5 de junho de 2026

Manoel, o traficante maneiro, por Lucia Helena Issa

Os subordinados ao General Heleno, aquele que dava murros na mesa quando falava sobre Lula, foram estranhamente "incompetentes", a ponto de não revistarem a mala de Manoel, o traficante maneiro.

Manoel, o traficante maneiro

por Lucia Helena Issa

Manoel era um traficante de cocaína.

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Manoel era também um militar da Aeronáutica brasileira.

Manoel foi preso ontem na Espanha com 39 kg de cocaína.

Manoel não era negro e não nascera na favela.

Manoel não nascera com a cor errada e nem vivera a vida toda no lugar errado.

Manoel gostava de fazer “arminha” com seus dedos polegar e indicador em riste.

Manoel era um bolsonarista e gostava de vestir sua camisa amarela da CBF e gritar em uníssono com seus amigos que ” bandido bom é bandido morto”.

Tudo isso fazia de Manoel um traficante maneiro. Manoel parecia um de nós.

Manoel não tinha a cor errada dos que morrem todos os dias na Maré e na Rocinha, dos que são executados todos os dias nas comunidades do Rio, sem sequer ter direito a um julgamento justo.

Manoel era um “cidadão de bem” para os milhões de bolsonaristas que marchavam ao seu lado nas passeatas contra a Dilma e, depois, por Bolsonaro e pelo direito de matar seu semelhante.

Manoel era um traficante maneiro.

Manoel era branco.

Voava com o presidente e se sentia protegido por Jesus. Não o Jesus que conheço e amo, mas aquele estranho Jesus de Malafaias, Waldomiros e Macedos.

Manoel ganharia uma grana legal traficando a droga para a Espanha no avião presidencial. Tudo estava dando certo para Manoel!

Os subordinados ao General Heleno, aquele que dava murros na mesa quando falava sobre Lula, foram estranhamente “incompetentes”, a ponto de não revistarem a mala de Manoel, o traficante maneiro.

Manoel já voara com Bolsonaro.

Manoel conseguira levar a droga para o lugar mais seguro do mundo. O avião presidencial.

Manoel, o traficante maneiro, que frequentava as mesmas praias que eu no Recreio dos Bandeirantes, jamais conseguiria ter agido sozinho.

Mas Manoel Silva Rodrigues, o traficante maneiro, teve o azar de se deparar com a polícia espanhola, para quem ter nascido “com a cor certa” e ser um militar não eram um salvo conduto.

Manoel, como Ícaro, teve suas asas e seus sonhos de crimes e impunidade destruídos.

Manoel, o canalha maneiro, pagará sozinho por um esquema criminoso, nefasto e hipócrita, que envolve homens infinitamente maiores do que ele.

Lucia Helena Issa é jornalista e escritora.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. MANREL

    27 de junho de 2019 6:24 pm

    Este avião é da FAB ou de “CARREIRA”

  2. Anônimo

    27 de junho de 2019 6:55 pm

    Esse é o Manoel, O Audaz!

  3. Carlos Elisio

    27 de junho de 2019 7:33 pm

    Manoel é bucha…

  4. peregrino

    27 de junho de 2019 11:13 pm

    Manoel vai entregar o manual do tráfico presidencial

  5. Cristóvão Orlândi

    28 de junho de 2019 8:56 am

    Muito bom pessoal, só resta dizer sobre Manoel: Diga com quem tu andas, que direi quem tu és; ou melhor diga com quem tu voa que direi onde tu vai pousar.

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