
Não restam dúvidas de que, no Brasil, a corrupção é endêmica e se encontra entranhada em quase todas as instituições, notadamente as públicas, que administram o dinheiro do contribuinte.
As últimas operações da Polícia Federal, que resultaram em várias prisões, fizeram-me recordar do escritor, poeta e político italiano Dante Alighieri, autor da “Divina Comédia”.
Naquela obra de arte, ele realiza uma viagem ao inferno (que tem nove círculos), retratando a sua visão medieval e apresentando o destino de cada pessoa segundo seus pecados praticados durante a vida.
No belo texto da “Divina Comédia”, o autor reserva “Quinta Bolgia” para contar, com maestria, o destino dos corruptos.
Segundo Alighieri, os corruptos estão submergidos em um lago de espesso piche fervente. Os que tentam ficar com a cabeça acima do caldo são torturados por demônios que os dilaceram.
Durante a sua existência terrena, os corruptos tiraram proveito da confiança que a sociedade neles depositava; no inferno, estão submersos em caldos, pois suas negociações eram feitas às escondidas.
A “Sétima Bolgia” Dante reserva para os ladrões que têm seus corpos roubados constantemente por serpentes, que os atravessam e os desintegram, retirando seus traços humanos. É a punição por terem se apoderado em vida do que não era deles, sendo que agora, as serpentes se apoderam de suas próprias identidades.
No Nono Círculo, chamado de “Esfera da Antenora”, Alighieri relata a punição dos traidores de sua pátria ou partido político. Essas almas ficam submersas no nível do pescoço, com apenas suas cabeças fora do gelo.
Impressionante como uma obra do ano de 1266 retrata de forma magistral a atualidade e esculpe o destino certo que deveriam tomar todos os corruptos, ladrões e traidores que se valem da corrupção, nas suas mais variadas vertentes, para enriquecimento próprio e manutenção no poder.
Os séculos se passaram e as formas de se corromper foram aperfeiçoadas. A dilapidação do patrimônio público continua soando nos ouvidos pilantras como um canto sedutor em que tudo pode e deve ser feito para que o Sistema podre de conchavos e negociatas seja mantido.
A Polícia Federal deve seguir a sua cruzada. Mesmo sendo um órgão vinculado ao Ministério da Justiça que, por sua vez segue as ordens da presidente da República, não pode deixar de atuar em prol de uma nação de homens probos e que respeitem a sociedade.
O escritor americano Richard Wright (1908/1960) já dizia que não podemos deixar indícios para serem interpretados quando existem provas a serem apresentadas. Essa deve ser a função da Justiça.
Espero que a nação brasileira supere mais essa onda de corrupção e que a visão de Dante Alighieri, tão atual e mordaz, sirva (ao menos) de reflexão e que os corruptos de nossa nação sejam julgados e condenados.
Sigamos em frente, pois como bem disse o escritor sul-africano Alan Paton: “desistir de reformar a sociedade é desistir de suas próprias responsabilidades como homem livre.”
Lucinei
26 de novembro de 2014 4:11 pmLembrando que os corruptores,
Lembrando que os corruptores, sim, os corruoptores, devem arder neste mesmo círculo.
Ralph Panzutti
26 de novembro de 2014 4:58 pmsobre corrupção
De fato a Polícia Federal tem ir a fundo. Mas temos que considerqar que ela foi a fundo e outros processos, um caso foi no próprio Paraná. Vide o discurso de Requião no Senado e não deu nada absolutamente em nada. Os supostos corruptos estão ainda no governo. E foi mais de 13 anos. Agora com essas informações seletivas, vamos por na cadeia mas, como sempre a justiça neste pais que prende preto, prostituta pobre e agora petista.
Marcelo F. Campos
26 de novembro de 2014 5:18 pm“Não restam dúvidas de que,
“Não restam dúvidas de que, no Brasil, a corrupção é endêmica e se encontra entranhada em quase todas as instituições, notadamente as públicas, que administram o dinheiro do contribuinte.”
Quer dizer que levou 17 anos para os brasileiros darem razao aos norte-americanos quando o departamnto de comercio deles alertou o entao presidente Clinhton que existia “um excelente potencial de negócios no Brasil, mas aqui a corrupção ainda é endêmica na cultura brasileira”.
A corrupção no Brasil é generalizada em todos os niveis e insituições possíveis. Faz parte da nossa cultura ser desonesto e levar “um a mais”. Quando nossa sociedade vaio parar de colocar isso debate do tapete e encarar de frente esse problema moral que nos atinge de forma tão profunda?
Aí chega algumk tolo e diz: “em todo lugar tem corrupção”. Mas quem está falando da existencia ou noa de corupoção? O cerne da questão nao é esse, mas a forma como a desonestidade, a pilhagem, a malandragem está arraigada na sociedade brasileira. Parece uma chaga, uma maldição que nunca será superada em nosso país.
Ser corrupto é um estilo de vida no Brasil. E não sao apenas os altos funcionários e empresários. Em todos os niveis de atividade economica e em todas as classes, a corrupção está presente de forma marcante nos brasileiros.
Jean Baptiste
26 de novembro de 2014 5:50 pmMuito boa essa ligação
Muito boa essa ligação histórica da corrupção, roubo e castigos, mas lembrando que que não se trata de uma “onda de corrupção” posto que está aí há bastante tempo, somente não era investigada e quando investigada não é punida, vide Castelo de Areia e Satiagraha.
Ivanisa Teitelroit Martins
26 de novembro de 2014 7:52 pmDante Alighieri
Um texto bem construído e com senso afinado por analogia. Converte a análise dos impasses político-financeiros em peças literárias. Seria uma grande notícia se a imprensa voltasse a escrever com essa qualidade de texto.
altamiro souza
26 de novembro de 2014 11:57 pmbom artigo, dá pra começar a
bom artigo, dá pra começar a curtir dante de uma forma mais abrangente ainda.
mas confesso que o clima tá mais
para tempos de inquisição medieval.
um certo terror macartista ronda nossas mentes…
alfredo machado
27 de novembro de 2014 12:40 amOs partícipes
Cláudio,
Muitos, talvez a maioria, sequer desista, pois nem tiveram a possibilidade de começar a discutir sobre a sua sociedade. Já aqueles que podem ser partícipes, começam a ficar velhos no exato momento em que optam por desistir de suas responsabilidades.