A escassez de gás de cozinha, óleo lubrificante e peças de reposição está provocando uma nova onda de dificuldades na Faixa de Gaza, aprofundando a crise humanitária enfrentada pela população em meio ao conflito. A falta desses insumos essenciais afeta desde hospitais e serviços de emergência até o transporte, a produção de alimentos e o abastecimento de água, noticia o jornal inglês The Guardian, em matéria de Seham Tantesh.
Um dos casos mais graves foi registrado no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, no centro do território palestino. A direção da unidade alertou para o risco de colapso após falhas em geradores que abastecem centros cirúrgicos. Segundo os responsáveis, os reparos realizados são apenas paliativos, já que não há peças disponíveis para manutenção adequada dos equipamentos.
A situação também compromete a atuação da Defesa Civil de Gaza. Veículos de combate a incêndios, resgate e ambulâncias têm sido retirados de operação devido à falta de peças, combustível e óleo para motores. Autoridades locais alertam que a capacidade de resposta a emergências está próxima do limite.
O impacto econômico é igualmente severo. O preço de um litro de óleo para motor, que antes da guerra custava cerca de 25 shekels, chegou a aproximadamente 2.200 shekels. Mecânicos relatam que passaram a desmontar veículos inutilizados para aproveitar peças e manter outros funcionando.
A crise atinge diretamente a mobilidade da população. Muitos veículos foram abandonados por falta de manutenção ou de insumos básicos, obrigando moradores a percorrer longas distâncias a pé. Famílias com integrantes doentes ou feridos enfrentam dificuldades adicionais para acessar hospitais e serviços de saúde.
O abastecimento de água também foi prejudicado. De acordo com informações citadas pela reportagem, usinas de dessalinização e sistemas de distribuição operam com capacidade reduzida devido à falta de energia, óleo e peças de reposição. A consequência é a diminuição da oferta de água potável e o agravamento dos problemas sanitários, especialmente entre crianças.
Padarias e pequenos negócios dependentes de geradores também sofrem com a escassez. Algumas reduziram a produção e outras interromperam atividades por não conseguirem manter os equipamentos em funcionamento. A situação ameaça o acesso da população a alimentos básicos, como o pão.
Sem gás de cozinha e diante da alta nos preços da lenha, muitas famílias passaram a utilizar resíduos plásticos e outros materiais improvisados para cozinhar. Em meio à escassez generalizada e à alta dos preços, moradores relatam que têm sido obrigados a abrir mão de necessidades consideradas não essenciais para concentrar recursos apenas na sobrevivência diária.
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