30 de agosto de 2026

Após novo corte dos juros, mercado diverge sobre próximos passos do Copom

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14% ao ano, mantendo tom cauteloso diante da inflação e riscos externos.
Economistas divergem sobre próximos passos; alguns preveem cortes graduais, outros sinalizam possível pausa na taxa.
CNI critica juros altos, afirma que redução foi insuficiente e que taxa elevada limita investimentos e consumo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado. Apesar do corte, a comunicação adotada pelo colegiado manteve um tom cauteloso, com destaque para os riscos inflacionários, as incertezas externas e a necessidade de acompanhar a evolução dos indicadores antes de definir os próximos passos.

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Para economistas consultados pelo Jornal GGN, a principal mudança não esteve no tamanho da redução, mas na sinalização apresentada pelo Banco Central. Enquanto uma parte dos analistas avalia que o cenário permite a continuidade de cortes graduais, outros interpretam o comunicado como um sinal de possível pausa após a Selic atingir 14%.

Segundo Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital, a decisão, as projeções e a orientação do Copom vieram em linha com o esperado. Para ele, o Banco Central adotou uma linguagem mais dura em comparação com a reunião anterior para evitar novas críticas ao seu posicionamento.

“Sem surpresas. Decisão, guidance e projeções totalmente em linha com o esperado”, afirmou Ihara. Na avaliação do economista, caso o cenário atual permaneça, o Banco Central deve continuar reduzindo os juros em ritmo de 0,25 ponto percentual.

Mudança de tom no comunicado chama atenção

O economista Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, destacou que a principal alteração entre os comunicados de junho e agosto foi justamente a descrição do comportamento da inflação.

Segundo ele, no encontro anterior o Copom indicava aceleração dos núcleos inflacionários e afastamento da meta. Agora, o texto aponta desaceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes, ainda que em níveis acima do desejado. “O verbo mudou. Antes era piorando; agora é melhorando, porém ainda alto”, avaliou Passero.

Para o analista, a desaceleração da inflação e da atividade econômica indica que o processo de convergência está funcionando, abrindo algum espaço para novos cortes. No entanto, o Banco Central evitou oferecer uma sinalização explícita sobre a trajetória futura dos juros.

O analista macroeconômico Marcos Freitas, da AF Invest, também avaliou que as mudanças no comunicado foram sutis. Segundo ele, o Banco Central manteve a assimetria altista no balanço de riscos e continuou destacando as incertezas relacionadas ao cenário internacional, como a política monetária das economias desenvolvidas e os conflitos geopolíticos.

“Não houve grandes surpresas. A decisão ficou dentro do esperado, com corte de 25 pontos-base”, afirmou Fontes.

Mercado vê possibilidade de pausa após Selic chegar a 14%

Apesar do reconhecimento de melhora nos indicadores, parte dos economistas interpreta a comunicação do Banco Central como um sinal de cautela para os próximos encontros.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, avaliou que o comunicado veio mais duro do que o esperado. Segundo ele, embora o Copom reconheça a moderação da atividade, o colegiado reforçou a avaliação de que o mercado de trabalho permanece aquecido.

Perri destacou que as expectativas de inflação continuam sendo o principal ponto de preocupação do Banco Central. Segundo ele, a melhora recente foi suficiente para justificar o corte, mas não representa o início de um ciclo amplo de flexibilização.

“O cenário base é uma pausa em 14%. Temos que ter surpresas positivas daqui para frente para isso mudar”, afirmou.

O especialista em investimentos Augusto Parente, sócio da AW Capital, também destacou o tom cauteloso do comunicado, especialmente em relação aos possíveis impactos do petróleo e de eventos climáticos sobre os preços. Apesar disso, Parente avaliou que a redução dos juros foi adequada diante do nível elevado do juro real e de sinais positivos, como a desaceleração da atividade econômica e a menor pressão das commodities.

Corte lento mantém juros altos por mais tempo

Para Gabriel Castro, analista de investimentos do Grupo Mide, o movimento representa a continuidade de um processo gradual de flexibilização monetária. Segundo ele, a Selic caiu pela quarta reunião consecutiva, acumulando redução de 1 ponto percentual desde o início do ciclo.

Castro destacou que o Banco Central evitou apresentar uma trajetória futura justamente em razão das incertezas envolvendo petróleo, clima, política monetária dos Estados Unidos e estímulos fiscais domésticos. “Direção é de queda, mas a velocidade é de conta-gotas”, afirmou.

Na avaliação do analista, o nível de juros ainda mantém efeitos importantes sobre consumidores e empresas. A renda fixa segue atrativa, enquanto o crédito permanece caro e o impacto sobre financiamentos deve aparecer apenas de forma gradual.

O professor Denis Medina, da Universidade Anhembi Morumbi, também ressaltou que a redução é positiva, mas insuficiente para gerar estímulo significativo à economia.

Segundo ele, a manutenção da Selic em 14% representa uma política monetária ainda restritiva, voltada a reduzir a atividade econômica para aproximar a inflação da meta.

Indústria cobra queda mais forte dos juros

Enquanto o mercado financeiro debate o ritmo dos próximos cortes, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o nível atual da Selic continua prejudicando o setor produtivo e as famílias.

A entidade considerou acertada a decisão do Copom, mas avaliou que a redução foi insuficiente para aliviar os efeitos dos juros elevados. “Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

Segundo a entidade, a inflação corrente apresenta sinais de desaceleração e as expectativas para os próximos anos permanecem dentro do intervalo de tolerância da meta. A CNI também argumenta que a taxa real de juros continua elevada e limita investimentos e consumo.

Levantamento citado pela confederação aponta que 53% das empresas industriais esperam aumento da necessidade de financiamento para contas a pagar nos próximos três meses. Além disso, cerca de 39% projetam ampliação do endividamento bancário e 58% antecipam redução das margens líquidas.

Para a CNI, os juros elevados funcionam como um “imposto invisível” sobre a atividade produtiva, pressionando custos e reduzindo a capacidade de investimento.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    10 de agosto de 2026 7:26 am

    O agente laranja já fez muitos atos estúpidos a frente do seu governo, mas se de repente ele resolvesse praticar um ato tresloucado no âmbito fianceiro, ele poderia se cercar de alguns çábios economistas brasileiros que se dizem fiscalistas para orientá-lo sobre política de juros. Quem sabe, eles poderiam conseguir convencê-lo a praticar uma taxa de pelo menos 10% AA? Claro que a dívida iria estourar mais rápido, mas como diria um aluno da escolinha do professor Raimundo, eles fariam o seu comercial.

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