4 de junho de 2026

O palco da contradição, por Natália Macedo Sanzovo

Do Justificando

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Por Natália Macedo Sanzovo

Há pouco mais de um ano, 20/08/13, eu e uma amiga psicóloga, Isabel Hamud, fomos conferir a roda de diálogo que estava sendo realizada na praça da Sé, entre autoridades, população, movimentos sociais e pessoas em situação de rua. Atividade esta organizada e promovida pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania; uma iniciativa muito bonita e verdadeiramente digna de aplausos.

O objetivo desta roda de diálogo, de um modo geral, era o de dar VOZ a esta população extremamente vulnerável e, a partir de suas falas e reivindicações, pensar em políticas públicas que pudessem atender as suas necessidades.

Nossa primeira surpresa foi nos depararmos com a organização do evento; apesar de sabermos de antemão (por meio do convite) que era uma atividade promovida pela própria prefeitura, tínhamos a expectativa de que fosse uma “roda” pequena e simples, mas nos deparamos com um palco, sistema de som com microfones, inúmeras cadeiras, equipe de filmagem, toda a praça com pinturas feitas por moradores de rua, cartazes e ampla participação.

Pois bem, enquanto assistíamos atentamente o discurso do secretário de Direitos Humanos que, por sinal, trouxe uma fala (aparentemente) muito verdadeira e cheia de vontade, nos chamou a atenção uma escancarada cena de violação aos direitos humanos.

Logo atrás de nós, a uns 4 metros, mais ou menos, um Senhorzinho, também em situação de rua (frágil, cansado, perdido), que procurava entender o significado das palavras do “homem de terno” e de todo aquele palco montado, foi abordado por policiais militares.

Ele se identificou aos policiais, apresentou seu RG e, então, foi dado início a revista de seus pertences. Ele portava apenas uma pequena sacola plástica. Dentro da misteriosa sacola, os PMs (sim, eram mais de 2) “contra” aquele potencial agressor encontraram “perigosas” mantas e casacos velhos e um “ofensivo” marmitex vazio. Pronto, satisfeitos com a significativa “apreensão”? Não, não foi o bastante. Percebemos, então, uma movimentação, a sacola sendo lacrada e o Senhorzinho sendo conduzido pelos PMs até o Distrito Policial mais próximo.

Neste momento, rapidamente abandonamos a roda de diálogo (evento promovido justamente para suscitar e combater estas questões de atrocidades contra o ser humano) para acompanhar ao vivo a afronta que estava acontecendo contra aquele Senhorzinho em situação de rua (ou seja, estávamos diante de um verdadeiro palco do contraditório).

Chegando no Distrito, avistamos o Senhorzinho, que fora liberado, porém, sem a sua sacola. Ela fora apreendida, lacrada e levada para o caminhão da Subprefeitura da Sé, juntamente com tantas outras sacolas, esperanças, sonhos e pertences de outras pessoas, também em situação de rua.

E o Senhorzinho? Estava lá, ao lado do caminhão, segurando, agora, apenas o que lhe restou, um protocolo com um número de lacre na mão, demonstrando sentir-se deslocado e perdido.

Na ocasião, nos aproximamos do Senhorzinho e perguntamos (mesmo já sabendo de tudo que tinha acontecido), o que estava ocorrendo. A este momento já haviam se juntado a nós outras pessoas, estudantes e um padre, também interessados em esclarecer a situação. E então, resumidamente ele nos respondeu: “levaram minhas coisas, tudo, não tinha nada de mais, só tinha umas blusas, uns casacos”.

Na verdade ele nem imaginava a dimensão da atrocidade que tinha sofrido e a completa ilegalidade da qual estava sendo vítima. Indignadas e convictas que estávamos diante de uma situação totalmente injustificada, procuramos compreender a razão para tamanha violação (como se houvesse alguma!) e, então, nos dirigimos aos PMs que estavam presentes no local (não os responsáveis pela apreensão, pois não estavam lá) e perguntamos se eles poderiam nos explicar porque aquele Senhorzinho teve sua sacola apreendida. Qual a fundamentação?

