
da Folha
O novo mercado de capitais chinês
Marcos Caramuru de Paiva
Entre os casais novos, o marido tem o cartão de crédito em seu nome, mas quem o guarda é a mulher
Cresce vertiginosamente na China o número das plataformas na internet para empréstimos de pessoa a pessoa (“P para P”).
Em 2012, elas eram 110. No final de 2013, o número chegou a 700. Em julho de 2014, já são 1.200.
Numa economia em que muitos poupam e o mercado de capitais é pouco desenvolvido, o “P para P” parece bastante atraente para os investidores.
O retorno pode chegar a 17% ou 18% ao ano, enquanto o investimento de prazo fixo numa instituição bancária remunera na casa dos 3,5%.
Não se trata de operação ilegal. É supervisionada pela CBRC, órgão que regula o sistema bancário. E, embora a CBRC determine que as plataformas devam se limitar a fornecer informações aos que nelas investem, algumas oferecem garantias e buscam vender a ideia de que o dinheiro em suas mãos é seguro. Não é exatamente assim.
Além dos “P para P”, há outros investimentos financeiros quase informais. Um é o chamado “pagamento por terceira parte”. Trata-se de investir em crédito ao consumo para quem compra on-line.
Tanto o investidor nessa terceira parte, a quem é prometido retorno em taxa fixa, como o comprador, a quem é oferecido o crédito, operam exclusivamente na internet. O Banco Central é o regulador dessas operações.
Outra modalidade ainda é o chamado “crowdfunding”, uma plataforma para investimentos em ativos de renda variável.
A remuneração depende do resultado das aplicações. O regulador é a CSRC, a comissão de valores mobiliários chinesa.
Há duas explicações principais para o crescimento desse mercado na China: uma, o apetite para o risco dos poupadores; outra, o grau de confiança mútua na sociedade.
Não pagar é “perder a face”. O compromisso moral vale mais do que promissórias assinadas.
Ainda que quem se comprometa com a remuneração do investimento seja apenas uma plataforma virtual, sem nome ou sobrenome e sem prova de experiência no mercado.
E há duas razões a justificá-las: um sistema bancário pouco ágil e o uso ainda relativamente limitado dos cartões de crédito.
Nos grandes centros urbanos, os cartões são difundidos. Mas o cidadão de renda média ainda não tem uma noção apurada de crédito.
Em geral, não lhe passa pela cabeça pagar apenas uma parcela da conta do cartão. Entre os casais novos ou numa família não abastada, o marido tem o cartão de crédito em seu nome, mas quem o guarda é a mulher. O uso do cartão é parcimonioso, feito com um entendimento prévio entre os dois.
Os tomadores nas plataformas são os que necessitam urgentemente de recursos e os jovens que se veem afogados pela propensão a consumir e não dispõem de salário para comprar, por exemplo, o mais novo produto eletrônico na praça.
Mas, no cômputo geral, o chinês ainda é sobretudo um poupador. O site de compras Taobao e o comércio on-line estão contribuindo para mudar essa realidade. Mas vai levar tempo para que o consumo cresça nas taxas que o governo e os analistas econômicos gostariam de ver.
Mário Mendonça
3 de novembro de 2014 10:48 amNassif
Será que entendi
Nassif
Será que entendi direito ou a matéria esta expondo uma certa usura do novo mercado chines heim?
altamiro souza
3 de novembro de 2014 2:49 pmpode ser usura, mas só que
pode ser usura, mas só que lá pelo que diz a
mídia ocidental o ousurário pode ser deapitado se
ultrapassar os limites ditos chineses.