A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a inclusão do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no inquérito da Operação Sem Desconto, conduzido pelo ministro André Mendonça. A iniciativa baseia-se em revelações do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, que apontaram que a Bravo Grafeno, empresa de capacetes do parlamentar, compartilha endereço cadastral e serviços contábeis com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado pela Polícia Federal como operador de uma fraude bilionária contra aposentados.
Segundo o levantamento, a fabricante de capacetes de Flávio tem sede registrada na sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF). O mesmo local abrigava o registro de ao menos 16 firmas vinculadas a Antunes, preso preventivamente na Papuda desde 2025. Entre as companhias sediadas no imóvel está a Prospect Consultoria Empresarial, que recebeu R$ 204,2 milhões de entidades sob investigação da CPMI do INSS.
Conexão contábil e societária
A sala citada é ocupada na prática pela Voga Serviços Contábeis, empresa pertencente a Alexandre Caetano dos Reis, contador do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro e ex-sócio de Antunes em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Reis também foi preso no âmbito das apurações da PF.
Outro elo apurado envolve a administradora do escritório do senador, Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador. Em 2022, ela afirmou ter chegado ao cargo por indicação do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e defensor de Alexandre nos autos da Operação Sem Desconto.
Questionada sobre o compartilhamento do espaço e os vínculos investigados, a defesa da Voga limitou-se a declarar: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”. O senador Flávio Bolsonaro e a defesa de Antunes não se manifestaram.
Negócio e desdobramentos políticos
Criada em junho de 2024 com capital de R$ 100 mil, a Bravo Grafeno tem Jair Bolsonaro como garoto-propaganda. Em vídeo promocional da marca, ele declara: “Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”.
Ao justificar o acionamento do STF, Erika Hilton classificou as coincidências como graves: “É absurdo que um senador e candidato à presidência da República tenha uma empresa sediada no mesmo lugar onde 16 empresas de alguém indiciado por operar um dos maiores esquemas criminosos da história recente do nosso país”.
A Operação Sem Desconto apura o desvio de cerca de R$ 6,3 bilhões em mensalidades associativas cobradas indevidamente de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024. O esquema levou ao banimento definitivo desse tipo de cobrança no início de 2026.
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