A resposta foi simples e genérica. Disseram que os PMs responsáveis pela apreensão estavam no exercício de sua função, logo, é dever deles realizar as abordagens quando suspeitam de alguma ilegalidade e completaram: “está na lei, Sra., tanto na Constituição Federal, no parágrafo 5º do artigo 144, como no parágrafo 2º do artigo 240 do Código de Processo Penal”.

Neste momento, totalmente insatisfeitas com aquela resposta, mas sem muito tempo para discutir sobre os limites do poder de polícia; o constrangimento acarretado ao Senhorzinho e as demais ilegalidades escancaradas, perguntamos o crucial aos PMs: Mas e a sacola, porque foi lacrada e apreendida? Não havia nenhuma irregularidade com os pertences daquele Senhor, nós acompanhamos o momento que ele foi revistado, só haviam casacos, blusas, mantas e um marmitex. E, então, de maneira evasiva e esquivando-se de qualquer possibilidade de reflexão, disseram que não poderiam saber já que não estavam na abordagem; insistimos em questionar a lógica da operação e prontamente responderam: “ah, provavelmente foi por conta da feira do rolo. Esse povo aí usa tudo o que tem para fazer rolo nesta feira, trocar com outras coisas, com droga ou objeto de crime, por exemplo”.

Então é isso. Uma pessoa em situação de rua é abordada, retiram seus pertences e a “justificativa” ou a “fundamentação” para tamanha arbitrariedade e abuso de poder é a feira do rolo? Ou seja, recolho os pertences do cidadão para que ele não venha cometer, futuramente, algo ilícito, como trocar suas roupas por drogas, por exemplo? É isso mesmo.

Embora esta ação dos PMs configure (ao nosso entender) simplesmente um crime de roubo, sua conduta está “amparada” por uma norma municipal que legitima a ação dos policiais militares e todo o procedimento burocrático da prefeitura. Segundo a fala do policial: “Estamos prevenindo crimes, minha Sra.”, e completa: “quando os pertences são recolhidos e levados para o caminhão da prefeitura, o cidadão recebe um protocolo e também a orientação de comparecer à subprefeitura (correspondente ao local onde teve seus pertences recolhidos) pois, após a análise dos funcionários públicos, ou seja, depois de verificarem que realmente não há nada de irregular com os produtos apreendidos, os pertences são liberados para o cidadão”. O que torna a situação ainda mais absurda, porque se um morador tiver a possibilidade de reaver seus pertences (considerando a dificuldade e o transtorno de ter de se deslocar até a subprefeitura e a necessidade de compreender a “lógica” da retirada dos pertences e se expressar até encontrar o local de retirada), poderá revender na “feira do rolo” mais tarde e, sendo assim, em absolutamente nada foi eficaz a suposta “prevenção”, a não ser em adiar um eventual “delito” e alimentar a indignação, insatisfação e descrença por parte da população vulnerável. E pior, se o morador não for retirar seus pertences (como deve acontecer na grande maioria dos casos) terá maior dificuldade de adquirir novos pertences (pois não terá sequer o que tinha antes para trocar).

Ou seja, não se trata de uma ação isolada dos Policiais Militares, mas sim de uma determinação da Prefeitura da cidade de São Paulo, a qual legitima o crime de ROUBO contra os moradores de rua (tendo em vista a retirada dos pertences sem o consentimento desta população) com base numa portaria ou decreto municipal.

