também se deixou saborosamente misturar a outras vindas de várias partes do mundo. Agregadas às nossas manifestações regionais e populares, essa mescla resultou numa tal diversidade que hoje podemos dizer que a música brasileira é a melhor e mais bela do mundo.
Os treze temas gravados no disco são ricamente elaborados. Jazz, samba, baião, com todos os diferenciais que os caracterizam, lá estão. Juntos, porém, cada um mantém resguardada a sua origem – a distingui-los, o suingue dos músicos. Isso torna Quebrando Tudo um belo exemplo de a quantas anda a nossa música instrumental.
No disco, dentre outros, Hamilton de Holanda, Vitor Gonçalves, Hermeto Pascoal, Marco Pereira, Gabriel Grossi, Daniel Santiago, Jovino Santos, Domingos Teixeira, Vittor Santos e Steffen Schorn criaram os arranjos que muitos tocaram: Marcelo Martins (flautas e saxofones), Daniela Spielman (sax tenor), Mario Seve (sax soprano), Aline Gonçalves e Andrea Ernest Dias (flautas e flautim), Georgia Camara (xilofone), Joana Queiroz (clarinete), Cristiano Alves (clarone), Zé Canuto (sax barítono), Vitor Gonçalves, Jovino Santos Neto e Paulo Malaguti (piano), Bruno Aguiar, Dudu Lima, André Vasconcelos, Rodrigo Vila e Dininho Silva (baixo), Daniel Santiago, Gabriel Improta e Marco Pereira (violão), Jessé Sadoc, Nelson Oliveira, José de Arimatéia e Jorg Engels (flugelhorn e trompetes), Chico Chagas (acordeom), Vittor Santos, Sergio de Jesus, Leonardo de San Leandro, Leandro Soares (trombones) e Hermeto Pascoal (tudo o que emite som).
Inegável que Marcio Bahia é o grande destaque do álbum. Mas há outros: o solo de sax de Harvey Wainapel em “Subindo a Serra” (MB e Vitor Gonçalves), o bandolim de Hamilton de Holanda em “Nova Geração” (Daniel Santiago), a voz de Luciana Souza em uníssono com o sax em “Os Doidos” (Hermeto Pascoal), o improviso da harmônica de Gabriel Grossi em “O Canto da Ema” (Alventino Cavalcante, Ayres Viana e João do Vale), o arranjo de sopros de Vitor Santos para “Piratininga” (MB) e a experimentação com água em “Das Águas” (MB).
Marcio Bahia é um craque. Suas mãos alternam delicadeza e firmeza. Seus pés têm a agilidade que pulsa no bumbo e palpita nos contratempos. Sua visão musical é moderna, sem preconceitos, muito menos convencionalismos.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4
Gerson Pompeu
23 de janeiro de 2015 11:47 amMeninos, eu vi!
Imagine ver o Marcio Bahia e o Ivan Conti (Mamão) do Azymuth tocando juntos ao vivo no finado Bar Orquídea, em Niterói.
E, ainda, ganhei para ser o técnico de áudio.
Ô, sorte!!!