Diante deste cenário, o que nos restava, pelo menos naquele momento, era voltar ao palco do contraditório, à roda de diálogo e chamar a atenção das autoridades que lá estavam presentes para o ocorrido. E foi o que fizemos. O padre contatou discretamente autoridades responsáveis para interceder pelo caso específico para que aquele senhor pudesse reaver seus bens. Esperei a minha vez, tomei o microfone e me dirigi ao subprefeito da Sé e ao secretário dos direitos humanos da cidade de São Paulo. Antes de mais nada, educadamente, elogiei o evento, enfatizando o quão era imprescindível dar voz àquela população tão marginalizada e vulnerável. Após, narrei a cena de atrocidades contra aquele Senhorzinho, que seus pertences estavam apreendidos por uma ação conjunta da Polícia Militar e Prefeitura de São Paulo e que aquele seria o momento mais que adequado para reverter este quadro de abusos contra esta população. Neste momento, consegui ler nos lábios do Subprefeito da Sé para eu não me preocuparpois os pertences daquele Senhorzinho seriam devolvidos imediatamente para ele. E então, parei, interiorizei aquele discurso direcionado e silencioso e respondi. Pois bem, Sr. Subprefeito, a situação deste Senhorzinho será resolvida, hoje. Amanhã ele pode ser vítima novamente desta mesma ação, certo? Além disso, e os demais moradores, como ficarão? Continuarão com seus pertences sendo recolhidos arbitrariamente? Até quando? Esta ação configura crime de roubo contra esta população. Portanto, já que este é o momento adequado para questionamentos, intervenções e propostas de efetivas mudanças para esta população em situação de rua, gostaria de propor que este tipo de atrocidade tivesse um fim imediato, que esta tal de portaria/decreto municipal que eu, por sinal, desconheço completamente, fosse revogada imediatamente, sob pena desta população continuar sendo constantemente violada e desrespeitada, dada sua vulnerabilidade. Só para concluir, na sacola do Senhorzinho havia um marmitex, mantas, blusas e casacos e hoje o termômetro diz que a temperatura máxima na capital não passará dos 15ºC e a madrugada será fria. Como é que isso é possível? Agradeço muito a atenção e espero, verdadeiramente, que este pedido seja acolhido imediatamente.

Poucas palavras, muita emoção e confusão naquele momento, mas a mensagem principal foi transmitida e não poderia deixar de ser, diante do ocorrido. O que fizemos foi pouco, nós sabemos, afinal, ter os pertences recolhidos é apenas uma das inúmeras violências que esta população está sujeita. No entanto, podemos dizer que não nos calamos diante daquela injustiça e procuramos reverter ao menos a atrocidade que nossos olhares conseguiram flagrar.

Ademais, muitos moradores falaram e gritaram (com intensidade, ousadia e coragem) com determinação e desejo de serem autores de suas próprias histórias. Esta fala, apesar de vir de um lugar diferente (daquela que nunca foi subjugada nem tampouco submetida a ter que dispor de seus pertences para averiguação), ecoou com intensidade, pois falava da verdade vivida cotidianamente por muitos que aplaudiram por se identificar e se mostrarem agraciados pela oportunidade de muito mais do que apenas serem ouvidos, mas sim por serem vistos.

Pois é, o Senhorzinho recuperou sua sacola e junto com ela tudo o que talvez lhe restou desta vida, um pouco de dignidade e esperança. E nós, saímos de lá aliviadas, por um lado, ao ter sanado uma ilegalidade pontual, mas extremamente perturbadas por saber que, ao menos nos próximos dias, meses, quiçá anos, aquela realidade permanecerá, até que alguma providência de fato seja tomada.

Por isso, os próximos passos devem ser dados. Comparecer na secretaria de direitos humanos e verificar quais medidas que serão tomadas frente as falas e reivindicações apresentadas na roda de diálogo do dia 20/08/13 e, principalmente, se a decisão (portaria ou decreto) que legitima o recolhimento arbitrário dos pertences de moradores de rua foi revogada (ou, ao menos, suspensa). De modo contrário, o caminho mais plausível será entrar em contato com os movimento pró população em situação de rua e ingressar no judiciário paulista contra este recolhimento compulsório (se é que já não há nada em andamento), a exemplo do que ocorreu em Belo Horizonte. O Tribunal de Justiça mineiro acolheu o recurso elaborado pelo Coletivo Margarida Alves de assessoria popular para confirmar a liminar já concedida e proibir que os agentes públicos municipais (Fiscalização e Guarda) e estaduais (Polícia Militar) recolham compulsoriamente os pertences pessoais da população em situação de rua, sob pena de execução da multa prevista no acórdão e responsabilização dos agentes públicos envolvidos (clique aqui, para mais detalhes sobre a decisão).

O dia 11 de julho de 2013, então, passou a ser uma data histórica para a população em situação de rua de Belo Horizonte, já que a decisão determinou que a Prefeitura de Belo Horizonte e o Estado de Minas Gerais cessassem as violações de Direitos Humanos desta população.

E, por aqui? Quando será o momento histórico que a capital mais “rica” do país (São Paulo, 1º lugar no ranking do IBGE/2010) dará um basta a este tipo de atrocidade contra a população em situação de rua? Enquanto a resposta é obscura, a luta será certa. Mobilizaremos interessados, nos juntaremos aos movimentos que apoiam a causa, não descansaremos e nem deixaremos que a roda de diálogo tão representativa e autêntica configure um mero e convencional “blá blá blá”.

Natália Macedo Sanzovo é Mestranda em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP). Advogada (OAB/SP 290.884). Coordenadora-adjunta do Grupo de Diálogo Universidade-Cárcere-Comunidade (GDUCC), atividade de extensão universitária da FDUSP. Coordenadora adjunta do Grupo de Estudos Avançados de Escolas Penais do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. Coordenadora adjunta do Grupo de Estudos avançados sobre as Modernas Tendências do Delito, coordenado pelo Professor Dr. Alexis de Couto Brito, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Monitora bolsista do Estágio Supervisionado em Docência, do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE) da FDUSP. 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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11 Comentários
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  1. Thal Caló

    1 de janeiro de 2015 9:21 pm

    Parabéns por colocar um pouco

    Parabéns por colocar um pouco de luz nessa realidade hipócrita que pune “legalmente” aqueles que não tem voz, ou melhor, os excluídos.

  2. alfredo machado

    1 de janeiro de 2015 10:06 pm

    Periferia diferenciada

    Natália,

    Em localidades na periferia dos grandes centros, o tratamento “diferenciado” da PM já é rotina há muitos anos, são capazes de revistar idosos em ponto de ônibus à luz do dia, um constrangimento só sem que exista qualquer motivação.

    Neste caso o Senhorzinho viveu o seu dia de sorte, caso contrário estaria sem nada, isto na melhor das hipóteses. E sabe quem está realmente preocupado com o bem estar destas pessoas simples ? No Centro do RJ andou passando por uma onda de assaltos praticados por grupos de malandros na hora do almoço, parece que diminuiu, mas eu não consegui ver qualquer informação sobre tais assaltos e nem quem coibiu os roubos, ou seja, para milhões de pessoas, nada aconteceu.  

  3. Djalmao23

    2 de janeiro de 2015 2:45 am

    Policia para quem precisa

    A polícia 3P que temos nas ruas hoje foi gestada pela ditradura e não está a serviço do povo. A polícia está a serviço do patrimônio privado do cidadão de bem (rico).

    Feliz 2015

  4. Ninguém

    2 de janeiro de 2015 3:20 am

    Com a palavra…

    O nosso preifeto, Fernando Haddad. A Natália Sanzovo descreve um fato gravíssimo e corriqueiro ocorrido há mais de quatro meses, de conhecimento público da prefeitura. Será que nenhuma medida foi tomada? Imagina se a PM resolvesse fazer isso com todos os cidadãos? Mas como essa agressão é apenas contra os mais desassistidos e não atinge os “cidadãos de bem”, fica por isso mesmo. Vai ver que a prefeitura, junto com a PM, resolveram implantar um sistema do tipo “Minority Report”, e ninguém ficou sabendo…

    1. Kamikaze

      2 de janeiro de 2015 11:59 pm

      … o nosso governador, Geraldo Alckmin

      Pois a PM se reporta ao Governador e não ao Prefeito de São Paulo.

      1. Ninguém

        20 de fevereiro de 2015 6:48 pm

        Sim, estou careca de saber disso.

        O que o artigo afirma, no entanto, é que se trata de uma iniciativa da Prefeitura em conjunto com a PM. O que gostaria de saber é o que a prefeitura tem a dizer sobre isso. Do Alckmin, já sei que só devo esperar o pior. Agora, do Haddad, sempre espero receber boas notícias. Por isso, o espanto que esse texto me causou.

        Bom notar que houve resposta por parte da prefeitura. Espero que tenha sido elevada a tópico principal também.

    2. Marcelo44

      3 de janeiro de 2015 12:03 am

      … o nosso governador, Geraldo Alckmin

      Só destacando que a PM se reporta ao Governador do Estado e não ao Prefeito de São Paulo.

  5. Rogerio Sottili

    2 de janeiro de 2015 11:38 am

    Resposta: Sec Mun de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura

    A Prefeitura de São Paulo sob a gestão do Prefeito Fernando Haddad criou, no início de seu governo, uma Secretria Municipal de Direitos Humanos e cidadania entendendo que o respeito, a defesa e a promoção dos Direitos Humanos e a participação social são imprescindíveis para se fazer de São Paulo uma cidade mais humana e mais democrática. Esta gestão nunca compactuou e nunca compactuará com nenhuma violação de direitos humanos, inclusive caso seja cometida por algum agente de estado.

    Em janeiro de 2013, um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) agrediu fisicamente um skatista e verbalmente outro, na Praça Roosevelt, centro de São Paulo. Ao tomar conhecimento do fato, o Prefeito Fernando Haddad o suspendeu por 120 dias, e durante o período recebeu apenas dois terços de seu salário.

    Nos causa estranhamento que quase um ano e meio depois tal assunto volte à tona. Até porque, desde então, temos avanços absolutamente significativos com relação ao tratamento e a promoção dos direitos da população em situação de rua, que a Sra. Natália parece desconhecer.

    Em maio de 2013 criamos a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) e, de forma pioneira, instituímos desta estrutura uma Coordenação de Políticas para a População em Situação de Rua responsável por fazer articulações e transversalizar, dentro do governo, a promoção dos direitos desta população tendo como princípio os direitos humanos. A atividade citada neste artigo, inclusive, fez parte de uma das primeiras ações da SMDHC, que é a de fazer processos de escuta de demandas periódicos com todos os grupos que se relacionam com as políticas de direitos humanos na cidade, e, entre eles, está a população de Rua.

    Tais atividades são importantíssimas para a cidade porque mostram que a participação social é algo intrínseco à nossa forma de fazer governo. O Diálogo com a População em Situação de Rua realizado na Praça da Sé em agosto de 2013, bem como todos os processos de escuta, marcam uma inflexão no modo como se faz política para grupos vulneráveis na cidade. Desde tal episódio, passamos a dialogar regularmente com o movimento da população em situação de rua, já que uma das demandas surgidas dessa atividade foi a criação de um Comitê que institucionalizasse um canal de diálogo e de escuta da prefeitura com esta população. Criamos o Comitê de Políticas para a População em Situação de Rua do qual participam diversas secretarias e representantes do Movimento de População de Rua, de forma paritária. É lá também que os apontamentos de quais devem ser as prioridades das políticas municipais com relação a este tema são decididos.

    Este é um avanço significativo com relação à política para população em situação de rua se compararmos a atual gestão com as anteriores. Mas não é o único. A gestão anterior utilizava-se, por exemplo, de jatos de água para fazer a limpeza das ruas do centro, ignorando a presença de moradores de rua e, como é de se imaginar, nunca manteve um diálogo altivo e democrático com este grupo. Foi sob o comando do Prefeito Fernando Haddad que institucionalizamos o diálogo com a população de rua, e, a partir daí, criamos equipamentos específicos para esta população como o abrigo da Zaki Narchi, criamos um programa de empregabilidade desta população que conta, inclusive, com uma fase de capacitação por meio do Pronatec PopRua, vamos destinar 2 mil das 55 mil habitações a serem construídas por meio do programa Minha Casa Minha Vida em São Paulo para a população de rua, instalaremos banheiros públicos no centro, que é uma demanda histórica deste movimento, entre muitas outras ações.

    Durante seu artigo, a Sra. Natália pede expressamente a revogação de portaria ou decreto por meio do qual a prefeitura incita conduta violenta ou crime. É imprescindível esclarecer que tal decreto ou portaria não existe. O que existe são duas diretrizes para procedimentos. A primeira delas com relação à apreensão de materiais de camelos, que são recolhidos e mediante comprovação de origem, liberados, e as diretrizes para limpeza urbana, na qual tanto as equipes de limpeza quanto a GCM foram orientadas para fazer abordagens que respeitem os direitos humanos em quaisquer ocasiões.

    Importante ressaltar que há dentro do Comitê de Políticas para a População em Situação de Rua que é diretamente ligado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, um Grupo de Trabalho que discute a regulamentação de ações como a citada no artigo e as ações de limpeza dos espaços urbanos que podem impactar de alguma forma a população em situação de rua.

    A situação descrita pela Sra. Natália de fato caracteriza-se como um abuso de conduta absolutamente reprovável por parte de agentes de estado. Mas, de forma alguma, tal conduta está amparada legalmente ou politicamente pela Prefeitura de São Paulo ou alguma norma municipal. Se há um compromisso do qual o Prefeito Fernando Haddad nunca abrirá mão é o de continuar resgatando a dignidade de todas as populações vulneráveis na cidade por meio da defesa dos direitos humanos e da participação social, promovendo cada vez mais a interação democrática entre governo, movimentos e sociedade civil.

    Forte abraço,

    Rogério Sottili

    Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo

    1. Rogério Sottili

      2 de janeiro de 2015 2:26 pm

      Continuação

      Faz-se importante ressaltar que a atuação da Prefeitura limita-se ao estabelecimento de normas contendo diretrizes para procedimentos internos, todos eles em acordo com as diretrizes de resgatar e promover dignidade da pessoa humana e resguardar os seus direitos, que são princípios da atuação desta gestão.

      Não há qualquer norma municipal que estabeleça regras para a atuação da Polícia Militar, órgão esse vinculado e de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. Importante que a Sra. Natália, inclusive quando direciona suas críticas, tenha clareza de quais são as competências de cada um dos entes federativos, em especial, porque em seus apontamentos, por diversas vezes, confunde as diferentes responsabilidades e imputa sobre a prefeitura ônus em relação a uma atuação que não está sob seu auspício.

      Em tempo, é necessário esclarecermos que durante todos esses meses, desde agosto de 2013 até o presente momento, não fomos procurados pela Sra. Natália para fornecer mais informações sobre os procedimentos e posturas adotados por esta instituição com relação à questão da população em situação de rua e nem para quaisquer outros esclarecimentos.

       

      Rogério Sottili

      Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania

      Prefeitura de São Paulo

    2. Rogério Sottili

      2 de janeiro de 2015 2:26 pm

      Continuação

      Faz-se importante ressaltar que a atuação da Prefeitura limita-se ao estabelecimento de normas contendo diretrizes para procedimentos internos, todos eles em acordo com as diretrizes de resgatar e promover dignidade da pessoa humana e resguardar os seus direitos, que são princípios da atuação desta gestão.

      Não há qualquer norma municipal que estabeleça regras para a atuação da Polícia Militar, órgão esse vinculado e de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. Importante que a Sra. Natália, inclusive quando direciona suas críticas, tenha clareza de quais são as competências de cada um dos entes federativos, em especial, porque em seus apontamentos, por diversas vezes, confunde as diferentes responsabilidades e imputa sobre a prefeitura ônus em relação a uma atuação que não está sob seu auspício.

      Em tempo, é necessário esclarecermos que durante todos esses meses, desde agosto de 2013 até o presente momento, não fomos procurados pela Sra. Natália para fornecer mais informações sobre os procedimentos e posturas adotados por esta instituição com relação à questão da população em situação de rua e nem para quaisquer outros esclarecimentos.

       

      Rogério Sottili

      Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania

      Prefeitura de São Paulo

  6. Edivaldo Carvalho

    2 de janeiro de 2015 3:18 pm

    O palco da Contradição

    Este artigo me fez lembrar uma situação de abuso na cidade de Guarulhos, algum tempo atras eu passava de carro perto do aeroporto de Guarulhos num bairro proximo da cabeceira da pista, onde havia uma blitz da policia civil enquanto passavamos lentamento com o carro pude observar um policial abordando duas jovens meninas e fazendo perguntas com aquele tom de voz alto para amendrota-las acabavamos de passar por eles quando não foi possivel ouvir o que ela respondeu mas foi possivel ouvir o barulho do tapa aplicado covardemente em uma delas. Eu nada pude fazer a não ser me indignar e saber que situações como esta devem se repetir todos os dias nas periferias das cidades, pois duvido que o mesmo policial agisse assim com os filhos dos papais.

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